{"id":122423,"date":"2020-02-24T08:00:21","date_gmt":"2020-02-24T11:00:21","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=122423"},"modified":"2020-02-23T21:35:33","modified_gmt":"2020-02-24T00:35:33","slug":"qual-e-a-origem-do-carnaval-ele-existe-desde-os-tempos-mais-primordios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/qual-e-a-origem-do-carnaval-ele-existe-desde-os-tempos-mais-primordios\/","title":{"rendered":"Qual \u00e9 a origem do Carnaval? Ele existe desde os tempos mais prim\u00f3rdios"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-122424\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/carnaval-2-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/carnaval-2-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/carnaval-2.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>A coisa mais parecida com o carnaval de hoje que se tem not\u00edcia as \u201csaturnais\u201d, festas hom\u00e9ricas que aconteciam na Roma antiga em exalta\u00e7\u00e3o a Saturno, deus da agricultura. A diferen\u00e7a \u00e9 que essas festas aconteciam em dezembro. A semelhan\u00e7a \u00e9 que elas duravam quase uma semana, as escolas fechavam, os escravos tiravam folga e os romanos dan\u00e7avam pelas ruas \u2013 bloquinhos, basicamente. E sim: orgias e bebedeiras descomunais faziam parte do card\u00e1pio de divers\u00f5es.<\/p>\n<p>E tinha at\u00e9 carro aleg\u00f3rico. Eles levavam homens e mulheres nus e eram chamados de\u00a0<em>carrus navalis<\/em>\u00a0(\u201ccarro naval\u201d), pois tinham formato de navio. Seria essa a origem da palavra \u201cCarnaval\u201d, ent\u00e3o?\u00a0<a href=\"https:\/\/www.etimo.it\/?term=carnevale\">Seria<\/a>, ainda que n\u00e3o haja registro de que algum dia as saturnais em si tenham recebido o nome de\u00a0<em>carrus navalis<\/em>. Talvez tenha sido.<\/p>\n<p>O ponto \u00e9 que a express\u00e3o acabaria \u201cressignificada\u201d na Idade M\u00e9dia, conforme a Igreja Cat\u00f3lica ia cristianizando tradi\u00e7\u00f5es pag\u00e3s. \u00c9 prov\u00e1vel que o\u00a0<em>carrus navalis<\/em>\u00a0tenha virado, por aproxima\u00e7\u00e3o fon\u00e9tica,\u00a0<em>carne vale<\/em>\u00a0(adeus \u00e0 carne).<\/p>\n<p>Porque \u201cadeus \u00e0 carne\u201d? Porque migraram a festa com carros aleg\u00f3ricos e doideira generalizada migrou de dezembro para os \u00faltimos dias antes de uma quarentena religiosa \u2013 aquela observada antes da P\u00e1scoa: a \u201cquaresma\u201d.<\/p>\n<p>Como diria Renan, do\u00a0<em>Choque de Cultura<\/em>, \u00e9 o Ramad\u00e3 do cristianismo, Rogerinho: um per\u00edodo de priva\u00e7\u00e3o alimentar voltado \u00e0 reflex\u00e3o espiritual. O\u00a0<em>carne vale<\/em>, que nunca fez parte do calend\u00e1rio religioso oficial, ficou marcado como o momento de exagero feito para compensar a entrada no per\u00edodo de penit\u00eancia \u2013 no qual o consumo de carne era proibido.<\/p>\n<p>A varia\u00e7\u00e3o da data do Carnaval no calend\u00e1rio se deve justamente \u00e0 liga\u00e7\u00e3o direta com a P\u00e1scoa \u2013 que, no Hemisf\u00e9rio Sul, sempre acontece no primeiro domingo ap\u00f3s a primeira lua cheia do outono.<\/p>\n<p>Determinada a data do feriado crist\u00e3o, basta retroceder 46 dias no calend\u00e1rio (40 da Quaresma mais seis da Semana Santa) para chegar \u00e0 Quarta-Feira de Cinzas. O dia anterior \u00e9 a \u201cter\u00e7a feira gorda\u201d \u2013 o Carnaval propriamente dito. No Brasil, a segunda-feira acabou emendada, ainda que at\u00e9 hoje a \u201csegunda de Carnaval\u201d n\u00e3o seja oficialmente um feriado. Nos \u00faltimos tempos, ali\u00e1s, as comemora\u00e7\u00f5es ligadas ao Carnaval passaram a come\u00e7ar na segunda semana de janeiro, e a se estender quase at\u00e9 a P\u00e1scoa.<\/p>\n<p>Por sinal: no fundo, tudo veio de festivais pr\u00e9-hist\u00f3ricos de celebra\u00e7\u00e3o de colheita. A pr\u00f3pria P\u00e1scoa, antes de celebrar a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo ou o \u00caxodo dos judeus do Egito (que teria acontecido mil anos antes de Jesus), era uma comemora\u00e7\u00e3o pelo in\u00edcio da primavera, e de sua abund\u00e2ncia agr\u00edcola, no hemisf\u00e9rio norte. E os dias de priva\u00e7\u00e3o antes da primavera eram simplesmente uma necessidade: j\u00e1 que marcavam o momento em que os estoques de alimento para o inverno (mortal e completamente inf\u00e9rtil nas altas latitudes) estavam acabando. Com a tradi\u00e7\u00e3o desses per\u00edodos de penit\u00eancia, veio junto a de festejar antes. \u00c9 isso que o Carnaval reflete.<\/p>\n<h3>Folia globalizada<\/h3>\n<p><em>A festa brasileira mistura brincadeiras e costumes de outros pa\u00edses com cria\u00e7\u00f5es nacionais<\/em><\/p>\n<p><strong>Brincadeira portuguesa, com certeza<\/strong><\/p>\n<p>Em seus prim\u00f3rdios, no s\u00e9culo 17, o Carnaval daqui n\u00e3o tinha m\u00fasica nem dan\u00e7a, brincava-se o entrudo, heran\u00e7a da coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa. \u00c9 da\u00ed que veio o costume das \u201cguerras de \u00e1gua\u201d.<\/p>\n<p><strong>Invers\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Outra tradi\u00e7\u00e3o do Carnaval \u00e9 o h\u00e1bito de homens se vestirem com trajes femininos. H\u00e1 registros disso\u00a0na folia de rua desde o in\u00edcio do s\u00e9culo 20.<\/p>\n<p>\u201cA explica\u00e7\u00e3o est\u00e1 na pr\u00f3pria psicologia da festa, um espa\u00e7o de invers\u00e3o, em que se busca ser exatamente o que n\u00e3o se \u00e9 no resto do ano\u201d, diz a fil\u00f3loga Rachel Valen\u00e7a, diretora do Centro de Pesquisas da Funda\u00e7\u00e3o Casa de Rui Barbosa, no Rio.<\/p>\n<p><strong>Abram alas para as marchinhas<\/strong><\/p>\n<p>As marchinhas carnavalescas deram o tom da festa entre as d\u00e9cadas de 1930 e 1950. Mas o ritmo surgiu ainda no final do s\u00e9culo 19. \u201c\u00d3 Abre Alas\u201d \u00e9 considerada a primeira can\u00e7\u00e3o escrita especialmente para um bloco de Carnaval.<\/p>\n<p>A \u201cm\u00fasica para dan\u00e7ar\u201d foi composta pela maestrina Chiquinha Gonzaga, em 1899, para o bloco carnavalesco Rosa de Ouro, do Andara\u00ed, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p><strong>Com o bloco na rua (do Rio)<\/strong><\/p>\n<p>Os blocos carnavalescos surgiram em meados do s\u00e9culo 19. O primeiro de que se tem not\u00edcia \u00e9 creditado ao sapateiro portugu\u00eas Jos\u00e9 Nogueira de Azevedo Prates, o Z\u00e9 Pereira. Em 1846, ele saiu pelas ruas do Rio de Janeiro tocando um bumbo. A balb\u00fardia atraiu a aten\u00e7\u00e3o de outros foli\u00f5es, que foram se juntando ao m\u00fasico solit\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Fantasias \u00e0 italiana<\/strong><\/p>\n<p>Os bailes de m\u00e1scara eram tradicionais em alguns pa\u00edses da Europa, como a It\u00e1lia, j\u00e1 no s\u00e9culo 13. No entanto, tais festas eram restritas \u00e0 nobreza. Foi a partir do s\u00e9culo 19 que m\u00e1scaras e fantasias come\u00e7aram a se tornar mais populares. Nessa \u00e9poca, os personagens de maior sucesso eram o Pierr\u00f4, o Arlequim e a Colombina (da\u00a0<em>Commedia Dell\u0092Arte Italiana<\/em>), al\u00e9m de trajes de caveiras, burros e diabos.<\/p>\n<p><strong>Eletricidade baiana<\/strong><\/p>\n<p>O trio el\u00e9trico \u00e9 uma inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica dos anos 1950, quando os m\u00fasicos baianos Dod\u00f4 e Osmar, conhecidos como \u201cdupla el\u00e9trica\u201d, equiparam um capenga Ford 1929 com dois alto-falantes e sa\u00edram tocando pelas ruas de Salvador. Foi um sucesso. No ano seguinte, o Ford foi trocado por uma picape e a dupla convidou Them\u00edstocles Arag\u00e3o para compor, agora sim, um \u201ctrio el\u00e9trico\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A coisa mais parecida com o carnaval de hoje que se tem not\u00edcia as \u201csaturnais\u201d,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":122424,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/carnaval-2.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/carnaval-2-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/carnaval-2-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/carnaval-2.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/carnaval-2.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/carnaval-2.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/carnaval-2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/carnaval-2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/carnaval-2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/carnaval-2.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A coisa mais parecida com o carnaval de hoje que se tem not\u00edcia as \u201csaturnais\u201d,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/122423"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=122423"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/122423\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/122424"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=122423"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=122423"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=122423"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}