{"id":124177,"date":"2020-03-27T08:00:50","date_gmt":"2020-03-27T11:00:50","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=124177"},"modified":"2020-03-26T17:33:06","modified_gmt":"2020-03-26T20:33:06","slug":"menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados\/","title":{"rendered":"Menos de 2% dos esgotos na bacia que abastece o Grande Rio s\u00e3o tratados"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-124179\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/rios-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/rios-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/rios.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Com dificuldade, o barco vai irrompendo a aglomera\u00e7\u00e3o de gigogas, revelando uma parte da lagoa que recebe um aporte direto de um dos rios vindos da Baixada Fluminense. A cor da \u00e1gua aqui \u00e9 escura, o mau cheiro toma conta do ar, manchas de \u00f3leo e pequenos detritos s\u00e3o vis\u00edveis na superf\u00edcie da \u00e1gua. O cen\u00e1rio na capta\u00e7\u00e3o que abastece a Esta\u00e7\u00e3o de Tratamento de \u00c1gua (ETA) Guandu, em Nova Igua\u00e7u, reflete os descaminhos do flagelo da falta de saneamento b\u00e1sico. Menos de 2% dos esgotos gerados na bacia hidrogr\u00e1fica do Guandu, nos munic\u00edpios da Baixada, s\u00e3o tratados, o que imp\u00f5e altos custos \u00e0 Companhia Estadual de \u00c1guas e Esgotos (Cedae). ((o))eco apurou que a Cedae poderia economizar at\u00e9 R$ 100 milh\u00f5es por ano caso houvesse saneamento b\u00e1sico no ponto da tomada d\u2019\u00e1gua da ETA Guandu. Isso representa 15% do que a companhia gasta em produtos qu\u00edmicos no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Para entender a din\u00e2mica da \u00e1gua que chega \u00e0s torneiras de 9,5 milh\u00f5es de moradores do Grande Rio, ((o))eco fez uma viagem pela lagoa de capta\u00e7\u00e3o da ETA Guandu. \u00c0 primeira vista, n\u00e3o haviam sinais evidentes de todo o esgoto que chegava at\u00e9 a lagoa de capta\u00e7\u00e3o na manh\u00e3 do dia 16 de mar\u00e7o. Chegamos l\u00e1 pela primeira vez \u00e0s 6h, quando o sol come\u00e7ava a iluminar a \u00e1gua e toda a baixa vegeta\u00e7\u00e3o do entorno. Diversas esp\u00e9cies de aves nadavam ou sobrevoavam de perto a superf\u00edcie do lago artificial formado pelas \u00e1guas do Guandu. Um gavi\u00e3o caramujeiro passou baixo \u00e0 nossa frente. Tudo isso mudou, no entanto, t\u00e3o logo chegamos \u00e0 desembocadura do Rio dos Po\u00e7os, um curso h\u00eddrico que nasce em Paracambi e des\u00e1gua moribundo, como se pedisse socorro, no Guandu.<\/p>\n<p>\u201cEm agosto do ano passado, eu e mais oito pescadores daqui viemos tentar tapar esse esgoto que j\u00e1 estava prejudicando a lagoa h\u00e1 tempos,\u201d disse Vitor Ambrozioni, que nos conduzia pelo passeio. O esgoto em quest\u00e3o era o rio em si. \u201cTentamos usar sacos de farinha de trigo, umas estacas\u2026 mas com as nossas m\u00e3os n\u00e3o deu\u201d.<\/p>\n<div id=\"su_image_carousel_5e7ce0dad8e6e\" class=\"su-image-carousel su-image-carousel-has-spacing su-image-carousel-has-outline su-image-carousel-adaptive su-image-carousel-slides-style-minimal su-image-carousel-controls-style-dark su-image-carousel-align-none flickity-enabled is-draggable su-image-carousel-ready\" data-flickity-options=\"{&quot;groupCells&quot;:true,&quot;cellSelector&quot;:&quot;.su-image-carousel-item&quot;,&quot;adaptiveHeight&quot;:true,&quot;cellAlign&quot;:&quot;left&quot;,&quot;prevNextButtons&quot;:true,&quot;pageDots&quot;:false,&quot;autoPlay&quot;:5000,&quot;imagesLoaded&quot;:true,&quot;contain&quot;:false,&quot;selectedAttraction&quot;:0.025000000000000001387778780781445675529539585113525390625,&quot;friction&quot;:0.2800000000000000266453525910037569701671600341796875}\">\n<div 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capta\u00e7\u00e3o da Cedae<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"su-image-carousel-item\" aria-hidden=\"true\">\n<div class=\"su-image-carousel-item-content\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-vitor-ambrozioni-02-1024x683.jpg\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-vitor-ambrozioni-02-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-vitor-ambrozioni-02-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-vitor-ambrozioni-02-600x400.jpg 600w, 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desembocadura do Rio Po\u00e7os<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"su-image-carousel-item\" aria-hidden=\"true\">\n<div class=\"su-image-carousel-item-content\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-vitor-ambrozioni-03-1024x683.jpg\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-vitor-ambrozioni-03-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-vitor-ambrozioni-03-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-vitor-ambrozioni-03-600x400.jpg 600w, 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class=\"su-image-carousel-item\" aria-hidden=\"true\">\n<div class=\"su-image-carousel-item-content\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-vitor-ambrozioni-04-1024x684.jpg\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-vitor-ambrozioni-04-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-vitor-ambrozioni-04-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-vitor-ambrozioni-04-600x401.jpg 600w, 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capta\u00e7\u00e3o<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><button class=\"flickity-button flickity-prev-next-button next\" type=\"button\" aria-label=\"Next\"><\/button><\/div>\n<p>Vitor, 36 anos, \u00e9 um pescador do bairro de Lagoinha, em Nova Igua\u00e7u, e havia gentilmente se voluntariado para nos mostrar a regi\u00e3o em seu pequeno barco de pesca. Esse \u00e9 o mesmo lugar onde houve a prolifera\u00e7\u00e3o de cianobact\u00e9rias que gerou a crise da \u00e1gua \u201ccom cheiro e gosto de terra\u201d do in\u00edcio do ano. Um problema que, de acordo com D\u00e9cio Tubbs, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFFRJ) e ex-diretor do Comit\u00ea Guandu-RJ, j\u00e1 era uma trag\u00e9dia recorrente:<\/p>\n<p>\u201cDesses eventos de prolifera\u00e7\u00e3o de algas, este deve ser o terceiro ou quarto. Isso tudo \u00e9 recorrente, n\u00e3o \u00e9 novidade nenhuma. A novidade agora \u00e9 que este \u00faltimo epis\u00f3dio foi um pouco mais grave, e chegou a afetar a Zona Sul e outros bairros do Rio\u201d.<\/p>\n<p>O Rio dos Po\u00e7os \u00e9 apenas parte do problema. Vindo do norte da lagoa, ele eventualmente se encontra com o Rio Queimados \u2014 outro rio extremamente polu\u00eddo \u2014 antes de desaguar no local. Na margem leste da lagoa desemboca tamb\u00e9m o Ipiranga, o terceiro pequeno curso d\u2019\u00e1gua que abastece a local. Ao se encontrarem com Rio Guandu, esses rios de pequena vaz\u00e3o \u2014 cada um verte um pouco mais de 1 m3 de \u00e1gua por segundo \u2014 s\u00e3o motivo constante de preocupa\u00e7\u00e3o para os operadores da esta\u00e7\u00e3o de tratamento de \u00e1gua.<\/p>\n<figure id=\"attachment_76631\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 638px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-76631\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-76631\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-01.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-01.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-01-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-01-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-01-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-01-640x427.jpg 640w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-01-223x150.jpg 223w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-01-790x527.jpg 790w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-01-272x182.jpg 272w\" alt=\"\" width=\"638\" height=\"425\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-76631\" class=\"wp-caption-text\">Desembocadura do Rio Po\u00e7os na lagoa de capta\u00e7\u00e3o da Cedae. Foto: Marcio Isensee e S\u00e1<\/figcaption><\/figure>\n<p>A influ\u00eancia desses rios parece insignificante perto da vaz\u00e3o de mais de 40 m3 por segundo da ETA, mas segundo Paulo Carneiro, pesquisador do Laborat\u00f3rio de Sistemas Avan\u00e7ados de Gest\u00e3o da Produ\u00e7\u00e3o (Sage\/Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador da vers\u00e3o mais recente do Plano Estadual de Recursos H\u00eddricos, eles encontram em uma situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o prec\u00e1ria que p\u00f5em em risco a qualidade da \u00e1gua que chega aos copos de todos os cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>\u201cAs bacias que captam \u00e1gua dos rios Po\u00e7os, Ipiranga e Queimados n\u00e3o tratam 1% da produ\u00e7\u00e3o de esgoto\u201d, diz Paulo. \u201cAquilo \u00e9 esgoto\u00a0<i>in natura<\/i>\u00a0lan\u00e7ado na rede fluvial\u201d.<\/p>\n<p><b>Maior esta\u00e7\u00e3o do mundo tem 65 anos<\/b><\/p>\n<p>Conclu\u00edda em 1955, a ETA Guandu \u00e9 um impressionante feito de engenharia. Ela \u00e9 a esta\u00e7\u00e3o de tratamento que trata o maior volume de \u00e1gua no mundo, aproximadamente 45 mil litros de \u00e1gua por segundo. Desde o gradeamento que marca o in\u00edcio do processo de tratamento, at\u00e9 seus desarenadores, floculadores e seus gigantescos decantadores, a \u00e1gua \u2014 maculada por todo este esgoto vindo da Baixada Fluminense \u2014 passa por uma verdadeira alquimia em escala industrial. Mas toda essa bruta sofistica\u00e7\u00e3o vem a um custo alto.<\/p>\n<p>A ETA utiliza, diariamente, cerca de 260 toneladas de produtos qu\u00edmicos. Gra\u00e7as \u00e0s bombas usadas para passar \u00e0 \u00e1gua atrav\u00e9s de elevat\u00f3rias, o complexo utiliza cerca de 46.000 MWh de energia: o suficiente para abastecer uma cidade de 160 mil habitantes. Apenas com o uso de coagulantes, s\u00e3o gastos cerca de R$ 15 milh\u00f5es de reais por ano. O custo total de opera\u00e7\u00e3o (tratamento e energia) chega a quase R$ 700 milh\u00f5es em 365 dias. Ainda que este intrincado processo seja capaz de transformar esgoto em \u00e1gua pot\u00e1vel durante a maior parte do tempo, sua vers\u00e3o atual est\u00e1 se tornando defasada. Neste ano, os t\u00e9cnicos da Cedae foram for\u00e7ados a despejar carv\u00e3o ativado na caixa de entrada da esta\u00e7\u00e3o, a fim de neutralizar os efeitos da geosmina. Como ((o))eco mostrou com exclusividade na primeira reportagem desta s\u00e9rie,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/reportagens\/fiocruz-atesta-presenca-de-cianobacterias-potencialmente-toxicas-no-guandu\/\" data-wpel-link=\"internal\">a Fiocruz detectou a presen\u00e7a de cianobact\u00e9rias potencialmente t\u00f3xicas no manancial da ETA<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Onde fica e como opera a ETA?<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-76633 \" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-mapa.jpg\" sizes=\"(max-width: 1804px) 100vw, 1804px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-mapa.jpg 1804w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-mapa-300x190.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-mapa-1024x647.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-mapa-600x379.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-mapa-640x404.jpg 640w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"404\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone  wp-image-76634\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-eta-numeros.jpg\" sizes=\"(max-width: 1792px) 100vw, 1792px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-eta-numeros.jpg 1792w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-eta-numeros-300x157.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-eta-numeros-1024x536.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-eta-numeros-600x314.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-eta-numeros-640x335.jpg 640w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"335\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone  wp-image-76635\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-produtos.jpg\" sizes=\"(max-width: 1792px) 100vw, 1792px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-produtos.jpg 1792w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-produtos-300x262.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-produtos-1024x893.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-produtos-600x523.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-produtos-640x558.jpg 640w\" alt=\"\" width=\"638\" height=\"557\" \/><\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 a primeira vez que quest\u00f5es como a da geosmina ocorrem\u201d, lamenta Paulo Carneiro. \u201cE isso \u00e9 uma evid\u00eancia de que um sistema convencional n\u00e3o responde ao tratamento de uma \u00e1gua que j\u00e1 n\u00e3o tem mais condi\u00e7\u00f5es aceit\u00e1veis de capta\u00e7\u00e3o para potabilidade.\u201d<\/p>\n<p>Este n\u00e3o \u00e9 um problema que come\u00e7ou a ocupar as mentes de pesquisadores e t\u00e9cnicos recentemente. Muito pelo contr\u00e1rio. Solu\u00e7\u00f5es para sanar a quest\u00e3o vem sido propostas h\u00e1 d\u00e9cadas. \u201cNo final da d\u00e9cada de 70 surgiu uma primeira proposta de fazer um desvio bypass dos rios que chegam nessa lagoa,\u201d acrescenta Paulo, \u201cjogando essa \u00e1gua para depois da tomada d\u2019\u00e1gua da ETA.\u201d<\/p>\n<p>Muitos especialistas, como o ex-presidente da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA) Jerson Kelman, consideram a cria\u00e7\u00e3o desse desvio indispens\u00e1vel (leia a entrevista completa com Jerson ao fim desta reportagem). Ainda assim, essa manobra \u00e9 tida como um paliativo, uma solu\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria que pode ajudar at\u00e9 que o verdadeiro problema que assola Guandu e amea\u00e7a a qualidade da \u00e1gua da Grande Rio seja atacado.<\/p>\n<p>\u201cA solu\u00e7\u00e3o \u00e9 simples\u201d, afirma D\u00e9cio. \u201c\u00c9 sanear a bacia. N\u00e3o vai se chegar a lugar nenhum se este saneamento n\u00e3o for feito. Toda essa discuss\u00e3o vem de muito tempo atr\u00e1s. A pr\u00f3pria Cedae quando fez o seu Plano Diretor para Regi\u00e3o Metropolitana l\u00e1 em 1995 j\u00e1 estava ciente dos problemas. Os pr\u00f3prios t\u00e9cnicos da Cedae alertavam a respeito do problema de saneamento.\u201d<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o definitiva para os problemas locais de polui\u00e7\u00e3o, no entanto, demanda uma quantidade razo\u00e1vel de tempo e capital para ser implementada. Ap\u00f3s dois anos de intensivo estudo, o Comit\u00ea Guandu-RJ elaborou o Plano Estrat\u00e9gico de Recursos H\u00eddricos, que traz um protocolo para a recupera\u00e7\u00e3o de toda a bacia \u2014 que engloba 12 munic\u00edpios. O projeto, a ser executado ao longo de 25 anos, custaria cerca de R$ 2 bilh\u00f5es \u2014 R$ 1,4 bilh\u00e3o dos quais destinados \u00e0 quest\u00e3o do esgotamento. Pode parecer muito, mas o custo de ignorar estes problemas por mais quatro d\u00e9cadas \u00e9 a sa\u00fade das \u00e1guas e da popula\u00e7\u00e3o de quase toda a Regi\u00e3o Metropolitana.<\/p>\n<p>Para D\u00e9cio, a raiz do problema s\u00e3o anos de neglig\u00eancia pol\u00edtica. \u201cOs planos de recursos h\u00eddricos da Bacia do Guandu, o plano estadual de recursos h\u00eddricos, os planos de saneamento\u2026 est\u00e3o todos prontos. Eles dizem o que precisa ser feito. A Cedae tem esses planos constru\u00eddos para a maior parte da Bacia do Guandu. S\u00f3 falta a vontade pol\u00edtica para implementar. O custo dessas obras s\u00e3o imensas, e elas demoram anos. Mas \u00e9 a \u00fanica \u00e1gua que a gente tem\u201d.<br \/>\nNo dia 10 de mar\u00e7o de 2020, ((o))eco entrou em contato com a Cedae pedindo autoriza\u00e7\u00e3o para entrar na ETA Guandu para conversar com t\u00e9cnicos e especialistas e fazer imagens do processo de tratamento da \u00e1gua. No entanto, n\u00e3o obtivemos resposta. As fotos desta reportagem foram feitas com o aux\u00edlio de drone.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TXUDPwGCsiE\" width=\"858\" height=\"483\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<div id=\"\" class=\"su-note\">\n<div class=\"su-note-inner su-u-clearfix su-u-trim\">\n<p><strong>\u201cO Rio n\u00e3o tem sa\u00edda: precisa preservar esse manancial\u201d, diz Jerson Kelman<\/strong><\/p>\n<p><em>Emanuel Alencar<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_76639\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"width: 638px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-76639\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-76639\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/menos-de-2-dos-esgotos-na-bacia-que-abastece-o-grande-rio-sao-tratados-jerson-kelman.jpg\" alt=\"\" width=\"638\" height=\"957\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-76639\" class=\"wp-caption-text\">Jerson Kelman. Foto: Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ex-presidente da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA), da Light e da Sabesp \u2013 companhia de saneamento de S\u00e3o Paulo -, o engenheiro Jerson Kelman sup\u00f5e ser bastante alta a conta que a Cedae paga pelo custo de n\u00e3o se fazer uma obra para transferir a foz dos rios Po\u00e7os, Queimados e Ipiranga para depois da capta\u00e7\u00e3o da ETA Guandu. Quanto exatamente, s\u00f3 a Cedae sabe \u2013 e nunca divulgou. Mas Kelman estima em R$ 100 milh\u00f5es por ano. A medida tem sido apresentada por especialistas como um importante paliativo desde 1979, mas jamais saiu do papel. Em janeiro deste ano, a Cedae informou que as interven\u00e7\u00f5es custariam R$ 90 milh\u00f5es e exigiriam 720 dias (quase dois anos). \u00c9, portanto, uma obra plenamente vi\u00e1vel.<\/p>\n<p>Em entrevista a ((o))eco, Kelman, 72, um dos maiores estudiosos em saneamento b\u00e1sico do pa\u00eds e professor da Coppe\/UFRJ, faz uma aposta: acredita que a economia com produtos qu\u00edmicos e eletricidade que a Cedae alcan\u00e7aria se o manancial fosse despolu\u00eddo seria inclusive suficiente para garantir todo o tratamento de esgotos que drenam, hoje, in natura, na lagoa onde a companhia faz a capta\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, como a implanta\u00e7\u00e3o do sistema levaria alguns anos, a constru\u00e7\u00e3o do bypass (desvio) tamb\u00e9m se justifica, desde que feito em prazo bem curto.<\/p>\n<p><strong>((o))eco \u2013 As obras que visam a alterar os fluxos dos rios Po\u00e7os, Queimados e Ipiranga, garantindo melhor qualidade \u00e0 lagoa de capta\u00e7\u00e3o da ETA Guandu, em Nova Igua\u00e7u, nunca sa\u00edram do papel. O senhor defende a ideia?<\/strong><\/p>\n<p>O desvio se justifica. \u00c9 claro que se justifica. Inclusive quando eu era diretor t\u00e9cnico da Superintend\u00eancia Estadual de Rios e Lagoas (entre 1991 e 1994) propusemos esse desvio [hoje a Serla foi incorporada ao Instituto Estadual do Ambiente do Rio]. Na situa\u00e7\u00e3o atual, a Cedae tem um gasto extra para tratar a \u00e1gua em rela\u00e7\u00e3o ao custo que teria se o manancial fosse despolu\u00eddo. N\u00e3o sei qual \u00e9 essa diferen\u00e7a de custo e temo que nem a Cedae saiba. Mas suponho que seja algo como 7 centavos por metro c\u00fabico. A conta \u00e9 mais ou menos a seguinte: se Cedae gasta, por exemplo, R$ 700 milh\u00f5es por ano com situa\u00e7\u00e3o atual, ela gastaria R$ 600 milh\u00f5es por ano se o manancial fosse limpo.<\/p>\n<p><strong>((o))eco \u2013 A empresa diz que vai, enfim, fazer esse bypass. E que a obra custa R$ 90 milh\u00f5es com dura\u00e7\u00e3o de quase dois anos. A conta fecha. E por que n\u00e3o foi feito?<\/strong><\/p>\n<p>Nunca entendi. Mesmo quando se olha a quest\u00e3o puramente sob o ponto de vista econ\u00f4mico, tudo indica que faria sentido ter feito [a obra] d\u00e9cadas atr\u00e1s. E tenho dificuldade em entender qual a raz\u00e3o de uma obra relativamente simples precisar de dois anos para ser feita. Acima de tudo, \u00e9 muito importante lembrar que essa obra n\u00e3o anula a necessidade de sanear a \u00e1rea de drenagem da ETA. \u00c9 preciso garantir que essas \u00e1reas tenham n\u00e3o s\u00f3 um sistema de coleta e tratamento de esgoto, mas tamb\u00e9m um sistema adequado de coleta e destina\u00e7\u00e3o final do lixo. Caso contr\u00e1rio, o esgoto pode ter um tratamento adequado, mas a carga poluidora resultante de coleta deficiente de lixo continuaria fluindo para a tomada de \u00e1gua da ETA. Trata-se de tarefa de complexidade institucional maior do que executar o bypass e por isso demorar\u00e1 alguns anos para estar conclu\u00edda.<\/p>\n<p><strong>((o))eco \u2013 Em termos geogr\u00e1ficos e de qualidade de tratamento, como o Rio se posiciona em rela\u00e7\u00e3o a outras metr\u00f3poles brasileiras?<\/strong><\/p>\n<p>Por raz\u00f5es geogr\u00e1ficas, S\u00e3o Paulo tem uma situa\u00e7\u00e3o mais t\u00edpica, a popula\u00e7\u00e3o de mais de 20 milh\u00f5es de habitantes \u00e9 abastecida por oito mananciais. O Rio, imprensado entre o mar e a montanha, tem como \u00fanica fonte o Rio Para\u00edba do Sul. Por isso temos uma situa\u00e7\u00e3o at\u00edpica, todos os ovos numa \u00fanica cesta. No caso do Rio, n\u00e3o tem sa\u00edda. Temos que preservar esse manancial.<\/p>\n<p><strong>((o))eco \u2013 Preservar o manancial \u00e9 tratar esgotos. Quanto custaria isso?<\/strong><\/p>\n<p>Essa segue sendo a prioridade. O Comit\u00ea Guandu aponta serem necess\u00e1rios R$ 376 milh\u00f5es para sanear sub-bacias ali, onde vivem 225 mil pessoas. Se o custo da obra fosse amortizado ao longo de 20 anos, com juros de 6% ao ano, seriam R$ 33 milh\u00f5es por ano. Mas tem tamb\u00e9m os custos de constru\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o das esta\u00e7\u00f5es de tratamento de esgotos (ETE), conservadoramente estimados como em R$ 27 milh\u00f5es por ano. Ent\u00e3o o total sairia por R$ 60 milh\u00f5es por ano ou 4 centavos por metro c\u00fabico de \u00e1gua tratada. Menos do que os tais 7 centavos por metro c\u00fabico de economia que supus que a Cedae teria caso o manancial fosse despolu\u00eddo. Ou seja, a economia com produtos qu\u00edmicos e eletricidade seria suficiente inclusive para cobrir todo o custo de sanear as \u00e1reas de Queimadas e Nova Igua\u00e7u que atualmente poluem o manancial.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com dificuldade, o barco vai irrompendo a aglomera\u00e7\u00e3o de gigogas, revelando uma parte da lagoa<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":124179,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/rios.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/rios-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/rios-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/rios.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/rios.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/rios.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/rios.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/rios.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/rios.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/rios.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Com dificuldade, o barco vai irrompendo a aglomera\u00e7\u00e3o de gigogas, revelando uma parte da lagoa","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124177"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=124177"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124177\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/124179"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=124177"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=124177"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=124177"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}