{"id":124249,"date":"2020-03-28T13:00:22","date_gmt":"2020-03-28T16:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=124249"},"modified":"2020-03-27T18:32:51","modified_gmt":"2020-03-27T21:32:51","slug":"coronavirus-lontras-vivem-isolamento-com-cuidador-de-animais-em-sc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/coronavirus-lontras-vivem-isolamento-com-cuidador-de-animais-em-sc\/","title":{"rendered":"Coronav\u00edrus: Lontras vivem isolamento com cuidador de animais em SC"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-124250\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/lontras-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/lontras-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/lontras.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Em Florian\u00f3polis, capital de Santa Catarina, h\u00e1 um grupo de seres que sabe que a rotina mudou, mas n\u00e3o entende exatamente o porqu\u00ea. Seis lontras, tr\u00eas fur\u00f5es, duas iraras e um guaxinim (o \u00fanico que n\u00e3o faz parte da mesma fam\u00edlia dos Mustel\u00eddeos) vivem no cativeiro do Projeto Lontra, iniciativa do Instituto Ekko Brasil, em atividade desde 1986. Desde o dia 14 de mar\u00e7o, por causa da pandemia causada pelo coronav\u00edrus, o Projeto est\u00e1 fechado para visita\u00e7\u00e3o. Em m\u00e9dia, 2.000 pessoas por m\u00eas costumam passar por ali. Contudo, por mais que crian\u00e7as de diferentes escolas n\u00e3o possam mais ir ao local para aprender sobre\u00a0a import\u00e2ncia da preserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie e de seu ecossistema, os bichos ainda precisam de cuidados para a alimenta\u00e7\u00e3o e a manuten\u00e7\u00e3o do local onde vivem.<\/p>\n<p>Para essa fun\u00e7\u00e3o, Marcelo Tosatti, 46, coordenador de log\u00edstica do Projeto Lontra, mant\u00e9m o isolamento social recomendado pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, mas jamais deixar\u00e1 sozinhos os animais que dependem do cuidado humano para sobreviver. Ele \u00e9 a \u00fanica pessoa que est\u00e1 em contato direto com os bichos. \u201cEstou isolado do mundo e brincando com as lontras\u201d, disse. Os colaboradores est\u00e3o trabalhando \u00e0 dist\u00e2ncia, pela internet, e foi implantado um sistema de lavagem dos pneus para entrar com o carro na \u00e1rea do projeto. \u201cPor mais que os animais n\u00e3o transmitam o v\u00edrus, \u00e9 importante seguir o protocolo de higieniza\u00e7\u00e3o das roupas durante o manejo\u201d, explicou. \u201cA dedica\u00e7\u00e3o \u00e9 de sete dias por semana. Os bichos nos reconhecem pelo cheiro, pelo som. Criamos eles desde filhotes, amamentando na mamadeira. Somos a refer\u00eancia deles\u201d, afirmou.<\/p>\n<div class=\"teads-inread sm-screen\"><\/div>\n<p>Quando chegou ao Projeto, em 2002, a inten\u00e7\u00e3o era prestar aux\u00edlio \u00e0s pesquisas e cuidar das instala\u00e7\u00f5es da sede. Em 2004, o Projeto Lontra recebeu o primeiro animal para viver em cativeiro e foi assim que Tosatti iniciou o contato com os bichos. Hoje, todos do plantel foram criados desde filhotes na mamadeira. Eram animais machucados, que tiveram algum problema na natureza, ou que perderam a m\u00e3e e se tornaram \u00f3rf\u00e3os. Sem a prote\u00e7\u00e3o materna at\u00e9 o primeiro ano de idade, os filhotes n\u00e3o sobreviveriam sozinhos.<\/p>\n<p>\u201cA gente assumiu o papel que a m\u00e3e teria na natureza. Vemos, literalmente, que existe gratid\u00e3o\u201d, afirmou. Nesses dias de calmaria, o cuidador percebeu que a cambada demonstra felicidade quando ele se aproxima. \u201cDentro de todos os cuidados com um animal silvestre, para eles e para n\u00f3s, as lontras demonstram que querem brincar e ficar perto. Se est\u00e3o sonolentas e me aproximo, logo ficam alegres\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Mesmo em contato di\u00e1rio com o \u201cpai e m\u00e3e\u201d (forma como Tosatti costuma se referir a si pr\u00f3prio e a outros cuidadores), os animais demonstraram no comportamento que sabem que alguma coisa aconteceu no mundo exterior. Com o fluxo di\u00e1rio de visitantes, e o t\u00edpico alvoro\u00e7o causado crian\u00e7as em contato com criaturas t\u00e3o fofas quanto as lontras, os animais podem ficar estressados, demonstrando um comportamento mais ativo do que o normal. \u201cO animal silvestre na natureza tem que estar sempre em alerta. Eles ficam amendrontados pela rela\u00e7\u00e3o entre presa e predador, \u00e9 a lei da selva. A lontra \u00e9 um animal muito ativo\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Sem o ru\u00eddo dos visitantes, o ambiente se torna mais tranquilo e os bichos podem descansar. Tosatti percebeu que eles at\u00e9 come\u00e7aram a interagir mais entre si. \u201cTamb\u00e9m \u00e9 interessante pelo ponto de vista de pesquisa, pois agora podemos observar detalhes de comportamento que em situa\u00e7\u00f5es normais n\u00e3o seria poss\u00edvel enxergar. Posso entender melhor o que est\u00e1 acontecendo com o bicho, se ele est\u00e1 bem, ter informa\u00e7\u00f5es mais focadas em cada indiv\u00edduo\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Uma das preocupa\u00e7\u00f5es \u00e9 com rela\u00e7\u00e3o ao abastecimento de alimentos para os animais. Apenas as lontras consomem cerca de 10 quilos de peixe por dia. Os outros animais consomem o mesmo volume de comida em frutas. \u201cTemos parcerias com pescadores da comunidade local. Alguns continuaram com a atividade, outros pararam\u201d, explicou. H\u00e1 apreens\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o ao abastecimento de vegetais, hortali\u00e7as, carnes, entre outros. At\u00e9 o momento, n\u00e3o houve problemas com o abastecimento. E Tosatti e as lontras seguem aproveitando o sil\u00eancio enquanto os dias de isolamento permitirem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Florian\u00f3polis, capital de Santa Catarina, h\u00e1 um grupo de seres que sabe que a<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":124250,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/lontras.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/lontras-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/lontras-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/lontras.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/lontras.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/lontras.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/lontras.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/lontras.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/lontras.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/lontras.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em Florian\u00f3polis, capital de Santa Catarina, h\u00e1 um grupo de seres que sabe que a","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124249"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=124249"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124249\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/124250"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=124249"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=124249"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=124249"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}