{"id":123187,"date":"2020-03-08T13:33:14","date_gmt":"2020-03-08T16:33:14","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=123187"},"modified":"2020-03-08T13:33:14","modified_gmt":"2020-03-08T16:33:14","slug":"como-o-amor-de-uma-biologa-pelas-araras-salvou-uma-especie-da-extincao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/como-o-amor-de-uma-biologa-pelas-araras-salvou-uma-especie-da-extincao\/","title":{"rendered":"Como o amor de uma bi\u00f3loga pelas araras salvou uma esp\u00e9cie da extin\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_1900\/public\/02-20190820jr2267.jpg\" alt=\"arara-azul\" width=\"640\" height=\"426\" \/>A bi\u00f3loga Neiva Guedes avalia um filhote de arara-azul ap\u00f3s coletar seus dados e amostras. Ela \u00e9 presidente do Instituto Arara-azul \u2013 que trabalha na conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie h\u00e1 mais de 30 anos \u2013 e conhece como poucos os desafios para proteger uma das aves mais emblem\u00e1ticas do Brasil.<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">JO\u00c3O MARCOS ROSA<\/span><\/div>\n<p>Partimos de Ba\u00eda das Pedras \u2013 no cora\u00e7\u00e3o do Pantanal Sul-mato-grossense,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographicbrasil.com\/animais\/2019\/10\/para-salvar-antas-esta-pesquisadora-criou-o-maior-banco-de-dados-sobre-especie-do\">onde testemunhamos o trabalho de Patr\u00edcia M\u00e9dici<\/a>\u00a0\u2013 e cruzamos estradas de terra seca por 350 km at\u00e9 nos encontrarmos, pr\u00f3ximos de Aquidauana (MS), com a bi\u00f3loga, pesquisadora e professora Neiva Guedes, um dos nomes mais conhecidos no mundo da conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Convivemos alguns dias com Neiva, acompanhando um trabalho que \u00e9 refer\u00eancia mundial em psitac\u00eddeos, a ordem de aves que re\u00fane mais de 360 esp\u00e9cies, dentre elas as araras.<\/p>\n<p>Neiva criou\u00a0o projeto\u00a0<a href=\"http:\/\/www.institutoararaazul.org.br\/\">Arara-azul<\/a>\u00a0em 1990, e seus estudos pioneiros s\u00e3o exaltados por acad\u00eamicos de todo o planeta. No entanto, a fama de Neiva ultrapassa o ambiente da comunidade cient\u00edfica. Ao desembarcar do ve\u00edculo na fazenda Conquista, do pecuarista Fausto Sandoval Barbosa, ela \u00e9 recebida com entusiasmo: \u201cNeiva Guedes, eu te vejo h\u00e1 vinte anos pela televis\u00e3o\u201d, chega bradando seu Fausto, todo animado. Na Fazenda Conquista, onde mais de 40 araras voam todo fim da tarde, est\u00e3o instalados quatro ninhos artificiais. Idealizados por Neiva, essas pequenas caixas de madeira s\u00e3o um dos principais respons\u00e1veis pela recupera\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es de arara-azul no Pantanal. Como a esp\u00e9cie costuma usar buracos de \u00e1rvores para nidificar, os ninhos funcionam como um est\u00edmulo crucial para a reprodu\u00e7\u00e3o das aves.<\/p>\n<p>Caminhamos at\u00e9 os ninhos, n\u00e3o sem antes uma rodada de caf\u00e9 com pipoca. Para Neiva, essa introdu\u00e7\u00e3o \u00e9 muito importante: um momento especial no qual compartilha com a equipe a estrat\u00e9gia de conserva\u00e7\u00e3o da arara-azul. Conversar com as pessoas do Pantanal \u2013 \u00e0s vezes isoladas h\u00e1 muito tempo do conv\u00edvio humano, mas coexistindo com uma fauna riqu\u00edssima ao seu redor \u2013 pode trazer grandes ferramentas e ideias de transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante quase dez anos, desde o in\u00edcio do projeto, a presen\u00e7a constante de uma mulher acompanhada de apenas um ajudante, marcou a reputa\u00e7\u00e3o de Neiva no Pantanal. No fim dos anos 1980, quando come\u00e7ou a pesquisa in loco, indo a cavalo, de carro ou de carona a lugares que nem sempre tinham estrada marcada, ela come\u00e7ou a ser reconhecida como \u201ca mulher das araras\u201d. Isso muito antes da internet. Os anos passados em campo, escalando \u00e1rvores, deram a ela a confian\u00e7a de todos os pantaneiros, desde pe\u00f5es at\u00e9 grandes propriet\u00e1rios de fazendas.<\/p>\n<p>\u201cA partir do momento que come\u00e7o a trabalhar com as araras, a circular na regi\u00e3o, subir nos ninhos, voltando ano ap\u00f3s ano\u201d, diz Neiva, \u201ce sendo uma mulher dirigindo um carro no Pantanal&#8230; Isso chamou a aten\u00e7\u00e3o deles.\u201d<\/p>\n<blockquote><p>Confira o especial\u00a0<em>Dia Internacional da Mulher<\/em>, no\u00a0<strong>National Geographic<\/strong>. Domingo, 8 de mar\u00e7o, a partir das 18h.<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--small\"><a class=\"ngart-img__cntr\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"A bi\u00f3loga Neiva Guedes descobriu sua paix\u00e3o pela natureza cedo. T\u00e3o logo teve a primeira oportunidade ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_470\/public\/08-20190819jr0591.jpg\" alt=\"A bi\u00f3loga Neiva Guedes descobriu sua paix\u00e3o pela natureza cedo. T\u00e3o logo teve a primeira oportunidade ...\" width=\"639\" height=\"959\" \/><\/picture><\/a><\/p>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">A bi\u00f3loga Neiva Guedes descobriu sua paix\u00e3o pela natureza cedo. T\u00e3o logo teve a primeira oportunidade de trabalhar em campo, trouxe todo seu amor para uma das iniciativas mais exitosas da hist\u00f3ria da conserva\u00e7\u00e3o brasileira, o Instituto Arara-azul. Depois de formada, iniciou seus trabalhos no Pantanal, tentando entender quais fatores levaram a popula\u00e7\u00e3o de araras-azuis a um decl\u00ednio t\u00e3o grande. Trinta anos depois, as a\u00e7\u00f5es do seu projeto conseguiram ajudar a reverter um quadro de quase extin\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. Mas os desafios persistem, e a incans\u00e1vel Neiva segue na linha de frente da luta pela conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade.<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">JO\u00c3O MARCOS ROSA<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>Para ela, o sucesso do projeto se deve principalmente a esse interc\u00e2mbio com os locais. \u201cEu sempre estive muito pr\u00f3xima da comunidade. Sempre acreditei que para trabalhar com conserva\u00e7\u00e3o era necess\u00e1rio trabalhar junto com os propriet\u00e1rios\u201d, diz Neiva. \u201cPorque se eu quisesse apenas concluir o meu mestrado era s\u00f3 coletar os dados e ir embora. Talvez a arara acabasse. Assim, fomos conversando e mostrando para as pessoas o que est\u00e1vamos estudando, que elas eram privilegiadas de morar junto com as araras e de ter essa conviv\u00eancia harmoniosa com as aves todos os dias. \u00c9 uma vida muito bacana a do pantaneiro tradicional junto com a natureza, muito harmoniosa.\u201d<\/p>\n<p>Seguimos ouvindo Neiva e sua equipe durante os deslocamentos pela plan\u00edcie pantaneira. Numa dessas travessias, estive no carro com Cesar Correa, cunhado de Neiva, respons\u00e1vel h\u00e1 20 anos pelo monitoramento dos ninhos e relacionamento com as comunidades.<\/p>\n<p>Para Cesar, se fosse tocado por um homem, o projeto n\u00e3o teria durado tanto tempo. Segundo ele, os homens \u201cs\u00e3o pregui\u00e7osos\u201d. Sua filha, ouvindo a conversa no banco de tr\u00e1s, complementa: \u201cS\u00f3 a mulher pode agregar e pensar na continuidade\u201d. A tia \u00e9 a grande inspira\u00e7\u00e3o de Gabriela Correa, que ajuda nas palestras de educa\u00e7\u00e3o ambiental e est\u00e1 prestes a terminar a gradua\u00e7\u00e3o em agronomia e veterin\u00e1ria. Seu bra\u00e7o direito na administra\u00e7\u00e3o do Arara-azul tamb\u00e9m \u00e9 quase fam\u00edlia, Eliza Menze \u00e9 uma amiga de mais de tr\u00eas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Chegamos com a noite na sede de pesquisas do Instituto Arara-azul, no Ref\u00fagio Ecol\u00f3gico Caiman, e fomos recebidos pela equipe de campo \u2013 tr\u00eas mulheres e um homem. De acordo com Neiva, hoje as mulheres a procuram mais para trabalhar no projeto fora do laborat\u00f3rio e, por isso, s\u00e3o maioria em sua equipe.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ng-inline_promo__container\">\n<div class=\"ng-inline_promo ng-inline_promo-sponsored\">\n<div class=\"ng-inline_promo__image\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_470\/public\/02-harpias_tania_sanaiotti_02.jpg\" media=\"(max-width: 470px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_885\/public\/02-harpias_tania_sanaiotti_02.jpg\" media=\"(max-width: 885px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_1190\/public\/02-harpias_tania_sanaiotti_02.jpg\" media=\"(max-width: 1190px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"-mulheres-na-conservacao-abre-harpia\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_1900\/public\/02-harpias_tania_sanaiotti_02.jpg\" alt=\"-mulheres-na-conservacao-abre-harpia\" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ng-inline_promo__cont\">\n<div class=\"ng-inline_promo__header\"><a title=\"As mulheres que lutam pela conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies s\u00edmbolos da fauna brasileira\" href=\"https:\/\/www.nationalgeographicbrasil.com\/photography\/2019\/10\/mulheres-que-lutam-pela-conservacao-de-especies-simbolos-da-fauna-brasileira\" aria-label=\"As mulheres que lutam pela conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies s\u00edmbolos da fauna brasileira\">GALERIA DE FOTOS<\/a><\/div>\n<div class=\"ng-inline_promo__title\"><a title=\"As mulheres que lutam pela conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies s\u00edmbolos da fauna brasileira\" href=\"https:\/\/www.nationalgeographicbrasil.com\/photography\/2019\/10\/mulheres-que-lutam-pela-conservacao-de-especies-simbolos-da-fauna-brasileira\" aria-label=\"As mulheres que lutam pela conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies s\u00edmbolos da fauna brasileira\">As mulheres que lutam pela conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies s\u00edmbolos d&#8230;<\/a><\/div>\n<div class=\"ng-inline_promo__cta\"><a title=\"As mulheres que lutam pela conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies s\u00edmbolos da fauna brasileira\" href=\"https:\/\/www.nationalgeographicbrasil.com\/photography\/2019\/10\/mulheres-que-lutam-pela-conservacao-de-especies-simbolos-da-fauna-brasileira\" aria-label=\"As mulheres que lutam pela conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies s\u00edmbolos da fauna brasileira\">VEJA MAIS<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ng-inline_promo ng-inline_promo-sponsored\">\n<div class=\"ng-inline_promo__image\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_470\/public\/04-20190818jr0218.jpg\" media=\"(max-width: 470px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_885\/public\/04-20190818jr0218.jpg\" media=\"(max-width: 885px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_1190\/public\/04-20190818jr0218.jpg\" media=\"(max-width: 1190px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Ap\u00f3s ser capturada por uma armadilha de pesquisa, a anta \u00e9 examinada por Patr\u00edcia e sua ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_1900\/public\/04-20190818jr0218.jpg\" alt=\"Ap\u00f3s ser capturada por uma armadilha de pesquisa, a anta \u00e9 examinada por Patr\u00edcia e sua ...\" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ng-inline_promo__cont\">\n<div class=\"ng-inline_promo__header\"><a title=\"Para salvar as antas, esta pesquisadora criou o maior banco de dados sobre a esp\u00e9cie do ...\" href=\"https:\/\/www.nationalgeographicbrasil.com\/animais\/2019\/10\/para-salvar-antas-esta-pesquisadora-criou-o-maior-banco-de-dados-sobre-especie-do\" aria-label=\"Para salvar as antas, esta pesquisadora criou o maior banco de dados sobre a esp\u00e9cie do mundo\">ANTAS<\/a><\/div>\n<div class=\"ng-inline_promo__title\"><a title=\"Para salvar as antas, esta pesquisadora criou o maior banco de dados sobre a esp\u00e9cie do ...\" href=\"https:\/\/www.nationalgeographicbrasil.com\/animais\/2019\/10\/para-salvar-antas-esta-pesquisadora-criou-o-maior-banco-de-dados-sobre-especie-do\" aria-label=\"Para salvar as antas, esta pesquisadora criou o maior banco de dados sobre a esp\u00e9cie do mundo\">Para salvar as antas, esta pesquisadora criou o maior banco d&#8230;<\/a><\/div>\n<div class=\"ng-inline_promo__cta\"><a title=\"Para salvar as antas, esta pesquisadora criou o maior banco de dados sobre a esp\u00e9cie do ...\" href=\"https:\/\/www.nationalgeographicbrasil.com\/animais\/2019\/10\/para-salvar-antas-esta-pesquisadora-criou-o-maior-banco-de-dados-sobre-especie-do\" aria-label=\"Para salvar as antas, esta pesquisadora criou o maior banco de dados sobre a esp\u00e9cie do mundo\">LEIA MAIS<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ng-inline_promo ng-inline_promo-sponsored\">\n<div class=\"ng-inline_promo__image\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_470\/public\/20200204jr2461.jpg\" media=\"(max-width: 470px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_885\/public\/20200204jr2461.jpg\" media=\"(max-width: 885px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_1190\/public\/20200204jr2461.jpg\" media=\"(max-width: 1190px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Fl\u00e1via Miranda observa o tamandua\u00ed no galho de um cajueiro do Delta do Parna\u00edba. Pequeno \u2013 ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_1900\/public\/20200204jr2461.jpg\" alt=\"Fl\u00e1via Miranda observa o tamandua\u00ed no galho de um cajueiro do Delta do Parna\u00edba. Pequeno \u2013 ...\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ng-inline_promo__cont\">\n<div class=\"ng-inline_promo__header\"><a title=\"Uma naturalista do s\u00e9culo 21 em busca do menor tamandu\u00e1 do mundo\" href=\"https:\/\/www.nationalgeographicbrasil.com\/meio-ambiente\/2020\/03\/uma-naturalista-do-seculo-21-em-busca-do-menor-tamandua-do-mundo\" aria-label=\"Uma naturalista do s\u00e9culo 21 em busca do menor tamandu\u00e1 do mundo\">TAMANDUA\u00cd<\/a><\/div>\n<div class=\"ng-inline_promo__title\"><a title=\"Uma naturalista do s\u00e9culo 21 em busca do menor tamandu\u00e1 do mundo\" href=\"https:\/\/www.nationalgeographicbrasil.com\/meio-ambiente\/2020\/03\/uma-naturalista-do-seculo-21-em-busca-do-menor-tamandua-do-mundo\" aria-label=\"Uma naturalista do s\u00e9culo 21 em busca do menor tamandu\u00e1 do mundo\">Uma naturalista do s\u00e9culo 21 em busca do menor tamandu\u00e1 do mundo<\/a><\/div>\n<div class=\"ng-inline_promo__cta\"><a title=\"Uma naturalista do s\u00e9culo 21 em busca do menor tamandu\u00e1 do mundo\" href=\"https:\/\/www.nationalgeographicbrasil.com\/meio-ambiente\/2020\/03\/uma-naturalista-do-seculo-21-em-busca-do-menor-tamandua-do-mundo\" aria-label=\"Uma naturalista do s\u00e9culo 21 em busca do menor tamandu\u00e1 do mundo\">LEIA MAIS<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>Fiquei ansiosa para ver a din\u00e2mica no dia seguinte. \u00c0s 6 da manh\u00e3, uma equipe quase toda feminina especialista em escalada estaria preparada para monitorar os ninhos. Agosto \u00e9 o per\u00edodo reprodutivo, portanto, com boas chances de encontrar ninhos com ovos, filhotes rec\u00e9m-nascidos ou mais velhos.<\/p>\n<p>E assim, foi. Partimos em dois carros em busca dos ninhos em cap\u00f5es dentro da \u00e1rea do ref\u00fagio, onde h\u00e1 quase tr\u00eas d\u00e9cadas o instituto produz dados e an\u00e1lises importantes para os resultados de conserva\u00e7\u00e3o. \u201cChamamos aqui de centro de reprodu\u00e7\u00e3o do projeto. No total, temos 98 ninhos cadastrados\u201d, me conta Neiva enquanto dirige.<\/p>\n<p>Se \u00e9 ninho artificial ou natural, o procedimento \u00e9 o mesmo: escalada, uma olhada no ninho, documenta\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica e muitas anota\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m se registra se h\u00e1 casca de ovo no ch\u00e3o, se as araras estavam fazendo vocaliza\u00e7\u00e3o de defesa, se tinha abelhas no ninho. Todas essas informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o coletadas mensalmente e v\u00e3o para o invent\u00e1rio de cada ninho.<\/p>\n<p>O saldo do dia foi interessante e revelou algumas das amea\u00e7as que rondam as araras em per\u00edodo reprodutivo, como preda\u00e7\u00e3o de ninhos e invas\u00e3o por outras esp\u00e9cies. Mas tamb\u00e9m encontramos ninhos em bom estado, cheios de ovos. No total, 17 foram monitorados.<\/p>\n<p>Toda a equipe participa das escaladas. E todas atuam junto \u00e0 Neiva com um respeito muito bonito de acompanhar. Ela \u00e9 uma refer\u00eancia em muitos aspectos.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\"><a class=\"ngart-img__cntr\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_470\/public\/03-20190820jr1549.jpg\" media=\"(max-width: 470px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"arara-azul\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_885\/public\/03-20190820jr1549.jpg\" alt=\"arara-azul\" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/picture><\/a><\/p>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">Arara-azul desponta de dentro de uma caixa-ninho instalada pela equipe do Instituto Arara-azul no Pantanal. As cavidades artificiais idealizadas por Neiva Guedes trouxeram um incremento importante para a popula\u00e7\u00e3o de araras na regi\u00e3o.<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">JO\u00c3O MARCOS ROSA<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\"><a class=\"ngart-img__cntr\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_470\/public\/04-20190820jr0508.jpg\" media=\"(max-width: 470px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Nada passa desapercebido pelos pesquisadores do Instituto Arara-azul quando est\u00e3o em campo. Planilha \u00e0 m\u00e3o, eles ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_885\/public\/04-20190820jr0508.jpg\" alt=\"Nada passa desapercebido pelos pesquisadores do Instituto Arara-azul quando est\u00e3o em campo. Planilha \u00e0 m\u00e3o, eles ...\" width=\"639\" height=\"427\" \/><\/picture><\/a><\/p>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">Nada passa desapercebido pelos pesquisadores do Instituto Arara-azul quando est\u00e3o em campo. Planilha \u00e0 m\u00e3o, eles anotam dados de avistamentos e coletam penas e outros vest\u00edgios da esp\u00e9cie que v\u00e3o encontrando pelo caminho.<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">JO\u00c3O MARCOS ROSA<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<h2><strong>Amor \u00e0 primeira avistagem<\/strong><\/h2>\n<p>Neiva Guedes quis fazer faculdade de medicina, mas, para ajudar em casa, escolheu estudar biologia \u00e0 noite. Sorte das araras, do Pantanal e da conserva\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>A paix\u00e3o pelas araras-azuis foi fulminante. Rec\u00e9m-formada e fazendo um curso sobre conserva\u00e7\u00e3o da natureza, Neiva avistou pela primeira vez as araras no Pantanal no mesmo dia que descobriu que estavam fadadas a desaparecer.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed sua vida n\u00e3o se separou delas. Logo entendeu que para estud\u00e1-las n\u00e3o seria poss\u00edvel monitorar apenas um indiv\u00edduo, ou apenas um ninho, tinha que acompanhar v\u00e1rios grupos de araras. Isso s\u00f3 seria poss\u00edvel rodando o Pantanal para mapear os ninhos, contar quantos ovos tinham, quantos filhotes nasciam, onde as araras estavam se reproduzindo. Nenhuma dessas informa\u00e7\u00f5es existiam. Foi Neiva que reuniu o extenso hist\u00f3rico atual.<\/p>\n<p>Foi a partir das pesquisas pioneiras da bi\u00f3loga que hoje a arara-azul \u00e9 reconhecida como uma esp\u00e9cie-chave na conserva\u00e7\u00e3o dos ambientes. Consideradas \u201cengenheiras ambientais\u201d, as araras fazem cavidades em \u00e1rvores que s\u00e3o usadas por outras esp\u00e9cies e dispersam frutos para muito longe da planta m\u00e3e.<\/p>\n<p>Em 1990, j\u00e1 com o projeto formalizado e m\u00e9todos estabelecidos, ela saiu pelo Pantanal a partir da regi\u00e3o do munic\u00edpio de Miranda (MS) replicando sua forma de trabalho. Descobriu que precisava aprender a escalar. Descolou uma ajuda com a WWF Internacional, que enviou um bi\u00f3logo americano com experi\u00eancia em escalar \u00e1rvores na Amaz\u00f4nia. Ela rapidamente aprendeu a subir os manduvis e outras \u00e1rvores onde as araras costumam construir casa. \u201cEle ensinou uma vez e eu tinha tanta vontade de aprender que na segunda eu j\u00e1 falei, pode deixar\u201d, relembra Neiva. \u201cEm 40 dias da primeira campanha do projeto j\u00e1 aprendi a escalar f\u00e1cil.\u201d<\/p>\n<p>A primeira aventura de Neiva pelo topo das \u00e1rvores, quando foram catalogados 54 ninhos, tornou-se o ponto de partida de um dos grandes exemplos de conserva\u00e7\u00e3o do Brasil e do mundo.<\/p>\n<p>Araras-azuis foram capturadas aos milhares na d\u00e9cada de 1980 para serem vendidas como aves de estima\u00e7\u00e3o. Ao fim da d\u00e9cada, estimava-se uma popula\u00e7\u00e3o de apenas 1,5 mil indiv\u00edduos. Hoje, em 2019, cerca de 6,5 mil indiv\u00edduos vivem principalmente no Pantanal, mas tamb\u00e9m em \u00e1reas onde antes h\u00e1 muitos anos n\u00e3o eram registradas, como no Cerrado.<\/p>\n<p>Para a comunidade cient\u00edfica, um dos grandes avan\u00e7os, al\u00e9m do envolvimento com a comunidade na conserva\u00e7\u00e3o da arara, foi descobrir que um dos principais problemas na reprodu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie era a falta de cavidades naturais. Apesar da aparente harmonia do Pantanal e de um cen\u00e1rio paradis\u00edaco, havia uma disputa entre aves pelos buracos nos troncos.<\/p>\n<p>\u201cFui estudando, entendendo, desenvolvendo a metodologia e tamb\u00e9m criando na pr\u00f3pria natureza com a recupera\u00e7\u00e3o de ninhos naturais e a instala\u00e7\u00e3o de ninhos artificiais. A resposta foi generosa\u201d, diz Neiva. \u201cAgora, muitos propriet\u00e1rios de terras no Pantanal pedem para ter ninhos em suas \u00e1reas, ou tamb\u00e9m plantam \u00e1rvores para ter araras rasgando o c\u00e9u pertinho do quintal.\u201d<\/p>\n<p>Vendo as meninas da equipe do Instituto Arara-azul em campo, logo me vem a imagem da descri\u00e7\u00e3o de Neiva sobre o perfil ideal das jovens pesquisadoras. Todas fazem tudo, todos os dias. Pilotam o ve\u00edculo em regi\u00f5es sem estradas, escalam com habilidade as \u00e1rvores, carregam a comida feita \u00e0 noite para seguir monitorando os ninhos e ainda seguem todo o protocolo de pesquisa. Essa interdisciplinaridade \u00e9 uma caracter\u00edstica muito importante para o projeto.<\/p>\n<p>Nasce mais um dia no Pantanal e sa\u00edmos cedinho para, mais uma vez, acompanh\u00e1-las em a\u00e7\u00e3o, ou melhor, na escalada. Visitamos um ninho artificial, com um filhote de 46 dias. A conex\u00e3o delas com as aves \u00e9 imediata: as pesquisadoras conversam com o pequeno filhote com muito carinho. Logo se aproximam com cuidado de n\u00f3s para dizer: \u201celes t\u00eam cheirinho de coco\u201d. Comprovamos in loco o cheiro caracter\u00edstico das pequenas araras. Ap\u00f3s ser pesado e monitorado, o filhote \u00e9 devolvido ao ninho.<\/p>\n<p>A \u00e1rvore onde est\u00e1 instalado o ninho artificial, assim como muitas que vimos pela Caiman, tem uma prote\u00e7\u00e3o met\u00e1lica. Trata-se de uma esp\u00e9cie de manejo criado pelo instituto para impedir a subida de mam\u00edferos predadores. Semanas depois, saber\u00edamos que essa prote\u00e7\u00e3o acabou por conservar os troncos do inc\u00eandio que assolou\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ambiente\/2019\/09\/incendios-se-agravam-no-pantanal-e-ms-decreta-situacao-de-emergencia.shtml\">regi\u00f5es do Pantanal em setembro<\/a>.<\/p>\n<p>Foi a nossa \u00faltima a\u00e7\u00e3o acompanhando a equipe pelo Ref\u00fagio Ecol\u00f3gico Caiman em campo. A parada seguinte j\u00e1 foi na zona urbana.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\"><a class=\"ngart-img__cntr\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_470\/public\/05-20190820jr1361.jpg\" media=\"(max-width: 470px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Do alto de um jatob\u00e1 de 10 m de altura, a bi\u00f3loga Neiva Guedes interage com ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_885\/public\/05-20190820jr1361.jpg\" alt=\"Do alto de um jatob\u00e1 de 10 m de altura, a bi\u00f3loga Neiva Guedes interage com ...\" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/picture><\/a><\/p>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">Do alto de um jatob\u00e1 de 10 m de altura, a bi\u00f3loga Neiva Guedes interage com um casal de araras-azuis que a observa em frente \u00e0 caixa onde est\u00e1 o filhote. O uso de t\u00e9cnicas verticais \u00e9 essencial para a coleta de dados da equipe do Instituto Arara-azul.<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">JO\u00c3O MARCOS ROSA<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\"><a class=\"ngart-img__cntr\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_470\/public\/20190820jr1928.jpg\" media=\"(max-width: 470px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"neiva guedes arara-azul\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_885\/public\/20190820jr1928.jpg\" alt=\"neiva guedes arara-azul\" width=\"639\" height=\"427\" \/><\/picture><\/a><\/p>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">A bi\u00f3loga Neiva Guedes acessa uma caixa-ninho a cerca de 10 metros de altura para coletar amostras de um filhote de arara-azul. Trabalhando com a esp\u00e9cie h\u00e1 mais de 30 anos, ela luta para reverter um quadro de amea\u00e7a constante, com impactos que v\u00e3o desde o desmatamento at\u00e9 o tr\u00e1fico de animais. Na Fazenda Caiman, munic\u00edpio de Miranda (MS).<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">JO\u00c3O MARCOS ROSA<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<h2><strong>Colorindo a cidade<\/strong><\/h2>\n<p>O impacto do trabalho com as araras nas comunidades e nas cidades \u00e9 uma conex\u00e3o fundamental para Neiva. Nem bem regressamos a Campo Grande, sa\u00edmos para acompanhar a visita aos ninhos de araras-canind\u00e9s monitoradas pelo projeto Aves Urbanas, outro trabalho sob a coordena\u00e7\u00e3o da pesquisadora.<\/p>\n<p>Nos primeiros minutos da abordagem da equipe, ao ver a movimenta\u00e7\u00e3o, alguns curiosos param com celular em m\u00e3os para registrar o monitoramento e as aves nos seus ninhos. E, mais uma vez sol\u00edcita, Neiva responde todas as perguntas dos passantes. O cuidado \u00e9 genu\u00edno. \u201cQuem n\u00e3o gosta de ver arara todo dia?\u201d, pergunta ela, sorrindo.<\/p>\n<p>As aves come\u00e7aram a chegar em Campo Grande no ano 2000. Com 900 mil habitantes, a capital do Mato Grosso do Sul tem muitas \u00e1reas verdes e boa disponibilidade de alimento \u2013 buritis e outros resqu\u00edcios de Cerrado. Depois de fugir de um severo per\u00edodo de estiagem e queimadas nas proximidades em 1999, as aves chegaram, come\u00e7aram a se reproduzir e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographicbrasil.com\/animais\/2019\/09\/araras-caninde-mato-grosso-do-sul-campo-grande-macaw-arara-vermelha\">nunca mais foram embora<\/a>. Hoje, o projeto de Neiva acompanha as rela\u00e7\u00f5es com os humanos e os impactos da cidade, como polui\u00e7\u00e3o, ru\u00eddo e tr\u00e2nsito.<\/p>\n<p>Os moradores, felizmente, j\u00e1 est\u00e3o totalmente adaptados \u00e0 presen\u00e7a das aves. Muitos se aproximam dos pesquisadores para passar informa\u00e7\u00f5es do que viram. Tudo \u00e9 registrado por uma equipe de dois jovens bi\u00f3logos que acompanham Neiva na cidade.<\/p>\n<p>No \u00faltimo ninho que visitamos, a cavidade estava em uma palmeira dentro do estacionamento de uma loja. Assim que as pesquisadoras come\u00e7aram a escalada para fazer o monitoramento, funcion\u00e1rios da loja se aproximaram para mostrar fotos das araras feitas com celular. No final, uma surpresa; uma das aves era conhecida e j\u00e1 sido marcada pela equipe. Emo\u00e7\u00e3o geral.<\/p>\n<p>Essa intera\u00e7\u00e3o s\u00f3 confirma o papel educativo e a import\u00e2ncia de trabalhar com a popula\u00e7\u00e3o desde o in\u00edcio. \u201cGeralmente, a maioria das pessoas gosta das aves, n\u00e3o se importa com a sujeira ou o barulho, pois as aves s\u00e3o carism\u00e1ticas e coloridas\u201d, avalia Neiva. \u201cE se o ambiente \u00e9 bom para as araras, \u00e9 um ambiente bom para n\u00f3s tamb\u00e9m, para toda a fauna, para todos os seres.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\"><a class=\"ngart-img__cntr\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_470\/public\/07-20190821jr1006.jpg\" media=\"(max-width: 470px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"arara-canind\u00e9\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_885\/public\/07-20190821jr1006.jpg\" alt=\"arara-canind\u00e9\" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/picture><\/a><\/p>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">Arara-canind\u00e9 chega ao seu ninho constru\u00eddo no tronco de uma palmeira imperial. Uma forte estiagem em 1999, desmatamentos e queimadas na zona rural de Campo Grande e munic\u00edpios do entorno levou v\u00e1rios indiv\u00edduos da esp\u00e9cie a se estabeleceram na zona urbana. No \u00faltimo censo, quase 200 ninhos ativos de araras-canind\u00e9 foram contabilizados.<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">JO\u00c3O MARCOS ROSA<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\"><a class=\"ngart-img__cntr\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_470\/public\/06-20190821jr0494.jpg\" media=\"(max-width: 470px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"neiva-guedes-arara-azul\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_885\/public\/06-20190821jr0494.jpg\" alt=\"neiva-guedes-arara-azul\" width=\"639\" height=\"427\" \/><\/picture><\/a><\/p>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">Em uma avenida movimentada de Campo Grande (MS), a pesquisadora Neiva Guedes orienta seus pesquisadores na coleta de dados sobre as araras-canind\u00e9. A esp\u00e9cie tem nidificado em palmeiras da cidade h\u00e1 cerca de duas d\u00e9cadas com a ajuda do Projeto Aves Urbanas, uma iniciativa do Instituto Arara-azul.<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">JO\u00c3O MARCOS ROSA<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<h2><strong>Novos desafios<\/strong><\/h2>\n<p>Na vida de uma pesquisadora e conservacionista no Brasil, os desafios s\u00e3o constantes, \u00e0s vezes imponder\u00e1veis, desprovidos de uma solu\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica. O \u00faltimo \u00e9 entender e interligar os fatores que fizeram de 2018 o pior ano em duas d\u00e9cadas de trabalho com as araras.<\/p>\n<p>Inseridas em um ambiente cheio de interrela\u00e7\u00f5es \u2013 com o ambiente e com outras esp\u00e9cies \u2013, as araras sofrem com as constantes altera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Chuvas fortes em um curto espa\u00e7o de tempo resultam em ovos quebrados. Mudan\u00e7as no padr\u00e3o de frutifica\u00e7\u00e3o da flora pantaneira alteram toda uma cadeia alimentar. Como consequ\u00eancia, aumenta-se a preda\u00e7\u00e3o e invas\u00e3o de ninhos por conta da necessidade de novas fontes de alimento.<\/p>\n<p>Outro fator \u00e9 o herpes v\u00edrus. Desde 2015, a bi\u00f3loga estuda a origem do herpes v\u00edrus, uma doen\u00e7a que acomete popula\u00e7\u00f5es de araras em fase n\u00e3o reprodutiva. Nos \u00faltimos quatros anos, 200 araras morreram v\u00edtimas do pat\u00f3geno.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s poucas semanas da nossa sa\u00edda do Ref\u00fagio Ecol\u00f3gico Caiman, um dos mais relevantes polos de pesquisa do projeto e a base de pesquisa do Instituto Arara-azul, um inc\u00eandio de grandes propor\u00e7\u00f5es\u00a0<a href=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/noticias\/incendios-no-pantanal-atinge-61-do-refugio-ecologico-caiman-santuario-das-araras-azuis\/\">consumiu as bordas do Pantanal e avan\u00e7ou com tudo na regi\u00e3o de Miranda<\/a>\u00a0(MS).<\/p>\n<p>De longe, acompanhamos a ang\u00fastia dos que trabalham na regi\u00e3o pantaneira, inclusive outros projetos de conserva\u00e7\u00e3o, sem saber o que fazer diante das fortes l\u00ednguas de fogo, ativadas a todo momento pelos fortes ventos de agosto. Resultado: dos 98 ninhos cadastrados no Ref\u00fagio Caiman, 33 foram afetados de maneira indireta pelo fogo, segundo avalia\u00e7\u00f5es iniciais feitas por Neiva.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"pull-quote pull-quote--small\">\n<h3>\u201cPorque acredito que \u00e9 poss\u00edvel, porque acredito que ainda tenho um papel, uma responsabilidade a cumprir. E quanto mais temos dificuldades, mais \u00e9 hora de mostrar trabalho.\u201d<\/h3>\n<div class=\"pull-quote__author\">POR\u00a0<span class=\"pull-quote__name\">NEIVA GUEDES<\/span><\/div>\n<div class=\"pull-quote__source\">SOBRE SUA MOTIVA\u00c7\u00c3O EM DEFENDER AS ARARAS<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>Al\u00e9m dessa trag\u00e9dia, uma sombra que parecia extinta retorna para amea\u00e7ar as araras. Desde 2017 est\u00e3o sendo registrados\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographicbrasil.com\/animais\/2019\/06\/ovos-arara-azul-aves-contrabando-trafico-de-animais-silvestres\">ind\u00edcios da volta do tr\u00e1fico de animais<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o est\u00e1 nada azul para a arara-azul\u201d, Neiva suspirava ao telefone enquanto reunia alguns dados para atualizar a reportagem.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 reconfortante resgatar as conversas que tivemos em campo durante os tr\u00eas dias que passamos pelo Pantanal na melhor \u00e9poca do ano, com animais se reproduzindo e muitas araras namorando a nossa volta.<\/p>\n<p>Diante de enormes desafios, tanta press\u00e3o antr\u00f3pica, e que por muitas vezes fogem da capacidade de atua\u00e7\u00e3o do Instituto Arara-azul, por que continuar lutando pela conserva\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>\u201cPorque acredito que \u00e9 poss\u00edvel, porque acredito que ainda tenho um papel, uma responsabilidade a cumprir. E quanto mais temos dificuldades, mais \u00e9 hora de mostrar trabalho.\u201d<\/p>\n<p>A resili\u00eancia \u00e9 uma caracter\u00edstica importante dos conservacionistas. E a miss\u00e3o de Neiva \u00e9 semelhante \u00e0 das araras: criar abrigo para outras esp\u00e9cies, contribuir com a dispers\u00e3o das sementes para a manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade e ensinar conserva\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da beleza da natureza.<\/p>\n<p><em>Esta reportagem foi parcialmente financiada pela Funda\u00e7\u00e3o Toyota do Brasil. Paulina Chamorro \u00e9 jornalista\u00a0e Jo\u00e3o Marcos Rosa, fot\u00f3grafo, ambos\u00a0colaboradores\u00a0da National Geographic Brasil. Conhe\u00e7a o trabalhos deles no Instagram:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/pauli_chamorro\">@Pauli_Chamorro<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/joaomarcosrosa\/\">@JoaoMarcosRosa<\/a>.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A bi\u00f3loga Neiva Guedes avalia um filhote de arara-azul ap\u00f3s coletar seus dados e amostras.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A bi\u00f3loga Neiva Guedes avalia um filhote de arara-azul ap\u00f3s coletar seus dados e amostras.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/123187"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=123187"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/123187\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=123187"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=123187"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=123187"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}