{"id":12217,"date":"2014-12-14T20:00:13","date_gmt":"2014-12-14T20:00:13","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=12217"},"modified":"2014-12-14T13:15:54","modified_gmt":"2014-12-14T13:15:54","slug":"policia-ambiental-aperta-o-cerco-contra-trafico-de-animais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/policia-ambiental-aperta-o-cerco-contra-trafico-de-animais\/","title":{"rendered":"Pol\u00edcia Ambiental aperta o cerco contra tr\u00e1fico de animais silvestres"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/combate_trafico.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-12218\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/combate_trafico-300x191.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"191\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/combate_trafico-300x191.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/combate_trafico.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A briga entre o concreto e o verde em S\u00e3o Paulo foi vencida h\u00e1 muito tempo pelo concreto, mas alguns animais silvestres se aventuram na metr\u00f3pole. Muitos chegam voando e decidem ficar.<\/p>\n<p>Campus da veterin\u00e1ria da USP: ao lado do pr\u00e9dio principal, no alto dos eucaliptos, um casal de gavi\u00f5es. S\u00e3o gavi\u00f5es asa-de-telha. At\u00e9 parece que adivinharam. Foram fazer o ninho justamente ao lado do local de trabalho do professor Ricardo, um grande especialista em aves de rapina.<\/p>\n<p>\u201cO pessoal achava um pouco que eu era maluco, porque nos meus hor\u00e1rios de almo\u00e7o eu ficava rodeando o jardim, olhando para cima e olhando para o ch\u00e3o. E o pessoal n\u00e3o entendia muito por qu\u00ea\u201d, diz Ricardo Jos\u00e9 Garcia Pereira, veterin\u00e1rio da FMVZ USP.<\/p>\n<p>Ele achou penas de pombos no ch\u00e3o e depois conseguiu avistar o ninho. H\u00e1 tr\u00eas anos que o casal n\u00e3o arreda as asas do campus da USP.<\/p>\n<p>\u201cPelo jeito est\u00e1 indo muito bem, porque todo ano ele consegue tirar dois filhotes bonitos\u201d, afirma o professor.<\/p>\n<p>Mas a maioria das aves silvestres que chega a S\u00e3o Paulo, n\u00e3o vem voando. S\u00e3o v\u00edtimas do tr\u00e1fico.<\/p>\n<p>Que hist\u00f3ria estaria por tr\u00e1s do olhar curioso da arara? Se pudesse falar de verdade, o que o papagaio nos contaria?<\/p>\n<p>Hist\u00f3rias como a dos pequenos galos de campina, nativos do Nordeste e apreendidos no metr\u00f4 de S\u00e3o Paulo, h\u00e1 algumas semanas.<\/p>\n<p>Eles, que sabem voar t\u00e3o bem, viajavam nas piores condi\u00e7\u00f5es. Para cada animal nas gaiolas, outros nove ficaram pelo caminho.<\/p>\n<p>\u201cTodos os outros animais pagaram por este que est\u00e1 vivo, que est\u00e1 bem. Morreram para que ele pudesse ficar nesta situa\u00e7\u00e3o\u201d, conta o major Marcelo Robis, chefe de Opera\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Ambiental de SP.<\/p>\n<p>O major Marcelo Robis comanda as opera\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Ambiental. S\u00e3o nove mil den\u00fancias por ano. A maioria de vizinhos preocupados com maus tratos a animais silvestres. \u00c9 um trabalho de gr\u00e3o em gr\u00e3o.<\/p>\n<p>Em uma casa, segundo a den\u00fancia que a pol\u00edcia recebeu, est\u00e3o p\u00e1ssaros silvestres em situa\u00e7\u00e3o irregular. Em tr\u00eas gaiolas, est\u00e3o can\u00e1rios da terra. Reinaldo fica revoltado.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Reinaldo da Costa, serralheiro: Tem \u00e1gua para tomar banho, n\u00e3o tem maus tratos.<br \/>\nGlobo Rep\u00f3rter: Como \u00e9 que voc\u00ea conseguiu estes passarinhos?<br \/>\nJos\u00e9 Reinaldo: Como eu falei para a senhora, eu ganhei, e a\u00ed eu fui ganhando. A\u00ed para o cara n\u00e3o soltar na natureza, ele me deu.<br \/>\nGlobo Rep\u00f3rter: A\u00ed voc\u00ea passou a cuidar deles?<br \/>\nJos\u00e9 Reinaldo: Passei a cuidar deles.<br \/>\nGlobo Rep\u00f3rter: E j\u00e1 sabia que era proibido ter em casa?<br \/>\nJos\u00e9 Reinaldo: Isso a\u00ed eu j\u00e1 sabia.<\/p>\n<p>O can\u00e1rio-da-terra \u00e9 o campe\u00e3o em apreens\u00f5es. De um amarelo vibrante, ele sofre por ser t\u00e3o lindo.<\/p>\n<p>\u201cOs animais v\u00e3o ser apreendidos, eles passam por um centro de reabilita\u00e7\u00e3o de animais silvestres, ele vai aprender de novo a viver na natureza e vai ser solto na natureza. Vou precisar do seu documento, RG, CPF, voc\u00ea vai ter que acompanhar a gente at\u00e9 a delegacia\u201d, diz o major para Jos\u00e9 Reinaldo<\/p>\n<p>Os policiais contam que \u00e9 sempre um momento muito dif\u00edcil, porque muitas vezes s\u00e3o pessoas que gostam de animais.<\/p>\n<p>\u201cEla precisa sentir que ela cometeu um crime e que aquele animal n\u00e3o vai ficar com ela. Se a gente deixar este animal com ela, o crime vai compensar\u201d, afirma o major.<\/p>\n<p>Uma consci\u00eancia que ainda vai demorar a chegar.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Reinaldo: D\u00e1 um aperto no cora\u00e7\u00e3o, n\u00e9? Mas fazer o qu\u00ea? \u00c9 como estar tirando um filho seu, do bra\u00e7o da m\u00e3e.<br \/>\nGlobo Rep\u00f3rter: \u00c9, mas eles est\u00e3o sem a liberdade deles, n\u00e9? Voc\u00ea imagina ficar preso, enclausurado porque \u00e9 bonito? Te manter enclausurado?<br \/>\nJos\u00e9 Reinaldo: Ningu\u00e9m queria ficar em clausurado, n\u00e9?<\/p>\n<p>Pr\u00f3ximo a Diadema, seguindo outra den\u00fancia, o Globo Rep\u00f3rter chegou at\u00e9 um quarto abafado, repleto de gaiolas. E v\u00e1rios p\u00e1ssaros em cada gaiola. A equipe do programa contou pelo menos 12 em uma gaiola. S\u00e3o can\u00e1rios-da-terra, aves silvestres, nativas da Mata Atl\u00e2ntica, que n\u00e3o poderiam jamais estar em um quarto quente.<\/p>\n<p>A multa \u00e9 de R$ 500 por animal e pode chegar a R$ 5 mil se for amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o.\u00a0 Paulo est\u00e1 sendo autuado pela segunda vez. Conta que compra de traficantes na porta de casa para revender.<\/p>\n<p>Paulo Belo da Silva, aposentado: Vem nas sacolas.<br \/>\nGlobo Rep\u00f3rter: Mas o senhor sabe que \u00e9 ilegal, n\u00e9?<br \/>\nPaulo Belo da Silva: Sei, isso a\u00ed eu sei.<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo quando eles est\u00e3o livres, nem sempre a realidade \u00e9 o que parece. Um tucano foi apreendido em um condom\u00ednio de classe m\u00e9dia-alta. O Globo Rep\u00f3rter foi at\u00e9 um centro de recupera\u00e7\u00e3o no Parque Ibirapuera encontr\u00e1-lo algumas semanas depois.<\/p>\n<p>Globo Rep\u00f3rter: A cauda dele est\u00e1 bem avariada, ou \u00e9 impress\u00e3o?<br \/>\nLuiz Fernando Laranjeira Lopes, veterin\u00e1rio da DEPAVE \/ Parque Ibirapuera: T\u00e1 sim, com certeza.<br \/>\nGlobo Rep\u00f3rter: E o que foi isso?<br \/>\nLuiz Fernando Laranjeira Lopes: Muito provavelmente, ele vai pulando, vai batendo as penas no ch\u00e3o, vai desgastando ou as pessoas mesmo cortaram com o intuito de que ele n\u00e3o voe.<\/p>\n<p>As penas tamb\u00e9m foram cortadas. Ele vai precisar de pelo menos seis meses para ter suas asas de volta. Para quem tem um animal silvestre irregular em casa, a entrega volunt\u00e1ria \u00e9 a chance de ficar dentro da lei.<\/p>\n<p>\u201cA pol\u00edcia ambiental vai at\u00e9 o local, recolhe este animal, e leva para o Centro de Reabilita\u00e7\u00e3o, e a pessoa n\u00e3o reponde pelo crime, porque isso \u00e9 uma prerrogativa legal\u201d, diz o cabo Washington Nilson Soares, da Pol\u00edcia Ambiental de SP.<\/p>\n<p>A agress\u00e3o de tirar um animal da natureza e faz\u00ea-lo enfrentar um mundo que n\u00e3o \u00e9 dele, muitas vezes acaba na situa\u00e7\u00e3o de cativeiro. Isso quando ele sobrevive. O que vem se descobrindo agora \u00e9 que maltratar os animais \u00e9 um ind\u00edcio de uma viol\u00eancia ainda maior.<\/p>\n<p>Frieza, insensibilidade. Uma pesquisa realizada entre 2010 e 2012 mostrou que um ter\u00e7o das pessoas que \u00e9 autuada por maus tratos a animais tem outros registros criminais. Destes registros, a metade \u00e9 de crimes violentos contra seres humanos.<\/p>\n<p>\u201cOs maus tratos aos animais acabam sendo um indicador de viol\u00eancia na fam\u00edlia, de viol\u00eancia na rela\u00e7\u00e3o da pessoa, por isso precisam ser atendidos, porque ao atender este tipo de viol\u00eancia voc\u00ea est\u00e1 evitando um crime futuro de viol\u00eancia contra as pessoas. E tamb\u00e9m contra os pr\u00f3prios animais\u201d, afirma o major Marcelo Robis<\/p>\n<p>O trabalho de combate ao tr\u00e1fico \u00e9 exaustivo e penoso. A longa viagem dos p\u00e1ssaros de volta para a natureza \u00e9 cheia de etapas.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, muitos v\u00e3o parar no Parque do Tiet\u00ea. No Centro de Recupera\u00e7\u00e3o, os p\u00e1ssaros passam por uma quarentena. S\u00e3o colocados em gaiolas maiores para reaprenderem a voar e viver em grupo.<\/p>\n<p>\u201cAlguns animais de cativeiro chegam com ac\u00famulo de gordura, com problemas nutricionais graves, por n\u00e3o poderem voar, n\u00e3o poderem se exercitar e por se alimentarem muito mal\u201d, conta Liliane Milanelo, veterin\u00e1ria do CRAS \/ Parque Ecol\u00f3gico do Tiet\u00ea.<\/p>\n<p>Alguns chegam bem pequenos, como corujas, que precisam aprender a comer pequenas larvas, como na natureza. Estimulando os instintos dos passarinhos, em algum tempo a maioria est\u00e1 pronta para seguir o caminho de casa.<\/p>\n<p>\u201cO animal silvestre nasceu na natureza, ele tem instintos muito presentes de continuar vivendo neste ambiente. O que precisa \u00e9 estimul\u00e1-lo. O animal depois de uma reabilita\u00e7\u00e3o, depois de ter passado por um centro de triagem como este aqui, tem condi\u00e7\u00f5es sim de ser devolvido na natureza\u201d, afirma Liliane Milanelo.<\/p>\n<p>E quando chega o dia de mandar os pequenos de volta para casa, \u00e9 motivo de muita felicidade para os tratadores.<\/p>\n<p>Galos de campina e corrupi\u00f5es v\u00e3o ser embarcados para o Nordeste.<\/p>\n<p>Globo Rep\u00f3rter: S\u00e3o os mais resistentes?<br \/>\nLiliane Milanelo: Foram os animais que foram triados como muito resistentes.<br \/>\nGlobo Rep\u00f3rter: Sofreram muito?<br \/>\nLiliane Milanelo: Aqueles que sobreviveram a todas as situa\u00e7\u00f5es, de apanha, de priva\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e de comida, de espa\u00e7os reduzidos, de estresse, e sobreviveram.<\/p>\n<p>O \u00faltimo passageiro a embarcar \u00e9 um pintassilgo do Nordeste, mais delicado.<\/p>\n<p>Globo Rep\u00f3rter: Este est\u00e1 amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o?<br \/>\nLiliane Milanelo: Isso \u00e9 uma esp\u00e9cie amea\u00e7ada.<br \/>\nGlobo Rep\u00f3rter: Depois de tanto sofrimento a gente s\u00f3 deseja boa viagem para eles.<br \/>\nLiliane Milanelo: Boa viagem e boa sorte.<\/p>\n<p>De carro at\u00e9 o Aeroporto de Guarulhos, at\u00e9 Fortaleza, para finalmente, algumas semanas depois, ganhar a liberdade em Maranguape, no Cear\u00e1. \u00c9 um final feliz, pena que para t\u00e3o poucos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A briga entre o concreto e o verde em S\u00e3o Paulo foi vencida h\u00e1 muito<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":12218,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/combate_trafico.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/combate_trafico-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/combate_trafico-300x191.jpg",300,191,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/combate_trafico.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/combate_trafico.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/combate_trafico.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/combate_trafico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/combate_trafico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/combate_trafico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/combate_trafico.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A briga entre o concreto e o verde em S\u00e3o Paulo foi vencida h\u00e1 muito","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12217"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12217"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12217\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12218"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12217"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12217"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12217"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}