{"id":122104,"date":"2020-02-18T10:00:13","date_gmt":"2020-02-18T13:00:13","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=122104"},"modified":"2020-02-17T20:54:38","modified_gmt":"2020-02-17T23:54:38","slug":"conheca-iniciativas-pelo-mundo-para-combater-enchentes-em-centros-urbanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/conheca-iniciativas-pelo-mundo-para-combater-enchentes-em-centros-urbanos\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a iniciativas pelo mundo para combater enchentes em centros urbanos"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-122105\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/cidade_esponja-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/cidade_esponja-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/cidade_esponja.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Assim como grandes cidades brasileiras, v\u00e1rias partes do mundo sofreram com enchentes e inunda\u00e7\u00f5es que causaram trag\u00e9dias nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Para enfrentar ou evitar cat\u00e1strofes, urbanistas t\u00eam rejeitado solu\u00e7\u00f5es tradicionais \u2013 baseadas em bocas de lobo e encanamentos \u2013 em favor de novas formas de<strong>\u00a0garantir a drenagem da \u00e1gua<\/strong>: criam, assim, as chamadas\u00a0<strong>cidades-esponja<\/strong>.<\/p>\n<p>O conceito parte da ideia central de que\u00a0<strong>as metr\u00f3poles modernas lidam com a \u00e1gua de maneira errada<\/strong>. Em vez de coletar a \u00e1gua das chuvas e jog\u00e1-la o mais r\u00e1pido poss\u00edvel nos rios \u2013 como ocorre habitualmente \u2013, as cidades-esponja lan\u00e7am m\u00e3o de uma s\u00e9rie de recursos que asseguram\u00a0<strong>espa\u00e7o e tempo para que a \u00e1gua seja absorvida pelo solo<\/strong><em>\u00a0(conhe\u00e7a cada um deles mais abaixo).<\/em><\/p>\n<p>Essas medidas\u00a0<strong>incluem a cria\u00e7\u00e3o de<\/strong>:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>parques alag\u00e1veis<\/strong><\/li>\n<li><strong>telhados verdes<\/strong><\/li>\n<li><strong>cal\u00e7amentos perme\u00e1veis<\/strong><\/li>\n<li><strong>pra\u00e7as-piscina<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/wGQ2IfF5ee2Y7QZn8ha011bMRDM=\/0x0:650x1156\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2020\/P\/m\/S2TZ50S4yfISIkeDZgvA\/cidades-esponja-v2.jpg\" alt=\"Cidades-esponja: veja recursos para minimizar o impacto das chuvas em metr\u00f3poles pelo mundo \u2014 Foto: Arte\/G1 \" width=\"640\" height=\"1139\" \/><\/figure>\n<h2>Inspira\u00e7\u00e3o ancestral na China<\/h2>\n<p>Em 2012,\u00a0uma enchente causou a morte de quase 80 pessoas em Pequim, muitas delas afogadas ou eletrocutadas. Casas desabaram e estradas, metr\u00f4 e at\u00e9 o aeroporto ficaram sob as \u00e1guas.<\/p>\n<p>No entanto, fotos de turistas tiradas na \u00e9poca mostraram a Cidade Proibida, constru\u00edda centenas de anos atr\u00e1s, completamente seca \u2013 gra\u00e7as a seu antigo sistema de drenagem.<\/p>\n<p>A trag\u00e9dia chamou a aten\u00e7\u00e3o das autoridades.\u00a0<strong>A China<\/strong>, que viveu intenso processo de urbaniza\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos, passou a ser um dos pa\u00edses que\u00a0<strong>abra\u00e7ou com mais for\u00e7a o conceito de cidade-esponja<\/strong>. Em Taizhou e Jinhua, por exemplo, muros de concreto que canalizavam rios foram demolidos e substitu\u00eddos por parques.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/JEJKSnd5aqzmazQdY0Bfn5vmvzE=\/0x0:1380x1035\/1008x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2020\/0\/S\/rr8pT2Qe2kUegcXHPbvQ\/cidades-esponja-parque-yanweizhou-china.jpg\" alt=\"Parque alag\u00e1vel Yanweizhou, na cidade de Jinhua, na China \u2014 Foto: Turenscape\/Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"638\" height=\"479\" \/><figcaption>Parque alag\u00e1vel Yanweizhou, na cidade de Jinhua, na China \u2014 Foto: Turenscape\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Propostas semelhantes tamb\u00e9m\u00a0<strong>t\u00eam sido adotadas<\/strong>\u00a0em outras cidades pelo mundo, como\u00a0<strong>Berlim<\/strong>,\u00a0<strong>Copenhague<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Nova York<\/strong>.<\/p>\n<p>O arquiteto chin\u00eas Kongjian Yu explica que a proposta da cidade-esponja \u00e9\u00a0<strong>preservar ecossistemas naturais<\/strong>, mais capazes de se recuperar das adversidades.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cA sabedoria ancestral de conviver com a \u00e1gua \u00e9 a maior inspira\u00e7\u00e3o para o conceito de cidade-esponja\u201d, explica o arquiteto chin\u00eas Kongjian Yu, chefe do escrit\u00f3rio que fez alguns dos maiores projetos da \u00e1rea no pa\u00eds asi\u00e1tico.<\/p><\/blockquote>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cEsse conhecimento vem sendo negligenciado h\u00e1 muito tempo. N\u00f3s constru\u00edmos as cidades modernas usando t\u00e9cnicas industriais, dependentes de infraestrutura feita de concreto, canos e bombas.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>O arquiteto defende que construir cidades-esponja<strong>\u00a0ajuda n\u00e3o s\u00f3 a enfrentar, no per\u00edodo das chuvas, a for\u00e7a da \u00e1gua, mas tamb\u00e9m a mant\u00ea-la fluindo pelas torneiras<\/strong>\u00a0durante os meses mais secos do ano.<\/p>\n<p><strong>Veja, abaixo, algumas das solu\u00e7\u00f5es das cidades-esponja pelo mundo:<\/strong><\/p>\n<h2>Parques alag\u00e1veis<\/h2>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/a0I6qmDmYHEvk2X2RzM0Z9tukks=\/94x0:3000x2031\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2020\/R\/g\/NPx0d5QLqjYHLk2vV0bg\/cidades-esponja-yongning-river-park-antes.jpg\" alt=\"O Rio Yongningantes da constru\u00e7\u00e3o de um parque alag\u00e1vel na cidade chinesa de Taizhou... \u2014 Foto: Turenscape\/Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"639\" height=\"447\" \/><figcaption>O Rio Yongningantes da constru\u00e7\u00e3o de um parque alag\u00e1vel na cidade chinesa de Taizhou\u2026 \u2014 Foto: Turenscape\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/xMvgvN10-SoMCRsm3QtnHu3BkMM=\/0x0:1198x898\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2020\/m\/h\/tCZ2xRQqiaMEMCKdy1SQ\/cidades-esponja-yongning-river-park-depois.jpg\" alt=\"...e o mesmo rio depois da cria\u00e7\u00e3o do parque alag\u00e1vel, que absorve a \u00e1gua das cheias e \u00e9 aberto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o \u2014 Foto: Turenscape\/Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"640\" height=\"480\" \/><figcaption>\u2026e o mesmo rio depois da cria\u00e7\u00e3o do parque alag\u00e1vel, que absorve a \u00e1gua das cheias e \u00e9 aberto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o \u2014 Foto: Turenscape\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>A face mais vis\u00edvel do conceito de cidade-esponja s\u00e3o os\u00a0<strong>parques desenhados<\/strong>\u00a0especialmente\u00a0<strong>para serem parcialmente alagados<\/strong>\u00a0durante alguns meses do ano. Diversos locais do tipo foram projetados e inaugurados pelo escrit\u00f3rio de Kongjian em cidades chinesas.<\/p>\n<p>Em boa parte dos casos, esses espa\u00e7os tem passarelas suspensas, com livre acesso o ano todo. A parte t\u00e9rrea, alag\u00e1vel, fica intransit\u00e1vel no per\u00edodo de cheias, mas pode ser usada pelos frequentadores durante a seca.<\/p>\n<p>Um parque alag\u00e1vel geralmente vai muito al\u00e9m da cria\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o extra para as \u00e1guas. Ele tamb\u00e9m conta com uma\u00a0<strong>vegeta\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0pensada para\u00a0<strong>absorver a \u00e1gua<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>fomentar a biodiversidade local<\/strong>.<\/p>\n<p>Para o presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil em S\u00e3o Paulo (IAB-SP), Fernando Tulio, esses\u00a0<strong>parques s\u00e3o uma alternativa aos piscin\u00f5es<\/strong>, uma das solu\u00e7\u00f5es comumente adotadas por autoridades brasileiras.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cPiscin\u00f5es s\u00e3o grandes espa\u00e7os vazios que passam a ser um grande problema urbano, acumulam lixo, ratos, exigem manuten\u00e7\u00e3o\u201d, critica o arquiteto.<\/p><\/blockquote>\n<p>Os parques alag\u00e1veis\u00a0<strong>s\u00e3o mais comuns nas margens dos rios e nas costas<\/strong>, como no caso de Nova York, onde foi criado o Hunters Point South Park.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m s\u00e3o encontrados em terrenos sem cursos d\u2019\u00e1gua, que concentram \u00e1gua da chuva, como o parque Chulalongkorn, em Bangcoc, na Tail\u00e2ndia, e o parque de Qunli, na pr\u00f3pria China.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/VR_t8QIJrQjlbgqGttO_6miIftk=\/0x0:1685x1124\/1008x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2020\/K\/B\/hWP92ZSmawVc9nbOBHeA\/cidades-esponja-qunli-waterpark.jpg\" alt=\"Parque alag\u00e1vel de Qunli, na China, criado para reter, filtrar e devolver ao solo a \u00e1gua da chuva \u2014 Foto: Turenscape\/Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"639\" height=\"426\" \/><figcaption>Parque alag\u00e1vel de Qunli, na China, criado para reter, filtrar e devolver ao solo a \u00e1gua da chuva \u2014 Foto: Turenscape\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<h2>Cal\u00e7amentos perme\u00e1veis<\/h2>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Boa parte da \u00e1gua da chuva que cai sobre uma cidade fica retida sobre asfalto ou concreto. De l\u00e1, ela \u00e9 drenada por meio de canos para ser levada a rios e muitas vezes se mistura com esgoto n\u00e3o tratado no caminho \u2014 especialmente quando a chuva \u00e9 tanta, que supera a capacidade do sistema para absorv\u00ea-la.<\/p><\/blockquote>\n<p>A cidade chinesa de\u00a0<strong>Lingshui<\/strong>, no extremo sul do pa\u00eds,\u00a0<strong>\u00e9 uma das que trocaram os tradicionais bueiros<\/strong>\u00a0por estruturas conhecidas como\u00a0<em>bioswales<\/em>. S\u00e3o pequenos canais de infiltra\u00e7\u00e3o natural, com vegeta\u00e7\u00e3o nativa, que correm paralelamente a ruas, avenidas e cal\u00e7adas.<\/p>\n<p>Outras op\u00e7\u00f5es exigem novas tecnologias. Copenhague, na Dinamarca, e cidades chinesas t\u00eam aberto novos espa\u00e7os p\u00fablicos usando um tipo de \u201cconcreto\u201d perme\u00e1vel.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/C2qhwntX2hKi0ASHjPZLd2FS4Lg=\/0x0:1632x675\/1008x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2020\/U\/V\/orbJkURUGgixxj3LutCw\/dinamarca.jpg\" alt=\"Pra\u00e7a Langelands, em Frederiksberg, na Dinamarca, recebeu tecnologia que funciona como uma esponja para absorver a \u00e1gua da chuva \u2014 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/ Rockwool\" width=\"639\" height=\"264\" \/><figcaption>Pra\u00e7a Langelands, em Frederiksberg, na Dinamarca, recebeu tecnologia que funciona como uma esponja para absorver a \u00e1gua da chuva \u2014 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/ Rockwool<\/figcaption><\/figure>\n<p>A cidade dinamarquesa de Frederiksberg, perto da capital do pa\u00eds, sofreu com os estragos de uma chuva de 100 mm que caiu em duas horas em julho de 2011. Desde ent\u00e3o, o munic\u00edpio focou em desenvolver a\u00a0<strong>capacidade de \u201camortecer\u201d grandes volumes de \u00e1gua<\/strong>\u00a0para, em seguida, dispers\u00e1-los de maneira segura.<\/p>\n<p>Uma das iniciativas foi colocada em pr\u00e1tica na pra\u00e7a Langelands\u00a0<em>(veja a foto acima)<\/em>, ponto alto mais alto de Frederiksberg e o local a partir de onde a \u00e1gua da chuva corre para Copenhague.<\/p>\n<p>Nessa pra\u00e7a de 3 mil metros quadrados, foi conclu\u00edda em 2019 a instala\u00e7\u00e3o de um material fibroso (stone wool) que\u00a0<strong>funciona como uma esponja e libera a \u00e1gua de maneira lenta<\/strong>. A cada litro de \u00e1gua despejado, o material pode absorver at\u00e9 950 ml, de acordo com o fabricante.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/rpzSEY_D1BKu6KdEYhW-T-fMOnU=\/0x0:1071x714\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2020\/S\/3\/T8QrMHQpKbVNeJwAUlQQ\/cidades-esponja-concreto-permeavel-jinhua-yamweizhou-zhejiang.jpg\" alt=\"Concreto perme\u00e1vel usado na constru\u00e7\u00e3o do Parque Yanweizhou, em Jinhua, na China \u2014 Foto: Turenscape\/Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"639\" height=\"426\" \/><figcaption>Concreto perme\u00e1vel usado na constru\u00e7\u00e3o do Parque Yanweizhou, em Jinhua, na China \u2014 Foto: Turenscape\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Apesar dessas iniciativas, a ideia de que a permeabiliza\u00e7\u00e3o por si s\u00f3 \u00e9 a chave para evitar alagamentos n\u00e3o \u00e9 unanimidade.<\/p>\n<p>O arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de S\u00e3o Paulo (FAU-USP) Milton Braga defende que\u00a0<strong>a discuss\u00e3o deve privilegiar a preserva\u00e7\u00e3o do verde<\/strong>\u00a0nas grandes cidades, e n\u00e3o a permeabiliza\u00e7\u00e3o do solo.<\/p>\n<p><strong>A<\/strong>\u00a0<strong>vegeta\u00e7\u00e3o \u00e9 que \u201csegura\u201d a \u00e1gua<\/strong>\u00a0e d\u00e1 tempo para que o solo consiga absorver todo o volume de chuva.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cTanto a vegeta\u00e7\u00e3o rasteira, como gramados e arbustos, quanto as \u00e1rvores contribuem [para evitar alagamentos]\u201d, diz o arquiteto. \u201cMuitas vezes, o solo j\u00e1 \u00e9 naturalmente imperme\u00e1vel. O grave \u00e9 a supress\u00e3o dos elementos que \u2018seguram\u2019 a \u00e1gua.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<h2>Telhados verdes<\/h2>\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/gNpQ8tOFPLdiHYh_3FiQW7EotB4=\/0x0:2000x1342\/1008x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2020\/h\/V\/f2iYekTx2o3FTkrqhvLA\/telhado-verde-alemanha.jpg\" alt=\"Telhado verde implantado sobre pr\u00e9dio da Escola de Finan\u00e7as e Administra\u00e7\u00e3o de Frankfurt \u2014 Foto: Frank Rumpenhorst\/dpa\/Picture-Alliance\/AFP\/Arquivo\" width=\"640\" height=\"429\" \/><figcaption>Telhado verde implantado sobre pr\u00e9dio da Escola de Finan\u00e7as e Administra\u00e7\u00e3o de Frankfurt \u2014 Foto: Frank Rumpenhorst\/dpa\/Picture-Alliance\/AFP\/Arquivo<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>A ideia de fazer jardins em tetos<\/strong>\u00a0ou telhados n\u00e3o \u00e9 nova \u2013\u00a0<strong>vem da Antiguidade<\/strong>, passando pela It\u00e1lia renascentista. Telhados verdes existem em diversas partes do mundo, e\u00a0<strong>n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil encontr\u00e1-los no Brasil<\/strong>.<\/p>\n<p>A novidade \u00e9 incentivar a constru\u00e7\u00e3o desses espa\u00e7os de forma ampla, para resolver problemas das cidades. Em n\u00famero suficiente, a\u00a0<strong>vegeta\u00e7\u00e3o em cima dos pr\u00e9dios pode reter boa parte da chuva<\/strong>\u00a0e diminuir o fluxo de \u00e1gua que vai parar nos bueiros e nos rios durante uma tempestade.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cOs benef\u00edcios desses jardins v\u00e3o muito al\u00e9m de ajudar a mitigar as enchentes\u201d, diz o arquiteto e professor FAU-USP Milton Braga. \u201cEles ajudam a regular a temperatura dentro dos centros urbanos, a filtrar o ar, a filtrar a pr\u00f3pria \u00e1gua.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Braga pondera, no entanto, que\u00a0<strong>criar um jardim sobre um pr\u00e9dio<\/strong>\u00a0j\u00e1 existente\u00a0<strong>significa colocar um peso<\/strong>\u00a0<strong>muito maior<\/strong>\u00a0sobre a estrutura, e isso exige cuidados.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cN\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil fazer um jardim no topo de um pr\u00e9dio j\u00e1 existente. \u00c9 imposs\u00edvel fazer um jardim no telhado de uma casa sem um refor\u00e7o na estrutura.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>J\u00e1 abrir um quintal em um espa\u00e7o impermeabilizado no t\u00e9rreo \u00e9 bem mais f\u00e1cil, diz o arquiteto.<\/p>\n<p><strong>A ideia, como pol\u00edtica p\u00fablica, ainda engatinha<\/strong>\u00a0\u2013 mas algumas cidades j\u00e1 buscam meios de incentivar a implanta\u00e7\u00e3o de telhados verdes em pr\u00e9dios privados. \u00c9 o\u00a0<strong>caso de Copenhague, que j\u00e1 em 2011 colocou a medida em seu Plano de Adapta\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica<\/strong>.<\/p>\n<h2>Pra\u00e7as-piscina<\/h2>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/QVChvFwGXZxq1-PyPAh13mWyRyg=\/0x0:1368x849\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2020\/M\/b\/eeGYeVTjuiwoJAEiYhhA\/praca.jpg\" alt=\"Quadra da pra\u00e7a Benthemplein, em Roterd\u00e3, na Holanda, em um dia sem chuva  \u2014 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o: Jeroen Musch, Ossip van Duivenbode, pallesh+azarfane, Jurgen Bals and De Urbanisten (Florian Boer &amp; Eduardo Marin)\" width=\"638\" height=\"396\" \/><figcaption>Quadra da pra\u00e7a Benthemplein, em Roterd\u00e3, na Holanda, em um dia sem chuva \u2014 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o: Jeroen Musch, Ossip van Duivenbode, pallesh+azarfane, Jurgen Bals and De Urbanisten (Florian Boer &amp; Eduardo Marin)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Em Roterd\u00e3<\/strong>, na Holanda, a\u00a0<strong>pra\u00e7a<\/strong>\u00a0Benthemplein foi constru\u00edda em 2013\u00a0<strong>adaptada para armazenar \u00e1gua<\/strong>\u00a0nos dias de chuva.<\/p>\n<p>O complexo, desenvolvido pelo escrit\u00f3rio de arquitetura De Urbanisten, \u00e9 composto por tr\u00eas bacias. Duas delas s\u00e3o\u00a0<strong>subterr\u00e2neas e armazenam a \u00e1gua sempre que chove<\/strong>. A terceira \u00e9 uma quadra de esportes abaixo do n\u00edvel da rua que enche quando a chuva persiste\u00a0<em>(veja acima)<\/em>.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Na pra\u00e7a, a \u00e1gua da chuva \u00e9 transportada at\u00e9 as bacias por grandes calhas de a\u00e7o inoxid\u00e1vel. Essas calhas s\u00e3o projetadas para serem utilizadas por skatistas quando n\u00e3o est\u00e1 chovendo.<\/p><\/blockquote>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/1nLENEBNnOgz_oGqze2SaePxkGk=\/0x0:1839x882\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2020\/S\/r\/8jfdKDR22PRCeatGlpWg\/praca-agua.jpg\" alt=\"Quadra na Pra\u00e7a Benthemplein, em Roterd\u00e3, na Holanda, estava com \u00e1gua nesta quinta-feira (13)  \u2014 Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/fotopaulmartens.netcam.nl\" width=\"640\" height=\"307\" \/><figcaption>Quadra na Pra\u00e7a Benthemplein, em Roterd\u00e3, na Holanda, estava com \u00e1gua nesta quinta-feira (13) \u2014 Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/fotopaulmartens.netcam.nl<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>O armazenamento<\/strong>\u00a0da \u00e1gua pode durar\u00a0<strong>at\u00e9 36 horas depois da chuva<\/strong>. Um sistema\u00a0<strong>deixa a \u00e1gua fluir gradualmente<\/strong>, o que permite que ela volte para as reservas subterr\u00e2neas\u00a0<strong>e nunca seja canalizada para o esgoto<\/strong>.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>O equil\u00edbrio das \u00e1guas subterr\u00e2neas \u00e9 especialmente importante durante os per\u00edodos de seca para manter as \u00e1rvores e plantas da cidade em boas condi\u00e7\u00f5es. A iniciativa acaba por reduzir o efeito da ilha de calor urbano. Parte a \u00e1gua, devidamente filtrada, \u00e9 distribu\u00edda em bebedouros.<\/p><\/blockquote>\n<p>Uma\u00a0c\u00e2mera mostra ao vivo o movimento\u00a0na pra\u00e7a de estudantes, frequentadores de uma igreja e visitantes de um teatro que fica na regi\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assim como grandes cidades brasileiras, v\u00e1rias partes do mundo sofreram com enchentes e inunda\u00e7\u00f5es que<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":122105,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/cidade_esponja.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/cidade_esponja-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/cidade_esponja-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/cidade_esponja.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/cidade_esponja.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/cidade_esponja.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/cidade_esponja.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/cidade_esponja.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/cidade_esponja.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/cidade_esponja.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Assim como grandes cidades brasileiras, v\u00e1rias partes do mundo sofreram com enchentes e inunda\u00e7\u00f5es que","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/122104"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=122104"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/122104\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/122105"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=122104"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=122104"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=122104"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}