{"id":124679,"date":"2020-04-05T13:00:23","date_gmt":"2020-04-05T16:00:23","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=124679"},"modified":"2020-04-05T11:12:48","modified_gmt":"2020-04-05T14:12:48","slug":"poluicao-cai-pela-metade-na-cidade-de-sao-paulo-apos-alguns-dias-de-quarentena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/poluicao-cai-pela-metade-na-cidade-de-sao-paulo-apos-alguns-dias-de-quarentena\/","title":{"rendered":"Polui\u00e7\u00e3o cai pela metade na cidade de S\u00e3o Paulo ap\u00f3s alguns dias de quarentena"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-124680\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/sao_paulo-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/sao_paulo-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/sao_paulo.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Com a quarentena desde o dia 24 de mar\u00e7o, como forma de conten\u00e7\u00e3o ao novo coronav\u00edrus (SARS-CoV-2), os \u00edndices de polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica na cidade de S\u00e3o Paulo reduziram-se cerca de 50% em apenas uma semana. \u00c9 o que mostra a compara\u00e7\u00e3o dos dados atmosf\u00e9ricos divulgados pela Companhia Ambiental do Estado de S\u00e3o Paulo (Cetesb) entre as semanas dos dias 15 a 21 e 22 a 28 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 menos ru\u00eddo, consegue-se ouvir mais os passarinhos e tamb\u00e9m h\u00e1 menos polui\u00e7\u00e3o. Esse c\u00e9u mais limpo que pode ser notado em S\u00e3o Paulo j\u00e1 no in\u00edcio da quarentena \u00e9 resultado da redu\u00e7\u00e3o na circula\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos, a principal fonte de emiss\u00e3o de poluentes na cidade. Como uma grande parte deles deixou de circular, fica clara a diminui\u00e7\u00e3o de poluentes prim\u00e1rios como o mon\u00f3xido de carbono [CO, emitido principalmente pelos carros] e os \u00f3xidos de nitrog\u00eanio [NOx, emitidos sobretudo por ve\u00edculos a diesel], que pode ser confirmada nos dados atmosf\u00e9ricos\u201d, diz Maria de F\u00e1tima Andrade, professora do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas da Universidade de S\u00e3o Paulo (IAG-USP), que analisou os dados da Cetesb especialmente para a Ag\u00eancia Fapesp.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o significativa dos poluentes prim\u00e1rios, diretamente ligados \u00e0 emiss\u00e3o veicular, tamb\u00e9m houve diminui\u00e7\u00e3o de cerca de 30% de material particulado inal\u00e1vel. Trata-se dos poluentes MP 10, material particulado com di\u00e2metro at\u00e9 10 micr\u00f4metros, relacionado \u00e0 a\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos que ressuspendem a poeira do solo, e MP 2.5, com at\u00e9 2,5 micr\u00f4metros, formado por processos secund\u00e1rios a partir da queima de combust\u00edvel.<\/p>\n<h6><strong>Desigualdade na polui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h6>\n<figure id=\"attachment_24376\" class=\"wp-caption aligncenter\" aria-describedby=\"caption-attachment-24376\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-24376 td-animation-stack-type0-1\" src=\"https:\/\/www.revistaplaneta.com.br\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2020\/04\/sp.jpg\" sizes=\"(max-width: 630px) 100vw, 630px\" srcset=\"https:\/\/www.revistaplaneta.com.br\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2020\/04\/sp.jpg 630w, https:\/\/www.revistaplaneta.com.br\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2020\/04\/sp-150x76.jpg 150w\" alt=\"\" width=\"630\" height=\"320\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-24376\" class=\"wp-caption-text\">Imagem que mostra a queda na concentra\u00e7\u00e3o de mon\u00f3xido de carbono em S\u00e3o Paulo em uma semana. Cr\u00e9dito: Mario Gavidia Calder\u00f3n\/Ag\u00eancia Fapesp<\/figcaption><\/figure>\n<p>De acordo com Andrade, a redu\u00e7\u00e3o dos poluentes n\u00e3o ocorreu de forma igual na cidade. \u201cOs mapas mostram que a diminui\u00e7\u00e3o foi maior na regi\u00e3o central da cidade. A melhora na qualidade do ar ocorreu de forma desigual na cidade. \u00c9 poss\u00edvel tamb\u00e9m perceber que na regi\u00e3o de Cubat\u00e3o, por exemplo, houve aumento de alguns poluentes, mas l\u00e1 s\u00e3o outras fontes de polui\u00e7\u00e3o, ligadas a atividades industriais\u201d, diz.<\/p>\n<p>De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), o limite de exposi\u00e7\u00e3o a material particulado \u00e9 de 25 \u00b5g\/m\u00b3 (micrograma por metro c\u00fabico de ar), m\u00e9dia de 24 horas. \u00cdndice que, normalmente, tende a ser superado por v\u00e1rias esta\u00e7\u00f5es de monitoramento da Cetesb.<\/p>\n<p>Em dias comuns, a polui\u00e7\u00e3o na cidade de S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m ocorre de forma desigual,\u00a0<a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/exposicao-a-poluicao-e-desigual-na-cidade-de-sao-paulo\/29331\/\">como mostrou outro estudo da equipe de pesquisadores liderada por Andrade<\/a>.<\/p>\n<div class=\"clearfix\">Normalmente, \u00e9 comum que algumas esta\u00e7\u00f5es cheguem pr\u00f3ximo a 40 \u00b5g\/m\u00b3 de material particulado, como \u00e9 o caso das esta\u00e7\u00f5es de Osasco, Graja\u00fa e Mau\u00e1. Um pouco acima de 25 \u00b5g\/m\u00b3 est\u00e3o as esta\u00e7\u00f5es de Cap\u00e3o Redondo, Diadema e Cerqueira Cesar. Essa diferen\u00e7a tem rela\u00e7\u00e3o sobretudo com a idade da frota e quantidade de ve\u00edculos que circulam pr\u00f3ximos a essas esta\u00e7\u00f5es.<\/div>\n<h6><strong>Per\u00edodos mais longos<\/strong><\/h6>\n<p>Andrade ressalta que qualquer compara\u00e7\u00e3o de polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica como a realizada para avaliar a qualidade do ar na quarentena necessita avaliar per\u00edodos mais longos que duas semanas. \u201cO ideal seria comparar per\u00edodos mais longos de diferentes anos. Por\u00e9m, quando se analisam os dados de mar\u00e7o de 2019, observa-se que, em fun\u00e7\u00e3o de ter sido um m\u00eas chuvoso, as concentra\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m n\u00e3o estavam t\u00e3o altas. A chuva \u00e9 o principal mecanismo de remo\u00e7\u00e3o de poluentes da atmosfera\u201d, diz.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora, ao analisar eventos de polui\u00e7\u00e3o e comparar diferentes per\u00edodos, \u00e9 importante observar quais eram as condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas que estavam atuando. \u201c\u00c9 importante ressaltar que as compara\u00e7\u00f5es que est\u00e3o sendo feitas ser\u00e3o melhoradas quando tivermos mais dados e considerarmos todas as outras condi\u00e7\u00f5es, em especial a meteorologia\u201d, diz.<\/p>\n<p>Andrade afirma que, quando come\u00e7ou a quarentena, no dia 24 de mar\u00e7o, as condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas estavam muito parecidas com as da semana anterior. \u201cEra at\u00e9 para estar acumulando mais concentra\u00e7\u00e3o de poluentes, por\u00e9m houve uma queda consider\u00e1vel, sobretudo nos poluentes associados aos combust\u00edveis\u201d, diz.<\/p>\n<h6><strong>Novas medi\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h6>\n<p>A configura\u00e7\u00e3o\u00a0<em>sui generis<\/em>\u00a0da polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica paulistana durante a quarentena ser\u00e1 objeto de estudo para a equipe de pesquisadores do IAG. \u201cFora toda essa situa\u00e7\u00e3o preocupante da pandemia, \u00e9 como se estiv\u00e9ssemos vivenciando um experimento for\u00e7ado in\u00e9dito em polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica. Isso vai permitir fazer medi\u00e7\u00f5es praticamente imposs\u00edveis de serem realizadas em dias comuns\u201d, diz Andrade.<\/p>\n<p>Com isso, Andrade pretende fazer uma an\u00e1lise mais robusta dos dados durante a quarentena e tamb\u00e9m programar novas medi\u00e7\u00f5es. \u201cComo houve uma redu\u00e7\u00e3o significativa da principal fonte de polui\u00e7\u00e3o na cidade [ve\u00edculos], ser\u00e1 poss\u00edvel monitorar melhor outras fontes, como, por exemplo, o impacto da queima de combust\u00edveis como lenha e carv\u00e3o utilizados na prepara\u00e7\u00e3o de alimentos, a chamada polui\u00e7\u00e3o interna\u201d, diz.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora, essas fontes menos expressivas \u2013 e que correspondem a menos de 10% da polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica total na cidade \u2013 tendem a ser estimadas e n\u00e3o medidas. \u201cNas medi\u00e7\u00f5es, essas fontes de polui\u00e7\u00e3o acabam se misturando com a veicular, que \u00e9 a dominante. Com esses novos estudos, ser\u00e1 poss\u00edvel quantificar melhor essas outras fontes, que geralmente acabam sendo ofuscadas pela polui\u00e7\u00e3o veicular\u201d, disse.<\/p>\n<h6><strong>Gases de efeito estufa<\/strong><\/h6>\n<p>Andrade tamb\u00e9m est\u00e1 realizando um\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/102933\/area-metropolitana-de-sao-paulo-abordagem-integrada-mudancas-climaticas-e-qualidade-do-ar-metrocli\/\">projeto\u00a0apoiado pela Fapesp<\/a>\u00a0que tem o intuito de estudar o comportamento dos gases de efeito estufa. \u201cNesse projeto tem\u00e1tico da Fapesp pretendemos contribuir com o balan\u00e7o de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa da cidade de S\u00e3o Paulo\u201d, diz.<\/p>\n<p>Geralmente, as estimativas da contribui\u00e7\u00e3o urbana desses gases s\u00e3o feitas com invent\u00e1rios calculados de forma te\u00f3rica. \u201cEsperamos que as medidas que estamos realizando nesse per\u00edodo tragam informa\u00e7\u00f5es para a melhoria desse conhecimento. Poderemos obter dados a partir de medi\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o apenas de estimativas. Em S\u00e3o Paulo, a principal fonte de emiss\u00e3o de CO<sub>2<\/sub>\u00a0[di\u00f3xido de carbono] \u00e9 a queima de combust\u00edvel f\u00f3ssil, e, portanto, esse g\u00e1s \u00e9 bem correlacionado com o CO nos hor\u00e1rios de tr\u00e1fego. \u00c9 conhecido tamb\u00e9m que a vegeta\u00e7\u00e3o desempenha um papel importante na absor\u00e7\u00e3o de CO<sub>2<\/sub>. Esperamos que neste per\u00edodo de redu\u00e7\u00e3o das fontes veiculares seja mais f\u00e1cil separar a contribui\u00e7\u00e3o veicular do papel da vegeta\u00e7\u00e3o e da temperatura no balan\u00e7o do CO<sub>2<\/sub>\u201d, diz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a quarentena desde o dia 24 de mar\u00e7o, como forma de conten\u00e7\u00e3o ao novo<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":124680,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/sao_paulo.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/sao_paulo-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/sao_paulo-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/sao_paulo.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/sao_paulo.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/sao_paulo.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/sao_paulo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/sao_paulo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/sao_paulo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/sao_paulo.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Com a quarentena desde o dia 24 de mar\u00e7o, como forma de conten\u00e7\u00e3o ao novo","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124679"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=124679"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124679\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/124680"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=124679"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=124679"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=124679"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}