{"id":125056,"date":"2020-04-12T12:00:09","date_gmt":"2020-04-12T15:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=125056"},"modified":"2020-04-11T21:02:00","modified_gmt":"2020-04-12T00:02:00","slug":"coronavirus-e-seguranca-hidrica-e-preciso-acesso-universal-a-agua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/coronavirus-e-seguranca-hidrica-e-preciso-acesso-universal-a-agua\/","title":{"rendered":"Coronav\u00edrus e seguran\u00e7a h\u00eddrica: \u00e9 preciso acesso universal \u00e0 \u00e1gua"},"content":{"rendered":"<div class=\"vc_row wpb_row vc_row-fluid eltdf-section eltdf-content-aligment-left\">\n<div class=\"clearfix eltdf-full-section-inner\">\n<div class=\"wpb_text_column wpb_content_element \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong><em><span class=\"s2\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-125057\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/agua-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/agua-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/agua.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>*Por Vanessa Empinotti ,\u00a0<\/span><span class=\"s2\">Rayssa Saidel Cortez e<\/span><span class=\"s1\">\u00a0<\/span><span class=\"s2\">Luciana Nicolau Ferrara especial para a Carta Capital \u2013\u00a0<\/span><\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>A principal preven\u00e7\u00e3o ao cont\u00e1gio \u00e9 individual e relacionada aos nossos corpos. Essa preven\u00e7\u00e3o depende do acesso \u00e0 \u00e1gua limpa<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Com o reconhecimento da pandemia da Covid-19 no Brasil, as principais orienta\u00e7\u00f5es adotadas mundialmente consistem na higieniza\u00e7\u00e3o das m\u00e3os com \u00e1gua e sab\u00e3o, al\u00e9m de permanecer em casa e assim reduzir o risco de aglomera\u00e7\u00f5es e contato com pessoas possivelmente infectadas. Isso porque o v\u00edrus se propaga pelo contato entre pessoas, e entre pessoas e objetos contaminados. Estas recomenda\u00e7\u00f5es chamam a aten\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua escala de a\u00e7\u00e3o, o acesso \u00e0 \u00e1gua e \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida, ou seja, trata-se de uma quest\u00e3o de seguran\u00e7a h\u00eddrica.<\/p>\n<p>A principal preven\u00e7\u00e3o ao cont\u00e1gio \u00e9 individual e relacionada aos nossos corpos. Essa preven\u00e7\u00e3o depende do acesso \u00e0 \u00e1gua limpa em quantidade adequada nos domic\u00edlios e das condi\u00e7\u00f5es habitacionais que devem permitir distanciamento e n\u00e3o aglomera\u00e7\u00e3o de pessoas. Ou seja, as orienta\u00e7\u00f5es das autoridades assumem que toda a popula\u00e7\u00e3o tem o mesmo acesso \u00e0 \u00e1gua e \u00e0 moradia. Por\u00e9m, essas condi\u00e7\u00f5es de acesso n\u00e3o s\u00e3o iguais para todas as classes sociais e os problemas se agravam exatamente para os mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>Pesquisas recentes explicitaram que as popula\u00e7\u00f5es mais afetadas pela falta ou insufici\u00eancia de acesso \u00e0 \u00e1gua s\u00e3o as de baixa renda \u2013 principalmente as com baixa escolaridade e a popula\u00e7\u00e3o negra \u2013, al\u00e9m dos moradores em situa\u00e7\u00e3o de rua. Nas grandes cidades, esse problema se concentra nas favelas, ocupa\u00e7\u00f5es, assentamentos populares e aldeias ind\u00edgenas. Ao mesmo tempo, a Covid-19 escancara que as a\u00e7\u00f5es para promover a seguran\u00e7a h\u00eddrica n\u00e3o ser\u00e3o efetivas se n\u00e3o alcan\u00e7arem a escala do indiv\u00edduo e dos corpos. Ou seja, n\u00e3o \u00e9 suficiente garantir \u00e1gua em quantidade e qualidade adequada na escala regional enquanto utilizarmos um sistema de abastecimento desigual e injusto.<\/p>\n<p>Uma crise como essa mostra que o nosso modelo de abastecimento apresenta fragilidades na sua capacidade de garantir \u00e1gua a todos os indiv\u00edduos \u2013 com domic\u00edlio ou sem domic\u00edlio \u2013, para quem pode e n\u00e3o pode pagar pelo servi\u00e7o. E ainda que exista uma alta cobertura da rede de abastecimento de \u00e1gua, como no munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo que possui cerca de 99,3% (SNIS\/2018), mas, com a distribui\u00e7\u00e3o irregular, isto torna-se insuficiente para garantir a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, uma vez que uma doen\u00e7a causada por um v\u00edrus se propaga, em maior intensidade, na falta de acesso \u00e0 \u00e1gua. Aqueles que n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 \u00e1gua n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de fazer a sua parte e, para eles, lavar as m\u00e3os n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o ou um gesto simples.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">A Covid-19 nos mostra que o problema de seguran\u00e7a h\u00eddrica no pa\u00eds, mais claramente nas regi\u00f5es altamente urbanizadas e onde h\u00e1 maior concentra\u00e7\u00e3o populacional, \u00e9 consequ\u00eancia da expans\u00e3o desigual da infraestrutura urbana decorrente de estruturas sociais historicamente d\u00edspares. Nossos problemas de seguran\u00e7a h\u00eddrica n\u00e3o s\u00e3o causados apenas pelos eventos extremos (fortes chuvas e longos per\u00edodos de estiagem), mas s\u00e3o principalmente consequ\u00eancia de uma sociedade injusta e desigual, que se omite frente ao fato de que parte dessa sociedade n\u00e3o tem acesso \u00e0 \u00e1gua de qualidade e em quantidade adequada.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">\u00c9 uma sociedade que naturaliza a desigualdade, que aceita como normal a exist\u00eancia de favelas, ocupa\u00e7\u00f5es e pessoas vivendo nas ruas, pois \u201csempre foi assim\u201d. Igualmente, tornou-se normal para alguns ter caixa d\u2019\u00e1gua em casa para garantir o armazenamento da \u00e1gua que chega de forma intermitente nos domic\u00edlios, passando despercebidas as varia\u00e7\u00f5es no abastecimento, enquanto para muitos outros, torna-se cotidiano tomar banho de canequinha. \u00c9 preciso aproveitar o momento de crise, quando essas injusti\u00e7as aparecem com mais for\u00e7a, para desnaturalizar e buscar superar tais desigualdades.<\/span><\/p>\n<div class=\"teads-inread sm-screen\">\n<div>\n<div id=\"teads1\" class=\"teads-player\"><span class=\"s1\">A Covid-19 tamb\u00e9m evidencia os desafios e a magnitude das segrega\u00e7\u00f5es ambientais urbanas, onde o controle da doen\u00e7a depende da a\u00e7\u00e3o coletiva e a desigualdade de acesso \u00e0 \u00e1gua \u2013 seja na casa ou em espa\u00e7os p\u00fablicos \u2013 impede que tal a\u00e7\u00e3o e pr\u00e1ticas se concretizem.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0\u00a0<\/span>Tamb\u00e9m mostra que\u00a0<\/span><span class=\"s2\">o acesso universal \u00e0 \u00e1gua<\/span>\u00a0<span class=\"s2\">deve ser uma das premissas da seguran\u00e7a h\u00eddrica\u00a0<\/span><span class=\"s1\">e que, sem a universaliza\u00e7\u00e3o, vive-se sob uma permanente inseguran\u00e7a h\u00eddrica, comprometendo um direito humano b\u00e1sico.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 \u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Hoje temos a oportunidade de identificar e reconhecer tais problemas nesta \u201cexperi\u00eancia\u201d mundial que \u00e9 a pandemia da Covid-19. Cabe a n\u00f3s, como sociedade, aprendermos com esta experi\u00eancia e n\u00e3o aceitarmos a n\u00e3o-universaliza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 \u00e1gua como fato corriqueiro e natural. Esta \u00e9 uma quest\u00e3o de vida ou morte e, independente da ocorr\u00eancia ou n\u00e3o de eventos extremos, a universaliza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 \u00e1gua \u00e9 uma necessidade, um direito e uma obriga\u00e7\u00e3o do\u00a0<\/span><span class=\"s2\">Estado<\/span><span class=\"s1\">.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p class=\"p3\"><em><span class=\"s2\">*Vanessa Empinotti \u00e9\u00a0<\/span><span class=\"s1\">engenheira agr\u00f4noma, doutora em Geografia, professora da UFABC no bacharelado em Planejamento Territorial e no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Planejamento e Gest\u00e3o do Territ\u00f3rio.\u00a0\u00a0<\/span><span class=\"s2\">Rayssa Saidel Cortez \u00e9 a<\/span><span class=\"s1\">rquiteta e urbanista, doutoranda em Planejamento e Gest\u00e3o do Territ\u00f3rio pela UFABC.\u00a0<\/span><span class=\"s2\">Luciana Nicolau Ferrara \u00e9 a<\/span><span class=\"s1\">rquiteta e urbanista, professora da UFABC no bacharelado em Planejamento Territorial e no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Planejamento e Gest\u00e3o do Territ\u00f3rio e coordenadora do Lepur (Laborat\u00f3rio de Estudos e Projetos Urbanos e Regionais).\u00a0<\/span><span class=\"s1\">As autoras s\u00e3o colaboradoras do Ondas (Observat\u00f3rio Nacional dos Direitos \u00e0 \u00c1gua e ao Saneamento) e pesquisadoras no grupo de pesquisa eco.t (Ecologia Pol\u00edtica, Planejamento e Territ\u00f3rio) do Labjuta (Laborat\u00f3rio Justi\u00e7a Territorial\/UFABC), escrevem em parceria com o BrCidades.<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Por Vanessa Empinotti ,\u00a0Rayssa Saidel Cortez e\u00a0Luciana Nicolau Ferrara especial para a Carta Capital \u2013\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":125057,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/agua.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/agua-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/agua-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/agua.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/agua.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/agua.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/agua.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/agua.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/agua.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/agua.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"*Por Vanessa Empinotti ,\u00a0Rayssa Saidel Cortez e\u00a0Luciana Nicolau Ferrara especial para a Carta Capital \u2013\u00a0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/125056"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=125056"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/125056\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/125057"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=125056"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=125056"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=125056"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}