{"id":124889,"date":"2020-04-09T09:00:04","date_gmt":"2020-04-09T12:00:04","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=124889"},"modified":"2020-04-08T13:12:49","modified_gmt":"2020-04-08T16:12:49","slug":"se-nao-agirmos-rapido-o-tamandua-bandeira-corre-o-risco-de-ser-extinto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/se-nao-agirmos-rapido-o-tamandua-bandeira-corre-o-risco-de-ser-extinto\/","title":{"rendered":"\u201cSe n\u00e3o agirmos r\u00e1pido, o tamandu\u00e1-bandeira corre o risco de ser extinto\u201d"},"content":{"rendered":"<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p><em><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-124890\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/tamanduar-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/tamanduar-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/tamanduar.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>O simp\u00e1tico\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographicbrasil.com\/animais\/mamiferos\/tamandua-bandeira\">tamandu\u00e1-bandeira\u00a0<\/a>esteve presente em todos os seis biomas brasileiros. Hoje, contudo, a esp\u00e9cie \u00e9 considerada possivelmente extinta nos Pampas. J\u00e1 na Caatinga e na Mata Atl\u00e2ntica, segundo o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), o status \u00e9 de \u201cquase extinta\u201d. Com popula\u00e7\u00f5es relativamente est\u00e1veis no Pantanal e na Amaz\u00f4nia, o tamandu\u00e1-bandeira vem sofrendo dr\u00e1sticas redu\u00e7\u00f5es no Cerrado, onde h\u00e1 maior concentra\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. A amea\u00e7a \u00e9 causada por motivos que v\u00e3o da fragmenta\u00e7\u00e3o do habitat aos inc\u00eandios, ca\u00e7a e atropelamentos. O bi\u00f3logo e conservacionista Vinicius Alberici, explorador da\u00a0<strong>National Geographic<\/strong>, vem concentrando seus esfor\u00e7os para mudar essa realidade, como ele conta nessa entrevista.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--small\"><a class=\"ngart-img__cntr\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Durante o mestrado, Vinicius Alberici\u00a0revisou a distribui\u00e7\u00e3o do tamandu\u00e1-bandeira e indicou\u00a0\u00e1reas priorit\u00e1rias para a\u00a0conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_470\/public\/vinicius_alberici_02.jpg\" alt=\"Durante o mestrado, Vinicius Alberici\u00a0revisou a distribui\u00e7\u00e3o do tamandu\u00e1-bandeira e indicou\u00a0\u00e1reas priorit\u00e1rias para a\u00a0conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie ...\" width=\"640\" height=\"960\" \/><\/picture><\/a><\/p>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">Durante o mestrado, Vinicius Alberici\u00a0revisou a distribui\u00e7\u00e3o do tamandu\u00e1-bandeira e indicou\u00a0\u00e1reas priorit\u00e1rias para a\u00a0conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie nos biomas brasileiros.<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">ROBIN MOORE<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<h3><strong>Por que voc\u00ea optou por estudar especificamente os tamandu\u00e1s?<\/strong><\/h3>\n<p>A primeira vez que vi um tamandu\u00e1-bandeira na natureza foi no Pantanal. Na \u00e9poca, eu cursava o segundo ano de Biologia na Universidade de S\u00e3o Paulo, em Ribeir\u00e3o Preto. Como um jovem bi\u00f3logo, nascido e criado no interior de S\u00e3o Paulo, assistindo a document\u00e1rios sobre vida selvagem e lendo revistas da\u00a0<strong>National Geographic<\/strong>, lembro de ter ficado em \u00eaxtase ao ver aquele curioso animal. Embora eu j\u00e1 soubesse na \u00e9poca que queria trabalhar com conserva\u00e7\u00e3o, nunca imaginei que um dia faria parte de um esfor\u00e7o maior para salvar a esp\u00e9cie da extin\u00e7\u00e3o. Alguns anos depois, ao terminar minha gradua\u00e7\u00e3o, um professor meu, grande especialista em pregui\u00e7as (os primos mais pr\u00f3ximos dos tamandu\u00e1s), se interessou em trabalhar com o tamandu\u00e1-bandeira no estado de S\u00e3o Paulo, onde havia pouca informa\u00e7\u00e3o. Foi ent\u00e3o que iniciei meus estudos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o (mestrado e doutorado). Durante o mestrado, revisei a distribui\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie e indiquei \u00e1reas priorit\u00e1rias para a sua conserva\u00e7\u00e3o nos biomas brasileiros. Em 2018, iniciei o doutorado e me juntei ao Projeto Bandeiras e Rodovias, com o objetivo de compreender e mitigar os impactos das estradas nas popula\u00e7\u00f5es de tamandu\u00e1-bandeira do Cerrado.<\/p>\n<h3><strong>Qual \u00e9 a import\u00e2ncia desses animais nos ecossistemas que eles habitam?<\/strong><\/h3>\n<p>Tamandu\u00e1s-bandeiras podem servir de alimento para algumas esp\u00e9cies de grandes predadores carn\u00edvoros, como a on\u00e7a-pintada e a on\u00e7a-parda. Al\u00e9m disso, os tamandu\u00e1s atuam no controle das popula\u00e7\u00f5es de insetos, como formigas e cupins.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"pull-quote pull-quote--small\">\n<h3>\u201cO Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses com maior diversidade biol\u00f3gica do mundo e tem grande responsabilidade na conserva\u00e7\u00e3o da natureza. \u201d<\/h3>\n<div class=\"pull-quote__author\">POR\u00a0<span class=\"pull-quote__name\">VINICIUS ALBERICI<\/span><\/div>\n<div class=\"pull-quote__source\">BI\u00d3LOGO<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<h3><strong>E como podemos definir os riscos que os tamandu\u00e1s correm atualmente no pa\u00eds?<\/strong><\/h3>\n<p>No Brasil, embora historicamente o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographicbrasil.com\/animais\/mamiferos\/tamandua-bandeira\">tamandu\u00e1-bandeira<\/a>\u00a0tenha ocorrido em todos os biomas, de acordo com a avalia\u00e7\u00e3o mais recente realizada pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), a esp\u00e9cie \u00e9 considerada possivelmente extinta nos Pampas, e quase extinta na Caatinga e na Mata Atl\u00e2ntica, onde os registros mais recentes s\u00e3o muito raros. Embora relativamente est\u00e1vel no Pantanal e na Amaz\u00f4nia, o tamandu\u00e1-bandeira vem sofrendo dr\u00e1sticas redu\u00e7\u00f5es populacionais no Cerrado, bioma que provavelmente abriga a maior fra\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. As principais amea\u00e7as ao tamandu\u00e1-bandeira hoje s\u00e3o a perda e a fragmenta\u00e7\u00e3o de habitat, os inc\u00eandios, a ca\u00e7a e os atropelamentos.<\/p>\n<h3><strong>Quais caracter\u00edsticas fazem dos tamandu\u00e1s animais \u00fanicos?<\/strong><\/h3>\n<p>O tamandu\u00e1-bandeira \u00e9 um mam\u00edfero de m\u00e9dio porte, parente das pregui\u00e7as e dos tatus. \u00c9 o maior entre os tamandu\u00e1s, podendo atingir 2 metros de comprimento e pesando cerca de 40 kg. Esses animais t\u00eam uma cauda grande, com pelos grossos, e \u00e9 por causa dela que recebem seu nome popular: \u201cbandeira\u201d (em espanhol, \u00e9 chamado de\u00a0<em>oso hormiguero<\/em>\u00a0ou urso-formigueiro; em ingl\u00eas, de\u00a0<em>giant antater\u00a0<\/em>ou gigante comedor de formigas). O tamandu\u00e1-bandeira possui um focinho alongado e uma boca sem dentes. Eles usam suas garras dianteiras afiadas para desenterrar formigas e cupins, que capturam com a ajuda de uma l\u00edngua comprida (chega at\u00e9 60cm) e pegajosa. Tamandu\u00e1s-bandeiras podem comer at\u00e9 30 mil formigas em um \u00fanico dia. Ao nascer, o filhote de tamandu\u00e1 sobe nas costas da m\u00e3e, que o carrega por cerca de seis meses. Se olhar com aten\u00e7\u00e3o, perceber\u00e1 que as listras pretas e brancas da m\u00e3e e do filhote se alinham perfeitamente, servindo como camuflagem contra poss\u00edveis predadores. O tamandu\u00e1-bandeira \u00e9 uma esp\u00e9cie end\u00eamica da regi\u00e3o neotropical e ocorre nas Am\u00e9ricas do Sul e Central. Eles vivem em ambientes abertos e florestais. Apesar de preferirem habitats naturais, sua presen\u00e7a em paisagens agr\u00edcolas e at\u00e9 mesmo urbanas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o incomum. O tamandu\u00e1-bandeira n\u00e3o tolera ambientes muito frios, nem muito quentes. Nos per\u00edodos mais quentes do dia, ele gosta de descansar sob a sombra das \u00e1rvores, ou tomar um banho para se refrescar.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\"><a class=\"ngart-img__cntr\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_470\/public\/atividade_de_campo_01_vinicius_alberici-1.jpg\" media=\"(max-width: 470px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Vinicius Alberici monta uma armadilha fotogr\u00e1fica para registrar os animais. O projeto Bandeiras e Rodovias\u00a0tem como ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_885\/public\/atividade_de_campo_01_vinicius_alberici-1.jpg\" alt=\"Vinicius Alberici monta uma armadilha fotogr\u00e1fica para registrar os animais. O projeto Bandeiras e Rodovias\u00a0tem como ...\" width=\"639\" height=\"423\" \/><\/picture><\/a><\/p>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">Vinicius Alberici monta uma armadilha fotogr\u00e1fica para registrar os animais. O projeto Bandeiras e Rodovias\u00a0tem como objetivo entender, quantificar e mitigar os impactos das estradas nas popula\u00e7\u00f5es de tamandu\u00e1-bandeira.<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">BRUNA OLIVEIRA<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\"><a class=\"ngart-img__cntr\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_470\/public\/atividade_de_campo_03_vinicius_alberici.jpg\" media=\"(max-width: 470px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Uma das principais amea\u00e7as ao tamandu\u00e1-bandeira \u00e9 o atropelamento, particularmente no Cerrado do Mato Grosso do ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_885\/public\/atividade_de_campo_03_vinicius_alberici.jpg\" alt=\"Uma das principais amea\u00e7as ao tamandu\u00e1-bandeira \u00e9 o atropelamento, particularmente no Cerrado do Mato Grosso do ...\" width=\"640\" height=\"424\" \/><\/picture><\/a><\/p>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">Uma das principais amea\u00e7as ao tamandu\u00e1-bandeira \u00e9 o atropelamento, particularmente no Cerrado do Mato Grosso do Sul. A esp\u00e9cie\u00a0est\u00e1 entre os de mam\u00edferos com maior taxa de mortalidade nas estradas brasileiras.<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">D\u00c9BORA YOGUI<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<h3><strong>Por que devemos focar na conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies espec\u00edficas da biodiversidade brasileira?<\/strong><\/h3>\n<p>A conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies brasileiras da fauna e da flora, bem como dos ambientes em que elas vivem, garante a sustentabilidade dos recursos naturais e a manuten\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos essenciais ao bem-estar humano. O Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses com maior diversidade biol\u00f3gica do mundo e tem grande responsabilidade na conserva\u00e7\u00e3o da natureza. A\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o que reduzam o risco de extin\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies amea\u00e7adas s\u00e3o positivas para o meio ambiente e para a sociedade brasileira.<\/p>\n<h3><strong>Conte um pouco sobre os esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o para essa esp\u00e9cie.<\/strong><\/h3>\n<p>Uma das principais amea\u00e7as ao tamandu\u00e1-bandeira \u00e9 o atropelamento, particularmente no Cerrado do Mato Grosso do Sul. O Cerrado est\u00e1 passando por um r\u00e1pido desenvolvimento agr\u00edcola e \u00e9 fragmentado por uma rede cada vez maior de estradas. O tamandu\u00e1-bandeira est\u00e1 entre as esp\u00e9cies de mam\u00edferos mais atropeladas e a alta mortalidade de indiv\u00edduos nas estradas representa uma s\u00e9ria amea\u00e7a \u00e0 sobreviv\u00eancia da esp\u00e9cie. O\u00a0<a href=\"http:\/\/www.tamanduabandeira.org\/\">Projeto Bandeiras e Rodovias<\/a>\u00a0\u00e9 um projeto de conserva\u00e7\u00e3o que surgiu da necessidade de lidar com essa amea\u00e7a. Esta iniciativa pioneira envolve uma equipe multidisciplinar, com mais de 15 pessoas e 40 parceiros, coordenada pelo bi\u00f3logo Arnaud Desbiez, e tem como objetivo entender, quantificar e mitigar os impactos das estradas nas popula\u00e7\u00f5es de tamandu\u00e1-bandeira. Especificamente, queremos avaliar os efeitos das estradas no comportamento, na estrutura populacional e na sa\u00fade da esp\u00e9cie. Para isso, estamos monitorando indiv\u00edduos com colares GPS e armadilhas fotogr\u00e1ficas, al\u00e9m de monitorar as estradas. Em apenas tr\u00eas anos de monitoramento, foram registrados mais de 750 tamandu\u00e1s-bandeira atropelados nas estradas do Mato Grosso do Sul. Tamb\u00e9m procuramos envolver as comunidades locais na conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, al\u00e9m de contribuir para a elabora\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de manejo e medidas mitigadoras dos impactos negativos das estradas na biodiversidade. O meu projeto do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.edgeofexistence.org\/fellow\/vinicius-alberici\/\">EDGE<\/a>\u00a0surgiu justamente para cumprir um dos objetivos do Projeto Bandeiras e Rodovias.<\/p>\n<p>Existem outras iniciativas para a conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie no Brasil, como as desenvolvidas pelo\u00a0<a href=\"http:\/\/www.tamandua.org\/\">Instituto Tamandu\u00e1<\/a>, o\u00a0<a href=\"https:\/\/bio.institutojurumi.org.br\/\">Instituto Jurumi<\/a>\u00a0e o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ief.mg.gov.br\/noticias\/2737-ief-acolhe-e-reabilita-animais-silvestres-vitimas-de-crimes-ambientais\">Projeto TamanduASAS<\/a>. Em 2019 foi elaborado o primeiro Plano de A\u00e7\u00e3o Nacional (PAN) para a conserva\u00e7\u00e3o do tamandu\u00e1-bandeira e do tatu-canastra, que tem como objetivo minimizar as principais amea\u00e7as que acometem as esp\u00e9cies nos pr\u00f3ximos cinco anos (2019-2024) e estabelece estrat\u00e9gias priorit\u00e1rias de conserva\u00e7\u00e3o para estes dois t\u00e1xons amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o. Por enquanto, \u00e9 muito cedo para saber se os esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o est\u00e3o surtindo efeito na recupera\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"pull-quote pull-quote--small\">\n<h3>\u201cA conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies, bem como dos ambientes em que elas vivem, garante a sustentabilidade dos recursos naturais e a manuten\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos essenciais ao bem-estar humano. \u201d<\/h3>\n<div class=\"pull-quote__author\">POR\u00a0<span class=\"pull-quote__name\">VINICIUS ALBERICI<\/span><\/div>\n<div class=\"pull-quote__source\">BI\u00d3LOGO<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<h3><strong>E quando as popula\u00e7\u00f5es de tamandu\u00e1s come\u00e7aram a diminuir?<\/strong><\/h3>\n<p>N\u00e3o se sabe ao certo, pois carecemos de informa\u00e7\u00f5es sobre monitoramento das popula\u00e7\u00f5es desta esp\u00e9cie. O tamandu\u00e1-bandeira foi inclu\u00eddo pela primeira vez na lista de esp\u00e9cies amea\u00e7adas da Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (IUCN) h\u00e1 quase 40 anos (1982). Atualmente \u00e9 classificado como vulner\u00e1vel \u00e0 extin\u00e7\u00e3o nesta lista porque, apesar de sua ampla distribui\u00e7\u00e3o, vem enfrentando extin\u00e7\u00f5es locais, principalmente devido \u00e0 perda e \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o de habitat, aos inc\u00eandios, \u00e0 ca\u00e7a e aos atropelamentos. De acordo com a \u00faltima avalia\u00e7\u00e3o da IUCN, \u00e9 prov\u00e1vel que a popula\u00e7\u00e3o tenha sofrido uma redu\u00e7\u00e3o de mais de 30% nas \u00faltimas tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3><strong>Como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas afetam a redu\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o dessa esp\u00e9cie?<\/strong><\/h3>\n<p>Os tamandu\u00e1s, assim como as pregui\u00e7as e os tatus (grupo tamb\u00e9m conhecido como Xenarthra) est\u00e3o entre os mam\u00edferos placent\u00e1rios com as menores taxas metab\u00f3licas basais. O metabolismo lento est\u00e1 diretamente associado \u00e0 dieta pouco nutritiva dessas esp\u00e9cies \u2013 no caso dos tamandu\u00e1s, formigas e cupins. Por conta dessa limita\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica, esses animais n\u00e3o toleram varia\u00e7\u00f5es extremas de temperatura (muito frio ou muito calor). Esse \u00e9 inclusive um dos fatores que restringem a distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica do tamandu\u00e1-bandeira. Isso explica alguns h\u00e1bitos da esp\u00e9cie, como se abrigar no interior da floresta ou se banhar nos per\u00edodos mais quentes do dia, al\u00e9m de se cobrir com a pr\u00f3pria cauda ao deitar para dormir. Por isso, \u00e9 plaus\u00edvel a hip\u00f3tese de que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas podem afetar a esp\u00e9cie direta ou indiretamente, por meio do aumento na varia\u00e7\u00e3o de temperatura, com a maior incid\u00eancia de temperaturas extremas que podem afetar tanto os indiv\u00edduos quanto o ambiente ocupado pelo tamandu\u00e1-bandeira.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\"><a class=\"ngart-img__cntr\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_470\/public\/armadilha_fotografica_tamandua-bandeira_05.jpg\" media=\"(max-width: 470px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Tamandu\u00e1-bandeira capturado por armadilha fotogr\u00e1fica, parte do projeto Bandeiras e Rodovias.\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_885\/public\/armadilha_fotografica_tamandua-bandeira_05.jpg\" alt=\"Tamandu\u00e1-bandeira capturado por armadilha fotogr\u00e1fica, parte do projeto Bandeiras e Rodovias.\" width=\"640\" height=\"480\" \/><\/picture><\/a><\/p>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">Tamandu\u00e1-bandeira capturado por armadilha fotogr\u00e1fica, parte do projeto Bandeiras e Rodovias.<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">VINICIUS ALBERICI<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<h3><strong>Como a perda dessa esp\u00e9cie afetaria o ecossistema em que vive e a Terra em geral?<\/strong><\/h3>\n<p>Ao perdermos uma esp\u00e9cie, uma parte importante da hist\u00f3ria evolutiva se perde com ela \u2013 os tamandu\u00e1s pertencem a um grupo muito antigo de mam\u00edferos, originados no nosso continente, e s\u00e3o animais \u00fanicos pela sua anatomia, fisiologia, ecologia e gen\u00e9tica. S\u00e3o presas e predadores importantes na cadeia alimentar. Com a sua extin\u00e7\u00e3o, extinguem-se tamb\u00e9m novas poss\u00edveis descobertas cient\u00edficas. Al\u00e9m disso, s\u00e3o animais carism\u00e1ticos e despertam o interesse das pessoas. Eu desejo que meus filhos possam se encantar um dia ao observar um tamandu\u00e1-bandeira na natureza.<\/p>\n<h3><strong>Como um cidad\u00e3o comum pode colaborar com tarefas de conserva\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/h3>\n<p>Algumas maneiras pelas quais voc\u00ea pode ajudar:<\/p>\n<p>&#8211; Aprenda mais sobre esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, como o tamandu\u00e1-bandeira, e as principais amea\u00e7as \u00e0 sua sobreviv\u00eancia, como o desmatamento, a ca\u00e7a e os atropelamentos. Ensine seus amigos e familiares sobre isso. Compartilhe o que aprender.<\/p>\n<p>&#8211; Visite uma Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o (ex. Parque Nacional, Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica) ou qualquer outra \u00e1rea protegida perto de voc\u00ea. Estes s\u00e3o alguns dos melhores lugares onde voc\u00ea pode se conectar com a natureza e a vida selvagem.<\/p>\n<p>&#8211; Visite o zool\u00f3gico! Muitos jardins zool\u00f3gicos desempenham um papel fundamental na conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. Saiba mais sobre seus programas de conserva\u00e7\u00e3o e como voc\u00ea pode contribuir. O Projeto Bandeiras e Rodovias \u00e9 financiado por muitos zool\u00f3gicos, incluindo o Disney Conservation Fund.<\/p>\n<p>&#8211; Procure conhecer os projetos de conserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies amea\u00e7adas que despertam o seu interesse e entre em contato para saber como ajudar.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\"><a class=\"ngart-img__cntr\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_470\/public\/tamandua-bandeira_01_vinicius_alberici.jpg\" media=\"(max-width: 470px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"O tamandu\u00e1-bandeira possui um focinho alongado e uma boca sem dentes. Usam as garras dianteiras afiadas ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_885\/public\/tamandua-bandeira_01_vinicius_alberici.jpg\" alt=\"O tamandu\u00e1-bandeira possui um focinho alongado e uma boca sem dentes. Usam as garras dianteiras afiadas ...\" width=\"639\" height=\"423\" \/><\/picture><\/a><\/p>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">O tamandu\u00e1-bandeira possui um focinho alongado e uma boca sem dentes. Usam as garras dianteiras afiadas para desenterrar formigas e cupins, que capturam com a ajuda de uma l\u00edngua comprida\u00a0e pegajosa. Podem comer at\u00e9 30 mil formigas em um \u00fanico dia.<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">VINICIUS ALBERICI<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<h3><strong>Se os projetos de conserva\u00e7\u00e3o continuarem, qual \u00e9 a proje\u00e7\u00e3o que essa esp\u00e9cie poder\u00e1 ter em 10 anos?<\/strong><\/h3>\n<p>\u00c9 muito dif\u00edcil prever o futuro da esp\u00e9cie. A segunda fase do Projeto Bandeiras e Rodovias ir\u00e1 focar em medidas mitigat\u00f3rias para diminui\u00e7\u00e3o dos atropelamentos, al\u00e9m de buscar compreender melhor a biologia reprodutiva do tamandu\u00e1-bandeira. Um aprendizado importante \u00e9 que a conserva\u00e7\u00e3o depende das pessoas. No Cerrado do Mato Grosso do Sul, por exemplo, desenvolvemos nossas atividades em propriedades privadas, o que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com o apoio dos fazendeiros. O engajamento das comunidades locais \u00e9 fundamental para proteger a esp\u00e9cie, principalmente fora de \u00e1reas protegidas, onde o cen\u00e1rio \u00e9 ainda mais preocupante. Por isso, estamos ampliando nossas atividades de educa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o ambiental. Ainda \u00e9 cedo para afirmar o impacto das a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o, mas uma coisa \u00e9 certa: se n\u00e3o agirmos de maneira r\u00e1pida e eficiente, o tamandu\u00e1-bandeira corre o risco de ser extinto na natureza.<\/p>\n<blockquote><p><em>Se voc\u00ea deseja doar para o\u00a0<\/em><a href=\"http:\/\/www.tamanduabandeira.org\/\"><em>Projeto Bandeiras e Rodovias<\/em><\/a><em>, visite o site. Para saber mais sobre o trabalho, siga no\u00a0<\/em><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/projetobandeiraserodovias\/\"><em>Facebook<\/em><\/a><em>\u00a0e no\u00a0<\/em><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/bandeiraserodovias\/\"><em>Instagram<\/em><\/a><em>.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O simp\u00e1tico\u00a0tamandu\u00e1-bandeira\u00a0esteve presente em todos os seis biomas brasileiros. 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