{"id":125087,"date":"2020-04-12T09:54:40","date_gmt":"2020-04-12T12:54:40","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=125087"},"modified":"2020-04-12T09:54:40","modified_gmt":"2020-04-12T12:54:40","slug":"entrevista-especial-com-leonardo-boff-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/entrevista-especial-com-leonardo-boff-3\/","title":{"rendered":"Entrevista especial com Leonardo Boff"},"content":{"rendered":"<p><strong><img class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2016\/10\/29_10_leonardo_boff_foto_acervo_ihu_congresso_continental_teologia.jpg\" alt=\"\" \/>Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o na evolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Aproximar-se dos significados da\u00a0Ressurrei\u00e7\u00e3o do Cristo\u00a0requer exerc\u00edcios que, por vezes, as perspectivas de cientificismo moderno os fazem parecer imposs\u00edveis. \u00c9 por isso que o te\u00f3logo\u00a0Leonardo Boff\u00a0reitera a perspectiva de que\u00a0ressuscitar\u00a0\u00e9 muito mais do que trazer um corpo morto \u00e0 vida, como o pr\u00f3prio\u00a0Cristo\u00a0fez com\u00a0L\u00e1zaro, que, mais tarde, tornou a morrer. \u201cRessurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 a irrup\u00e7\u00e3o do \u2018<em>novissimus Adam<\/em>\u2019 de S\u00e3o Paulo (1Cor 15,45). Vale dizer que \u00e9 a completa realiza\u00e7\u00e3o de todas as virtualidades incont\u00e1veis presentes no ser humano\u201d, define. Assim, ele reconhece que \u00e9 preciso um denso movimento de descolamento do mundo biol\u00f3gico, em que s\u00f3 a raz\u00e3o \u00e9 capaz de fornecer explica\u00e7\u00f5es. \u201c[A\u00a0Ressurrei\u00e7\u00e3o] n\u00e3o \u00e9 um fato hist\u00f3rico pass\u00edvel de ser detectado por uma m\u00e1quina fotogr\u00e1fica ou pela televis\u00e3o. \u00c9 um fato que aconteceu em\u00a0Jesus, acess\u00edvel pela f\u00e9 dos testemunhos\u201d, pontua.<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, concedida por e-mail \u00e0\u00a0IHU On-Line,\u00a0Boff\u00a0ainda explica que \u201ca\u00a0Ressurrei\u00e7\u00e3o\u00a0\u00e9 a concretiza\u00e7\u00e3o da utopia pregada por\u00a0Jesus, o Reino de Deus que implica a\u00a0supera\u00e7\u00e3o da morte e do morrer\u201d. Mas como compreender isso, relegando provas (cient\u00edficas) concretas? \u00c9 a\u00ed que, segundo o te\u00f3logo, a narrativa m\u00edtica se inscreve como alternativa. \u201cO melhor caminho \u00e9 elaborar narrativas e projetar mitos que, no sentido moderno do termo, \u00e9 um meio de expressar o indiz\u00edvel. O mito n\u00e3o inventa o fato, d\u00e1-lhe uma forma que possamos compreend\u00ea-lo\u201d, explica.<\/p>\n<div class=\"ihu-small-image-left\">\n<div class=\"news-image-credits\">\n<p>Leonardo Boff\u00a0\u00e9 doutor em Teologia pela Universidade de Munique. Foi professor de teologia sistem\u00e1tica e ecum\u00eanica com os Franciscanos em Petr\u00f3polis e, depois, professor de \u00e9tica, filosofia da religi\u00e3o e de ecologia filos\u00f3fica na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. \u00c9 assessor de movimentos populares, reconhecido pelo seu trabalho com a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o e nas \u00e1reas de filosofia, \u00e9tica, espiritualidade e ecologia. Publicou diversos livros acerca desses temas, dos quais destacamos\u00a0Nossa ressurrei\u00e7\u00e3o na morte\u00a0(Petr\u00f3polis: Vozes, 2012),\u00a0Jesus Cristo libertador\u00a0(Petr\u00f3polis: Vozes, 2011),\u00a0Cristianismo: o m\u00ednimo do m\u00ednimo\u00a0(Petr\u00f3polis: Vozes, 2011) e\u00a0Imita\u00e7\u00e3o de Cristo de Tom\u00e1s de Kempis e Seguimento de Jesus\u00a0(Livro V) (Petr\u00f3polis: Vozes, 2016).\u00a0Ecologia &#8211; Grito da terra, grito dos pobres. Dignidade e direitos da m\u00e3e terra (Petr\u00f3polis: Vozes, 2015).<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Em que medida a Modernidade inebria o entendimento pleno do conceito de Ressurrei\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<div class=\"news-citacao-right\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\">O sentido da vida \u00e9 mais vida, \u00e9 a plenitude da vida. \u00c9 aquilo que n\u00f3s crist\u00e3os chamamos de Ressurrei\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Leonardo Boff \u2013<\/strong>\u00a0N\u00e3o vejo que a\u00a0Modernidade\u00a0tenha interesse no tema da\u00a0Ressurrei\u00e7\u00e3o, n\u00e3o nos autores que conhe\u00e7o. Preocupam-se sim pelo tema da\u00a0morte. Por outro lado, se tivermos um conceito mais aprofundado do ser humano, a\u00ed sim aponta o tema da\u00a0Ressurrei\u00e7\u00e3o. Se concedermos que o ser humano \u00e9 um projeto infinito e devorado por um desejo que n\u00e3o conhece limites, como\u00a0Arist\u00f3teles\u00a0[1] e\u00a0Freud\u00a0[2] reconheceram, a\u00ed se coloca a quest\u00e3o: qual \u00e9 o objeto adequado ao seu impulso infinito e ao obscuro objeto de seu desejo infinito?<\/p>\n<p>S\u00f3 um infinito sacia nossa sede de infinito, s\u00f3 uma vida que seja eterna faz descansar o desejo. \u00c9 a famosa experi\u00eancia agostiniana do \u201c<em>cor inquietum<\/em>\u201d que somente repousa quando encontra Deus. O\u00a0sentido da vida\u00a0\u00e9 mais vida, \u00e9 a plenitude da vida. \u00c9 aquilo que n\u00f3s crist\u00e3os chamamos de\u00a0Ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 No que consiste o &#8220;ressuscitar&#8221; segundo a Teologia e a Antropologia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Leonardo Boff \u2013<\/strong>\u00a0Ressurrei\u00e7\u00e3o\u00a0n\u00e3o pode ser identificada com a reanima\u00e7\u00e3o de um cad\u00e1ver como o de\u00a0L\u00e1zaro\u00a0[3] que, por fim, acabou morrendo. Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 a irrup\u00e7\u00e3o do \u201c<em>novissimus Adam<\/em>\u201d de S\u00e3o Paulo (1Cor 15,45). Vale dizer, \u00e9 a completa realiza\u00e7\u00e3o de todas as virtualidades incont\u00e1veis presentes no ser humano. Se ele \u00e9 um projeto infinito, a Ressurrei\u00e7\u00e3o representa o\u00a0<em>momeem<\/em>\u00a0em que estas virtualidades chegam a sua plena flora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Quais o limites de se buscar a Ressurrei\u00e7\u00e3o como um dado hist\u00f3rico? E de que forma a leitura m\u00edtica pode ampliar o entendimento acerca da Ressurrei\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Leonardo Boff \u2013<\/strong>\u00a0Ningu\u00e9m viu a\u00a0ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. Temos apenas testemunhos de pessoas \u00e0s quais deixou-se ver. E h\u00e1 apenas sinais como o sepulcro vazio e suas vestes. Portanto, n\u00e3o \u00e9 um fato hist\u00f3rico pass\u00edvel de ser detectado por uma m\u00e1quina fotogr\u00e1fica ou pela televis\u00e3o. \u00c9 um fato que aconteceu em Jesus, acess\u00edvel pela f\u00e9 dos\u00a0testemunhos.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\">A Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 a concretiza\u00e7\u00e3o da utopia pregada por Jesus, o Reino de Deus que implica a supera\u00e7\u00e3o da morte e do morrer<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Esse evento n\u00e3o pertence ao mundo do <em>bios<\/em>, da vida biol\u00f3gica que sempre termina na morte. Por isso os textos judiciosamente falam em\u00a0<em>Zo\u00e9<\/em>, que significa uma vida eterna. Tamb\u00e9m n\u00e3o dizem: n\u00f3s vimos o Senhor, mas Ele deixou-se ver (<em>\u00f3phte<\/em>\u00a0em grego, que \u00e9 o medial de\u00a0<em>or\u00e1o<\/em>). A iniciativa parte de\u00a0Jesus\u00a0e n\u00e3o dos\u00a0ap\u00f3stolos, aos quais permite v\u00ea-lo. Poder\u00edamos dizer que a\u00a0Ressurrei\u00e7\u00e3o\u00a0\u00e9 a concretiza\u00e7\u00e3o da utopia pregada por Jesus, o Reino de Deus que implica a\u00a0supera\u00e7\u00e3o da morte\u00a0e do morrer. N\u00e3o sem raz\u00e3o que\u00a0Or\u00edgenes\u00a0[4], um dos mais geniais te\u00f3logos crist\u00e3os do norte do Egito no s\u00e9culo III, denomina a ressurrei\u00e7\u00e3o como a\u00a0<em>autobasileia tou Chritou<\/em>. Traduzindo: a autorrealiza\u00e7\u00e3o do Reino em Cristo.<\/p>\n<p>Quando as realidades s\u00e3o grandes demais, faltam-nos conceitos e palavras. O melhor caminho \u00e9 elaborar narrativas e projetar mitos que no sentido moderno do termo (em C.G. Jung e nos antrop\u00f3logos) \u00e9 um meio de expressar o indiz\u00edvel. O mito n\u00e3o inventa o fato, d\u00e1-lhe uma forma que possamos compreend\u00ea-lo. Nessa linha dever-se-ia pensar a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. Antropologicamente ela \u00e9 fecunda, pois vem ao encontro daquilo que de ut\u00f3pico e infinito discernimos no ser humano.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Muitos estudiosos defendem que a Ressurrei\u00e7\u00e3o do Cristo \u00e9 a vit\u00f3ria da vida sobre a morte. Como podemos compreender tal perspectiva?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Leonardo Boff \u2013<\/strong>\u00a0A vida \u00e9 chamada para a vida e n\u00e3o para a morte, mesmo quando sabemos que vamos morrer um dia. Esse \u00e9 o anseio fundamental do ser humano, n\u00e3o apenas viver muito, mas, como notava\u00a0Nietzsche\u00a0[5], viver eternamente. Nesse sentido, a\u00a0Ressurrei\u00e7\u00e3o\u00a0representa um tipo de vida t\u00e3o plena que nela n\u00e3o penetra a\u00a0morte.<\/p>\n<p>Mas para isso ela precisa se transfigurar, vale dizer, realizar totalmente o ser humano em suas infind\u00e1veis possibilidades. N\u00e3o vivemos para morrer, como diriam os existencialistas. Morremos para ressuscitar. Dom\u00a0Pedro Casald\u00e1liga\u00a0[6] o formulou bem: a alternativa crista \u00e9: ou vida ou ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 \u00c9 poss\u00edvel afirmar que o Deus vivo no Cristo s\u00f3 se revela plenamente na Ressurrei\u00e7\u00e3o? Por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<div class=\"news-citacao-right\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\">O mito n\u00e3o inventa o fato, d\u00e1-lhe uma forma que possamos compreend\u00ea-lo<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Leonardo Boff \u2013<\/strong>\u00a0Enquanto estava entre n\u00f3s,\u00a0Jesus\u00a0participava de todo tipo de limita\u00e7\u00f5es e at\u00e9 achaques da exist\u00eancia humana. \u00c9 o que est\u00e1 impl\u00edcito da encarna\u00e7\u00e3o. O autor da\u00a0Ep\u00edstola aos Hebreus\u00a0\u00e9 bem concreto: \u201centre s\u00faplicas, clamores e l\u00e1grimas se dirigiu \u00e0quele que o podia salvar da morte\u2026 e aprendeu a obedecer por meio dos sofrimentos que teve\u201d (Hbr 5,7-8). Mais adiante diz que ele \u201c\u00e9 o general da f\u00e9\u201d (12,2). A\u00a0Ressurrei\u00e7\u00e3o\u00a0\u00e9 a ultrapassagem desta situa\u00e7\u00e3o carnal e passa \u00e0 situa\u00e7\u00e3o \u201cespiritual\u201d (do Esp\u00edrito de vida). Aqui Deus se revela como o Deus que faz de um morto vivo e de um vivo o \u201cnov\u00edssimo Ad\u00e3o\u201d. D\u00e1-se a plena revela\u00e7\u00e3o do Deus vivo que quer a vida e que no livro da Sabedoria se revela como \u201co apaixonado amante da vida\u201d (Sb 11,24).<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 No que consiste a ideia de \u201cressurrei\u00e7\u00e3o da carne\u201d e de que forma se articula com a perspectiva do t\u00famulo vazio, t\u00e3o detalhadamente descrito na narrativa de Marcos [7]?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Leonardo Boff \u2013<\/strong>\u00a0\u201cCarne\u201d, biblicamente, significa a situa\u00e7\u00e3o humana fr\u00e1gil, doentia, mortal. Essa situa\u00e7\u00e3o pela\u00a0Ressurrei\u00e7\u00e3o\u00a0foi totalmente transmutada.\u00a0Paulo\u00a0o diz claramente: \u201csemeia-se um corpo vital e ressuscita-se um corpo espiritual\u201d (1 Cor 15,44.). Eu sustento a tese, aceita por muitos, de que as apari\u00e7\u00f5es no final do\u00a0evangelho de Marcos\u00a0seriam um acr\u00e9scimo posterior, um pequeno resumo das apari\u00e7\u00f5es. O\u00a0Marcos\u00a0original n\u00e3o teria nada disso. Termina\u00a0Jesus\u00a0dizendo \u201caos disc\u00edpulos e a\u00a0Pedro\u00a0que Ele (Jesus) os preceder\u00e1 na Galileia. L\u00e1 me vereis como vos disse\u201d (Mc 16,7).<\/p>\n<p>Com isso quero dizer:\u00a0Jesus\u00a0n\u00e3o se manifestou ainda de forma plena. Todos n\u00f3s estamos a caminho da Galileia (o termo da hist\u00f3ria) para ent\u00e3o v\u00ea-lo face a face. Assim me parece se entende melhor a hist\u00f3ria humana que apesar da\u00a0Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo\u00a0na verdade nada mudou, pois campeia a morte e a viol\u00eancia no mundo. Na esperan\u00e7a caminhamos para a Galileia da ressurrei\u00e7\u00e3o. O pr\u00f3prio Jesus est\u00e1 em processo de ressurrei\u00e7\u00e3o, pois seus irm\u00e3os e irm\u00e3s, que somos n\u00f3s, ainda n\u00e3o ressuscitaram nem o universo que lhe pertence alcan\u00e7ou a sua plenitude. Ele est\u00e1 ainda em fase de cosmog\u00eanese. Quando tudo se completar, ent\u00e3o, Jesus e sua comunidade ter\u00e3o finalmente ressuscitado [8]. Aqui cabem as palavras de\u00a0Ernst Bloch\u00a0[9]: \u201co g\u00eanesis est\u00e1 no fim e n\u00e3o no come\u00e7o\u201d.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 O senhor diz que a Ressurrei\u00e7\u00e3o representa \u201cuma revolu\u00e7\u00e3o na evolu\u00e7\u00e3o\u201d. Gostaria que detalhasse essa perspectiva.<\/strong><\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\">Ao inv\u00e9s de falar em cosmologia, dever\u00edamos falar em cosmog\u00eanese, a lenta e progressiva g\u00eanese de todas as coisas<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Leonardo Boff \u2013<\/strong>\u00a0A moderna cosmologia unanimemente afirma que o estado do universo n\u00e3o \u00e9 a estabilidade, mas a mobilidade. Tudo est\u00e1 se expandindo, se complexificando e se autocriando. A evolu\u00e7\u00e3o permite que as virtualidades latentes dentro do universo conhe\u00e7am emerg\u00eancias, possam irromper sob as formas mais diferentes. Neste sentido, o universo n\u00e3o est\u00e1 ainda pronto. Ao inv\u00e9s de falar em cosmologia, dever\u00edamos falar em\u00a0cosmog\u00eanese, a lenta e progressiva g\u00eanese de todas as coisas.<\/p>\n<p>Quando digo, seguindo\u00a0J\u00fcrgen Moltmann\u00a0[10], que\u00a0Ressurrei\u00e7\u00e3o\u00a0\u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o na evolu\u00e7\u00e3o, quero dizer que Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 uma pequena antecipa\u00e7\u00e3o do fim bom da cria\u00e7\u00e3o, como se o termo da evolu\u00e7\u00e3o se antecipasse e nos mostrasse em pequeno o que nos est\u00e1 preparado. Isso \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o dentro da evolu\u00e7\u00e3o que ainda continua e segue seu curso.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 De que forma o panente\u00edsmo pode contribuir para o entendimento da Ressurrei\u00e7\u00e3o no nosso tempo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Leonardo Boff \u2013<\/strong>\u00a0A express\u00e3o\u00a0panente\u00edsmo\u00a0foi criada no s\u00e9culo XIX por um te\u00f3logo protestante de nome\u00a0Krause\u00a0[11]. Ele quer dizer aquilo que a\u00a0teologia antiga e cl\u00e1ssica\u00a0ensinava e ainda ensina com a express\u00e3o \u201c<em>peric\u00f3rese<\/em>\u201d (a intro e retro rela\u00e7\u00e3o de tudo com tudo) ou \u201c<em>circumincesio<\/em>\u201d. Primeiramente era aplicada na rela\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o com o Criador: ambos est\u00e3o de tal maneira imbricados que um n\u00e3o pode ser entendido sem o outro. Depois, aplicou-se \u00e0 cristologia e \u00e0\u00a0doutrina trinit\u00e1ria. As tr\u00eas divinas Pessoas est\u00e3o t\u00e3o intimamente relacionadas que uma sempre implica a outra e assim eternamente.<\/p>\n<p>Panente\u00edsmo\u00a0significa, ent\u00e3o, que Deus est\u00e1 em tudo e tudo est\u00e1 em Deus, resguardadas as diferen\u00e7as entre criatura e Criador. N\u00e3o se trata de\u00a0pante\u00edsmo\u00a0segundo o qual tudo \u00e9 indistintamente Deus. O pr\u00f3prio\u00a0Voltaire\u00a0[12] mostrou o absurdo filos\u00f3fico que tal afirma\u00e7\u00e3o comporta. O panente\u00edsmo guarda as diferen\u00e7as, mas revela como ambos est\u00e3o presentes um no outro e que n\u00e3o podem ser pensados separadamente. Esta compreens\u00e3o pode gerar uma m\u00edstica como aquela de\u00a0Pierre Teilhard de Chardin\u00a0[13] ou de\u00a0S\u00e3o Francisco de Assis\u00a0[14], que conseguiam ver Deus em todas e em qualquer realidade.<\/p>\n<p>O Cristo c\u00f3smico das ep\u00edstolas de\u00a0S\u00e3o Paulo\u00a0e da introdu\u00e7\u00e3o do\u00a0evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o\u00a0d\u00e3o-nos a perspectiva do \u201cpleroma\u201d, vale dizer, da universalidade da presen\u00e7a do\u00a0Ressuscitado\u00a0em todas as coisas. C\u00e9lebre \u00e9 o dito 33 do\u00a0evangelho ap\u00f3crifo de S\u00e3o Tom\u00e9\u00a0que grandes nomes da exegese como\u00a0Joaquim Jeremias\u00a0e outros lhe conferem grande autoridade, pois parece ter sa\u00eddo da boca do Ressuscitado: \u201cEu sou a Luz do mundo. Tudo saiu de mim e tudo volta a mim. Rache a lenha e estou dentro dela, levante a pedra e estou debaixo dela. Porque estarei convosco todos os dias at\u00e9 o final dos tempos\u201d. Levantar uma pedra \u00e9 oneroso e rachar lenha \u00e9 penoso. Mesmo esses afazeres comuns cont\u00eam a presen\u00e7a do Ressuscitado.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Como a volta \u00e0 experi\u00eancia da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Cristo pode inspirar a humanidade do nosso tempo a superar seus dilemas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Leonardo Boff \u2013<\/strong>\u00a0Talvez este pequeno conto da \u00e1rea da ecologia pode responder a esta pergunta e que se encontra no meu livro\u00a0Ecologia: grito da Terra &#8211; grito dos pobres\u00a0[15] (p. 307): \u201c<em>Certa feita um velho e santo monge foi visitado em sonho pelo Ressuscitado. Este, o Ressuscitado, o convidou para passearem pelo jardim. O monge acedeu com entusiasmo e cheio de curiosidade. Depois de andarem longo tempo, para frente e para tr\u00e1s pelo caminho do jardim como fazem os monges depois do almo\u00e7o, ainda hoje, o santo e velho religioso ousou perguntar: \u2018Senhor, quando andavas pelos caminhos da Palestina, dissestes, certa feita, que voltarias um dia com toda a pompa e gl\u00f3ria. Est\u00e1 demorando tanto esta sua volta!\u2019 Depois de momentos de sil\u00eancio que pareciam uma eternidade, o Ressuscitado respondeu: \u2018meu irm\u00e3ozinho querido: quando minha presen\u00e7a no universo e na natureza for evidente; quando minha presen\u00e7a sob a tua pele e no teu cora\u00e7\u00e3o for t\u00e3o real quanto a minha presen\u00e7a aqui e agora; quando esta consci\u00eancia se tornar corpo e sangue em ti a ponto de n\u00e3o mais pensares nisso; quando estiveres t\u00e3o imbu\u00eddo desta verdade que n\u00e3o mais precisas perguntar com curiosidade, ent\u00e3o, meu querido irm\u00e3o, eu terei retornado com toda a minha pompa e gl\u00f3ria<\/em>\u201d. E mais n\u00e3o se precisa dizer: o\u00a0Ressuscitado\u00a0est\u00e1 entre n\u00f3s apenas nas f\u00edmbrias do mist\u00e9rio; quem crer e for sens\u00edvel perceber\u00e1 sua presen\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong>:<\/p>\n<p>[1]\u00a0<strong>Arist\u00f3teles de Estagira<\/strong>\u00a0(384 a.C.-322 a.C.): fil\u00f3sofo nascido na Calc\u00eddica, Estagira. Suas reflex\u00f5es filos\u00f3ficas \u2013 por um lado, originais; por outro, reformuladoras da tradi\u00e7\u00e3o grega \u2013 acabaram por configurar um modo de pensar que se estenderia por s\u00e9culos. Prestou significativas contribui\u00e7\u00f5es para o pensamento humano, destacando-se nos campos da \u00e9tica, pol\u00edtica, f\u00edsica, metaf\u00edsica, l\u00f3gica, psicologia, poesia, ret\u00f3rica, zoologia, biologia e hist\u00f3ria natural. \u00c9 considerado, por muitos, o fil\u00f3sofo que mais influenciou o pensamento ocidental. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[2]\u00a0<strong>Sigmund Freud<\/strong>\u00a0(1856-1939): neurologista nascido em Freiberg, Tchecoslov\u00e1quia. \u00c9 o fundador da psican\u00e1lise. Interessou-se, inicialmente, pela histeria e, tendo como m\u00e9todo a hipnose, estudou pessoas que apresentavam esse quadro. Mais tarde, interessado pelo inconsciente e pelas puls\u00f5es, foi influenciado por Charcot e Leibniz, abandonando a hipnose em favor da associa\u00e7\u00e3o livre. Estes elementos tornaram-se bases da psican\u00e1lise. Desenvolveu a ideia de que as pessoas s\u00e3o movidas pelo inconsciente. Freud, suas teorias e o tratamento com seus pacientes foram controversos na Viena do s\u00e9culo 19 e continuam ainda muito debatidos. A edi\u00e7\u00e3o 179 da IHU On-Line, de 8-5-2006, dedicou-lhe o tema de capa sob o t\u00edtulo\u00a0Sigmund Freud. Mestre da suspeita. A edi\u00e7\u00e3o 207, de 4-12-2006, tem como tema de capa\u00a0Freud e a religi\u00e3o. A edi\u00e7\u00e3o 16 dos Cadernos IHU em forma\u00e7\u00e3o tem como t\u00edtulo\u00a0Quer entender a modernidade? Freud explica.\u00a0(Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[3] O entrevistado refere-se \u00e0 passagem b\u00edblica de Jo\u00e3o, cap\u00edtulos 11 e 12. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[4]\u00a0<strong>Or\u00edgenes de Alexandria ou Or\u00edgenes, o Crist\u00e3o<\/strong>\u00a0(185-253): foi um te\u00f3logo, fil\u00f3sofo neoplat\u00f4nico patr\u00edstico e \u00e9 um dos Padres gregos. Um dos mais distintos pupilos de Am\u00f4nio de Alexandria, Or\u00edgenes foi um prol\u00edfico escritor crist\u00e3o, de grande erudi\u00e7\u00e3o, ligado \u00e0 Escola Catequ\u00e9tica de Alexandria (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[5]\u00a0<strong>Friedrich Nietzsche<\/strong>\u00a0(1844-1900): fil\u00f3sofo alem\u00e3o, conhecido por seus conceitos al\u00e9m-do-homem, transvalora\u00e7\u00e3o dos valores, niilismo, vontade de poder e eterno retorno. Entre suas obras, figuram como as mais importantes Assim falou Zaratustra (Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 1998), O anticristo (Lisboa: Guimar\u00e3es, 1916) e A genealogia da moral (S\u00e3o Paulo: Centauro, 2004). Escreveu at\u00e9 1888, quando foi acometido por um colapso nervoso que nunca o abandonou at\u00e9 o dia de sua morte. A Nietzsche, foi dedicado o tema de capa da edi\u00e7\u00e3o n\u00famero 127 da IHU On-Line, de 13-12-2004, intitulado Nietzsche: fil\u00f3sofo do martelo e do crep\u00fasculo, dispon\u00edvel para download em http:\/\/bit.ly\/Hl7xwP. A edi\u00e7\u00e3o 15 dos Cadernos IHU em forma\u00e7\u00e3o \u00e9 intitulada\u00a0O pensamento de Friedrich Nietzsche. Confira, tamb\u00e9m, a entrevista concedida por Ernildo Stein \u00e0 edi\u00e7\u00e3o 328 da revista IHU On-Line, de 10-5-2010, intitulada\u00a0O biologismo radical de Nietzsche n\u00e3o pode ser minimizado, na qual discute ideias de sua confer\u00eancia A cr\u00edtica de Heidegger ao biologismo de Nietzsche e a quest\u00e3o da biopol\u00edtica, parte integrante do Ciclo de Estudos Filosofias da diferen\u00e7a \u2013 Pr\u00e9-evento do XI Simp\u00f3sio Internacional IHU: O (des)governo biopol\u00edtico da vida humana. Na edi\u00e7\u00e3o 330 da revista IHU On-Line, de 24-5-2010, leia a entrevista\u00a0Nietzsche, o pensamento tr\u00e1gico e a afirma\u00e7\u00e3o da totalidade da exist\u00eancia, concedida pelo professor Oswaldo Giacoia. Na edi\u00e7\u00e3o 388, de 9-4-2012, leia a entrevista\u00a0O amor fati como resposta \u00e0 tirania do sentido, com Danilo Bilate. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[6] D.\u00a0<strong>Pedro Casald\u00e1liga<\/strong>: bispo prelado de S\u00e3o F\u00e9lix, Mato Grosso. \u00c9 poeta e escritor de renome internacional. Quando assume a prelazia de S\u00e3o Felix, em pleno regime militar, denuncia veementemente o latif\u00fandio e defende a reforma agr\u00e1ria e o direito ind\u00edgena \u00e0 terra. Foi duramente perseguido pelo regime militar. Pe. Jo\u00e3o Bosco Penido Burnier, jesu\u00edta, foi assassinado ao lado dele, no dia 12 de outubro de 1976. A\u00a0edi\u00e7\u00e3o 137\u00a0da IHU On-Line, de 18 de abril de 2005, publicou uma entrevista com Casald\u00e1liga: O pr\u00f3ximo pontificado ser\u00e1 um tempo de transi\u00e7\u00e3o significativo. A\u00a0edi\u00e7\u00e3o 89, de 12 de janeiro de 2004, trouxe entrevista com o religioso, falando sobre a homologa\u00e7\u00e3o de terra cont\u00ednua para \u00edndios. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[7] Marcos 16. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[8] Ver um aprofundamento no meu \u201cCristianismo: o m\u00ednimo do m\u00ednimo, Petr\u00f3polis: Vozes 2015. (Nota do entrevistado)<\/p>\n<p>[9]\u00a0<strong>Ernst Bloch<\/strong>\u00a0(1885-1977): fil\u00f3sofo alem\u00e3o marxista heterodoxo, que construiu vasta obra que ressalta o papel da utopia na hist\u00f3ria do homem. Seu livro O Princ\u00edpio Esperan\u00e7a (Rio de Janeiro: Contraponto, 2005), foi destacado na editoria Livro da Semana da 151\u00aa edi\u00e7\u00e3o da revista IHU On-Line, de 15-8-2005, com a realiza\u00e7\u00e3o de duas entrevistas sobre a obra: uma com o tradutor do livro, N\u00e9lio Schneider, e outra com o professor da UFRGS Edson Sousa. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[10]\u00a0<strong>J\u00fcrgen Moltmann<\/strong>\u00a0(1926): professor em\u00e9rito de Teologia da Faculdade Evang\u00e9lica da Universidade de T\u00fcbingen. Um dos mais importantes te\u00f3logos vivos da atualidade. Foi um dos inspiradores da Teologia Pol\u00edtica nos anos 1960 e influenciou a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o. \u00c9 autor de Teologia da Esperan\u00e7a (S\u00e3o Paulo: Herder, 1971) e Deus crucificado: a cruz de Cristo como fundamento e cr\u00edtica da teologia crist\u00e3 (Petr\u00f3polis: Vozes, 1993), entre outros. Do autor, a Editora Unisinos publicou o livro A vinda de Deus. Escatologia crist\u00e3 (S\u00e3o Leopoldo, 2003). Confira a\u00a0entrevista de Moltmann\u00a0na IHU On-Line n\u00ba 94, de 29-3-2004. Sobre o tema, Frei Luiz Carlos Susin deu\u00a0uma entrevista na edi\u00e7\u00e3o 72, de 25-8-2003. A edi\u00e7\u00e3o 23 dos Cadernos Teologia P\u00fablica, de 26-9-2006, tem como t\u00edtulo Da possibilidade de morte da Terra \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o da vida. A teologia ecol\u00f3gica de J\u00fcrgen Moltmann, de autoria de Paulo S\u00e9rgio Lopes Gon\u00e7alves. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[11]\u00a0<strong>Karl Christian Friedrich Krause<\/strong>\u00a0(1781-1832): fil\u00f3sofo alem\u00e3o, nascido em Eisenberg, em Saxe-Gotha-Altenburg. Sua filosofia, conhecida como &#8220;Krausism&#8221;, foi muito influente na Restaura\u00e7\u00e3o da Espanha. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[12]\u00a0<strong>Voltaire<\/strong>\u00a0(1694-1778): pseud\u00f4nimo de Fran\u00e7ois-Marie Arouet, poeta, ensa\u00edsta, dramaturgo, fil\u00f3sofo e historiador iluminista franc\u00eas. Uma de suas obras mais conhecidas \u00e9 o Dicion\u00e1rio Filos\u00f3fico, escrito em 1764. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[13]\u00a0<strong>Pierre Teilhard de Chardin<\/strong>\u00a0(1881-1955): paleont\u00f3logo, te\u00f3logo, fil\u00f3sofo e jesu\u00edta que rompeu fronteiras entre a ci\u00eancia e a f\u00e9 com sua teoria evolucionista. O cinquenten\u00e1rio de sua morte foi lembrado no Simp\u00f3sio Internacional Terra Habit\u00e1vel: um desafio para a humanidade, promovido pelo IHU em 2005. Sobre ele, leia a edi\u00e7\u00e3o 140 da IHU On-Line, de 9-5-2005,\u00a0Teilhard de Chardin: cientista e m\u00edstico. Veja tamb\u00e9m a edi\u00e7\u00e3o 304, de 17-8-2009,\u00a0O futuro que adv\u00e9m. A evolu\u00e7\u00e3o e a f\u00e9 crist\u00e3 segundo Teilhard de Chardin. Confira, ainda, as entrevistas\u00a0Chardin revela a cumplicidade entre o esp\u00edrito e a mat\u00e9ria, na edi\u00e7\u00e3o 135, de 5-5-2005, em\u00a0 e\u00a0Teilhard de Chardin, Saint-Exup\u00e9ry, publicada na edi\u00e7\u00e3o 142, de 23-5-2005, em , ambas com Waldecy Ten\u00f3rio. Na edi\u00e7\u00e3o 143, de 30-5-2005, George Coyne concedeu a entrevista\u00a0Teilhard e a teoria da evolu\u00e7\u00e3o. Leia tamb\u00e9m a edi\u00e7\u00e3o 45 edi\u00e7\u00e3o do Cadernos IHU ideias\u00a0A realidade qu\u00e2ntica como base da vis\u00e3o de Teilhard de Chardin\u00a0e uma nova concep\u00e7\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica; a edi\u00e7\u00e3o 78 do Cadernos de Teologia P\u00fablica,\u00a0As implica\u00e7\u00f5es da evolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para a sem\u00e2ntica da f\u00e9 crist\u00e3; e a edi\u00e7\u00e3o 22 do Cadernos de Teologia P\u00fablica,\u00a0Terra Habit\u00e1vel: um desafio para a teologia e a espiritualidade crist\u00e3s\u00a0. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[14]<strong>\u00a0S\u00e3o Francisco de Assis<\/strong>\u00a0(1181-1226): frade cat\u00f3lico, fundador da &#8220;Ordem dos Frades Menores&#8221;, mais conhecida como Franciscanos. Foi canonizado em 1228 pela Igreja Cat\u00f3lica. Por seu apre\u00e7o \u00e0 natureza, \u00e9 mundialmente conhecido como o santo patrono dos animais e do meio ambiente. Sobre Francisco de Assis confira a edi\u00e7\u00e3o 238 da IHU On-Line, de 1-10-2007, intitulada\u00a0Francisco. O santo\u00a0e a entrevista com a medievalista italiana Chiara Frugoni, intitulada\u00a0Uma outra face de S\u00e3o Francisco de Assis, na revista IHU On-Line n\u00famero 469, de 3-8-2015. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[15] Petr\u00f3polis: Vozes, 2015. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o na evolu\u00e7\u00e3o Aproximar-se dos significados da\u00a0Ressurrei\u00e7\u00e3o do Cristo\u00a0requer exerc\u00edcios que, por<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o na evolu\u00e7\u00e3o Aproximar-se dos significados da\u00a0Ressurrei\u00e7\u00e3o do Cristo\u00a0requer exerc\u00edcios que, por","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/125087"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=125087"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/125087\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=125087"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=125087"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=125087"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}