{"id":12341,"date":"2014-12-16T18:00:52","date_gmt":"2014-12-16T18:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=12341"},"modified":"2014-12-16T13:32:26","modified_gmt":"2014-12-16T13:32:26","slug":"geleiras-tropicais-e-frutos-morrem-no-peru-sem-resposta-da-cop-20","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/geleiras-tropicais-e-frutos-morrem-no-peru-sem-resposta-da-cop-20\/","title":{"rendered":"Geleiras tropicais e frutos morrem no Peru sem resposta da COP 20"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/cayetano_huanca.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-12342\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/cayetano_huanca-300x191.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"191\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/cayetano_huanca-300x191.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/cayetano_huanca.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Por Milagros Salazar, da IPS<\/p>\n<p>Os picos nevados agonizam no Peru, que concentra 70% das geleiras tropicais no mundo, e os agricultores desses ecossistemas vivem perip\u00e9cias para se adaptarem ao aumento da temperatura, enquanto em Lima governos de 195 pa\u00edses realizavam negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas sem atender essa realidade pr\u00f3xima.<\/p>\n<p>A cerca de cem quil\u00f4metros de uma geleira que resiste a morrer, a Salkantay, no departamento de Cusco, h\u00e1 um monumento ao cultivo da granadilha, fruto do qual dependem centenas de moradores da regi\u00e3o e que em mais 20 anos, segundo as proje\u00e7\u00f5es, n\u00e3o poder\u00e1 mais ser plantado.<\/p>\n<p>O monumento, que fica na pra\u00e7a do munic\u00edpio de Santa Teresa, localidade pr\u00f3xima a Machu Picchu, pereniza a produ\u00e7\u00e3o desse cultivo: uma mulher colhe os frutos, um campon\u00eas os carrega em um cesto \u00e0s costas, outro corta o mato enquanto um agricultor acompanhado de um cachorro remove a terra.<\/p>\n<p>Essa cena congelada \u00e9 rotineira em Santa Teresa, onde a granadilha (<em>Passiflora ligularis<\/em>) \u00e9 produzida entre dois mil e 2.800 metros acima do n\u00edvel do mar. Mas a previs\u00e3o \u00e9 que esse cultivo dever\u00e1 ser deslocado at\u00e9 os tr\u00eas mil metros por causa da eleva\u00e7\u00e3o da temperatura. Ao chegar a esse ponto, n\u00e3o se poder\u00e1 mais plantar granadilha.<\/p>\n<p>\u201cO impacto nessa regi\u00e3o \u00e9 forte porque os moradores vivem dessa produ\u00e7\u00e3o\u201d, destacou \u00e0 IPS a engenheira ambiental Karim Quevedo, que percorreu a minibacia Santa Teresa como respons\u00e1vel pela Dire\u00e7\u00e3o de Agrometeorologia do Servi\u00e7o Nacional de Meteorologia e Hidrologia do Peru (Senhami).<\/p>\n<p>Essa microbacia \u00e9 uma das regi\u00f5es estudadas pelo Senhami como parte de um projeto de adapta\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es locais pelo impacto do retrocesso de geleiras. Em Santa Teresa a geleira que agoniza ao seu lado \u00e9 a Salkantay, que em qu\u00e9chua significa \u201cmontanha selvagem\u201d.<\/p>\n<p>Salkantay, que \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o velho e indom\u00e1vel da cordilheira de Vilcabamba, abastece de \u00e1gua doce os rios da regi\u00e3o. Mas nos \u00faltimos 40 anos perdeu 63,6% de sua superf\u00edcie de gelo, equivalente a cerca de 22 quil\u00f4metros quadrados, segundo a Autoridade Nacional da \u00c1gua (ANA).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante medir de que maneira esse retrocesso afeta os moradores, para saber como podem se adaptar, j\u00e1 que a perda desse gelo \u00e9 irrevers\u00edvel\u201d, explicou \u00e0 IPS o respons\u00e1vel da \u00c1rea de Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica da ANA, Fernando Chiock.<\/p>\n<p>Tanto ele quanto Quevedo asseguraram que \u00e9 crucial considerar o impacto direto nos moradores locais e dar prioridade aos fundos destinados a mitigar esses impactos, durante o encerramento da 20\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP 20) da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (CMUCC), cuja fase final teve as presen\u00e7as de governantes e altos representantes dos 195 pa\u00edses.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Granadilla.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-126771\" title=\"Geleiras e frutos morrem no Peru sem resposta da COP 20\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Granadilla.jpg\" alt=\"Granadilla Geleiras e frutos morrem no Peru sem resposta da COP 20\" width=\"635\" height=\"476\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u201cEst\u00e1 pendente saber como encadear o resultado dessa c\u00fapula do clima com o que ocorre nessas localidades. Um dos desafios \u00e9 conectar os grandes acordos\u201d, afirmou Quevedo \u00e0 IPS no espa\u00e7o Vozes pelo Clima, da COP 20, a poucos metros de onde aconteciam as negocia\u00e7\u00f5es oficiais, no recinto militar de El Pentagonito.<\/p>\n<p>O panorama \u00e9 preocupante, segundo os especialistas: desde a d\u00e9cada de 1970 at\u00e9 hoje a superf\u00edcie das 2.679\u00a0 geleiras que existem nos Andes do Peru retrocedeu mais de 40%, segundo Chiok. De mais de dois mil quil\u00f4metros quadrados de superf\u00edcie de gelo nos anos 1970 passou-se a cerca de 1.300.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia j\u00e1 provocou a morte de geleiras, como a de Broggi, que fazia parte da Cordilheira Branca, a cadeia montanhosa tropical com maior densidade de geleiras do mundo, que como Vilcabamba integra os Andes peruanos. H\u00e1 cerca de 50 anos o retrocesso de Broggi era de dois metros anuais, mas nas d\u00e9cadas de 1980 e 1990 aumentou para 20 metros por ano. Em 2005, sua superf\u00edcie de gelo desapareceu completamente e essa geleira n\u00e3o foi mais monitorada.<\/p>\n<p>Atualmente, o retrocesso glacial oscila entre nove e 20 metros por ano, segundo a ANA. Paralelamente, formaram-se cerca de 900 lagoas novas com a \u00e1gua do degelo, contou Chiock. De imediato, o surgimento de novas lagoas pode parecer uma boa not\u00edcia para os moradores locais, mas, segundo o especialista da ANA, deve ser considerado o manejo adequado dessas fontes de \u00e1gua para n\u00e3o gerar falsas expectativas nas comunidades e poder lidar com os riscos dessas lagoas pelo rompimento dos diques. O funcion\u00e1rio da ANA explicou que atualmente h\u00e1 35 lagoas com obras de seguran\u00e7a por causa do risco que apresentam.<\/p>\n<p>A incerteza instalou-se no campo. Lagoas que surgem, geleiras que morrem. Granizos que caem sobre os cultivos de milho. Chuvas imprecisas e violentas que afetam a planta\u00e7\u00e3o de batata, o sol incandescente que apodrece os frutos, os insetos que parecem borbulhas de uma panela fervendo. \u201cA variabilidade clim\u00e1tica das localidades est\u00e1 alterada. N\u00e3o se pode generalizar o que acontece, cada povoado enfrenta seu pr\u00f3prio problema. Mas o que \u00e9 ineg\u00e1vel s\u00e3o essas mudan\u00e7as do clima\u201d, destacou Quevedo \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, h\u00e1 cultivos mais afetados do que outros. Com as temperaturas altas, os cultivos de batata devem ser transferidos para altitudes maiores, porque precisam de noites de frio para sua produ\u00e7\u00e3o. Em algumas regi\u00f5es, a planta\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 com um sol fort\u00edssimo pode ser positiva, mas em outras nem tanto, porque tamb\u00e9m precisa de sombra.<\/p>\n<p>O clima influi em 61% na produ\u00e7\u00e3o dos cultivos, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial. \u201cEsses eventos do menores clima s\u00e3o os que mais prejudicam a popula\u00e7\u00e3o, e s\u00e3o os mais invis\u00edveis perante a comunidade internacional\u201d, disse \u00e0 IPS o diretor do Centro do Clima da Cruz Vermelha Internacional, Maarten Van Aalts, que participou das atividades da COP 20.<\/p>\n<p>Segundo Aalts, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio um furac\u00e3o que leve tudo de um s\u00f3 golpe, como ocorreu no Haiti em janeiro de 2010, para os governos que participam de negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas reagirem. Mas as esperan\u00e7as de que o fizessem na COP 20 derreteram.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Milagros Salazar, da IPS Os picos nevados agonizam no Peru, que concentra 70% das<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":12342,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/cayetano_huanca.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/cayetano_huanca-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/cayetano_huanca-300x191.jpg",300,191,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/cayetano_huanca.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/cayetano_huanca.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/cayetano_huanca.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/cayetano_huanca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/cayetano_huanca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/cayetano_huanca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/cayetano_huanca.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Milagros Salazar, da IPS Os picos nevados agonizam no Peru, que concentra 70% das","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12341"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12341"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12341\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12342"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12341"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12341"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12341"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}