{"id":124849,"date":"2020-04-08T12:00:04","date_gmt":"2020-04-08T15:00:04","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=124849"},"modified":"2020-04-07T14:02:50","modified_gmt":"2020-04-07T17:02:50","slug":"testes-de-bombas-da-guerra-fria-revelam-idade-de-tubaroes-baleia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/testes-de-bombas-da-guerra-fria-revelam-idade-de-tubaroes-baleia\/","title":{"rendered":"Testes de bombas da Guerra Fria revelam idade de tubar\u00f5es-baleia"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-124850\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/tubarao-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/tubarao-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/tubarao-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Testes de bombas at\u00f4micas realizados durante a Guerra Fria ajudaram cientistas pela primeira vez a determinar corretamente a idade dos tubar\u00f5es-baleia. A descoberta, publicada na revista \u201c<a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.3389\/fmars.2020.00188\">Frontiers in Marine Science<\/a>\u201d, ajudar\u00e1 a garantir a sobreviv\u00eancia da esp\u00e9cie (o maior peixe do mundo), classificada como amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Medir a idade dos tubar\u00f5es-baleia (<em>Rhincodon typus<\/em>) tem sido dif\u00edcil porque, como todos os tubar\u00f5es e arraias, eles n\u00e3o possuem estruturas \u00f3sseas chamadas ot\u00f3litos, que s\u00e3o usadas para avaliar a idade de outros peixes.<\/p>\n<p>As v\u00e9rtebras do tubar\u00e3o-baleia apresentam faixas distintas \u2013 um pouco como os an\u00e9is de um tronco de \u00e1rvore \u2013 e sabia-se que elas aumentavam em n\u00famero \u00e0 medida que o animal crescia. No entanto, enquanto alguns estudos sugeriram que um novo anel era formado a cada ano, outros conclu\u00edram que isso acontecia a cada seis meses.<\/p>\n<p>Para resolver a quest\u00e3o, pesquisadores internacionais liderados por Joyce Ong, da Universidade Rutgers (EUA), Steven Campana, da Universidade da Isl\u00e2ndia, e Mark Meekan, do Instituto Australiano de Ci\u00eancia Marinha (Aims, na sigla em ingl\u00eas), voltaram-se para o legado radiativo da corrida armamentista nuclear da Guerra Fria.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/www.revistaplaneta.com.br\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2020\/04\/tubarao-696x623.jpg\" width=\"640\" height=\"573\" \/><\/p>\n<p><strong>Testes nucleares<\/strong><\/p>\n<p>Durante as d\u00e9cadas de 1950 e 1960, os EUA, Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, Gr\u00e3-Bretanha, Fran\u00e7a e China realizaram testes de armas nucleares. Muitas dessas explos\u00f5es foram detonadas a v\u00e1rios quil\u00f4metros de altitude na atmosfera.<\/p>\n<p>Um resultado poderoso das explos\u00f5es foi a duplica\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica tempor\u00e1ria de um is\u00f3topo chamado carbono-14. Esse elemento radiativo de ocorr\u00eancia natural \u00e9 frequentemente usado por arque\u00f3logos e historiadores para datar ossos e artefatos antigos. Sua taxa de decaimento \u00e9 constante e facilmente mensur\u00e1vel, tornando-o ideal para fornecer estimativas para qualquer idade acima de 300 anos.<\/p>\n<p>No entanto, o carbono-14 \u00e9 tamb\u00e9m um subproduto de explos\u00f5es nucleares. As consequ\u00eancias dos testes da Guerra Fria saturaram primeiramente o ar e depois os oceanos. O is\u00f3topo gradualmente se moveu atrav\u00e9s das redes alimentares para todos os seres vivos do planeta, produzindo uma etiqueta ou assinatura de carbono-14 elevada, que ainda persiste.<\/p>\n<p>Esse radiois\u00f3topo adicional tamb\u00e9m decai a uma taxa constante \u2013 o que significa que a quantidade contida no osso formado em um ponto no tempo ser\u00e1 ligeiramente maior do que a contida no osso id\u00eantico formado de outra maneira mais recentemente.<\/p>\n<p>Usando dados de radiocarbono de bomba preparados por Steven Campana, Ong, Meekan e colegas come\u00e7aram a testar os n\u00edveis de carbono-14 nos an\u00e9is de crescimento de dois tubar\u00f5es-baleia mortos h\u00e1 muito tempo armazenados no Paquist\u00e3o e em Taiwan. Medir os n\u00edveis de radiois\u00f3topos em an\u00e9is de crescimento sucessivos permitiu determinar claramente com que frequ\u00eancia eles foram criados \u2013 e, portanto, a idade do animal.<\/p>\n<p><strong>Centen\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>\u201cDescobrimos que um anel de crescimento era definitivamente depositado a cada ano\u201d, disse Meekan. \u201cIsso \u00e9 muito importante, porque se voc\u00ea superestimar ou subestimar as taxas de crescimento, acabar\u00e1 inevitavelmente com uma estrat\u00e9gia de gerenciamento que n\u00e3o funciona e ver\u00e1 a popula\u00e7\u00e3o em colapso.\u201d<\/p>\n<p>Um dos esp\u00e9cimes foi estabelecido conclusivamente com 50 anos de idade \u2013 a primeira vez que essa idade foi verificada sem ambiguidade.<\/p>\n<p>\u201cEstudos anteriores de modelagem sugeriram que os maiores tubar\u00f5es-baleia podem viver at\u00e9 100 anos\u201d, disse Meekan. \u201cNo entanto, embora nossa compreens\u00e3o dos movimentos, comportamento, conectividade e distribui\u00e7\u00e3o dos tubar\u00f5es-baleia tenha melhorado dramaticamente nos \u00faltimos 10 anos, os tra\u00e7os b\u00e1sicos da hist\u00f3ria de vida, como idade, longevidade e mortalidade, permanecem amplamente desconhecidos.\u201d<\/p>\n<p>Meekan acrescentou: \u201cNosso estudo mostra que os tubar\u00f5es adultos podem realmente atingir idade mais elevada e que a expectativa de vida longa provavelmente \u00e9 uma caracter\u00edstica da esp\u00e9cie. Agora, temos outro peda\u00e7o do quebra-cabe\u00e7a adicionado\u201d.<\/p>\n<p>Hoje, os tubar\u00f5es-baleia est\u00e3o protegidos em toda a sua extens\u00e3o global e s\u00e3o considerados uma esp\u00e9cie de alto valor para o ecoturismo. O Aims \u00e9 o principal organismo de pesquisa de tubar\u00f5es-baleia do mundo, e o animal \u00e9 o emblema marinho do estado de origem do dr. Meekan, a Austr\u00e1lia Ocidental.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Testes de bombas at\u00f4micas realizados durante a Guerra Fria ajudaram cientistas pela primeira vez a<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":124850,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/tubarao-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/tubarao-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/tubarao-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/tubarao-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/tubarao-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/tubarao-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/tubarao-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/tubarao-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/tubarao-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/tubarao-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Testes de bombas at\u00f4micas realizados durante a Guerra Fria ajudaram cientistas pela primeira vez a","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124849"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=124849"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124849\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/124850"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=124849"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=124849"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=124849"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}