{"id":124853,"date":"2020-04-08T12:30:45","date_gmt":"2020-04-08T15:30:45","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=124853"},"modified":"2020-04-07T14:08:39","modified_gmt":"2020-04-07T17:08:39","slug":"especie-exotica-de-lagarto-e-registrada-em-noronha-e-liga-alerta-de-biologos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/especie-exotica-de-lagarto-e-registrada-em-noronha-e-liga-alerta-de-biologos\/","title":{"rendered":"Esp\u00e9cie ex\u00f3tica de lagarto \u00e9 registrada em Noronha e liga alerta de bi\u00f3logos"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-124854\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/largarto-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/largarto-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/largarto.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Ilhas s\u00e3o ambientes muito fr\u00e1geis do ponto de vista ecol\u00f3gico, pois s\u00e3o espa\u00e7os isolados, com alto grau de endemismo e qualquer desequil\u00edbrio tem um potencial mais devastador do que teria em um ecossistema continental. Por isso, a identifica\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie de lagarto, at\u00e9 ent\u00e3o restrita ao continente, na ilha principal do arquip\u00e9lago de Fernando de Noronha, preocupou especialistas. O registro corresponde a um indiv\u00edduo do g\u00eanero Tropidurus, de esp\u00e9cie ainda n\u00e3o identificada, e foi feito em janeiro de 2019. Em mar\u00e7o de 2020, a descoberta foi apresentada no 23\u00ba Congresso Brasileiro de Zoologia.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, foi o \u00fanico registro deste lagarto, um tipo de lagartixa, em Fernando de Noronha. Mesmo com o intervalo de mais de 1 ano sem outro avistamento do animal, os pesquisadores seguem alertas, pois sabem que a introdu\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie ex\u00f3tica como esta pode trazer grandes impactos sobre a fauna local. Principalmente sobre a mabuia (<em>Trachylepis atlantica<\/em>), esp\u00e9cie\u00a0<a href=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/dicionario-ambiental\/28867-o-que-e-uma-especie-endemica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"internal\">end\u00eamica<\/a>\u00a0e \u00fanico lagarto nativo do arquip\u00e9lago, com a qual pode competir por alimento e habitat.<\/p>\n<p>Na ilha, j\u00e1 existe um outro lagarto invasor, o teju (<em>Salvator merianae<\/em>), o maior lagarto das Am\u00e9ricas, introduzido na d\u00e9cada de 60 para controlar a popula\u00e7\u00e3o de ratos e sapos. A popula\u00e7\u00e3o de tejus na ilha foi estimada, em 2004, em 8 mil indiv\u00edduos, e no card\u00e1pio do bando est\u00e3o inclusive as pr\u00f3prias mabuias, al\u00e9m de aves e caranguejos. A lagartixa ex\u00f3tica rec\u00e9m-descoberta \u00e9 bem menor do que o teju, e se alimenta de presas menores, como insetos e aracn\u00eddeos, um card\u00e1pio compartilhado pela mabuia.<\/p>\n<p>O registro da lagartixa foi feito pela bi\u00f3loga Lisandra Bezerra, parte da equipe do\u00a0<a href=\"https:\/\/golfinhorotador.org.br\/\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">projeto Golfinho-Rotador<\/a>, no Mirante da Ba\u00eda dos Golfinhos, dentro da \u00e1rea do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.wikiparques.org\/wiki\/Parque_Nacional_Marinho_de_Fernando_de_Noronha\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha (PE)<\/a>. \u201cEu estava fazendo o monitoramento de golfinhos-rotadores e num primeiro momento, achei que era apenas uma mabuia mais robusta. Ela estava por entre as pedras e n\u00e3o conseguia v\u00ea-la t\u00e3o bem. Foi quando ela saiu e veio para luz que eu percebi, pela locomo\u00e7\u00e3o do animal, que n\u00e3o era uma mabuia nem outra esp\u00e9cie de Noronha. Corri e peguei a c\u00e2mera para registr\u00e1-la. N\u00e3o tinha muito o que eu fazer, pois n\u00e3o tinha uma licen\u00e7a SISbio para fazer a captura e manejo do animal. O que eu me arrependo \u00e9 de n\u00e3o ter feito mais fotos de todos os \u00e2ngulos poss\u00edveis. Como \u00e9 um bicho territorialista, voltei no dia seguinte para ver se o encontrava de novo, mas n\u00e3o aconteceu\u201d, narra a bi\u00f3loga.<\/p>\n<figure id=\"attachment_76891\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-76891\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-76891\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/OEco_IMG_4454_Ba%C3%ADa-dos-Golfinhos.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/OEco_IMG_4454_Ba\u00eda-dos-Golfinhos.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/OEco_IMG_4454_Ba\u00eda-dos-Golfinhos-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/OEco_IMG_4454_Ba\u00eda-dos-Golfinhos-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/OEco_IMG_4454_Ba\u00eda-dos-Golfinhos-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/OEco_IMG_4454_Ba\u00eda-dos-Golfinhos-640x427.jpg 640w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/OEco_IMG_4454_Ba\u00eda-dos-Golfinhos-223x150.jpg 223w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/OEco_IMG_4454_Ba\u00eda-dos-Golfinhos-790x527.jpg 790w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/OEco_IMG_4454_Ba\u00eda-dos-Golfinhos-272x182.jpg 272w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-76891\" class=\"wp-caption-text\">A Ba\u00eda dos Golfinhos, onde a lagartixa foi encontrada, dentro do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha. Foto: Duda Menegassi.<\/figcaption><\/figure>\n<p>H\u00e1 pelo menos 30 esp\u00e9cies identificadas dentro do g\u00eanero Tropidurus, todas elas ocorrem na Am\u00e9rica do Sul e pelas fotos da pesquisadora n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afirmar qual delas \u00e9 a lagartixa avistada. Ainda assim, a invasora n\u00e3o-identificada pode gerar um problema muito conhecido por bi\u00f3logos: o desequil\u00edbrio ecol\u00f3gico. \u201cDependendo do animal ex\u00f3tico, pode ocorrer um desequil\u00edbrio catastr\u00f3fico com esp\u00e9cies end\u00eamicas da ilha, aquelas que s\u00f3 ocorrem aqui. A competi\u00e7\u00e3o por habitat e alimenta\u00e7\u00e3o com as mabuias s\u00e3o um dos pontos negativos da introdu\u00e7\u00e3o deste animal, j\u00e1 que elas sofrem bastante com outras esp\u00e9cies como gatos, gar\u00e7as e os pr\u00f3prios tejus. Al\u00e9m disso, como as mabuias s\u00e3o presas f\u00e1ceis o que poderia facilitar o crescimento do Tropidurus.\u201d, analisa Lisandra.<\/p>\n<p>Apesar do alerta ligado, a bi\u00f3loga comemora n\u00e3o ter havido nenhum outro registro da lagartixa ex\u00f3tica em Noronha. \u201cFelizmente, como era apenas um indiv\u00edduo, suponho que o mesmo tenha sido predado e j\u00e1 morreu\u201d, pondera, mas sem deixar de fazer uma ressalva: \u201cse um animal desse chegou na ilha e estava em uma \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o ambiental, onde a movimenta\u00e7\u00e3o tanto de pessoas quanto de animais \u00e9 mais controlada, isso s\u00f3 mostra a vulnerabilidade da fiscaliza\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas que entram na ilha, tanto de plantas quanto de animais\u201d.<\/p>\n<p>O estudo publicado em mar\u00e7o pelos pesquisadores do projeto, financiado pelo Programa Petrobras Socioambiental, confirma a apreens\u00e3o sobre a descoberta da lagartixa em Fernando de Noronha, pois \u201c\u00e9 de extrema preocupa\u00e7\u00e3o e refor\u00e7a a necessidade de fiscaliza\u00e7\u00e3o nos pontos de chegada de pessoas e mercadorias \u00e0 ilha como aeroporto e navios cargueiros que descarregam no Porto\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ilhas s\u00e3o ambientes muito fr\u00e1geis do ponto de vista ecol\u00f3gico, pois s\u00e3o espa\u00e7os isolados, com<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":124854,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/largarto.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/largarto-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/largarto-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/largarto.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/largarto.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/largarto.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/largarto.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/largarto.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/largarto.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/largarto.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Ilhas s\u00e3o ambientes muito fr\u00e1geis do ponto de vista ecol\u00f3gico, pois s\u00e3o espa\u00e7os isolados, com","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124853"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=124853"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124853\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/124854"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=124853"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=124853"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=124853"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}