{"id":124531,"date":"2020-04-02T13:30:54","date_gmt":"2020-04-02T16:30:54","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=124531"},"modified":"2020-04-01T18:32:15","modified_gmt":"2020-04-01T21:32:15","slug":"de-morcegos-a-pangolins-como-virus-chegam-ate-o-ser-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/de-morcegos-a-pangolins-como-virus-chegam-ate-o-ser-humano\/","title":{"rendered":"De morcegos a pangolins: como v\u00edrus chegam at\u00e9 o ser humano?"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-124532\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/pangolin-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/pangolin-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/pangolin.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Estudos apontam pangolins como o elo mais prov\u00e1vel entre o Sars-Cov-2 e humanos. Mas, assim como no caso de outros pat\u00f3genos, a prov\u00e1vel origem do novo coronav\u00edrus est\u00e1 em morcegos.<\/p>\n<p>Enquanto diversos pa\u00edses lutam para conter a pandemia do novo coronav\u00edrus, o Sars-Cov-2, que j\u00e1 matou dezenas de milhares de pessoas, provocou o fechamento de fronteiras e uma crise mundial, cientistas tentam descobrir como exatamente o surto come\u00e7ou.<\/p>\n<p>Um estudo publicado no dia 26 de mar\u00e7o pela revista cient\u00edfica\u00a0<em>Nature<\/em>\u00a0sugere que o pangolim \u2013 um mam\u00edfero que se assemelha ao tatu-bola e \u00e9 v\u00edtima do tr\u00e1fico ilegal de animais selvagens \u2013 seria o elo mais prov\u00e1vel entre o Sars-Cov-2, morcegos e humanos.<\/p>\n<p>Enquanto as especula\u00e7\u00f5es iniciais apontavam para frutos do mar, cobras e morcegos da prov\u00edncia de Yunnan, no sudoeste da China, pesquisadores de Hong Kong, da China e da Austr\u00e1lia descobriram que as sequ\u00eancias gen\u00e9ticas de coronav\u00edrus em pangolins s\u00e3o 85,5% a 92,4% id\u00eanticas ao novo coronav\u00edrus. Isso significa que, antes de chegar aos seres humanos, o v\u00edrus provavelmente foi transmitido de morcegos para o pangolim.<\/p>\n<p>Mais de 39\u00a0mil pessoas j\u00e1 morreram em decorr\u00eancia do novo coronav\u00edrus, detectado pela primeira vez em dezembro de 2019 em Wuhan, na China.<\/p>\n<p><strong>O que os morcegos t\u00eam de diferente\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que o mundo testemunha um surto de um v\u00edrus transmitido por morcegos. Acredita-se que o ebola tenha se originado em morcegos, assim como dois outros tipos de coronav\u00edrus \u2013 o Sars-Cov, que surgiu na \u00c1sia em 2003 ap\u00f3s ser transmitido de morcegos para civetas e depois para humanos, e o Mers-Cov, que infectou cerca de 2.500 pessoas desde 2012, ap\u00f3s ser transmitido de camelos para humanos.<\/p>\n<p>Considerando o tamanho e a dissemina\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o de morcegos, o papel do mam\u00edfero em tais surtos n\u00e3o \u00e9 necessariamente surpreendente, comenta Yan Xiang, professor de virologia da Universidade do Texas. O morcego \u00e9 o segundo mam\u00edfero mais comum depois dos roedores, representando quase 20% de todas as esp\u00e9cies de mam\u00edferos. Existem mais de 1.300 esp\u00e9cies de morcegos, e alguns deles\u00a0podem viver at\u00e9 40 anos.<\/p>\n<div class=\"picBox full rechts \">\n<p><a class=\"overlayLink init\" href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/de-morcegos-a-pangolins-como-v%C3%ADrus-chegam-at%C3%A9-o-ser-humano\/a-52969233#\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Morcego\" src=\"https:\/\/www.dw.com\/image\/19497527_401.jpg\" alt=\"Morcego\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/a>Especialistas acreditam que a particularidade do sistema imunol\u00f3gico do morcego o permite abrigar tantos v\u00edrus<\/p>\n<\/div>\n<p>Especialistas acreditam que o peculiar sistema\u00a0imunol\u00f3gico do morcego\u00a0faz com que ele seja capaz de abrigar tantos v\u00edrus. Xiang afirma que os cientistas &#8220;ainda n\u00e3o t\u00eam uma vis\u00e3o completa&#8221; do sistema imunol\u00f3gico dos morcegos e aponta dois elementos-chave para a resposta imune do mam\u00edfero, a chamada &#8220;imunidade inata&#8221;: as altas temperaturas corporais e os altos n\u00edveis da prote\u00edna interferon, que induz um estado de resist\u00eancia antiviral.<\/p>\n<p>O morcego \u00e9 o \u00fanico mam\u00edfero com capacidade de voar, o que aumenta a temperatura corporal e a taxa metab\u00f3lica do animal, colocando-o em constante estado &#8220;febril&#8221;. Alguns cientistas acreditam que os morcegos suprimiram o seu sistema imunol\u00f3gico para compensar isso, o que os tornaria\u00a0tolerantes a mais v\u00edrus.<\/p>\n<p><strong>Hospedeiros intermedi\u00e1rios\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Os coronav\u00edrus s\u00e3o doen\u00e7as virais zoon\u00f3ticas, ou seja, que podem se espalhar entre animais e humanos. O v\u00edrus passa por uma s\u00e9rie de muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas no animal, o que o permite infectar seres humanos e se multiplicar. Embora haja evid\u00eancias de que o novo coronav\u00edrus tenha se originado em morcegos, isso n\u00e3o significa que foi transmitido diretamente de morcegos para humanos.<\/p>\n<p>Os pesquisadores envolvidos no estudo da\u00a0<em>Nature\u00a0<\/em>sugerem que as diferen\u00e7as biol\u00f3gicas entre morcegos e humanos indicam que \u00e9 prov\u00e1vel que o novo coronav\u00edrus precise passar por outro mam\u00edfero para se multiplicar ou sofrer mais muta\u00e7\u00f5es antes de chegar aos seres humanos.<\/p>\n<p>&#8220;O v\u00edrus provavelmente n\u00e3o foi capaz de infectar humanos diretamente atrav\u00e9s de morcegos, ent\u00e3o, teve que passar por um animal intermedi\u00e1rio para sofrer mais muta\u00e7\u00f5es e infectar humanos&#8221;, disse Xiang \u00e0 DW. No caso de coronav\u00edrus anteriores, civetas e camelos atuaram como os hospedeiros intermedi\u00e1rios.<\/p>\n<p>A liga\u00e7\u00e3o entre o novo coronav\u00edrus e os pangolins foi sugerida anteriormente por um estudo realizado no in\u00edcio de fevereiro por pesquisadores da Universidade Agr\u00edcola do Sul da China, que analisaram mais de mil amostras de animais selvagens.<\/p>\n<p>Xiang comenta que as evid\u00eancias para essas alega\u00e7\u00f5es j\u00e1 existiam em um artigo publicado em outubro de 2019, que afirma ter detectado a presen\u00e7a de coronav\u00edrus em sequ\u00eancias gen\u00f4micas de pangolins doentes contrabandeados da Mal\u00e1sia para a China.<\/p>\n<p>Embora exista uma forte semelhan\u00e7a entre os coronav\u00edrus encontrados nos pangolins e o Sars-Cov-2, mais pesquisas s\u00e3o necess\u00e1rias para estabelecer exatamente como o v\u00edrus foi transmitido do animal para os seres humanos.<\/p>\n<p><strong>Mecanismo de defesa humana\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Embora seja dif\u00edcil prever a devasta\u00e7\u00e3o que tais pandemias podem causar, Stuart Neil, diretor de virologia do King&#8217;s College London, na Inglaterra, diz que surtos como esse &#8220;n\u00e3o acontecem com muita frequ\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Provavelmente estamos expostos a v\u00edrus de outras esp\u00e9cies com muito mais frequ\u00eancia do que novos v\u00edrus vindos de animais\u00a0e essas epidemias sustentadas&#8221;, disse ele \u00e0 DW.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o para isso, explica Neil, s\u00e3o nossos &#8220;mecanismos de defesa intr\u00ednsecos&#8221;. Ele explica que n\u00e3o existe um v\u00edrus inerentemente mortal, porque o que pode ser inofensivo para uma esp\u00e9cie, como provam os in\u00fameros coronav\u00edrus que circulam em morcegos, pode ser mortal para outra.<\/p>\n<p>&#8220;Depende inteiramente dos mecanismos de defesa das esp\u00e9cies hospedeiras e se elas podem viver em harmonia com o v\u00edrus ou n\u00e3o&#8221;, comenta Neil.<\/p>\n<p>Por\u00e9m,\u00a0epidemias est\u00e3o se tornando mais prov\u00e1veis \u00e0 medida que o ser humano invade os habitats de animais selvagens, aponta o pesquisador. &#8220;Os humanos s\u00e3o expostos a v\u00edrus como este pela maneira como se comportam e interagem com os animais.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudos apontam pangolins como o elo mais prov\u00e1vel entre o Sars-Cov-2 e humanos. Mas, assim<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":124532,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/pangolin.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/pangolin-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/pangolin-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/pangolin.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/pangolin.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/pangolin.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/pangolin.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/pangolin.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/pangolin.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/pangolin.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Estudos apontam pangolins como o elo mais prov\u00e1vel entre o Sars-Cov-2 e humanos. Mas, assim","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124531"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=124531"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124531\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/124532"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=124531"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=124531"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=124531"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}