{"id":124641,"date":"2020-04-04T12:30:55","date_gmt":"2020-04-04T15:30:55","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=124641"},"modified":"2020-04-04T10:48:46","modified_gmt":"2020-04-04T13:48:46","slug":"cerebro-de-lucy-fossil-de-32-milhoes-de-anos-e-parte-humano-e-parte-macaco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cerebro-de-lucy-fossil-de-32-milhoes-de-anos-e-parte-humano-e-parte-macaco\/","title":{"rendered":"C\u00e9rebro de Lucy, f\u00f3ssil de 3,2 milh\u00f5es de anos, \u00e9 parte humano e parte macaco"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-124642\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/cerebro-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/cerebro-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/cerebro.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>A famosa esp\u00e9cime Lucy, de 3,2 milh\u00f5es de anos, cativou os cientistas desde a sua descoberta em 1974. Lucy era membro da esp\u00e9cie\u00a0<em>Australopithecus afarensis<\/em>, que andava erguida e provavelmente usava ferramentas. Novos exames do interior dos cr\u00e2nios de\u00a0<em>Australopithecus<\/em>\u00a0revelam que esses homin\u00eddeos extintos tinham c\u00e9rebros surpreendentemente semelhantes a de macacos que se desenvolveram mais como c\u00e9rebros humanos.<\/p>\n<p>Os nossos c\u00e9rebros assumem uma estrutura distinta que os diferencia dos c\u00e9rebros dos primatas n\u00e3o humanos, e demoram muito tempo a desenvolver-se at\u00e9 \u00e0 maturidade. Os cientistas t\u00eam debatido quando, durante a nossa evolu\u00e7\u00e3o, esses tra\u00e7os se desenvolveram: eles assumiram a sua organiza\u00e7\u00e3o humana durante a era do\u00a0<em>Australopithecus<\/em> ou durante a evolu\u00e7\u00e3o dos homin\u00eddeos posteriores?<\/p>\n<p>Um novo estudo parece ir contra as afirma\u00e7\u00f5es anteriores, mostrando que o c\u00e9rebro da Lucy teria sido bastante semelhante a de um macaco \u2013 mas, no entanto, tamb\u00e9m demonstra padr\u00f5es semelhantes aos humanos na forma como se desenvolveu.<\/p>\n<h2>Desenvolvimento do c\u00e9rebro<\/h2>\n<p>\u201cO que \u00e9 realmente intrigante, por\u00e9m, \u00e9 que embora o c\u00e9rebro se pare\u00e7a muito com um c\u00e9rebro de macaco, tem uma caracter\u00edstica semelhante \u00e0 humana \u2013 que cresce durante um longo per\u00edodo de tempo\u201d, disse o autor do estudo, Philipp Gunz, antrop\u00f3logo biol\u00f3gico do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 intrigante porque sugere que algumas das caracter\u00edsticas modernas \u00fanicas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua longa aprendizagem infantil e plasticidade do c\u00e9rebro podem ter ra\u00edzes evolutivas profundas j\u00e1 presentes na\u00a0<em>Australopithecus afarensis<\/em>\u201c, completa.<\/p>\n<p>A equipe analisou dois exemplares bem conservados infantis do\u00a0<em>Australopithecus afarensis<\/em>\u00a0e seis adultos, incluindo o famoso f\u00f3ssil Lucy, utilizando tomografia computadorizada e tomografia computadorizada a partir da luz de alta energia produzida na Instala\u00e7\u00e3o Europeia de Radia\u00e7\u00e3o Sincrotr\u00f4nica, um acelerador de part\u00edculas na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Por meio das tomografias do cr\u00e2nio, \u00e9 como se estivessem criado um molde, mas utilizando luz em vez de material de moldagem. Eles utilizaram t\u00e9cnicas de reconstru\u00e7\u00e3o virtual para corrigir o impacto de qualquer dano, o que permitiu gerar imagens de alta resolu\u00e7\u00e3o de como era a superf\u00edcie dos c\u00e9rebros do Australopitec\u00edneos.<\/p>\n<p>As tomografias revelaram uma caracter\u00edstica anteriormente n\u00e3o detectada nos c\u00e9rebros da Australopitec\u00edneos: o sulco lunar. Trata-se de uma fissura nas dobras do c\u00e9rebro encontrada mais \u00e0 frente nos chimpanz\u00e9s do que nos humanos e que n\u00e3o seria tipicamente encontrada num molde do interior de um cr\u00e2nio humano.<\/p>\n<p>A detec\u00e7\u00e3o \u201cinequ\u00edvoca\u201d da caracter\u00edstica num dos cr\u00e2nios do\u00a0<em>Australopithecus<\/em>\u00a0infantil, bem como em outras dobras, demonstra que a superf\u00edcie total do c\u00e9rebro se assemelhava muito mais a um c\u00e9rebro de macaco do que a um c\u00e9rebro humano.<\/p>\n<p>A equipe n\u00e3o encontrou qualquer evid\u00eancia de que o c\u00e9rebro do\u00a0<em>Australopithecus<\/em>\u00a0tivesse come\u00e7ado a se reorganizar numa disposi\u00e7\u00e3o ou mesmo num tamanho mais humano, de acordo com o\u00a0<a href=\"https:\/\/advances.sciencemag.org\/content\/6\/14\/eaaz4729\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">artigo publicado no\u00a0<em>Science Advances<\/em><\/a>.<\/p>\n<h2>Evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sincronizada<\/h2>\n<p>Os pesquisadores acompanharam a an\u00e1lise com um estudo de como se desenvolveram os c\u00e9rebros dos jovens esp\u00e9cimes. Pesquisas anteriores demonstraram que o desenvolvimento dent\u00e1rio pode ser utilizado para modelar a idade de um esp\u00e9cime na morte e, neste caso, as duas crian\u00e7as\u00a0<em>Australopithecus<\/em>\u00a0tinham provavelmente cerca de dois anos e meio de idade quando morreram.<\/p>\n<p>Eles compararam o volume estimado da parte interna do cr\u00e2nio das crian\u00e7as e dos adultos a fim de gerar uma trajet\u00f3ria de crescimento cerebral. Calcularam que o\u00a0<em>Australopithecus<\/em>\u00a0j\u00e1 tinha evolu\u00eddo para um per\u00edodo de desenvolvimento cerebral mais longo \u2013 mais semelhante ao humano do que o chimpanz\u00e9 nesse per\u00edodo de tempo.<\/p>\n<p>\u201cTemos a tend\u00eancia a olhar para a evolu\u00e7\u00e3o num cont\u00ednuo\u201d, disse Jeremy DeSilva, professor associado de antropologia em Dartmouth, que revisou o estudo, ao Gizmodo. Mas \u201cessa ideia de tudo evoluindo em sincronia \u00e9 abalada por um trabalho como esse. O trabalho mostra que, como tudo no restante na evolu\u00e7\u00e3o humana, evolu\u00edmos mais num tipo de mosaico, modular, onde aspectos da nossa anatomia evolu\u00edram a ritmos diferentes.\u201d<\/p>\n<p><strong>Em outras palavras, a evolu\u00e7\u00e3o do humano n\u00e3o foi linear. Nossos ancestrais pr\u00e9-humanos podem ter assumido certas caracter\u00edsticas humanas, ao mesmo tempo em que mantiveram distintamente caracter\u00edsticas semelhantes a macacos<\/strong>.<\/p>\n<p>DeSilva explicou que, da cintura para baixo, o\u00a0<em>Australopithecus<\/em>\u00a0parecia humano, mas acima da cintura eles mantinham uma apar\u00eancia de macaco.<\/p>\n<p>Comparando os f\u00f3sseis do cr\u00e2nio e os f\u00f3sseis da pelve, h\u00e1 uma sugest\u00e3o de que o\u00a0<em>Australopithecus<\/em>\u00a0precisaria de ajuda para dar \u00e0 luz, assim como os humanos, o que implicaria ainda mais num estilo de vida social, disse DeSilva.<\/p>\n<p>Embora o estudo inclua um grande n\u00famero de esp\u00e9cimes f\u00f3sseis, h\u00e1 sempre o desejo de que isso seja ampliado, especialmente devido aos dados escassos com que os antrop\u00f3logos trabalham, explicou Gunz ao Gizmodo. Mais f\u00f3sseis poderiam ajudar a confirmar que esses padr\u00f5es evolutivos poderiam ser estendidos para a esp\u00e9cie como um todo e n\u00e3o eram apenas peculiaridades dos poucos indiv\u00edduos que os cientistas analisaram.<\/p>\n<p>Ainda assim, o artigo sugere que a evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o funciona da maneira que voc\u00ea imagina, com base em uma\u00a0<a href=\"http:\/\/www.planet-science.com\/categories\/over-11s\/natural-world\/2012\/03\/how-did-we-become-human.aspx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">imagem clich\u00ea<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A famosa esp\u00e9cime Lucy, de 3,2 milh\u00f5es de anos, cativou os cientistas desde a sua<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":124642,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/cerebro.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/cerebro-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/cerebro-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/cerebro.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/cerebro.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/cerebro.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/cerebro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/cerebro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/cerebro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/cerebro.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A famosa esp\u00e9cime Lucy, de 3,2 milh\u00f5es de anos, cativou os cientistas desde a sua","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124641"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=124641"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124641\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/124642"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=124641"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=124641"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=124641"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}