{"id":123418,"date":"2020-03-13T09:00:35","date_gmt":"2020-03-13T12:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=123418"},"modified":"2020-03-12T21:54:05","modified_gmt":"2020-03-13T00:54:05","slug":"oceanos-viram-deposito-de-lixo-nuclear-afirmam-cientistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/oceanos-viram-deposito-de-lixo-nuclear-afirmam-cientistas\/","title":{"rendered":"Oceanos viram dep\u00f3sito de lixo nuclear, afirmam cientistas"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-123419\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/lixo_nuclear-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/lixo_nuclear-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/lixo_nuclear.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Nove anos ap\u00f3s acidente que contaminou costa de Fukushima, restos de testes de bombas at\u00f4micas, lixo radioativo em barris avariados e at\u00e9 mesmo submarinos nucleares afundados continuam a poluir os mares.<\/p>\n<p>Quase 1,2\u00a0milh\u00e3o de litros de \u00e1gua residual radioativa da usina nuclear de Fukushima dever\u00e3o ser descartados no mar: foi o que um comit\u00ea consultivo do governo japon\u00eas sugeriu nove anos ap\u00f3s o desastre nuclear na costa leste do Jap\u00e3o, em 11 de mar\u00e7o de 2011. Desde ent\u00e3o, essa \u00e1gua tem sido usada para resfriar os blocos destru\u00eddos do reator, a fim de evitar mais derretimentos.<\/p>\n<p>A \u00e1gua \u00e9 mantida em grandes tanques, mas que dever\u00e3o estar cheios em 2022. O tema \u00e9 pol\u00eamico, porque o desastre nuclear em 2015 levou a uma contamina\u00e7\u00e3o extrema na costa de Fukushima. A \u00e1gua radioativa fluiu &#8220;diretamente para o mar, em quantidades que nunca vimos no mundo marinho&#8221;, diz Sabine Charmasson, do Instituto de Prote\u00e7\u00e3o Radiol\u00f3gica e Seguran\u00e7a Nuclear (IRSN) da Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Os n\u00edveis de radia\u00e7\u00e3o do mar perto de Fukushima superaram em 1\u00a0milh\u00e3o de vezes o limite de 100 becquer\u00e9is. At\u00e9 hoje, subst\u00e2ncias radioativas podem ser detectadas na costa japonesa e em outras partes do Pac\u00edfico. At\u00e9 mesmo na costa oeste dos Estados Unidos elas podem ser medidas, mas em propor\u00e7\u00f5es muito pequenas e significativamente &#8220;abaixo da quantidade nociva determinada pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade&#8221;, afirma Vincent Rossi, ocean\u00f3grafo do Instituto de Ci\u00eancias Marinhas do Mediterr\u00e2neo (MIO) da Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o deixa de ser perigoso, explica Horst Hamm, da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Nuclear Free Future Foundation. &#8220;Um \u00fanico becquerel que pode adentrar nosso corpo \u00e9 suficiente para danificar uma c\u00e9lula, que eventualmente se tornar\u00e1 uma c\u00e9lula cancer\u00edgena.&#8221;<\/p>\n<p>Um estudo do Parlamento Europeu chegou a uma conclus\u00e3o semelhante: &#8220;Mesmo a menor dose poss\u00edvel, um f\u00f3ton que atravessa um n\u00facleo celular, apresenta risco cancer\u00edgeno. Embora esse risco seja extremamente baixo, ainda \u00e9 um risco.&#8221;<\/p>\n<p>E esse risco aumenta, porque a polui\u00e7\u00e3o radioativa dos oceanos em todo planeta n\u00e3o vem somente crescendo desde Fukushima.<\/p>\n<div class=\"picBox full\nrechts\n\"><a class=\"overlayLink init\" href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/oceanos-viram-dep%C3%B3sito-de-lixo-nuclear\/a-52711269#\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Usina nuclear de Fukushima\" src=\"https:\/\/www.dw.com\/image\/52446094_401.jpg\" alt=\"Usina nuclear de Fukushima\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/a>Usina nuclear foi abalada por um tsunami seguido de terremoto em 2011<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Radia\u00e7\u00e3o provocada pelo homem<\/strong><\/p>\n<p>Em 1946, os Estados Unidos foram os primeiros a testar uma bomba at\u00f4mica numa regi\u00e3o marinha, o Atol de Biqu\u00edni, no Pac\u00edfico. Nas d\u00e9cadas posteriores, seguiu-se um total de mais de 250 testes nucleares em alto-mar. A maioria (193) foi realizada pela Fran\u00e7a na Polin\u00e9sia Francesa, como tamb\u00e9m pelos EUA (42), muitos nas Ilhas Marshall no Pac\u00edfico Central.<\/p>\n<p>At\u00e9 o in\u00edcio dos anos 1990, no entanto, o mar n\u00e3o foi usado somente como \u00e1rea de treinamento para uma guerra nuclear, mas tamb\u00e9m como um gigantesco dep\u00f3sito de lixo radioativo de usinas nucleares.<\/p>\n<p>De 1946 a 1993, mais de 200\u00a0mil toneladas de res\u00edduos em parte altamente radioativos foram lan\u00e7ados nos oceanos, a maioria em barris met\u00e1licos, segundo relata a Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica (AIEA). Tamb\u00e9m foram afundados v\u00e1rios submarinos nucleares, incluindo muni\u00e7\u00e3o nuclear.<\/p>\n<p>A maior parte do lixo nuclear despejado nos oceanos veio do Reino Unido e da antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. At\u00e9 1991, os Estados Unidos afundaram mais de 90\u00a0mil barris e pelo menos 190\u00a0mil metros c\u00fabicos de l\u00edquido radioativo no Atl\u00e2ntico Norte e no Pac\u00edfico. B\u00e9lgica, Su\u00ed\u00e7a, Holanda e Fran\u00e7a tamb\u00e9m descartaram toneladas de res\u00edduos radioativos no Atl\u00e2ntico Norte nas d\u00e9cadas de 1960, 70 e 80.<\/p>\n<p>&#8220;No esp\u00edrito &#8216;longe dos olhos, longe do cora\u00e7\u00e3o&#8217;, o descarte de lixo nuclear foi a maneira mais f\u00e1cil de livrar-se dele no in\u00edcio&#8221;, aponta Horst Hamm. At\u00e9 hoje, cerca de 90% dessa radia\u00e7\u00e3o prov\u00e9m de barris no Atl\u00e2ntico Norte, estando a maioria armazenada ao norte da R\u00fassia ou na costa da Europa Ocidental.<\/p>\n<p>&#8220;Os barris est\u00e3o por toda parte&#8221;, diz Jannik Rousselet, do Greenpeace da Fran\u00e7a. Ele estava presente quando, no ano 2000, a organiza\u00e7\u00e3o ambiental mergulhou com submarinos em busca de ton\u00e9is de lixo despejados a poucas centenas de metros da costa norte da Fran\u00e7a, e os encontrou a uma profundidade de 60 metros. &#8220;Ficamos surpresos com a proximidade da costa. Eles est\u00e3o enferrujados e vazando, a radia\u00e7\u00e3o aumentou claramente.&#8221;<\/p>\n<div class=\"picBox full\nrechts\n\"><a class=\"overlayLink init\" href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/oceanos-viram-dep%C3%B3sito-de-lixo-nuclear\/a-52711269#\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Usina nuclear de Fukushima\" src=\"https:\/\/www.dw.com\/image\/17485782_401.jpg\" alt=\"Usina nuclear de Fukushima\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/a>Tepco garante que, exceto tr\u00edtio, material radioativo ser\u00e1 filtrado da \u00e1gua dos tanques<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Participa\u00e7\u00e3o alem\u00e3<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio da Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica, a Alemanha tamb\u00e9m despejou 480 barris na costa portuguesa em 1967. Em 2012, Berlim respondeu a uma consulta dos verdes sobre a condi\u00e7\u00e3o desses barris.<\/p>\n<p>&#8220;Os barris n\u00e3o foram projetados para garantir a conten\u00e7\u00e3o permanente dos radionucl\u00eddeos no fundo do mar. Nesse sentido, deve-se supor que pelo menos alguns deles n\u00e3o estejam mais intactos&#8221;, respondeu o governo alem\u00e3o em relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Nem a Alemanha nem a Fran\u00e7a querem resgatar os barris. At\u00e9 o ativista do Greenpeace Jannik Rousselet diz n\u00e3o ver at\u00e9 agora &#8220;nenhum m\u00e9todo seguro de i\u00e7ar os barris enferrujados para a superf\u00edcie&#8221;. Assim, os res\u00edduos nucleares continuar\u00e3o contaminando o fundo do mar nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Para Horst Hamm, as consequ\u00eancias de longo prazo s\u00e3o claras. A radia\u00e7\u00e3o \u00e9 &#8220;absorvida pelos animais marinhos ao redor. Eles acabar\u00e3o nas redes de pesca e finalmente nos nossos pratos&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>No relat\u00f3rio, no entanto, o governo alem\u00e3o classifica o risco de peixes contaminados para os seres humanos como &#8220;insignificante&#8221;. Rousselet discorda: &#8220;Toda a \u00e1rea da costa est\u00e1 contaminada com radioatividade. Pode-se medi-la n\u00e3o apenas no mar, mas na grama, na areia, em todo lugar.&#8221;<\/p>\n<p>O descarte de res\u00edduos nucleares em barris foi proibido em 1993 pela Conven\u00e7\u00e3o de Londres sobre a Preven\u00e7\u00e3o da Polui\u00e7\u00e3o Marinha por Alijamento de Res\u00edduos e Outras Mat\u00e9rias. No entanto, a descarga de l\u00edquidos radioativos no oceano ainda \u00e9 permitida internacionalmente.<\/p>\n<p>Em Fukushima, a operadora da usina nuclear, Tokyo Electric Power Company (Tepco), garante que, antes do planejado descarte do l\u00edquido de resfriamento no mar, todos os 62 elementos radioativos ser\u00e3o filtrados da \u00e1gua a um n\u00edvel seguro \u2013 exceto o is\u00f3topo tr\u00edtio.<\/p>\n<p>Em T\u00f3quio, o gr\u00eamio consultivo diz considerar a descarga da \u00e1gua de resfriamento no mar como &#8220;mais segura&#8221; em compara\u00e7\u00e3o com outros m\u00e9todos, como a evapora\u00e7\u00e3o da \u00e1gua. Qu\u00e3o prejudicial o tr\u00edtio seja para os seres humanos \u00e9 motivo de controv\u00e9rsia. Segundo a Tepco, a quantidade de tr\u00edtio nos tanques coletores \u00e9 muito maior do que na \u00e1gua de resfriamento convencional de usinas nucleares.<\/p>\n<p>&#8220;Os pescadores e residentes locais n\u00e3o podem aceitar o descarte da \u00e1gua&#8221;, disse em comunicado Takami Morita, do Instituto Nacional de Pesquisa em Ci\u00eancias da Pesca. Embora a polui\u00e7\u00e3o da pesca esteja hoje abaixo do limite, a demanda por peixes da regi\u00e3o caiu para um quinto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 anterior ao desastre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nove anos ap\u00f3s acidente que contaminou costa de Fukushima, restos de testes de bombas at\u00f4micas,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":123419,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/lixo_nuclear.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/lixo_nuclear-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/lixo_nuclear-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/lixo_nuclear.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/lixo_nuclear.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/lixo_nuclear.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/lixo_nuclear.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/lixo_nuclear.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/lixo_nuclear.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/lixo_nuclear.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Nove anos ap\u00f3s acidente que contaminou costa de Fukushima, restos de testes de bombas at\u00f4micas,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/123418"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=123418"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/123418\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/123419"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=123418"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=123418"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=123418"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}