{"id":124068,"date":"2020-03-25T07:00:39","date_gmt":"2020-03-25T10:00:39","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=124068"},"modified":"2020-03-24T18:01:10","modified_gmt":"2020-03-24T21:01:10","slug":"florestas-secundarias-podem-mitigar-mudancas-climaticas-afirma-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/florestas-secundarias-podem-mitigar-mudancas-climaticas-afirma-estudo\/","title":{"rendered":"\u201cFlorestas secund\u00e1rias podem mitigar mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, afirma estudo"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-124069\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/floresta-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/floresta-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/floresta.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>O Dia Internacional das Florestas, 21 de mar\u00e7o, foi institu\u00eddo pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) para conscientizar sobre import\u00e2ncia das florestas para o planeta. Contudo, n\u00e3o somente as florestas prim\u00e1rias s\u00e3o fundamentais, mas tamb\u00e9m os fragmentos de florestas secund\u00e1rias que, segundo um estudo publicado em 2019 na revista Global Change Biology, s\u00e3o capazes de captar carbono e recuperar a biodiversidade, ajudando assim a mitigar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais. De acordo com Fabio Matos, primeiro autor da publica\u00e7\u00e3o realizada em associa\u00e7\u00e3o com 12 coautores, \u201ca regenera\u00e7\u00e3o do carbono em florestas secund\u00e1rias pode colaborar para que o aquecimento global fique restrito a 2\u00b0C, quando tamb\u00e9m se previne a degrada\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica de \u00e1reas naturais, utiliza-se de estrat\u00e9gias de restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica ativa e busca-se a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de CO<sub>2<\/sub>\u00a0por outras fontes antropog\u00eanicas\u201d.<\/p>\n<p>O estudo em quest\u00e3o,\u00a0<a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1111\/gcb.14824\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">Secondary forest fragments offer important carbon and biodiversity cobenefits<\/a>\u00a0(\u201cFragmentos de florestas secund\u00e1rias oferecem importantes cobenef\u00edcios em carbono e biodiversidade\u201d, em portugu\u00eas), esclarece como a regenera\u00e7\u00e3o natural de pastagens abandonadas na Mata Atl\u00e2ntica, que resulta em fragmentos florestais secund\u00e1rios, oferece benef\u00edcios em capta\u00e7\u00e3o de carbono e recupera\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Os autores quantificaram que, tr\u00eas d\u00e9cadas ap\u00f3s o abandono das terras, as florestas em regenera\u00e7\u00e3o haviam recuperado cerca de 20% (72 megagramas \u2013 ou toneladas \u2013 por hectare, Mg\/ha) dos estoques de carbono acima do solo de uma floresta prim\u00e1ria, enquanto as pastagens continham apenas 3% dos estoques em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s florestas prim\u00e1rias. Os resultados tamb\u00e9m demonstraram que os remanescentes de florestas prim\u00e1rias continham a maior m\u00e9dia de estoque de carbono, cerca de 370 Mg\/ha, seguidos por florestas secund\u00e1rias, com cerca de 27 Mg\/ha, e depois por pastagens, com aproximadamente 12 Mg\/ha. O estudo verificou ainda que a floresta secund\u00e1ria recuperou sua diversidade biol\u00f3gica em diversos aspectos: cerca de 76% da diversidade taxon\u00f4mica, 84% da diversidade filogen\u00e9tica e 96% da diversidade funcional encontrada nas florestas prim\u00e1rias. Al\u00e9m disso, recuperou, em m\u00e9dia, 65% das esp\u00e9cies amea\u00e7adas e cerca de 30% da riqueza de esp\u00e9cies end\u00eamicas da floresta prim\u00e1ria.<\/p>\n<p>Os autores conclu\u00edram que houve rela\u00e7\u00e3o positiva entre estoque de carbono e recupera\u00e7\u00e3o da diversidade de \u00e1rvores, mostrando que fragmentos de florestas secund\u00e1rias oferecem cobenef\u00edcios sob a FLR (Restaura\u00e7\u00e3o de Florestas e Paisagens, metodologia que busca mitigar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais, removendo o di\u00f3xido de carbono da atmosfera atrav\u00e9s do crescimento de \u00e1rvores) e em pagamentos por servi\u00e7os ambientais, al\u00e9m de conservar a biodiversidade e melhorar a conectividade da paisagem. Em entrevista para ((o))eco, Fabio Antonio Ribeiro Matos, bi\u00f3logo e doutor em bot\u00e2nica, esclareceu algumas quest\u00f5es relacionadas ao estudo.<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p><strong>((o))eco: Como as florestas secund\u00e1rias ajudam a mitigar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fabio Matos:<\/strong>\u00a0A regenera\u00e7\u00e3o de florestas secund\u00e1rias, ap\u00f3s a remo\u00e7\u00e3o parcial ou completa, fixa ativamente CO<sub>2<\/sub>\u00a0na biomassa vegetal acima e abaixo do solo, equilibrando parcialmente as emiss\u00f5es de carbono por degrada\u00e7\u00e3o florestal, queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis e outras fontes antropog\u00eanicas. Al\u00e9m de sequestrar carbono da atmosfera para o seu crescimento, as florestas secund\u00e1rias tamb\u00e9m t\u00eam papel fundamental na regula\u00e7\u00e3o do ciclo h\u00eddrico, lan\u00e7ando \u00e1gua que retiram do solo para a atmosfera, com efeitos diretos para regula\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica local e regional. Por exemplo, a libera\u00e7\u00e3o de mol\u00e9culas de \u00e1gua para atmosfera aumenta a precipita\u00e7\u00e3o, e consequentemente, controla a temperatura que todos n\u00f3s sentimos. Por fim, cabe ressaltar que as florestas secund\u00e1rias s\u00e3o uma das fontes de mitiga\u00e7\u00e3o das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, n\u00e3o substituindo o papel das\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/nature10425\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">florestas prim\u00e1rias<\/a>\u00a0e a necessidade de ado\u00e7\u00e3o de mecanismos que visem \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o, manejo e aumento dos estoques de carbono.<\/p>\n<p><strong>Qual a import\u00e2ncia dos fragmentos florestais secund\u00e1rios em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas?<\/strong><\/p>\n<p>A import\u00e2ncia reside no fato de que os recursos globais para a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e carbono s\u00e3o limitados, com efeitos diretos sobre a incorpora\u00e7\u00e3o de CO<sub>2<\/sub>, um dos gases causadores do efeito estufa. Por exemplo, o custo de regenera\u00e7\u00e3o natural de 1ha (tamanho de um campo de futebol) no Brasil pode variar de R$15 \u00e0 R$ 20 mil reais a depender da regi\u00e3o, o que encarece o processo de regenera\u00e7\u00e3o ativa. Mecanismos como o FLR, ao incluir as florestas secund\u00e1rias em seus objetivos, podem ter uma maior seguran\u00e7a no cumprimento de suas metas, j\u00e1 que ir\u00e3o pagar s\u00f3 pela conserva\u00e7\u00e3o do carbono.<\/p>\n<p><strong>Quais seriam os benef\u00edcios da regenera\u00e7\u00e3o natural de pastagens a longo prazo?<\/strong><\/p>\n<div class=\"olho-direita\">\u201cAs florestas secund\u00e1rias com 30 anos de regenera\u00e7\u00e3o apresentam um aumento da diversidade taxon\u00f4mica, funcional e filogen\u00e9tica.\u201d<\/div>\n<p>As florestas secund\u00e1rias com 30 anos de regenera\u00e7\u00e3o apresentam um aumento da diversidade taxon\u00f4mica, funcional e filogen\u00e9tica. O aumento da diversidade viabiliza o reestabelecimento de importantes servi\u00e7os ambientais (benef\u00edcios que as pessoas obt\u00eam da natureza direta ou indiretamente), tais como: melhoria da qualidade do ar, regula\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, compostos qu\u00edmicos, poliniza\u00e7\u00e3o, dispers\u00e3o de sementes, controle biol\u00f3gico, controle do ciclo hidrol\u00f3gico, ciclagem de nutrientes e servi\u00e7os de cunho cultural (p. ex. educacional, religioso ou est\u00e9tico-paisag\u00edstico). Dado o atual cen\u00e1rio de degrada\u00e7\u00e3o das florestas tropicais, o estudo em quest\u00e3o demonstra que a conserva\u00e7\u00e3o das florestas secund\u00e1rias pode auxiliar na manuten\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, podendo ter o seu papel maximizado quando utilizadas com estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o de \u00e1reas naturais e a restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica ativa. Um importante exemplo para a utiliza\u00e7\u00e3o das florestas secund\u00e1rias no Brasil \u00e9 o Bioma Mata Atl\u00e2ntica, que j\u00e1 perdeu 88% de sua cobertura florestal original desde o ano de 1500, mas, atualmente abriga aproximadamente\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sosma.org.br\/conheca\/mata-atlantica\/\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">72% da popula\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0(149 milh\u00f5es de pessoas), que dependem diretamente dos servi\u00e7os ambientais prestados pelos 12% das florestas remanescentes.<\/p>\n<p>A extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies tem sido um fato comum na vida terrestre, mas a entrada humana neste cen\u00e1rio tem injetado algumas novidades na lista de causas de extin\u00e7\u00e3o e acelerado este processo. Por exemplo, o desmatamento, corte seletivo e inc\u00eandios florestais s\u00e3o respons\u00e1veis pela extin\u00e7\u00e3o local e regional de um elevado n\u00famero de esp\u00e9cies, podendo estes valores de extin\u00e7\u00e3o serem agravados em um futuro pr\u00f3ximo, caso nada seja feito para redu\u00e7\u00e3o das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas globais. No estudo em quest\u00e3o, demonstramos que a regenera\u00e7\u00e3o das florestas secund\u00e1rias possui potencial de auxiliar na mitiga\u00e7\u00e3o das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, restaura\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os ecol\u00f3gicos importantes, recupera\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies end\u00eamicas e amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_64984\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-64984\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-64984\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Parte-do-trabalho-de-reflorestamento.-Foto-Daniele-Bragan%C3%A7a.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Parte-do-trabalho-de-reflorestamento.-Foto-Daniele-Bragan\u00e7a.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Parte-do-trabalho-de-reflorestamento.-Foto-Daniele-Bragan\u00e7a-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Parte-do-trabalho-de-reflorestamento.-Foto-Daniele-Bragan\u00e7a-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-64984\" class=\"wp-caption-text\">Reflorestamento. no morro da Babil\u00f4nio, no Rio de Janeiro. Foto: Daniele Bragan\u00e7a.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Por fim, podemos considerar que os resultados encontrados demonstram que em longo prazo as florestas secund\u00e1rias, mesmo estando em paisagens altamente fragmentadas, possuem a capacidade de reduzir custos em projetos de conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e mitiga\u00e7\u00e3o das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Por exemplo, o mecanismo FLR (Forest Landscape Restoration) possui como objetivo restaurar 350 milh\u00f5es de hectares de terras desmatadas e degradadas ao redor do mundo at\u00e9 o ano de 2030, contudo, como o custo \u00e9 extremamente elevado e os recursos globais para a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e do carbono s\u00e3o limitados, o objetivo inicial pode n\u00e3o ser atingido. Assim, temos que a ado\u00e7\u00e3o das florestas secund\u00e1rias pelo mecanismo FLR possui o potencial de redu\u00e7\u00e3o de custos, uma vez que estaria comprando apenas o carbono, e a biodiversidade seria um benef\u00edcio \u201cgratuito\u201d.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea menciona o aumento de tr\u00eas tipos de diversidade em florestas secund\u00e1rias com 30 anos de regenera\u00e7\u00e3o. O que s\u00e3o e quais as diferen\u00e7as entre elas?<\/strong><\/p>\n<p>A diversidade taxon\u00f4mica \u00e9 a medida do n\u00famero de esp\u00e9cies de \u00e1rvores por uma unidade de \u00e1rea (geralmente em hectares); a diversidade funcional mede a varia\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas das esp\u00e9cies que influenciam o funcionamento das comunidades (p. ex.: morfol\u00f3gicas, fisiol\u00f3gicas e fenol\u00f3gicas) e fornecimento de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos (por exemplo, a perda de habitat leva a uma redu\u00e7\u00e3o de dispersores de sementes, o que afeta diretamente a quantidade de esp\u00e9cies tardias que possuem elevada capacidade de estocar carbono); a diversidade filogen\u00e9tica \u00e9 uma medida que incorpora as rela\u00e7\u00f5es filogen\u00e9ticas (evolutivas) das esp\u00e9cies (sua principal premissa \u00e9 que a diversidade \u00e9 maior em uma comunidade em que as esp\u00e9cies s\u00e3o evolutivamente \u201cmenos\u201d relacionadas).<\/p>\n<p>A diversidade taxon\u00f4mica n\u00e3o leva em conta o papel funcional e a variabilidade gen\u00e9tica das esp\u00e9cies, ou seja, assume-se que os indiv\u00edduos das diferentes esp\u00e9cies amostradas s\u00e3o equivalentes (s\u00e3o ecologicamente iguais) em suas rela\u00e7\u00f5es evolutivas e na funcionalidade dentro dos ecossistemas, mesmo sabendo que n\u00e3o s\u00e3o. Assim, considerando que \u00e9 a biodiversidade que gera todo o carbono e que a degrada\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica gera varia\u00e7\u00f5es na diversidade, uma op\u00e7\u00e3o para a avalia\u00e7\u00e3o da biodiversidade \u00e9 considerar o n\u00famero de esp\u00e9cies, as rela\u00e7\u00f5es funcionais e evolutivas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_76553\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 638px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-76553\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-76553\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06062016-viveiro.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06062016-viveiro.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06062016-viveiro-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06062016-viveiro-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06062016-viveiro-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06062016-viveiro-640x427.jpg 640w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06062016-viveiro-223x150.jpg 223w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06062016-viveiro-790x527.jpg 790w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06062016-viveiro-272x182.jpg 272w\" alt=\"\" width=\"638\" height=\"425\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-76553\" class=\"wp-caption-text\">Viveiro de mudas nativas da SOS Mata Atl\u00e2ntica em Itu, interior paulista. Foto: Claudio Angelo\/OC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Hipoteticamente, imaginemos duas comunidades de esp\u00e9cies arb\u00f3reas, cada uma com cinco esp\u00e9cies: na comunidade florestal 1 temos cinco esp\u00e9cies, sendo que cada esp\u00e9cie pertence a uma fam\u00edlia e a um g\u00eanero bot\u00e2nico [<em>Abarema cochliacarpos, Actinostemon concolor, Allagoptera caudescens, Annona dolabripetala e Astronium concinnum<\/em>]; na comunidade florestal \u00a02, as cinco esp\u00e9cies pertencem apenas ao g\u00eanero<em>\u00a0Inga<\/em>\u00a0spp., ou seja, a mesma fam\u00edlia bot\u00e2nica e ao mesmo g\u00eanero. Quando consideramos a diversidade taxon\u00f4mica (n\u00famero de esp\u00e9cies), todas as duas comunidades s\u00e3o igualmente relevantes para estrat\u00e9gias conservacionistas. Contudo, quando consideramos a diversidade funcional e filogen\u00e9tica, apenas a primeira comunidade de \u00e1rvores possui potencial \u201cmais\u201d relevante para a conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O que leva os fragmentos florestais secund\u00e1rios a recuperar a biodiversidade?<\/strong><\/p>\n<p>No estudo em quest\u00e3o, encontramos que a idade e o tamanho dos fragmentos aumentam a biodiversidade, enquanto o elevado n\u00edvel de isolamento conduz a uma redu\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s o abandono da terra e a partir da chegada dos primeiros indiv\u00edduos das esp\u00e9cies, inicia-se um processo que chamamos de sucess\u00e3o secund\u00e1ria, no qual ocorre altera\u00e7\u00e3o dos fatores abi\u00f3ticos (p. ex.: redu\u00e7\u00e3o da luminosidade, das temperaturas e aumento da umidade), abrindo caminho para outros grupos de esp\u00e9cies com maiores exig\u00eancias microclim\u00e1ticas e nutricionais. J\u00e1 uma \u00e1rea maior aumenta a disponibilidade de habitats, recurso para os mais variados tipos de esp\u00e9cies, redu\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es abi\u00f3ticas extremas (p. ex.: temperatura, luminosidade), possibilitando um aumento da diversidade. Contudo, n\u00edveis de isolamento maiores reduzem a efici\u00eancia de dispers\u00e3o dos di\u00e1sporos, afetando de maneira negativa o fluxo g\u00eanico e intera\u00e7\u00f5es intraespec\u00edficas e interespec\u00edficas entre as esp\u00e9cies, com consequente redu\u00e7\u00e3o da diversidade.<\/p>\n<p><strong>Em quanto tempo os fragmentos florestais secund\u00e1rios recuperam carbono acima do solo em paisagens altamente degradadas, ap\u00f3s o abandono da terra?<\/strong><\/p>\n<div class=\"olho-esquerda\">\u201cEm trinta anos encontramos a recupera\u00e7\u00e3o de 27 Mg\/ha, o que representa ~ 20% do observado para as florestas prim\u00e1rias\u201d.<\/div>\n<p>Em trinta anos encontramos a recupera\u00e7\u00e3o de 27 Mg\/ha, o que representa ~ 20% do observado para as florestas prim\u00e1rias. Consideramos como florestas prim\u00e1rias remanescentes florestais que ocorrem fora e dentro de unidades de conserva\u00e7\u00e3o e sem evid\u00eancias de explora\u00e7\u00e3o recente, inc\u00eandio e ca\u00e7a. O valor encontrado est\u00e1 abaixo do esperado, quando comparamos com estudos desenvolvidos em outras florestas tropicais secund\u00e1rias. Um dos principais fatores foi o elevado n\u00edvel de isolamento entre os remanescentes de florestas secund\u00e1rias amostradas no presente estudo, uma vez que os outros estudos utilizaram florestas secund\u00e1rias com baixo n\u00edvel de isolamento com as florestas prim\u00e1rias. Ainda assim, para a nossa surpresa, o estudo em quest\u00e3o demostrou que paisagens com elevado n\u00edvel de isolamento entre florestas secund\u00e1rias possuem capacidade de fornecer cobenef\u00edcios. Um resultado novo e animador para que possamos tra\u00e7ar novas estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o para as florestas tropicais.<\/p>\n<p><strong>Quais as principais caracter\u00edsticas que esses fragmentos devem manter para acelerar essa recupera\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>As principais caracter\u00edsticas s\u00e3o o incremento de \u00e1rea e redu\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis isolamento. No nosso estudo encontramos que o aumento da \u00e1rea leva ao aumento do estoque de carbono e diversidade, enquanto que o aumento do isolamento conduz a uma redu\u00e7\u00e3o substancial de tais par\u00e2metros bi\u00f3ticos. A amplia\u00e7\u00e3o das florestas secund\u00e1rias em \u00e1rea permite a cria\u00e7\u00e3o de diferentes tipos de habitats, o que favorece o estabelecimento de esp\u00e9cies com diferentes estrat\u00e9gias funcionais, intera\u00e7\u00f5es intraespec\u00edfica e interespec\u00edfica, redu\u00e7\u00e3o das taxas de mortalidade e aumento das de natalidade para popula\u00e7\u00f5es de diferentes esp\u00e9cies. Por outro lado, o aumento dos n\u00edveis de isolamento limita a capacidade de dispers\u00e3o dos di\u00e1sporos [unidade de dispers\u00e3o da planta composta por uma semente ou esporo mais quaisquer tecidos adicionais que ajudem \u00e0 dispers\u00e3o] entre manchas florestais, com efeitos diretos sobre o fluxo g\u00eanico entre popula\u00e7\u00f5es de manchas florestais diferentes.<\/p>\n<p>Recomenda\u00e7\u00f5es adicionais tamb\u00e9m podem ser feitas. Por exemplo, \u00e9 muito comum encontrar no interior das florestas secund\u00e1rias ind\u00edcios de passagem de gado, remo\u00e7\u00e3o do sub-bosque para recrea\u00e7\u00e3o ou queimadas criminosas. Todos os processos acima citados de maneira geral afetam a taxas de germina\u00e7\u00e3o e mortalidade, com efeitos diretos sobre a capacidade de recompor a diversidade e amplia\u00e7\u00e3o dos estoques de carbono.<\/p>\n<p><strong>Como ocorrem os cobenef\u00edcios em carbono e biodiversidade relatados no estudo?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s sabemos que \u00e9 a biodiversidade que gera o carbono. Por exemplo, planta\u00e7\u00f5es de\u00a0<em>Eucaliptos<\/em>\u00a0spp. possuem uma elevada taxa de carbono em sua biomassa, mas uma baixa biodiversidade. Assim, podemos dizer em linhas gerais que os cobenef\u00edcios s\u00e3o um produto da recupera\u00e7\u00e3o da diversidade nas florestas secund\u00e1rias. Ainda assim eles podem ser \u201cmelhorados\u201d quando temos uma redu\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de isolamento, aumento das \u00e1reas de florestas secund\u00e1rias a partir de terras abandonadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Dia Internacional das Florestas, 21 de mar\u00e7o, foi institu\u00eddo pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":124069,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/floresta.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/floresta-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/floresta-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/floresta.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/floresta.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/floresta.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/floresta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/floresta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/floresta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/floresta.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O Dia Internacional das Florestas, 21 de mar\u00e7o, foi institu\u00eddo pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124068"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=124068"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124068\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/124069"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=124068"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=124068"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=124068"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}