{"id":122277,"date":"2020-02-21T11:00:20","date_gmt":"2020-02-21T14:00:20","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=122277"},"modified":"2020-02-21T18:00:52","modified_gmt":"2020-02-21T21:00:52","slug":"pesquisadores-apontam-onde-e-como-extremos-climaticos-afetam-os-ecossistemas-mais-biodiversos-da-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisadores-apontam-onde-e-como-extremos-climaticos-afetam-os-ecossistemas-mais-biodiversos-da-terra\/","title":{"rendered":"Pesquisadores apontam onde e como extremos clim\u00e1ticos afetam os ecossistemas"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-122278\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/plantacao_soja-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/plantacao_soja-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/plantacao_soja.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em andamento no planeta afetam as florestas tropicais e os recifes de corais de diferentes maneiras em toda a regi\u00e3o tropical, desde o Brasil at\u00e9 a \u00c1frica e Austr\u00e1lia. No artigo \u201c<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/338843454_Climatic_and_local_stressor_interactions_threaten_tropical_forests_and_coral_reefs\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">Climatic and local stressor interactions threaten tropical forests and coral reefs<\/a>\u201d (Intera\u00e7\u00f5es estressoras clim\u00e1ticas e locais amea\u00e7am florestas tropicais e recifes de coral, em portugu\u00eas), publicado em janeiro na\u00a0<i>Philosophical Transactions<\/i>, os pesquisadores Filipe M. Fran\u00e7a, da Embrapa Amaz\u00f4nia Oriental em Bel\u00e9m\/PA, Cassandra Benkwitt, da Universidade de Lancaster no Reino Unido, e colaboradores esclarecem onde e como esses eventos clim\u00e1ticos extremos afetam os dois ecossistemas mais biodiversos da Terra, quais suas consequ\u00eancias e como podemos mitigar e nos adaptar a tais mudan\u00e7as, nas escalas local e global.<\/p>\n<p>O primeiro autor do artigo, Filipe Fran\u00e7a, explica que em uma escala global as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas est\u00e3o aumentando a frequ\u00eancia, dura\u00e7\u00e3o e intensidade de eventos clim\u00e1ticos extremos, como tempestades intensas, furac\u00f5es, inunda\u00e7\u00f5es, ondas de calor e secas. \u201cOs impactos ecol\u00f3gicos desses extremos clim\u00e1ticos nas florestas tropicais e nos recifes de coral podem ser exacerbados pela influ\u00eancia da mudan\u00e7a do clima na temperatura e precipita\u00e7\u00e3o, bem como por atividades humanas que prejudicam esses ecossistemas na escala local\u201d. Para o pesquisador, em toda a regi\u00e3o tropical desde o Brasil at\u00e9 a \u00c1frica e Austr\u00e1lia, a combina\u00e7\u00e3o de altas temperaturas com esta\u00e7\u00f5es secas mais longas e mais severas v\u00eam aumentando a ocorr\u00eancia de inc\u00eandios florestais em larga escala \u2013 alguns exemplos importantes incluem os mega-inc\u00eandios que aconteceram na Austr\u00e1lia recentemente, no Sudeste Asi\u00e1tico e regi\u00e3o Amaz\u00f4nica durante o\u00a0<em>El Ni\u00f1o<\/em>\u00a0em 2015-2016. As florestas tropicais tamb\u00e9m est\u00e3o sendo amea\u00e7adas por furac\u00f5es mais intensos e frequentes, que j\u00e1 causaram extin\u00e7\u00f5es locais e globais de esp\u00e9cies de aves que ocorriam nas floresta das ilhas do Caribe.<\/p>\n<figure id=\"attachment_75693\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"width: 638px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-75693\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-75693\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/12-Amazon-forests-in-our-study-region-by-Marizilda-Cuppre-and-Rede-Amaz%C3%B4nia-Sustent%C3%A1vel-1.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/12-Amazon-forests-in-our-study-region-by-Marizilda-Cuppre-and-Rede-Amaz\u00f4nia-Sustent\u00e1vel-1.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/12-Amazon-forests-in-our-study-region-by-Marizilda-Cuppre-and-Rede-Amaz\u00f4nia-Sustent\u00e1vel-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/12-Amazon-forests-in-our-study-region-by-Marizilda-Cuppre-and-Rede-Amaz\u00f4nia-Sustent\u00e1vel-1-223x150.jpg 223w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/12-Amazon-forests-in-our-study-region-by-Marizilda-Cuppre-and-Rede-Amaz\u00f4nia-Sustent\u00e1vel-1-272x182.jpg 272w\" alt=\"\" width=\"638\" height=\"425\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-75693\" class=\"wp-caption-text\">Floresta de extra\u00e7\u00e3o queimada no ponto B260. Foto: Marizilda Cruppe\/Divulga\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Tais impactos sobre as florestas tropicais s\u00e3o agravados, segundo Fran\u00e7a, pelo desmatamento \u2013 a remo\u00e7\u00e3o total da floresta \u2013 e a degrada\u00e7\u00e3o florestal por outras atividades humanas, como a explora\u00e7\u00e3o seletiva de madeira. Tais a\u00e7\u00f5es est\u00e3o tornando as florestas remanescentes mais secas e suscet\u00edveis a inc\u00eandios. \u201cEsses dist\u00farbios, combinados com esta\u00e7\u00f5es secas mais longas e quentes, aumentam a inflamabilidade das florestas, bem como as chances de inc\u00eandios florestais vizinhas. A seca e os inc\u00eandios florestais tamb\u00e9m influenciam o ciclo de carbono e evapora\u00e7\u00e3o de \u00e1gua nas florestas, podem interagir com o aumento da polui\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da libera\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de carbono e outros aeross\u00f3is que causam uma menor forma\u00e7\u00e3o de nuvens e chuvas na escala regional. As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas tamb\u00e9m aumentam a suscetibilidade das florestas tropicais a extremos clim\u00e1ticos. Por exemplo, o decl\u00ednio na cobertura de nuvens e o aumento dos n\u00edveis de CO2\u00a0est\u00e3o favorecendo o desenvolvimento de cip\u00f3s que poder\u00e3o prejudicar ainda mais as \u00e1rvores que est\u00e3o sofrendo com a falta de \u00e1gua durante per\u00edodos de seca prolongada\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 no caso dos recifes de corais, Cassandra Benkwitt esclarece que as tempestades trazem danos estruturais e altas taxas de mortalidade. \u201cNo entanto, o maior vil\u00e3o dos ecossistemas de corais \u00e9 o aumento da temperatura oce\u00e2nica, que vem gerando eventos de branqueamento em massa e mortalidade de corais formadores de recifes em diferentes regi\u00f5es do planeta. Em particular, as temperaturas extremamente altas da superf\u00edcie do mar nos oceanos tropicais e extratropicais durante o\u00a0<em>El Ni\u00f1o<\/em>\u00a0de 2015\/2016 causaram um dos mais catastr\u00f3ficos eventos de branqueamento de corais na escala mundial, resultando em n\u00edveis de mortalidade de corais jamais vistos\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_75694\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-75694\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-75694\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Callapsed-dead-reef_Nick-Graham.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Callapsed-dead-reef_Nick-Graham.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Callapsed-dead-reef_Nick-Graham-300x206.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"438\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-75694\" class=\"wp-caption-text\">Coral morto. Foto: Nick Graham.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Benkwitt acrescenta que o conjunto de mudan\u00e7as do clima, eventos clim\u00e1ticos extremos e outros dist\u00farbios causados pelo homem localmente s\u00e3o os principais fatores de perda de biodiversidade nos recifes de coral tropicais. \u201cOs corais j\u00e1 est\u00e3o amplamente amea\u00e7ados por dist\u00farbios locais, tais como a pesca excessiva, polui\u00e7\u00e3o do ecossistema marinho, doen\u00e7as, sedimenta\u00e7\u00e3o e carregamento de nutrientes. Embora atuem em escalas espaciais maiores, as mudan\u00e7as do clima e os eventos clim\u00e1ticos extremos interagem com esses dist\u00farbios antr\u00f3picos locais, maximizando seus impactos negativos nos ecossistemas de recifes de coral. As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, em particular, tamb\u00e9m est\u00e3o aumentando a frequ\u00eancia, dura\u00e7\u00e3o e intensidade das ondas de calor marinhas, trazendo os ecossistemas de corais para seus limites de toler\u00e2ncia para sobreviv\u00eancia. Por exemplo, estudos mostram que a perda dos corais \u00e9 maior e a recupera\u00e7\u00e3o dos ecossistemas \u00e9 mais lenta em regi\u00f5es onde a pesca excessiva afetou processos ecol\u00f3gicos importantes como preda\u00e7\u00e3o e herbivoria\u201d.<\/p>\n<p><b>Estudos com besouros-do-esterco e peixes-papagaio<\/b><\/p>\n<p>As florestas tropicais e os recifes de corais abrigam diversas esp\u00e9cies e muitas delas ajudam a manter a sa\u00fade desses ecossistemas. A equipe de cientistas que participou da publica\u00e7\u00e3o investigou como a seca extrema e a onda de calor marinha que ocorreram durante o\u00a0<em>El Ni\u00f1o<\/em>\u00a0de 2015-2016 impactou os besouros rola-bostas na regi\u00e3o amaz\u00f4nica e os peixes papagaio das Seychelles, respectivamente. Fran\u00e7a explica que, embora esses animais sejam muito diferentes, ambos beneficiam os ecossistemas florestais e marinhos das regi\u00f5es tropicais. \u201cPor exemplo, os besouros rola-bosta s\u00e3o insetos que ajudam a espalhar as sementes e os nutrientes que est\u00e3o presentes nas fezes dos mam\u00edferos, enquanto que os peixes papagaios s\u00e3o herb\u00edvoros que podem contribuir para a manuten\u00e7\u00e3o dos corais atrav\u00e9s do consumo de algas que competem com os corais\u201d<\/p>\n<div class=\"olho-direita\">\u201cMais de 65% de todas as esp\u00e9cies terrestres conhecidas s\u00e3o encontradas na florestas tropicais, enquanto os recifes de coral abrigam o maior n\u00famero de esp\u00e9cies de qualquer ecossistema marinho\u201d.<\/div>\n<p>O estudo dos besouros mostrou que, ap\u00f3s a seca extrema, florestas amaz\u00f4nicas com menos diversidade de besouros tamb\u00e9m apresentaram menores taxas de dispers\u00e3o de sementes. \u201cEsse resultado \u00e9 um bom exemplo de como a perda de esp\u00e9cies pode prejudicar o funcionamento das florestas\u201d. J\u00e1 nos recifes de corais das Seychelles, os pesquisadores encontraram uma liga\u00e7\u00e3o positiva entre o n\u00famero de esp\u00e9cies de peixes-papagaio e as taxas de herbivoria de algas tanto antes quanto depois da onda de calor marinha durante o\u00a0<em>El Ni\u00f1o<\/em>\u00a0de 2015-2016. \u201cEssa diferen\u00e7a nos impactos entre os besouros e os peixes-papagaios mostra que as consequ\u00eancias causadas por extremos clim\u00e1ticos podem variar entre ecosistemas diferentes\u201d.<\/p>\n<p><b>Import\u00e2ncia das florestas tropicais e dos recifes de corais<\/b><\/p>\n<p>As florestas tropicais e os recifes de coral s\u00e3o extremamente relevantes para a natureza e para as pessoas. Fran\u00e7a afirma que esses ecossistemas abrigam a maior parte da diversidade biol\u00f3gica na Terra: mais de 65% de todas as esp\u00e9cies terrestres conhecidas s\u00e3o encontradas na florestas tropicais, enquanto os recifes de coral abrigam o maior n\u00famero de esp\u00e9cies de qualquer ecossistema marinho. \u201cEsses ecossistemas tamb\u00e9m fornecem servi\u00e7os ecol\u00f3gicos importantes para as pessoas, independente de onde eles morem neste planeta. Por exemplo, as florestas tropicais ajudam a controlar o clima global atrav\u00e9s do\u00a0<a href=\"https:\/\/science.sciencemag.org\/content\/320\/5882\/1444\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">armazenamento<\/a>\u00a0de 25% de todo o carbono presente nos ecossistemas terrestres. As florestas tropicais tamb\u00e9m influenciam a produ\u00e7\u00e3o de chuvas, n\u00e3o apenas regionalmente mas tamb\u00e9m em \u00e1reas muito distantes. A evapora\u00e7\u00e3o a partir da floresta amaz\u00f4nica, por exemplo,\u00a0<a href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1029\/2010WR009127#wrcr12636-fig-0003\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">contribui<\/a>\u00a0para 70% das chuvas que chegam \u00e0 bacia do Rio da Prata \u2013 a umidade viaja por milhares de quil\u00f4metros antes de virar chuva em outra regi\u00e3o!\u201d.<\/p>\n<p>No mundo marinho, Benkwitt explica que os recifes de coral\u00a0<a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/bioscience\/article\/57\/3\/214\/268411\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">sustentam<\/a>\u00a0processos ecol\u00f3gicos cruciais para mais de 500 milh\u00f5es de pessoas que vivem a 100 km deles e que utilizam os recifes de coral e seus produtos para diferentes fins, como na alimenta\u00e7\u00e3o, pesca e turismo. \u201cAl\u00e9m disso, estima-se que at\u00e9 197 milh\u00f5es de pessoas s\u00e3o beneficiadas pela\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-018-04568-z\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">prote\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0que os recifes de corais proporcionam na regi\u00e3o costeira de diversos pa\u00edses\u201d.<\/p>\n<p><b>Desafios e solu\u00e7\u00f5es<\/b><\/p>\n<figure id=\"attachment_75695\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-75695\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-75695\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Header1-Coprophanaeus-lancifer-by-Hannah_Griffiths-1.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Header1-Coprophanaeus-lancifer-by-Hannah_Griffiths-1.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Header1-Coprophanaeus-lancifer-by-Hannah_Griffiths-1-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Header1-Coprophanaeus-lancifer-by-Hannah_Griffiths-1-223x150.jpg 223w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Header1-Coprophanaeus-lancifer-by-Hannah_Griffiths-1-272x182.jpg 272w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"429\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-75695\" class=\"wp-caption-text\">Besouros s\u00e3o insetos que ajudam a espalhar as sementes e os nutrientes que est\u00e3o presentes nas fezes dos mam\u00edferos. Foto: Hannah Griffiths.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Fran\u00e7a afirma que os principais desafios que enfrentamos atualmente \u00e9 controlar as mudan\u00e7as do clima e proteger os ecossistemas mais biodiversos do planeta: as florestas tropicais e recifes de coral. Ele defende que a solu\u00e7\u00e3o contra eventos clim\u00e1ticos extremos t\u00e3o diversos \u00e9 reduzir as emiss\u00f5es de gases do efeito estufa para controlar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u201cPrecisamos de um esfor\u00e7o coletivo \u2013 cidad\u00e3os, tomadores de decis\u00f5es, cientistas, institui\u00e7\u00f5es governamentais e da iniciativa privada e formuladores de pol\u00edticas brasileiras \u2013 com a participa\u00e7\u00e3o de toda a popula\u00e7\u00e3o brasileira para garantir que nossas florestas sejam mantidas de p\u00e9 e protegidas contra a degrada\u00e7\u00e3o florestal causada por atividades humanas como a minera\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o madeireira que prejudicam a sa\u00fade da floresta. Manter as florestas saud\u00e1veis n\u00e3o apenas favorecer\u00e1 a habilidade delas de armazenar carbono, o que ajuda a controlar as mudan\u00e7as no clima e os eventos clim\u00e1ticos extremos; mas tamb\u00e9m manter\u00e1 o alto valor de biodiversidade desses ecossistemas\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, a\u00e7\u00f5es para mitigar os impactos dos dist\u00farbios clim\u00e1ticos no Brasil (e no mundo) ser\u00e3o mais eficientes se forem desenvolvidas em conjunto com os atores locais, e respeitando as condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas das diferentes regi\u00f5es. Ele toma como exemplo investimentos em programas para a agricultura familiar e de subsist\u00eancia que sejam menos dependente do fogo na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, e em programas de gest\u00e3o comunit\u00e1ria para as popula\u00e7\u00f5es costeiras que dependem dos recursos a partir dos corais e da pesca em pequena escala para sua subsist\u00eancia. \u201cParcerias internacionais tamb\u00e9m s\u00e3o fundamentais, tanto para o desenvolvimento de tecnologias para reduzir as emiss\u00f5es de gases do efeito estufa quanto para fortalecer a luta contra o desmatamento e a degrada\u00e7\u00e3o das florestas do nosso pa\u00eds. Controlar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas pode ser a \u00fanica maneira de reduzirmos os riscos de extremos clim\u00e1ticos cada vez mais severos e frequentes\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_75690\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-75690\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-75690\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Deforestation-examples_Marizilda-Cruppe-Rede-Amaz%C3%B4nia-Sustent%C3%A1vel-1.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Deforestation-examples_Marizilda-Cruppe-Rede-Amaz\u00f4nia-Sustent\u00e1vel-1.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Deforestation-examples_Marizilda-Cruppe-Rede-Amaz\u00f4nia-Sustent\u00e1vel-1-300x168.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Deforestation-examples_Marizilda-Cruppe-Rede-Amaz\u00f4nia-Sustent\u00e1vel-1-1024x575.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Deforestation-examples_Marizilda-Cruppe-Rede-Amaz\u00f4nia-Sustent\u00e1vel-1-600x337.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Deforestation-examples_Marizilda-Cruppe-Rede-Amaz\u00f4nia-Sustent\u00e1vel-1-640x359.jpg 640w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"359\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-75690\" class=\"wp-caption-text\">Para combater \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, \u00e9 preciso preservar as florestas. Foto: Marizilda Cruppe\/Rede Amaz\u00f4nia Sustent\u00e1vel.<\/figcaption><\/figure>\n<p>O pesquisador destaca ainda a import\u00e2ncia dos investimentos e pesquisas focados na restaura\u00e7\u00e3o desses ecossistemas, de forma a facilitar a recupera\u00e7\u00e3o p\u00f3s-dist\u00farbio dos seus habitats e diversidade biol\u00f3gica. \u201cComo diz o ditado, `\u00e9 melhor prevenir do que remediar`, e ainda mais importante \u00e9 evitar a degrada\u00e7\u00e3o desses ecossistemas por dist\u00farbios causados por atividades humanas. Embora a\u00e7\u00f5es locais sejam importantes para a manuten\u00e7\u00e3o desses ecossistemas, elas n\u00e3o ser\u00e3o suficientes se n\u00e3o abordarmos a quest\u00e3o mais importante numa escala global: as mudan\u00e7as do clima. A nossa gera\u00e7\u00e3o atual \u00e9 considerada com a \u00faltima com a oportunidade de efetivamente freiar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e suas conseq\u00fc\u00eancias catastr\u00f3ficas para os seres humanos e a natureza. Isso s\u00f3 ser\u00e1 alcan\u00e7ado de maneira eficaz se tivermos um esfor\u00e7o coletivo e investimentos focados tanto no controle do desmatamento para aumentar a absor\u00e7\u00e3o de carbono pelas florestas, quanto em tecnologias de baixo carbono para reduzir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em andamento no planeta afetam as florestas tropicais e os recifes de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":122278,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/plantacao_soja.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/plantacao_soja-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/plantacao_soja-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/plantacao_soja.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/plantacao_soja.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/plantacao_soja.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/plantacao_soja.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/plantacao_soja.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/plantacao_soja.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/plantacao_soja.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em andamento no planeta afetam as florestas tropicais e os recifes de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/122277"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=122277"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/122277\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/122278"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=122277"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=122277"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=122277"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}