{"id":122945,"date":"2020-03-04T14:30:44","date_gmt":"2020-03-04T17:30:44","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=122945"},"modified":"2020-03-04T08:37:00","modified_gmt":"2020-03-04T11:37:00","slug":"de-bem-com-a-comida-como-manter-a-alimentacao-do-seu-filho-saudavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/de-bem-com-a-comida-como-manter-a-alimentacao-do-seu-filho-saudavel\/","title":{"rendered":"De bem com a comida: como manter a alimenta\u00e7\u00e3o do seu filho saud\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-122946\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/crianca-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/crianca-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/crianca-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>\u201cN\u00e3o coma nada que a sua bisav\u00f3 n\u00e3o reconheceria como comida.\u201d A famosa dica do escritor norte-americano, ativista e guru da gastronomia Michael Pollan talvez n\u00e3o fa\u00e7a mais tanto sentido. Afinal, do tempo de nossos bisav\u00f3s para c\u00e1, muita coisa mudou. A come\u00e7ar pela disponibilidade de comida, como mostra o \u00faltimo livro da jornalista brit\u00e2nica Bee Wilson,\u00a0<em>The Way We Eat Now\u00a0<\/em>(\u201cA maneira que comemos agora\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre).<\/p>\n<p>Para ela, atualmente, vivemos o melhor e o pior dos mundos quando o assunto \u00e9 comida. \u201cVeja o Brasil, por exemplo. H\u00e1 apenas uma gera\u00e7\u00e3o, a maior preocupa\u00e7\u00e3o era a fome. Ent\u00e3o, \u00e9 maravilhoso ver que esse problema diminuiu, e n\u00e3o s\u00f3 por a\u00ed como no mundo inteiro. Al\u00e9m disso, h\u00e1 outras hist\u00f3rias com finais felizes. As pessoas t\u00eam a cabe\u00e7a mais aberta para provar novos sabores. Gra\u00e7as \u00e0 internet e \u00e0s m\u00eddias sociais, podemos\u00a0 compartilhar receitas com pessoas a milhares de quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. O outro lado da moeda \u00e9 que, pela primeira vez na hist\u00f3ria da humanidade,\u00a0<a href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Bebes\/Alimentacao\/noticia\/2019\/07\/dieta-plant-based-criancas-e-gestantes-podem-seguir.html\">dietas<\/a> pobres (ou seja, ricas em calorias, mas pouco nutritivas) est\u00e3o causando mais doen\u00e7as \u2013 que podem ser prevenidas \u2013 no mundo do que outros males, incluindo \u00e1lcool e tabaco\u201d, resumiu a autora, em entrevista exclusiva \u00e0 CRESCER.<\/p>\n<p>E como essas mudan\u00e7as est\u00e3o afetando a\u00a0<a href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Criancas\/Alimentacao\/noticia\/2016\/09\/nutricao-infantil-muitas-familias-ainda-nao-conseguem-colocar-bons-habitos-em-pratica.html\">nutri\u00e7\u00e3o<\/a> e, por consequ\u00eancia, a sa\u00fade das\u00a0\u00a0 crian\u00e7as brasileiras? \u00c9 o que pretende responder o Estudo Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o e Nutri\u00e7\u00e3o Infantil (Enani), do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, em breve \u2013 os primeiros resultados devem ser divulgados em mar\u00e7o deste ano. O inqu\u00e9rito, in\u00e9dito no pa\u00eds, coletou informa\u00e7\u00f5es detalhadas de 15 mil domic\u00edlios de todas as regi\u00f5es do Brasil sobre os\u00a0<a href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Criancas\/Alimentacao\/noticia\/2016\/10\/pesquisa-revela-maus-habitos-alimentares-na-infancia.html\">h\u00e1bitos alimentares<\/a>, o peso e a altura de crian\u00e7as de at\u00e9 5 anos, al\u00e9m de exames de sangue dos participantes com mais de 6 meses. \u201cOs dados sobre estado nutricional antropom\u00e9trico [medidas das dimens\u00f5es corp\u00f3reas] poder\u00e3o ajudar a responder, por exemplo, se a desnutri\u00e7\u00e3o est\u00e1 de fato diminuindo como um problema epidemiol\u00f3gico. Por outro lado, o estudo dever\u00e1 corroborar a defini\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade em indicar a preven\u00e7\u00e3o da\u00a0<a href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Criancas\/Saude\/noticia\/2015\/12\/obesidade-infantil-como-ela-afeta-saude-do-seu-filho.html\">obesidade<\/a> como prioridade em sua agenda\u201d, afirma o coordenador do Enani, Gilberto Kac, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), uma das 22 institui\u00e7\u00f5es que participaram do trabalho.<\/p>\n<p>Como o peso e a altura, no entanto, n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos sinais de que a crian\u00e7a est\u00e1 se desenvolvendo bem, o pesquisador acredita que uma das grandes contribui\u00e7\u00f5es da pesquisa ser\u00e1 o mapeamento sangu\u00edneo. \u201cO Minist\u00e9rio da Sa\u00fade ter\u00e1, ent\u00e3o, dados suficientes para redesenhar programas de controle de antigas ou novas defici\u00eancias, como a car\u00eancia de ferro ou de vitamina D\u201d, acredita Kac. Por fim, o Enani tamb\u00e9m avaliou o peso e a altura das m\u00e3es e inclui quest\u00f5es sobre\u00a0<a href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Familia\/Maes-e-Trabalho\/noticia\/2015\/10\/licenca-maternidade-como-funciona-no-brasil-e-em-outros-paises.html\">licen\u00e7a-maternidade<\/a>\u00a0e o hist\u00f3rico reprodutivo. \u201cAs informa\u00e7\u00f5es sobre as m\u00e3es s\u00e3o importantes para auxiliar na compreens\u00e3o do estado nutricional infantil, visto que elas s\u00e3o as principais respons\u00e1veis pelo cuidado dos filhos. Esperamos entender ainda alguns dos determinantes da\u00a0<a href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Bebes\/Alimentacao\/noticia\/2016\/06\/10-dicas-para-introducao-alimentar.html\">introdu\u00e7\u00e3o<\/a> precoce de alimentos de baixa qualidade, como os ultraprocessados. Tudo isso \u00e9 importante para a sa\u00fade da fam\u00edlia e, sobretudo, da crian\u00e7a\u201d, conta Kac.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o tem raz\u00e3o de ser. Diversos estudos recentes mostram o perigo do consumo excessivo de tais alimentos, conforme alertou um editorial publicado no ano passado pelo British Medical Journal, uma das mais conceituadas revistas cient\u00edficas do mundo. Um deles, feito pela Universidade Paris 13 (Fran\u00e7a), em parceria com outras institui\u00e7\u00f5es francesas, mostrou a associa\u00e7\u00e3o entre a ingest\u00e3o desse tipo de alimento e o risco de doen\u00e7as cardio e cerebrovasculares. Outro, do Instituto Nacional de Diabetes e Doen\u00e7as Digestivas e Renais (Estados Unidos), revelou o efeito direto que dietas baseadas em alimentos ultraprocessados geram sobre o peso. Embora tenham sido realizadas com adultos, resultados semelhantes possivelmente seriam encontrados em crian\u00e7as. Ou at\u00e9 piores. Uma pesquisa feita com crian\u00e7as com sobrepeso, de 9 a 11 anos, pela Universidade Federal de S\u00e3o Paulo, concluiu que eles podem causar v\u00edcio (isso mesmo). Comportamentos t\u00edpicos de dependentes, como crises de abstin\u00eancia e abandono de atividades corriqueiras foram observados em 24% das crian\u00e7as que participaram da pesquisa. Motivos n\u00e3o faltam para que os pais se preocupem em garantir uma alimenta\u00e7\u00e3o mais natural aos pequenos<\/p>\n<p><strong>DE TUDO UM POUCO<\/strong><br \/>\nA princ\u00edpio, \u00e9 necess\u00e1rio aprender mais sobre o n\u00edvel de processamento dos alimentos, ou seja, o que distingue os in natura dos processados. Desenvolvida pelo N\u00facleo de Pesquisas Epidemiol\u00f3gicas em Nutri\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade (Nupens), da Universidade de S\u00e3o Paulo, a classifica\u00e7\u00e3o NOVA foi adotada pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade no Guia Alimentar para a Popula\u00e7\u00e3o Brasileira (de 2016) e no Guia Alimentar para Crian\u00e7as Brasileiras Menores de 2 anos (de 2019) e tamb\u00e9m por pesquisadores e ativistas mundo afora. At\u00e9 ent\u00e3o, as classifica\u00e7\u00f5es separavam os alimentos por semelhan\u00e7a de nutrientes \u2013 quem n\u00e3o se lembra da antiga pir\u00e2mide alimentar? Assim, a carne fresca e a salsicha, por exemplo, fontes de prote\u00edna, ficavam no mesmo grupo. A NOVA, por sua vez, divide os alimentos em quatro grupos, que v\u00e3o do in natura aos ultraprocessados. A dica \u00e9 priorizar os tr\u00eas primeiros, que s\u00e3o, de fato, \u201ccomida de verdade\u201d. J\u00e1 os do quarto grupo devem ser consumidos com muita modera\u00e7\u00e3o. \u201cClaro que n\u00e3o temos como viver apenas de frutas tiradas do p\u00e9 ou do leite ordenhado diretamente da vaca. No entanto, por serem ricos em gorduras, a\u00e7\u00facares e s\u00f3dio, e de baixo valor nutricional, os produtos ultraprocessados alteram a microbiota intestinal (bact\u00e9rias que vivem nesse \u00f3rg\u00e3o) e, assim, afetam a produ\u00e7\u00e3o hormonal. Isso sem falar que seus aditivos, como os corantes e os real\u00e7adores de sabor, estimulam o c\u00e9rebro em excesso e interferem no paladar\u201d, explica a nutricionista Maria Laura da Costa Louzada, pesquisadora do Nupens. A chave para uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel n\u00e3o est\u00e1, portanto, em simplesmente banir os alimentos que a sua bisav\u00f3 n\u00e3o reconheceria \u2013 at\u00e9 porque um pacote de biscoitos de polvilho pode salvar o lanche em um dia corrido. E sim, de acordo com a especialista, em harmonizar os alimentos (especialmente os dos tr\u00eas primeiros grupos) a fim de garantir um card\u00e1pio diversificado ao seu filho.<\/p>\n<p>A classifica\u00e7\u00e3o NOVA, do N\u00facleo de Pesquisas Epidemiol\u00f3gicas em Nutri\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade (Nupens), da Universidade de S\u00e3o Paulo, divide os alimentos em quatro grupos alimentares, de acordo com seu processamento.<\/p>\n<p>O que nem sempre \u00e9 f\u00e1cil no dia a dia, vamos combinar. Prova disso s\u00e3o os crescentes \u00edndices de obesidade infantil. No Brasil, tr\u00eas em cada dez crian\u00e7as atendidas pelo SUS est\u00e3o acima do peso, de acordo com dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Para facilitar o trabalho \u2013 que infelizmente ainda \u00e9 das m\u00e3es, na maioria dos lares \u2013, a pediatra e nutr\u00f3loga Melissa Morais, da Casa Curumim (SP), apresenta algumas alternativas. Como a falta de tempo \u00e9 um dos principais obst\u00e1culos para um card\u00e1pio mais natural, ela recomenda que as refei\u00e7\u00f5es da semana sejam planejadas com anteced\u00eancia, antes mesmo de fazer as compras. \u201cNa volta do supermercado ou da feira, enquanto ainda estiver com pique, vale deixar frutas e verduras higienizadas na geladeira, prontas para o consumo\u201d, diz a especialista. Esse planejamento tamb\u00e9m deve incluir, segundo Melissa, um tempo para cozinhar e congelar o que for poss\u00edvel (carnes, molhos, feij\u00e3o, entre outros). Tudo isso faz parte da rotina da odontopediatra Fernanda Aleto Kavaliou, 41, m\u00e3e de Catarina, 2. E desde antes de a menina nascer. \u201cPara mim, sempre foi uma quest\u00e3o priorit\u00e1ria. Eu costumava fazer marmita para o meu marido levar ao trabalho para evitar que ele almo\u00e7asse em restaurante todos os dias. Depois, quando minha filha nasceu, tive aux\u00edlio da minha m\u00e3e para preparar as papinhas dela. Agora que vivemos nos Estados Unidos, onde os h\u00e1bitos alimentares s\u00e3o piores que no Brasil, \u00e9 mais dif\u00edcil. No entanto, como n\u00e3o estou trabalhando fora, ainda posso cozinhar com frequ\u00eancia\u201d, conta. Fernanda ressalta que, al\u00e9m da organiza\u00e7\u00e3o, a\u00a0<a href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Maes-de-Hoje\/noticia\/2016\/05\/divisao-de-tarefas-maes-ainda-sao-principais-responsaveis-pelos-cuidados-com-os-filhos.html\">divis\u00e3o de tarefas<\/a> tamb\u00e9m faz diferen\u00e7a. \u201cAtualmente, quem cozinha o almo\u00e7o em casa \u00e9 o meu marido. N\u00e3o pode sobrar tudo para a mulher\u201d, conclui.<\/p>\n<p><strong>SEM CULPA&#8230;<\/strong><br \/>\nMas, de acordo com a advogada norte-americana Bettina Elias Siegel, autora do rec\u00e9m-lan\u00e7ado Kid Food: The Challenge of Feeding Children in a Highly Processed World (\u201cComida de crian\u00e7a: o desafio de alimentar crian\u00e7as em um mundo altamente processado\u201d, em\u00a0 tradu\u00e7\u00e3o livre), o problema da obesidade infantil muitas vezes ultrapassa os limites da cozinha da fam\u00edlia. \u201cSe essa doen\u00e7a fosse causada pela neglig\u00eancia dos pais, isso significaria uma falha coletiva de responsabilidade de milh\u00f5es deles, no mundo inteiro, ao mesmo tempo\u201d, afirma a escritora.<\/p>\n<p>Algumas fam\u00edlias oferecem alimentos ultraprocessados \u00e0s crian\u00e7as por preferir o caminho mais f\u00e1cil e, claro, porque esse tipo de comida \u00e9 mais barato e simples de preparar.<\/p>\n<p>N\u00e3o faz o menor sentido. O que est\u00e1 por tr\u00e1s do fen\u00f4meno (que come\u00e7ou nos anos 70, de acordo com a pesquisa de Bettina) \u00e9 a abund\u00e2ncia de comidas ultraprocessadas, altamente palat\u00e1veis, baratas e t\u00e3o dispon\u00edveis hoje em dia. Para a m\u00e3e \u2013 de um casal de filhos, hoje jovens adultos \u2013 e ativista, os pais n\u00e3o conseguem mudar o sistema sozinhos. Ao lado de outras fam\u00edlias, por\u00e9m, t\u00eam mais chances de pressionar tanto os legisladores quanto a ind\u00fastria aliment\u00edcia. \u201cPodem, por exemplo, lutar pela proibi\u00e7\u00e3o da publicidade infantil de alimentos ou por r\u00f3tulos mais f\u00e1ceis de entender, como aconteceu no Chile recentemente\u201d, diz. E Bettina sabe do que fala: em 2015, seu blog ganhou relev\u00e2ncia ao criar uma peti\u00e7\u00e3o online que fez com que a gigante McDonalds desistisse de transmitir um v\u00eddeo educativo sobre nutri\u00e7\u00e3o em escolas dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Por aqui, ali\u00e1s,\u00a0<a href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Criancas\/Alimentacao\/noticia\/2018\/05\/rotulos-de-alimentos-devem-mudar-ainda-em-2018.html\">uma nova proposta de rotulagem est\u00e1 em discuss\u00e3o desde 2014<\/a>. Nesse modelo, entre outras altera\u00e7\u00f5es, os produtos com alto teor de s\u00f3dio, gordura e a\u00e7\u00facar v\u00e3o apresentar um alerta na parte da frente da embalagem (com um \u00edcone em forma de lupa). No segundo semestre do ano passado, a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) realizou uma consulta p\u00fablica sobre o tema ao longo de 45 dias. Agora, a mudan\u00e7a depende da aprova\u00e7\u00e3o da Diretoria Colegiada e, certamente, vai impactar os h\u00e1bitos dos consumidores brasileiros. Em pesquisa recente feita pelo Datafolha, a pedido da ONG ACT Promo\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade, 78% deles responderam que \u201ccom certeza\u201d ou \u201cprovavelmente\u201d\u00a0 reduziriam a ingest\u00e3o de refrigerantes e sucos de caixinha se houvesse alertas de excesso de a\u00e7\u00facar nos r\u00f3tulos.<\/p>\n<p>Enquanto as melhorias n\u00e3o saem do papel, a sa\u00edda \u00e9 fazer uma leitura cr\u00edtica dos r\u00f3tulos. \u201cOs ingredientes s\u00e3o classificados a partir do que est\u00e1 em maior para o que est\u00e1 em menor quantidade\u201d, orienta a nutricionista Raquel Ricci, do Centro de Dificuldades Alimentares do Instituto Pensi, do Sabar\u00e1 Hospital Infantil (SP). Isso significa que, se a gordura for a primeira da lista, por exemplo, talvez o produto que voc\u00ea queira comprar seja menos saud\u00e1vel do que pensa. E, de modo geral, quanto maior a lista de ingredientes, mais processado o alimento.<br \/>\nA especialista chama a aten\u00e7\u00e3o, ainda, para os diferentes nomes que alguns deles recebem: o a\u00e7\u00facar, s\u00f3 para citar um, tamb\u00e9m se chama sacarose, frutose, lactose, glicose, maltodextrina, dextrose e por a\u00ed vai.<\/p>\n<p>A administradora Gabriela Fugulin, 31, m\u00e3e de Benjamim, 3, \u00e9 daquelas que passa horas lendo r\u00f3tulos no supermercado. \u201cO costume se tornou mais frequente quando deram a ele [que tinha 1 ano] uma bisnaguinha processada sem o meu consentimento.\u201d Na mesma \u00e9poca, Gabriela, que sempre gostou de cozinhar, come\u00e7ou a fazer p\u00e3es para o filho em casa. \u201cAs massas eram adaptadas para beb\u00eas, ou seja, sem a\u00e7\u00facar e leite. Fizeram tanto sucesso entre as minhas amigas m\u00e3es que criei o meu pr\u00f3prio neg\u00f3cio\u201d, diz a propriet\u00e1ria da Padaria dos Beb\u00eas, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>\u2026E SEM NEURA!<\/strong><br \/>\nT\u00e3o importante, por\u00e9m, quanto o que o seu filho come \u00e9 a maneira como ele o faz. Estamos falando de outro h\u00e1bito fundamental para uma boa rela\u00e7\u00e3o com a comida: as refei\u00e7\u00f5es em fam\u00edlia. Uma revis\u00e3o de estudos feita pelo Instituto Pensi refor\u00e7ou que a pr\u00e1tica, quando acontece pelo menos uma vez ao dia, est\u00e1 associada \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do \u00cdndice de Massa Corporal (IMC) dentro do esperado e a bons h\u00e1bitos alimentares em crian\u00e7as. Paralelamente, o ambiente deve ser livre de distra\u00e7\u00f5es, ou seja, nada de\u00a0<a href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Criancas\/Comportamento\/noticia\/2018\/08\/pais-estao-permitindo-menos-o-uso-de-telas-na-hora-de-comer-ou-dormir.html\">TV, celulares e tablets<\/a>. \u201cTudo bem a crian\u00e7a brincar com o celular no restaurante, onde ela n\u00e3o pode correr, para que os adultos comam tranquilamente. Mas trazer telas para a mesa todos os dias faz mal. N\u00e3o s\u00f3 porque prejudica a interpreta\u00e7\u00e3o dos sinais de saciedade, como porque, quanto mais uma pessoa se conecta a elas, mais se desconecta do mundo \u00e0 sua volta. E como a crian\u00e7a vai aprender a se alimentar direito, a n\u00e3o ser observando o exemplo dos pais?\u201d, questiona a psic\u00f3loga Nanda Perim, do @psimama.<\/p>\n<p>Um estudo publicado pela Universidade de Newcastle (Reino Unido) mostrou que sinais que indicam maior risco de transtornos alimentares (como anorexia, bulimia e compuls\u00e3o alimentar, a exemplo de insatisfa\u00e7\u00e3o corporal e restri\u00e7\u00f5es alimentares), podem surgir j\u00e1 aos 9 anos \u2013 e se intensificar aos 12.<\/p>\n<p>Agora, se voc\u00ea pensa que um\u00a0<a href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Criancas\/Alimentacao\/noticia\/2017\/08\/cardapio-semanal-para-criancas.html\">card\u00e1pio<\/a> com v\u00e1rias restri\u00e7\u00f5es, sem gl\u00faten ou lactose, \u00e9 sin\u00f4nimo de sa\u00fade saiba que os especialistas consultados por CRESCER s\u00e3o contra as dietas \u201cda moda\u201d \u2013 a n\u00e3o ser quando a crian\u00e7a, de fato, tem alguma indica\u00e7\u00e3o m\u00e9dica para segui-las, como alergia ou intoler\u00e2ncia. \u201cA lactose, por exemplo, \u00e9 importante para a\u00a0 absor\u00e7\u00e3o de certos nutrientes, como o c\u00e1lcio. Sendo assim, as restri\u00e7\u00f5es devem ser feitas sob orienta\u00e7\u00e3o profissional, uma vez que impactam tanto o desenvolvimento quanto a forma\u00e7\u00e3o do paladar\u201d, ressalta a pediatra nutr\u00f3loga Melissa, da Casa Curumim. A dona de casa Daniele Alves, 24, m\u00e3e de Elisa, 3, que tem m\u00faltiplas alergias alimentares, concorda. \u201cAcredito que os pais t\u00eam o direito de escolher, desde que com responsabilidade. Ou seja, com a supervis\u00e3o de um profissional para fazer as substitui\u00e7\u00f5es corretamente. Minha filha se alimenta por meio de uma sonda e nunca teve car\u00eancia de nutrientes\u201d, comemora. O que n\u00e3o d\u00e1, na opini\u00e3o da m\u00e3e, \u00e9 julgar as escolhas alheias como erradas ou dizer que \u00e9 frescura.<\/p>\n<p>J\u00e1 os\u00a0<a href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Bebes\/Saude\/noticia\/2015\/07\/alimentos-organicos-eles-sao-melhores-mesmo.html\">alimentos org\u00e2nicos<\/a>, tamb\u00e9m em voga entre os adeptos de uma alimenta\u00e7\u00e3o mais natural, s\u00e3o super-recomendados. \u201cAinda que sejam menores, durem menos e custem mais, valem o investimento\u201d, diz Melissa. Se n\u00e3o tiver como compr\u00e1-los, prefira frutas e verduras da esta\u00e7\u00e3o (que cont\u00eam menos agrot\u00f3xicos) e lave e deixe-as de molho em uma solu\u00e7\u00e3o de bicarbonato de s\u00f3dio (1 colher de sopa para 1 litro de \u00e1gua) por 20 a 30 minutos antes do consumo.<\/p>\n<p>Alguns modismos alimentares transcendem a mesa e viram estilo de vida, entre eles, um vem ganhando popularidade: o plant-based (\u00e0 base de plantas). Diferentemente do\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Bebes\/Alimentacao\/noticia\/2019\/07\/criancas-vegetarianas-e-veganas-devem-ingerir-tres-porcoes-de-proteina-por-dia.html\">vegetarianismo ou do veganismo<\/a>, n\u00e3o necessariamente exclui os produtos de origem animal. Mas prioriza os vegetais e pouco processados. Por essas raz\u00f5es, diversos estudos j\u00e1 apontaram seus in\u00fameros benef\u00edcios \u00e0 sa\u00fade e ao meio ambiente. Vers\u00f5es de alimentos<br \/>\nprocessados, como hamb\u00fargueres, salsichas e molhos s\u00e3o cada vez mais frequentes nas prateleiras. Isso n\u00e3o quer dizer, no entanto, que podem ser consumidos livremente. \u201cLembre-se que, seja \u00e0 base de carne ou vegetal, o alimento mais saud\u00e1vel \u00e9 aquele menos processado\u201d, diz a nutr\u00f3loga Melissa.<\/p>\n<p><strong>QUEST\u00c3O DE H\u00c1BITO<\/strong><br \/>\nNos primeiros anos de vida da crian\u00e7a, ela tende a seguir as recomenda\u00e7\u00f5es alimentares dos pais sem maiores problemas. No entanto, o conv\u00edvio social traz novas influ\u00eancias. Seja na escola, na casa do amigo ou num evento familiar, eventualmente, ela ter\u00e1 contato com outros card\u00e1pios al\u00e9m do escolhido pela fam\u00edlia. Maria Fernanda, 2 anos, adora frutas, verduras e legumes \u2013 nunca sequer provou papinha industrializada. Mas j\u00e1 comeu o famoso brigadeiro em uma festa, um cupcake no Halloween e tomou um picol\u00e9 na praia. \u201cSempre de maneira pontual. A gente explica que existem alimentos que s\u00e3o de adulto. Quando insiste muito, oferecemos um peda\u00e7o pequeno se for algo que n\u00e3o v\u00e1 fazer mal, como queijo\u201d, conta o pai, o gerente comercial Rafael Brasil, 34. E est\u00e1 tudo bem.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 a sua principal queixa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o do seu filho? Essa foi a pergunta que fizemos aos leitores da CRESCER na redes sociais. Confira as respostas mais frequentes \u2013 e as devidas solu\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Para a jornalista Bee Wilson, estamos passando hoje pelo que ela chama de quarto est\u00e1gio da nossa hist\u00f3ria com a comida. Para o pr\u00f3ximo, ela espera que mudemos a opini\u00e3o de que alimentos saud\u00e1veis e alimentos gostosos s\u00e3o coisas diferentes. \u201cA ind\u00fastria aliment\u00edcia nos vendeu a ideia de que s\u00f3 podemos \u2018curtir\u2019 com\u00a0<a href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Criancas\/Alimentacao\/noticia\/2015\/01\/fast-food-pode-afetar-o-rendimento-escolar-do-seu-filho.html\">junk food<\/a>, o que est\u00e1 longe de ser verdade. Como n\u00f3s, humanos, j\u00e1 transformamos a maneira com que nos alimentamos tantas vezes no passado, eu tenho esperan\u00e7a de que possamos mudar nossos h\u00e1bitos alimentares mais uma<br \/>\nvez \u2013 afinal, precisamos\u201d, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cN\u00e3o coma nada que a sua bisav\u00f3 n\u00e3o reconheceria como comida.\u201d A famosa dica do<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":122946,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/crianca-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/crianca-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/crianca-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/crianca-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/crianca-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/crianca-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/crianca-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/crianca-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/crianca-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/crianca-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u201cN\u00e3o coma nada que a sua bisav\u00f3 n\u00e3o reconheceria como comida.\u201d A famosa dica do","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/122945"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=122945"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/122945\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/122946"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=122945"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=122945"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=122945"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}