{"id":124558,"date":"2020-04-03T07:00:52","date_gmt":"2020-04-03T10:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=124558"},"modified":"2020-04-02T17:21:02","modified_gmt":"2020-04-02T20:21:02","slug":"projeto-oncas-do-iguacu-busca-salvar-o-maior-felino-das-americas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/projeto-oncas-do-iguacu-busca-salvar-o-maior-felino-das-americas\/","title":{"rendered":"Projeto On\u00e7as do Igua\u00e7u busca salvar o maior felino das Am\u00e9ricas"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-124560\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/onca-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/onca-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/onca.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>A cada ano, perto de 40 milh\u00f5es de animais s\u00e3o retirados da fauna brasileira, seja pelo tr\u00e1fico de animais silvestres ou pela ca\u00e7a. S\u00e3o as duas principais amea\u00e7as que tomam conta da biodiversidade do pa\u00eds, atr\u00e1s apenas da perda do habitat. Essa \u00e9 a realidade que, por muito tempo, assombrou as on\u00e7as-pintadas no Brasil e ainda merece estado de alerta.<\/p>\n<p>No Parque Nacional do Igua\u00e7u, as on\u00e7as-pintadas quase desapareceram por conta da ca\u00e7a desenfreada \u2013 especialmente entre as d\u00e9cadas de 1950 e 1980 e na d\u00e9cada de 1990 \u2013 quando uma estrada de 18 quil\u00f4metros que rasgava o Parque para ligar os munic\u00edpios de Serran\u00f3polis e Capanema, chamada de \u201cEstrada do Colono\u201d, estava aberta. Estudos indicam, conforme aponta o projeto On\u00e7as do Igua\u00e7u, com atua\u00e7\u00e3o em Foz do Igua\u00e7u e no Parque, que um dos fatores que aumenta a ca\u00e7a \u00e9, justamente, a facilidade de acesso ao local onde as esp\u00e9cies vivem. \u201cUma estrada, por exemplo, aumenta muito o n\u00famero de ca\u00e7a. Fica mais f\u00e1cil para as pessoas terem acesso aos locais\u201d, explica a coordenadora-executiva do projeto, Yara Barros.<\/p>\n<p>No come\u00e7o da d\u00e9cada de 1990, quando a estrada estava fechada desde 1986 por determina\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a, estimava-se, ent\u00e3o, uma popula\u00e7\u00e3o de 68 on\u00e7as no Parque. Mas, com a Estrada do Colono reaberta, em 1997, o n\u00famero chegou a cinco. Nos \u00faltimos anos, a popula\u00e7\u00e3o do maior felino das Am\u00e9ricas tem aumentado. Em 2001, a estrada foi fechada pela \u00faltima vez, a partir de uma decis\u00e3o transitada em julgado, que \u00e9 quando j\u00e1 se esgotaram todas as possibilidades de recursos para reverter a decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Por interm\u00e9dio de um censo feito em parceria entre Brasil e Argentina sabe-se que existem perto de 105 on\u00e7as-pintadas no chamado \u201ccorredor-verde\u201d entre os dois pa\u00edses. E isso se deve \u00e0s medidas de prote\u00e7\u00e3o que foram adotadas nos \u00faltimos anos. Em 2016, eram 90 animais, ao todo. Juntos, os parques nacionais do Igua\u00e7u, no Brasil, e do Iguaz\u00fa, na Argentina, totalizam 600 mil hectares e formam a maior \u00e1rea protegida cont\u00ednua no centro-sul do continente. Abrigam esp\u00e9cies vulner\u00e1veis ou amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, como a peroba-rosa, o jacar\u00e9-de-papo-amarelo, o puma e a on\u00e7a-pintada.<\/p>\n<figure id=\"attachment_76787\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-76787\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-76787\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Info.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Info.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Info-288x300.jpg 288w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"666\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-76787\" class=\"wp-caption-text\">Arte: OJC.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Pelos lados brasileiros, o Parque do Igua\u00e7u \u00e9 a maior \u00e1rea de Mata Atl\u00e2ntica de interior que ainda existe no pa\u00eds, com 185 mil hectares. \u00c9 o \u00faltimo ref\u00fagio da on\u00e7a-pintada do sul do Brasil. Desse total, 28 on\u00e7as-pintadas foram encontradas no lado brasileiro. Em 2010, por exemplo, foram contabilizadas somente 11 on\u00e7as no lado brasileiro, um n\u00famero que assustou bi\u00f3logos, ambientalistas e pesquisadores. \u201c\u00c9 desesperador quando a gente entra em campo e se depara com uma on\u00e7a assassinada\u201d, comenta Yara.<\/p>\n<p>Somente em regi\u00e3o de Mata Atl\u00e2ntica estima-se que existam apenas 300 on\u00e7as-pintadas. \u201cEla est\u00e1, sim, em risco de extin\u00e7\u00e3o. Somando as \u00e1reas brasileiras e argentinas, temos quase um ter\u00e7o desse felino em nosso territ\u00f3rio e \u00e9 a \u00fanica localidade que tem uma popula\u00e7\u00e3o comprovadamente crescendo\u201d explica a coordenadora do On\u00e7as do Igua\u00e7u. Na regi\u00e3o tamb\u00e9m existem outros grandes felinos, como a on\u00e7a-parda, chamada tamb\u00e9m de puma ou su\u00e7uarana.<\/p>\n<p>Muitos fazendeiros ca\u00e7am e assassinam as on\u00e7as por retalia\u00e7\u00e3o por terem atacado rebanho de gados, por exemplo. Ainda h\u00e1 pessoas que matam alegando preven\u00e7\u00e3o \u2013 a fim de evitar que os felinos entrem em propriedades rurais. \u00c9 importante ressaltar, no entanto, que uma pesquisa apontou que matar on\u00e7as-pintadas que atacam o gado no Pantanal \u00e9 uma p\u00e9ssima ideia tamb\u00e9m do ponto de vista econ\u00f4mico. O ecoturismo de observa\u00e7\u00e3o desses animais rendeu US$ 7 milh\u00f5es em 2015 s\u00f3 em um peda\u00e7o daquele bioma.<\/p>\n<p>O turismo que envolve observa\u00e7\u00e3o de animais de grande porte no continente africano vale quase 50 milh\u00f5es de d\u00f3lares, segundo um estudo divulgado no final de 2017 pela Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Com\u00e9rcio e Desenvolvimento (UNCTAD). O turismo no continente, segundo o relat\u00f3rio, \u00e9 \u201cuma ind\u00fastria crescente que sustenta 21 milh\u00f5es de empregos, ou 1 em cada 14 empregos\u201d. Em 2014, o relat\u00f3rio indica que as receitas do turismo chegaram a triplicar de 14 milh\u00f5es para 47 milh\u00f5es de d\u00f3lares, passando a representar 8,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do continente.<\/p>\n<figure id=\"attachment_76791\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-76791\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-76791\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/on%C3%A7a.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/on\u00e7a.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/on\u00e7a-300x172.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/on\u00e7a-1024x586.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/on\u00e7a-600x343.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/on\u00e7a-640x366.jpg 640w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"366\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-76791\" class=\"wp-caption-text\">As on\u00e7as est\u00e3o seriamente amea\u00e7adas por ca\u00e7adores que, ilegalmente, ainda invadem espa\u00e7os onde elas lutam para sobreviver. Cr\u00e9dito: Projeto On\u00e7as do Igua\u00e7u.<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Conscientiza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Um dos trabalhos realizados pelo On\u00e7as do Igua\u00e7u atinge 14 munic\u00edpios da regi\u00e3o Oeste do Paran\u00e1, que somam quase 500 mil habitantes. O objetivo \u00e9 conscientizar as pessoas e buscar a coexist\u00eancia de todas esp\u00e9cies, com melhorias nas pr\u00e1ticas de manejo do gado, al\u00e9m de a\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o realizadas pela pol\u00edcia e pelo Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio).<\/p>\n<p>\u201cO On\u00e7as do Igua\u00e7u trabalha com pesquisa, engajamento da popula\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00f5es de coexist\u00eancia. Por meio desse trabalho, procuramos encontrar melhores formas de os produtores e fazendeiros terem suas rendas ampliadas e envolv\u00ea-los na preserva\u00e7\u00e3o das on\u00e7as\u201d, comenta Yara. Um desses trabalhos resultou em uma mudan\u00e7a do uso do solo em que o plantio de milho e soja substitui a pr\u00e1tica da pecu\u00e1ria, o que diminuiu os conflitos com os pecuaristas. \u201cTem um produtor, por exemplo, que \u00e9 o \u00fanico da regi\u00e3o que produz noz pecan. Estamos o ajudando a ampliar o neg\u00f3cio e at\u00e9 mesmo oferecendo parceria com o projeto\u201d, revela Yara.<\/p>\n<p>Para os pecuaristas, s\u00e3o ensinadas t\u00e9cnicas de manejo que evitam que as on\u00e7as invadam suas propriedades, como ilumina\u00e7\u00e3o dos currais e recolhimento dos animais durante as noites. \u201cTeve um produtor que h\u00e1 um tempo perdeu um bezerro por uma on\u00e7a, mas depois perdeu uma dezena porque n\u00e3o vacinou os animais contra a raiva. \u00c9 preciso fazer esse trabalho de conscientiza\u00e7\u00e3o permanente\u201d, comenta a coordenadora.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da ca\u00e7a, Yara afirma que a evolu\u00e7\u00e3o do desmatamento \u00e9 outro fator de risco para os animais silvestres. \u201cA perda de habitat gera o isolamento dos animais e a perda de presas para os carn\u00edvoros se alimentarem\u201d, explica Yara. A esp\u00e9cie j\u00e1 perdeu 85% de seu habitat e sobrevive em apenas 2,8% do bioma onde vive, por exemplo. Se a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se reverter, h\u00e1 o risco de que que, em 50 anos, o terceiro maior felino do mundo desapare\u00e7a do Brasil.<\/p>\n<div id=\"\" class=\"su-note\">\n<div class=\"su-note-inner su-u-clearfix su-u-trim\"><strong>Acampamentos de ca\u00e7a<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_76788\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-76788\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-76788\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/acampamento.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/acampamento.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/acampamento-300x233.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"495\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-76788\" class=\"wp-caption-text\">Acampamento de ca\u00e7a. Cr\u00e9dito: Divulga\u00e7\u00e3o\/Pol\u00edcia Militar Ambiental.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em 2004, entre 17 e 23 de mar\u00e7o, fiscais do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade), Ex\u00e9rcito Brasileiro e Pol\u00edcia Militar Ambiental do Paran\u00e1 encontraram 26 acampamentos de ca\u00e7a na bacia do Rio Floriano, dentro do Parque Nacional do Igua\u00e7u. Tamb\u00e9m foram achados 11 pesqueiros, diversos instrumentos para ca\u00e7a e dezenas de animais mortos, como veados, cutias, pacas, antas, c\u00e1gados, macaco-prego, capivaras, entre outros. Muitos estavam armazenados em isopor e gelo, o que representava a exist\u00eancia de um esquema organizado de venda de animais silvestres.<\/p>\n<p>A cada ano, novas estruturas de ca\u00e7a s\u00e3o identificadas no local. Em outubro de 2019, outras 30 foram achadas em 87 quil\u00f4metros de trilhas dentro do Parque Nacional. Sempre que opera\u00e7\u00f5es como essa s\u00e3o feitas, novos acampamentos s\u00e3o descobertos e desmontados, mas, em grande parte das vezes, ningu\u00e9m \u00e9 preso. Abrir uma rodovia em meio ao Parque \u00e9 facilitar, portanto, ainda mais uma situa\u00e7\u00e3o cujo controle ainda \u00e9 bastante desafiador para as autoridades competentes.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Atropelamentos<\/strong><\/p>\n<p>O atropelamento de animais silvestres nas estradas e rodovias de todo o pa\u00eds \u00e9 mais um obst\u00e1culo \u00e0 sobreviv\u00eancia das esp\u00e9cies. O Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE) criou uma ferramenta chamada \u201catropel\u00f4metro\u201d com o objetivo de estimar, em tempo real, \u201co n\u00famero de vertebrados terrestres silvestres mortos por atropelamento nas rodovias brasileiras\u201d. Em m\u00e9dia morrem, por dia, mais de 1,3 milh\u00e3o de animais atropelados.<\/p>\n<p><strong>Situa\u00e7\u00e3o na Caatinga<\/strong><\/p>\n<p>Encontrar on\u00e7as na Caatinga tem se mostrado cada vez mais raro. A presen\u00e7a das duas esp\u00e9cies t\u00edpicas da \u00e1rea, a parda e a pintada, tem diminu\u00eddo nos \u00faltimos anos, o que tamb\u00e9m as colocou em risco de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje, estima-se que existam apenas 30 on\u00e7as- -pintadas e 180 pardas na regi\u00e3o do Boqueir\u00e3o da On\u00e7a, no norte da Bahia, ponto com maior incid\u00eancia desses grandes felinos na Caatinga nordestina. Em 2008, data da estimativa anterior, havia 50 pintadas e 200 pardas na \u00e1rea. Os dados s\u00e3o do Programa Amigos da On\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>On\u00e7as do Igua\u00e7u flagra novo filhote<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_76785\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-76785\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-76785\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/FILHOTES.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/FILHOTES.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/FILHOTES-300x109.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/FILHOTES-1024x373.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/FILHOTES-600x219.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/FILHOTES-640x233.jpg 640w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"233\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-76785\" class=\"wp-caption-text\">Indira, filhote de on\u00e7a com cerca de tr\u00eas meses de idade. Cr\u00e9dito: Carmel Croukamp Davies.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em fevereiro deste ano, armadilhas fotogr\u00e1ficas do Projeto On\u00e7as do Igua\u00e7u capturaram a imagem de uma nova filhote de on\u00e7a-pintada. O flagrante foi feito em uma regi\u00e3o remota do Parque Nacional do Igua\u00e7u. A equipe do projeto decidiu n\u00e3o informar a localiza\u00e7\u00e3o exata do ocorrido para a seguran\u00e7a do animal. Segundo a bi\u00f3loga Yara Barros, coordenadora do On\u00e7as do Igua\u00e7u, a filhote \u00e9 uma f\u00eamea e deve ter por volta de dez meses a um ano de idade. O nome escolhido para batizar a oncinha foi Tainara, que, em Tupi, quer dizer \u201cestrela, perfeita, iluminada\u201d. Ela tem uma marca na testa que parece uma estrela. Em dezembro do ano passado, as armadilhas fotogr\u00e1ficas j\u00e1 tinham registrado outra \u201cnova moradora\u201d do parque. Era mais uma f\u00eamea, que tinha sido rec\u00e9m-parida, e foi chamada de Cacira.<\/p>\n<div id=\"\" class=\"su-note\">\n<div class=\"su-note-inner su-u-clearfix su-u-trim\"><strong>Em 60 anos, 23 milh\u00f5es de animais foram mortos<\/strong>Um estudo publicado em 2016 na revista Science Advances apontou que a regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia perdeu 23 milh\u00f5es de animais silvestres v\u00edtimas das ca\u00e7a em 60 anos. Esses n\u00fameros referem-se apenas ao que ocorreu nos estados de Rond\u00f4nia, Acre, Roraima e Amazonas entre os anos de 1904 a 1969.<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, foram abatidos na Amaz\u00f4nia, pelo menos, 13,9 milh\u00f5es de mam\u00edferos terrestres de seis esp\u00e9cies: caititu (<em>Pecari tajacu<\/em>), veado-mateiro (<em>Mazama americana<\/em>), queixada (<em>Tayassu pecari<\/em>), jaguatirica (<em>Leopardus pardalis<\/em>), gato-maracaj\u00e1 (<em>Leopardus wiedii<\/em>) e on\u00e7a-pintada (<em>Panthera onca<\/em>).<\/p>\n<p>Os ca\u00e7adores abateram 804 mil jaguatiricas e gatos-maracaj\u00e1, al\u00e9m de 183 mil on\u00e7as-pintadas, o maior felino das Am\u00e9ricas. Quase oito mil on\u00e7as foram mortas em 1969, dois anos ap\u00f3s a proibi\u00e7\u00e3o da ca\u00e7a no pa\u00eds. Isso indica que, apesar de ser proibida em territ\u00f3rio nacional desde 1967, a ca\u00e7a continuou sendo praticada de forma ilegal, inclusive, com recorrentes den\u00fancias aos \u00f3rg\u00e3os ambientais.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<figure id=\"attachment_76793\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 638px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-76793\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-76793\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/on%C3%A7a2.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/on\u00e7a2.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/on\u00e7a2-300x120.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/on\u00e7a2-1024x411.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/on\u00e7a2-600x241.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/on\u00e7a2-640x257.jpg 640w\" alt=\"\" width=\"638\" height=\"256\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-76793\" class=\"wp-caption-text\">On\u00e7a flagrada pela equipe do On\u00e7as do Igua\u00e7u no Parque Nacional do Igua\u00e7u. Cr\u00e9dito: Projeto On\u00e7as do Igua\u00e7u.<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cada ano, perto de 40 milh\u00f5es de animais s\u00e3o retirados da fauna brasileira, seja<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":124560,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/onca.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/onca-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/onca-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/onca.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/onca.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/onca.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/onca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/onca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/onca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/onca.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A cada ano, perto de 40 milh\u00f5es de animais s\u00e3o retirados da fauna brasileira, seja","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124558"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=124558"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124558\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/124560"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=124558"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=124558"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=124558"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}