{"id":124012,"date":"2020-03-23T14:02:54","date_gmt":"2020-03-23T17:02:54","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=124012"},"modified":"2020-03-23T14:02:54","modified_gmt":"2020-03-23T17:02:54","slug":"o-encontro-do-plano-cruzado-com-o-pior-acidente-nuclear-da-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-encontro-do-plano-cruzado-com-o-pior-acidente-nuclear-da-historia\/","title":{"rendered":"O encontro do Plano Cruzado com o pior acidente nuclear da hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-124013\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Chernobyl-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Chernobyl-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Chernobyl.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>\u201cTenhamos cuidado com os sabotadores da estabilidade. O povo mobilizado \u00e9 que evitar\u00e1, sempre, qualquer fracasso\u201d, advertira \u00e0s milhares de pessoas que o escutavam. \u201cFalo agora ao sentimento mais patri\u00f3tico de cada um de n\u00f3s, para que a na\u00e7\u00e3o n\u00e3o esmore\u00e7a no seu direito e dever de zelar pelo \u00eaxito do Plano Cruzado.\u201d<\/p>\n<p>O plano de combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o, baseado no aumento salarial e congelamento de pre\u00e7os, vinha dando sinais de desgaste precoce. De um lado, consumidores euf\u00f3ricos lotavam a\u00e7ougues, padarias e supermercados; do outro, ind\u00fastria e com\u00e9rcio alegavam preju\u00edzos, negando-se a repor seus produtos pelos valores fixados em tabela. Resultado: filas quilom\u00e9tricas, escassez de mercadorias, lojas fechadas e rumores de toda ordem.<\/p>\n<p>Naquela sexta-feira, 25 de abril, Sarney havia obrigado seu porta-voz para assuntos econ\u00f4micos, o jornalista Frota Neto, a desmentir boatos sobre poss\u00edveis reajustes nos pre\u00e7os. O assessor declarou \u00e0 imprensa que o congelamento vigoraria enquanto n\u00e3o fosse \u201capagado da mem\u00f3ria de todos o fen\u00f4meno inflacion\u00e1rio\u201d e mandou uma indireta para o secret\u00e1rio especial de Abastecimento, Jos\u00e9 Carlos Braga, apontado como respons\u00e1vel pelos burburinhos da semana: \u201cQuem fala em descongelamento \u00e9 sabotador.\u201d<\/p>\n<p>Braga, enfurnado em seu gabinete na Avenida Prestes Maia, no centro da capital paulista, se explicaria no in\u00edcio da noite. \u201cN\u00e3o falei em descongelamento de pre\u00e7os. Quem sabe o momento e a hora de terminar esta medida \u00e9 o presidente da Rep\u00fablica. Eu defendo a atual pol\u00edtica econ\u00f4mica\u201d, disse. Por fim, o secret\u00e1rio adiantou: \u201cO governo tamb\u00e9m poder\u00e1 importar produtos necess\u00e1rios que faltarem no mercado\u201d.<\/p>\n<h2>Um clar\u00e3o no c\u00e9u de Pripyat<\/h2>\n<p>A 11 mil quil\u00f4metros dali, um novo dia se delineava. Na Ucr\u00e2nia, segunda rep\u00fablica mais populosa da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, os rel\u00f3gios j\u00e1 marcavam as primeiras horas de s\u00e1bado, dia 26.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/C95C\/production\/_107184515_8d2edae3-6d27-44da-a642-36c056b85e41.jpg\" alt=\"Imagem de Chernobyl em 1990 feita a partir de um helic\u00f3ptero\" \/><figcaption>Nos dias seguintes ao acidente, os hospitais da regi\u00e3o abrigariam pelo menos 40 mil indiv\u00edduos doentes e desesperados<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ao norte do pa\u00eds, nas imedia\u00e7\u00f5es da fronteira com a Bielorr\u00fassia, os 50 mil habitantes de Pripyat aglomeravam-se em varandas para contemplar o cen\u00e1rio ins\u00f3lito que emergia no horizonte. \u00c0 1h23, um clar\u00e3o tingira de tons brilhantes e avermelhados o c\u00e9u da cidadezinha, lar dos trabalhadores da Central Nuclear de Chernobyl.<\/p>\n<p>Pouco antes, t\u00e9cnicos da usina avaliavam quanto tempo suas turbinas permaneceriam girando ap\u00f3s uma queda abrupta de energia. O teste resultou numa explos\u00e3o de vapor e num inc\u00eandio de grandes propor\u00e7\u00f5es, que derreteu o n\u00facleo do reator n\u00famero 4. Dois funcion\u00e1rios morreram e uma gigantesca nuvem radioativa tomou a atmosfera, deixando rastros cancer\u00edgenos ao longo de sua travessia pelo continente europeu.<\/p>\n<p>Pripyat estava prestes a ser evacuada. Nos pr\u00f3ximos dias, os hospitais da regi\u00e3o abrigariam pelo menos 40 mil indiv\u00edduos doentes e desesperados.<\/p>\n<p>No resto do mundo, a cat\u00e1strofe seria noticiada a partir da segunda-feira, dia 28, quando o governo sovi\u00e9tico emitiu uma nota oficial sobre o caso. Daquele momento em diante, a perspectiva de um apocalipse nuclear disputaria a aten\u00e7\u00e3o dos brasileiros com problemas aparentemente mais triviais \u2014 como a crise de desabastecimento que se delineava no pa\u00eds.<\/p>\n<p>J\u00e1 na ter\u00e7a-feira, conforme previsto por Jos\u00e9 Carlos Braga, a Companhia Brasileira de Alimentos (Cobal), empresa vinculada ao Minist\u00e9rio da Agricultura, lan\u00e7ou um edital para a compra de 43 mil toneladas de leite em p\u00f3 e 2,5 mil toneladas de manteiga, a serem adquiridas no mercado externo e incorporadas aos estoques reguladores do governo federal. Os tr\u00e2mites, todavia, foram cancelados na esteira do desastre ucraniano, que gerou temores envolvendo a possibilidade de contamina\u00e7\u00e3o dos latic\u00ednios importados.<\/p>\n<p>No dia 12 de junho, a licita\u00e7\u00e3o foi reaberta com novas cl\u00e1usulas. Um dos itens previa que as mercadorias procedentes de pa\u00edses europeus deveriam, obrigatoriamente, vir acompanhadas de atestados oficiais garantindo sua n\u00e3o-contamina\u00e7\u00e3o radioativa. Mais adiante, o edital estabelecia: \u201cNos portos de destino, os produtos poder\u00e3o ser analisados pela Comiss\u00e3o Nacional de Energia Nuclear (CNEN), a qual, dependendo do resultado dos exames realizados, ter\u00e1 amplos poderes para vetar a descarga ao navio, correndo por conta do importador todas as despesas decorrentes da imediata retirada do produto do Brasil.\u201d<\/p>\n<p>Em 23 de agosto, uma mat\u00e9ria do jornal O Estado de S.Paulo revelou que parte do leite adquirido na licita\u00e7\u00e3o estava contaminado por radioatividade. A den\u00fancia levaria a Secretaria de Planejamento da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica (Seplan) a produzir um relat\u00f3rio sobre o caso. Finalizado no dia 3 de outubro daquele ano, o documento integra um conjunto de dossi\u00eas confidenciais que a BBC News Brasil obteve durante uma pesquisa nos fundos do Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es (SNI), \u00f3rg\u00e3o criado no in\u00edcio da ditadura militar e dissolvido em 1990, durante o governo Collor.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/106FD\/production\/_111052376_01.jpg\" alt=\"O presidente Jos\u00e9 Sarney anuncia o lan\u00e7amento do Plano Cruzado, em 28 de fevereiro de 1986\" \/><figcaption>O presidente Jos\u00e9 Sarney anuncia o lan\u00e7amento do Plano Cruzado, em 28 de fevereiro de 1986<\/figcaption><\/figure>\n<p>O acervo do SNI tornou-se p\u00fablico em 2005, ap\u00f3s a assinatura do decreto 5.584 pelo ent\u00e3o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, e hoje pode ser consultado por qualquer pessoa atrav\u00e9s do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es do Arquivo Nacional. O material obtido pela reportagem totaliza quase 200 p\u00e1ginas, que jogam luz sobre os bastidores de um epis\u00f3dio controverso e praticamente esquecido da hist\u00f3ria brasileira recente \u2014 a distribui\u00e7\u00e3o, via governo federal, de alimentos contaminados pela radia\u00e7\u00e3o da usina sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>A licita\u00e7\u00e3o da Cobal, primeiro cap\u00edtulo dessa hist\u00f3ria, contemplou quatro empresas diferentes, segundo o dossi\u00ea da Seplan. A maior beneficiada foi a Econtrading Com\u00e9rcio Exterior, sediada na Bahia, que forneceu ao governo 20 mil toneladas de leite em p\u00f3. Destas, 3 mil apresentavam \u00edndices de contamina\u00e7\u00e3o radioativa.<\/p>\n<p>A CNEN, por\u00e9m, n\u00e3o impediu que o lote fosse descarregado do navio.<\/p>\n<h2>Cientistas alertaram<\/h2>\n<p>A carga da Econtrading chegara ao Rio de Janeiro no dia 15 de agosto de 1986, vinda da Irlanda. Seu recebimento pelos \u00f3rg\u00e3os fiscalizadores, aponta o relat\u00f3rio da Seplan, contrariava \u201citem espec\u00edfico do edital\u201d e demonstrava um \u201ctratamento discriminat\u00f3rio\u201d na condu\u00e7\u00e3o do processo. Nas palavras do relator an\u00f4nimo, a imagem institucional da Cobal havia sido \u201cseriamente abalada, com reflexos na \u00e1rea do Minist\u00e9rio da Agricultura.\u201d<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a constata\u00e7\u00e3o de radioatividade, o leite irland\u00eas foi submetido a an\u00e1lise no Instituto de Radioprote\u00e7\u00e3o e Dosimetria (IRD), vinculado \u00e0 CNEN. O laudo pericial, emitido em 25 de agosto pelo engenheiro qu\u00edmico Haroldo Lessa Peixoto de Azevedo e pelo engenheiro nuclear Luiz Fernando de Carvalho Conti, apresentava dados alarmantes.<\/p>\n<p>Conforme observa\u00e7\u00f5es dos peritos, o \u00edndice de c\u00e9sio-137 presente nas amostras ultrapassava os encontrados \u201cem diversos pa\u00edses do Hemisf\u00e9rio Norte\u201d, sendo cerca de mil vezes superior \u00e0s m\u00e9dias obtidas pelo instituto desde 1979. Entretanto, o laudo atestava tamb\u00e9m que o leite era plenamente \u201capropriado para o consumo humano\u201d. A carga, naquele momento, j\u00e1 havia chegado ao porto de Santos, no litoral paulista, onde permanecia retida.<\/p>\n<p>Em entrevista publicada pelo Jornal do Brasil dois dias depois, os t\u00e9cnicos minimizaram os efeitos da radia\u00e7\u00e3o. Conti disse: \u201cN\u00e3o \u00e9 t\u00e3o perigoso quanto se imagina\u201d. Azevedo declarou: \u201cMeu filho tomaria esse leite\u201d.<\/p>\n<p>Mas nem todos os especialistas estavam tranquilos.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1551D\/production\/_111052378_03.jpg\" alt=\"Latas de leite radioativo \u00e0 venda em supermercado ga\u00facho\" \/><figcaption>Latas de leite radioativo \u00e0 venda em supermercado ga\u00facho<\/figcaption><\/figure>\n<p>A desconfian\u00e7a predominante nos meios acad\u00eamicos se intensificaria dali a um m\u00eas, quando a CNEN equiparou os limites de radioatividade permitidos nos alimentos importados aos padr\u00f5es europeus. A resolu\u00e7\u00e3o, publicada pelo Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o no dia 26 de setembro, apontava o sistema vigente na Comunidade Econ\u00f4mica Europeia como o \u201cmais restritivo dentre os existentes\u201d e estabelecia os valores m\u00e1ximos de c\u00e9sio-137 a serem aceitos no Brasil \u2014 3700 becquerel por quilograma de leite em p\u00f3 e 600 becquerel por quilograma de qualquer outro produto.<\/p>\n<p>A medida permitiu que a carga da Econtrading ganhasse as prateleiras dos supermercados, contrariando parte da comunidade cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Luiz Pinguelli Rosa, f\u00edsico nuclear e atualmente professor em\u00e9rito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi um dos v\u00e1rios especialistas a se posicionarem contra a resolu\u00e7\u00e3o. Em entrevista \u00e0 BBC News Brasil, ele associa o epis\u00f3dio \u00e0 ressaca da ditadura militar, que havia chegado ao fim no ano anterior.<\/p>\n<p>\u201cSarney foi um herdeiro dos militares\u201d, afirma. \u201cA estrutura de seu governo se baseava num autoritarismo muito grande, que atingia inclusive a CNEN. As decis\u00f5es tomadas naquele ambiente eram bastante sui generis. N\u00f3s importamos tudo aquilo que os europeus evitavam consumir.\u201d<\/p>\n<p>Passados mais de trinta anos, Pinguelli se mant\u00e9m categ\u00f3rico em sua avalia\u00e7\u00e3o do incidente. \u201cAquela medida violava um princ\u00edpio b\u00e1sico de precau\u00e7\u00e3o. As part\u00edculas n\u00e3o s\u00e3o homog\u00eaneas, e os lotes tinham diferentes n\u00edveis de radioatividade\u201d, explica. \u201cDentro de uma m\u00e9dia supostamente toler\u00e1vel, poderiam existir alimentos impr\u00f3prios para consumo. A seguran\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o foi colocada em risco.\u201d<\/p>\n<h2>Sete mil toneladas de carne radioativa<\/h2>\n<p>Um m\u00eas ap\u00f3s a chegada do leite contaminado, o pa\u00eds recebeu um lote contendo 100 mil toneladas de carne bovina e su\u00edna, provenientes dos EUA e da Europa. A importa\u00e7\u00e3o havia sido autorizada pelo ministro da Fazenda, Dilson Funaro, atrav\u00e9s da Interbras, extinta estatal de com\u00e9rcio exterior vinculada \u00e0 Petrobras.<\/p>\n<p>A mercadoria, estocada nos frigor\u00edficos da Companhia Brasileira de Armazenamento (Cibrazem), no munic\u00edpio ga\u00facho de Canoas, a 18 quil\u00f4metros de Porto Alegre, foi submetida a testes pela CNEN. Houve constata\u00e7\u00e3o de radioatividade em mais de sete mil toneladas do lote, mas sua comercializa\u00e7\u00e3o seria interrompida apenas no dia 30 de abril de 1987, mediante uma a\u00e7\u00e3o c\u00edvel ajuizada por Amir Sarti, procurador regional da Rep\u00fablica.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/0087\/production\/_111053100_04.jpg\" alt=\"Em outubro de 1986, a Secretaria de Planejamento da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica emitiu um relat\u00f3rio confidencial sobre a aquisi\u00e7\u00e3o de leite contaminado pela radia\u00e7\u00e3o de Chernobyl\" \/><figcaption>Em outubro de 1986, a Secretaria de Planejamento da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica emitiu um relat\u00f3rio confidencial sobre a aquisi\u00e7\u00e3o de leite contaminado pela radia\u00e7\u00e3o de Chernobyl<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os frigor\u00edficos locais responderam \u00e0 interdi\u00e7\u00e3o com uma proposta, aceita pelo procurador em janeiro de 1988: oferecer a carne sob certas condi\u00e7\u00f5es, tais como a divulga\u00e7\u00e3o pr\u00e9via dos pontos de venda e a fixa\u00e7\u00e3o de cartazes alertando aos consumidores para a radioatividade. Em seguida, lotes de carne deveriam ser remetidos aos a\u00e7ougues paulistas e fluminenses, onde o produto estava em falta.<\/p>\n<p>No dia 21 daquele m\u00eas, o vereador Paulo Emilio Oliveira, do PDT carioca, enviou a Sarney um telegrama em que expressava sua \u201cindigna\u00e7\u00e3o\u201d com a medida. Presidente da Comiss\u00e3o de Higiene, Sa\u00fade P\u00fablica e Bem-Estar Social da C\u00e2mara Municipal do Rio de Janeiro, Oliveira exigia \u201cprovid\u00eancias imediatas para recolhimento e tratamento como lixo at\u00f4mico desses produtos lesivos a qualquer ser vivo\u201d.<\/p>\n<p>No dia 4 de fevereiro, o telegrama foi anexado a um dossi\u00ea do Conselho de Seguran\u00e7a Nacional (CSN). Fl\u00e1vio Jussiani Ramos, secret\u00e1rio-adjunto de Sarney, solicitara ao \u00f3rg\u00e3o que examinasse a mensagem e o instru\u00edsse das \u201cprovid\u00eancias julgadas cab\u00edveis\u201d. No dia 22, o general Bayma Denys, secret\u00e1rio-geral do CSN, desaprovou a \u201clinguagem contundente e impr\u00f3pria\u201d que Oliveira empregara para \u201cdirigir-se \u00e0 mais alta autoridade da Na\u00e7\u00e3o\u201d e concluiu que ao vereador n\u00e3o cabia \u201cresposta de qualquer \u00f3rg\u00e3o do governo federal\u201d.<\/p>\n<h2>Destino: \u00c1frica e Caribe<\/h2>\n<p>\u00c0quela altura, a venda da carne j\u00e1 havia sido novamente barrada, dessa vez pelo Tribunal Federal de Recursos, extinto \u00f3rg\u00e3o do Poder Judici\u00e1rio. O fato causava certa ang\u00fastia \u00e0 administra\u00e7\u00e3o Sarney: noutro relat\u00f3rio confidencial, emitido em 24 de maio de 1988, um funcion\u00e1rio do SNI se queixava do \u201cconsider\u00e1vel preju\u00edzo\u201d causado pela interdi\u00e7\u00e3o e da impossibilidade de distribuir o alimento \u201cpara os programas assistenciais do governo\u201d.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, tentando se eximir do impasse, formara uma comiss\u00e3o t\u00e9cnica para avaliar os estoques da Cibrazem. Al\u00e9m de Haroldo Peixoto, da CNEN, e Epaminondas Ferraz, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura, vinculado \u00e0 USP, a equipe contava com dois membros do Departamento de Medicina Legal da Unicamp \u2014 Nelson Massini e Fortunato Badan Palhares, que haviam trabalhado na exuma\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico nazista Josef Mengele e na per\u00edcia do acidente com o c\u00e9sio-137 em Goi\u00e2nia.<\/p>\n<p>O laudo expedido pelo grupo no dia 9 de mar\u00e7o informava que as amostras de carne su\u00edna continham \u201ctra\u00e7os de c\u00e9sio-137, embora abaixo do limite de detec\u00e7\u00e3o\u201d, sendo, sob aspectos radiol\u00f3gicos, \u201cpr\u00f3prias para o consumo humano\u201d. A carne bovina, por sua vez, n\u00e3o teria apresentado \u201cind\u00edcios de contamina\u00e7\u00e3o radioativa artificial\u201d.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/9CC7\/production\/_111053104_05.jpg\" alt=\"O vereador Paulo Em\u00edlio Oliveira, do PDT carioca, enviou um telegrama a Jos\u00e9 Sarney\" \/><figcaption>O vereador Paulo Em\u00edlio Oliveira, do PDT carioca, enviou um telegrama a Jos\u00e9 Sarney para manifestar desagrado com a venda de carne e leite contaminados por radia\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>No entanto, o aval dos peritos n\u00e3o serviu para grande coisa. Ap\u00f3s anos de congelamento, a mercadoria come\u00e7ava a se deteriorar, adquirindo um aspecto desagrad\u00e1vel e escurecido.<\/p>\n<p>Antes mesmo que o laudo fosse divulgado, o SNI j\u00e1 tinha conhecimento do problema. Um relat\u00f3rio do dia 23 de fevereiro atestava que cerca de 130 toneladas de carne su\u00edna apresentavam \u201cacidez excessiva para o consumo humano\u201d.<\/p>\n<p>Quatro meses depois, no dia 23 de junho, um memorando da Divis\u00e3o de Seguran\u00e7a e Informa\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio da Agricultura relataria que a carne apresentava \u201cdesidrata\u00e7\u00e3o superficial, ocasionada, principalmente, pelas m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de embalagem.\u201d<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Lima de Castro, diretor do \u00f3rg\u00e3o, tornaria a alertar o SNI na semana seguinte: \u201cDentro de pouco tempo, essa carne entrar\u00e1 em processo de deteriora\u00e7\u00e3o, com preju\u00edzo total\u201d, sentenciou via telegrama no dia 30.<\/p>\n<p>Pelo menos at\u00e9 o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, a mercadoria permaneceu armazenada em Canoas. De l\u00e1, foi retirada pela Sola Ind\u00fastrias Aliment\u00edcias, f\u00e1brica de enlatados respons\u00e1vel por processar a carne para outra empresa, a Iaco Trading, que obtivera o estoque em leil\u00e3o. A Sola, sediada no munic\u00edpio fluminense de Tr\u00eas Rios, tinha planos espec\u00edficos para o produto: transform\u00e1-lo em charque e embutidos, numa tentativa de disfar\u00e7ar sua apar\u00eancia, e depois export\u00e1-lo para o Caribe e pa\u00edses da \u00c1frica.<\/p>\n<p>O processo teria gerado aproximadamente US$ 1,5 milh\u00e3o em receitas de exporta\u00e7\u00e3o, segundo mat\u00e9ria publicada pelo O Fluminense no dia 21 de junho de 1992. Em entrevista ao jornal, o diretor administrativo da Sola, Jos\u00e9 Carlos de Aquino Figueiredo, se referiu ao Caribe e ao continente africano como mercados baratos. \u201cCom uma carne mais velha\u201d, explicou, \u201cconseguimos competitividade nessas regi\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>Depois disso, nada mais foi noticiado sobre o caso.<\/p>\n<p>A BBC News Brasil tentou contatar o presidente da ind\u00fastria, o italiano Carlo Sola, atualmente ligado ao mercado imobili\u00e1rio \u2014 a construtora que leva seu sobrenome foi aberta em 1999 e se apresenta como a \u201cmelhor empresa de incorpora\u00e7\u00e3o, constru\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o das regi\u00f5es centro-sul e serrana do Estado do Rio de Janeiro\u201d.<\/p>\n<p>Sauro Sola, filho e s\u00f3cio do empres\u00e1rio, comunicou \u00e0 reportagem que o pai \u201cest\u00e1 com mais de oitenta anos e prefere se manter reservado a entrevistas\u201d.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/4EA7\/production\/_111053102_06.jpg\" alt=\"A administra\u00e7\u00e3o Sarney lamentou que a carne radioativa n\u00e3o pudesse ser distribu\u00edda em programas assistenciais do governo\" \/><figcaption>A administra\u00e7\u00e3o Sarney lamentou que a carne radioativa n\u00e3o pudesse ser distribu\u00edda em programas assistenciais do governo<\/figcaption><\/figure>\n<h2>Diabetes, tumores malignos e disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til<\/h2>\n<p>Contrariando os laudos divulgados pelo governo federal na d\u00e9cada de 1980, a Justi\u00e7a brasileira admitiu, quase trinta anos depois, a possibilidade de riscos no manuseio e ingest\u00e3o dos alimentos radioativos. Em julho de 2014, o juiz M\u00e1rcio Lima do Amaral, da 5\u00aa Vara do Trabalho de Canoas, condenou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a indenizar em R$ 462 mil o ex-funcion\u00e1rio Jos\u00e9 Antonio Oliveira dos Santos.<\/p>\n<p>A Conab foi criada no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, por meio da fus\u00e3o de tr\u00eas estatais do setor log\u00edstico: a Companhia de Financiamento da Produ\u00e7\u00e3o, a Cobal e a Cibrazem. Oliveira trabalhou para a Cibrazem ao longo de dois anos, atuando na manuten\u00e7\u00e3o de c\u00e2maras frigor\u00edficas. O contato com a carne radioativa teria trazido a ele uma s\u00e9rie de problemas de sa\u00fade que perduram at\u00e9 hoje, incluindo tr\u00eas c\u00e2nceres prim\u00e1rios em diferentes partes do corpo.<\/p>\n<p>Em 15 de julho de 2013, Oliveira ajuizou uma a\u00e7\u00e3o trabalhista contra a empresa, reivindicando indeniza\u00e7\u00f5es por danos materiais e morais. Um ano depois, ganhou o direito a receber R$ 62 mil para arcar com despesas m\u00e9dicas e R$ 400 mil por danos morais, em valores da \u00e9poca. A senten\u00e7a, publicada no dia 22 de julho de 2014, assegurava que o valor era compat\u00edvel \u201ccom toda a via cr\u00facis\u201d que o ex-funcion\u00e1rio enfrentara \u201cem face da sua condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade\u201d. Destacava, ainda, que ele havia sido \u201cacometido por doen\u00e7a ocupacional, com sequelas graves\u201d.<\/p>\n<p>Oliveira ingressou na Cibrazem em janeiro de 1988, como assistente t\u00e9cnico especializado. O trabalho consistia em adentrar as c\u00e2maras frias, verificar o funcionamento delas e, vez ou outra, efetivar pequenos consertos. Durante o expediente, o ex-funcion\u00e1rio permanecia exposto a milhares de toneladas de carne radioativa \u2014 que, segundo ele, a empresa utilizava nas refei\u00e7\u00f5es dos trabalhadores.<\/p>\n<p>\u201cEu tinha a impress\u00e3o de estar sendo bem cuidado\u201d, afirma em entrevista \u00e0 BBC News Brasil. \u201cNunca fomos informados de nada. Nunca recebemos nenhum equipamento para trabalhar com supostas contamina\u00e7\u00f5es. At\u00e9 consumimos daquela carne.\u201d<\/p>\n<p>Oliveira deixou a Cibrazem em fevereiro de 1990, ao ser aprovado num concurso p\u00fablico do Senai. Os primeiros problemas surgiriam dali a alguns anos. \u201cTudo come\u00e7ou com a minha dificuldade em ter filhos\u201d, lembra.<\/p>\n<p>No dia 12 de julho de 1993, o ex-funcion\u00e1rio recebeu um diagn\u00f3stico de oligospermia, condi\u00e7\u00e3o m\u00e9dica caracterizada pela secre\u00e7\u00e3o insuficiente de esperma. Em 17 de janeiro de 1994, uma bi\u00f3psia nos test\u00edculos revelou que ele tamb\u00e9m sofria de hipoespermatog\u00eanese (baixa forma\u00e7\u00e3o de espermatozoides).<\/p>\n<p>Oito anos depois, Oliveira foi acometido por um tumor maligno na tireoide, submetendo-se a sess\u00f5es de radioterapia e a um procedimento cir\u00fargico para a retirada da gl\u00e2ndula. Em 2008, passou a sofrer de disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til. Em 2010, enfrentou um c\u00e2ncer de pele que atacou seu rosto e couro cabeludo \u2014 a remo\u00e7\u00e3o do tumor o deixou com uma cicatriz na cabe\u00e7a. Em 2012, foi novamente internado \u2014 dessa vez, para a extra\u00e7\u00e3o de um linfoma pr\u00f3ximo aos pulm\u00f5es.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/EAE7\/production\/_111053106_08.jpg\" alt=\"Jos\u00e9 Lima de Castro, diretor da Divis\u00e3o de Seguran\u00e7a e Informa\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio da Agricultura, mencionou o apodrecimento da carne em telegrama ao SNI\" \/><figcaption>Jos\u00e9 Lima de Castro, diretor da Divis\u00e3o de Seguran\u00e7a e Informa\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio da Agricultura, mencionou o apodrecimento da carne em telegrama ao SNI<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ao todo, passou por quatorze procedimentos cir\u00fargicos. \u201cEu estava muito abalado com a minha condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica, sem entender o que acontecia\u201d, diz.<\/p>\n<p>Lembrando-se das antigas pol\u00eamicas envolvendo a importa\u00e7\u00e3o de alimentos durante o Plano Cruzado, Oliveira realizou uma pesquisa na internet sobre a carne de Chernobyl. Deparou-se, ent\u00e3o, com um ac\u00f3rd\u00e3o proferido em 1989 pelo Tribunal Regional Federal da 4\u00aa Regi\u00e3o (TRF-4), que desaconselhava o consumo do lote. Por fim, decidiu buscar ajuda especializada.<\/p>\n<p>\u201cEle veio ao meu consult\u00f3rio em mar\u00e7o de 2013\u201d, diz Rosemarie Stahlschmidt, radioterapeuta do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. \u201cDei a ele orienta\u00e7\u00f5es para que encontrasse literatura cient\u00edfica sobre os efeitos da radia\u00e7\u00e3o em tecidos sadios.\u201d<\/p>\n<p>Esses efeitos, explica Stahlschmidt \u00e0 reportagem, dependem de diversos fatores: o tipo espec\u00edfico de radia\u00e7\u00e3o, a dose, o tempo de exposi\u00e7\u00e3o e o volume de tecido irradiado. A exposi\u00e7\u00e3o, por sua vez, pode ocorrer em v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es cotidianas: pela pr\u00e1tica m\u00e9dica diagn\u00f3stica (como as tomografias e exames de raio-x), pela presen\u00e7a de g\u00e1s rad\u00f4nio no ar e radia\u00e7\u00e3o gama no solo, pelo contato de aeronaves com a radia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica e, tamb\u00e9m, pela ingest\u00e3o de alimentos.<\/p>\n<p>\u201cCada tecido tem seu limite pr\u00f3prio para radia\u00e7\u00e3o, a partir do qual pode apresentar algum dano\u201d, diz a m\u00e9dica. \u201cTecnicamente qualquer uma dessas exposi\u00e7\u00f5es apresenta algum tipo de risco, mas em sua grande maioria est\u00e3o presentes no ambiente sem que a gente se d\u00ea conta.\u201d<\/p>\n<p>Stahlschmidt, no entanto, evita associar as doen\u00e7as de Oliveira \u00e0 sua antiga rotina de trabalho. \u201cN\u00e3o h\u00e1 como afirmar com certeza que o paciente tenha sido efetivamente exposto, pois n\u00e3o existe nenhum registro dosim\u00e9trico dessa exposi\u00e7\u00e3o\u201d, argumenta.<\/p>\n<p>O ex-funcion\u00e1rio, por\u00e9m, acreditava estar sofrendo os efeitos da radia\u00e7\u00e3o. Quatro meses ap\u00f3s a consulta, ajuizou uma a\u00e7\u00e3o contra a Conab. A senten\u00e7a proferida no ano seguinte atestava: \u201cO perito m\u00e9dico de confian\u00e7a do Ju\u00edzo \u00e9 contundente ao afirmar que h\u00e1 nexo causal entre as les\u00f5es apresentadas pelo demandante e as condi\u00e7\u00f5es de trabalho a que foi submetido (radia\u00e7\u00e3o)\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA Conab nunca admitiu o problema\u201d, afirma Oliveira. \u201cPelo contr\u00e1rio. Me submeteu \u00e0 per\u00edcia m\u00e9dica e fez de tudo para protelar a a\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Ao longo do processo, a Conab negou que suas depend\u00eancias apresentassem n\u00edveis danosos de radia\u00e7\u00e3o. Alegou, tamb\u00e9m, que os direitos de Oliveira j\u00e1 haviam prescrito e atribuiu \u00e0 Previd\u00eancia a responsabilidade pelo pagamento de eventuais indeniza\u00e7\u00f5es, mediante o Seguro de Acidente de Trabalho. Em mensagem enviada \u00e0 BBC News Brasil, a empresa contestou as den\u00fancias do ex-funcion\u00e1rio, classificando o processo como um \u201cfato isolado\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEmbora a Justi\u00e7a do Trabalho tenha julgado procedente a a\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 nos autos comprova\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica por meio de per\u00edcia especializada de que a carne estivesse contaminada\u201d, alega a Conab. \u201cAl\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 registro de outra pessoa que tenha trabalhado no mesmo local e contra\u00eddo os mesmos sintomas ou doen\u00e7as.\u201d<\/p>\n<p>Germano Schwartz, advogado do ex-funcion\u00e1rio, diz o contr\u00e1rio. \u201cH\u00e1 pessoas que contatamos e que sabem ter sido v\u00edtimas\u201d, relata. \u201cContudo, n\u00e3o quiseram ingressar com a a\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Oliveira ainda hoje se recorda dos colegas: \u201cAlguns j\u00e1 faleceram, mas nunca saberemos o real motivo de suas doen\u00e7as.\u201d Aos 53 anos, ele mant\u00e9m os exames em dia e passa por tratamento de diabetes \u2014 sequela da remo\u00e7\u00e3o da tireoide.<\/p>\n<p>\u201cGra\u00e7as a Deus, n\u00e3o tive mais nenhum tumor maligno\u201d, afirma. \u201cPreciso estar sempre alerta com tudo o que aparece na minha pele. N\u00e3o h\u00e1 dinheiro no mundo que pague a sa\u00fade de uma pessoa.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cTenhamos cuidado com os sabotadores da estabilidade. 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