{"id":124582,"date":"2020-04-03T12:00:09","date_gmt":"2020-04-03T15:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=124582"},"modified":"2020-04-02T17:55:42","modified_gmt":"2020-04-02T20:55:42","slug":"cientistas-descobrem-bacteria-que-se-alimenta-de-poliuretano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cientistas-descobrem-bacteria-que-se-alimenta-de-poliuretano\/","title":{"rendered":"Cientistas descobrem bact\u00e9ria que se alimenta de poliuretano"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-124583\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/esponja-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/esponja-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/esponja.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Uma bact\u00e9ria que se alimenta de pl\u00e1stico t\u00f3xico foi descoberta por cientistas na Alemanha. Ela n\u00e3o s\u00f3 quebra o material como usa seus componentes como alimento para potencializar o processo.<\/p>\n<p>O microrganismo foi descoberto em um dep\u00f3sito de lixo e \u00e9 a primeira bact\u00e9ria conhecida com a capacidade de quebrar o poliuretano.<\/p>\n<p>Milh\u00f5es de toneladas deste pl\u00e1stico s\u00e3o produzidas por ano para a fabrica\u00e7\u00e3o de t\u00eanis esportivos, esponjas de limpeza, fraldas e espuma de isolamento \u2013 a maior parte acaba sendo destinada a aterros sanit\u00e1rios por causa da dificuldade em se reciclar o material.<\/p>\n<p>Quando o poliuretano \u00e9 quebrado, ele pode liberar elementos t\u00f3xicos e cancer\u00edgenos que matam a maior parte das bact\u00e9rias, mas o microrganismo descoberto sobrevive a este processo.<\/p>\n<h2><strong>\u00c9 s\u00f3 o come\u00e7o<\/strong><\/h2>\n<p>Os pesquisadores j\u00e1 identificaram a bact\u00e9ria e est\u00e3o estudando suas caracter\u00edsticas, mas ainda existe muito trabalho pela frente antes que a descoberta possa contribuir para o tratamento de grandes quantidades de res\u00edduos.<\/p>\n<p>\u201cEsta descoberta representa um grande passo na possibilidade de reuso e reciclagem de produtos a base de poliuretano\u201d, explica Hermann Heipieper, do Centro de Pesquisas Ambientais de Helmholtz, na Alemanha. No entanto, o pesquisador afirma que pode levar at\u00e9 10 anos para que a bact\u00e9ria seja usada em larga escala e que \u00e9 fundamental que se reduza a produ\u00e7\u00e3o e o uso de pl\u00e1sticos neste momento.<\/p>\n<p>Mais de 8 bilh\u00f5es de toneladas de pl\u00e1stico foram produzidas desde os anos 50 e grande parte deste res\u00edduo se transformou em polui\u00e7\u00e3o \u2013 cientistas afirmam que esta \u00e9 uma amea\u00e7a de dano irrevers\u00edvel ao meio ambiente.<\/p>\n<h3><strong>Bact\u00e9rias super resistentes<\/strong><\/h3>\n<p>O estudo sobre a nova bact\u00e9ria foi publicado no peri\u00f3dico\u00a0<a href=\"https:\/\/www.frontiersin.org\/articles\/10.3389\/fmicb.2020.00404\/full\">\u00a0Frontiers in Microbiology<\/a>\u00a0e identifica uma nova esp\u00e9cie de\u00a0<em>Pseudomonas bacteria<\/em>, microrganismos conhecidos por se manter em condi\u00e7\u00f5es extremas como altas temperaturas ou ambientes \u00e1cidos.<\/p>\n<p>Os cientistas alimentaram as bact\u00e9rias em laborat\u00f3rio com componentes do poliuretano. \u201cDescobrimos que a bact\u00e9ria pode usar estes componentes como fonte de carbono, nitrog\u00eanio e energia\u201d, atesta Heipieper.<\/p>\n<p>Fungos j\u00e1 haviam sido usados para quebrar o poliuretano, mas as bact\u00e9rias s\u00e3o muito mais f\u00e1ceis de manipular para fins industriais. Segundo Heipieper, o pr\u00f3ximo passo \u00e9 identificar o C\u00f3digo gen\u00e9tico das enzimas produzidas pelas bact\u00e9rias para quebrar o poliuretano.<\/p>\n<h4><strong>Evitar o pl\u00e1stico continua sendo o melhor caminho<\/strong><\/h4>\n<p>Em 2018, cientistas criaram acidentalmente uma enzima mutante capaz de quebrar o pl\u00e1stico usado em garrafas PET, o que criou a possibilidade de tornar este material 100% recicl\u00e1vel. O Professor John McGeehan, diretor do Centro de Estudos de Enzimas da Universidade de\u00a0 Portsmouth na Inglaterra esteve envolvido nesta descoberta h\u00e1 2 anos e hoje comemora o novo estudo publicado.<\/p>\n<p>\u201cAinda existe muito trabalho pela frente, mas esta descoberta \u00e9 muito importante. Entender e manipular este processo pode abrir a porta para inova\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias na reciclagem de pl\u00e1stico\u201d, explica John.<\/p>\n<p>Por sua vez, Heipieper alerta para o fato de que o uso das bact\u00e9rias para quebrar e reciclar o poliuretano n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o completa para este grave problema ambiental. \u201cO principal caminho \u00e9 evitar que o pl\u00e1stico seja lan\u00e7ado no meio ambiente\u201d, garante o cientista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma bact\u00e9ria que se alimenta de pl\u00e1stico t\u00f3xico foi descoberta por cientistas na Alemanha. 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