{"id":12202,"date":"2014-12-14T11:43:02","date_gmt":"2014-12-14T11:43:02","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=12202"},"modified":"2014-12-14T11:44:25","modified_gmt":"2014-12-14T11:44:25","slug":"projeto-monitora-lobos-que-vivem-na-regiao-de-parque-na-serra-da-canastra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/projeto-monitora-lobos-que-vivem-na-regiao-de-parque-na-serra-da-canastra\/","title":{"rendered":"Projeto monitora lobos que vivem na regi\u00e3o de parque na Serra da Canastra"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/lobo_guara.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-12203\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/lobo_guara-300x191.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"191\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/lobo_guara-300x191.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/lobo_guara.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Veterin\u00e1rios e bi\u00f3logos desenvolvem um trabalho de pesquisa e rastreamento por sat\u00e9lite dos lobos que vivem dentro e no entorno do Parque Nacional da Serra da Canastra, em Minas Gerais. Ao todo, s\u00e3o 58 animas com os passos acompanhados pelo Plano de A\u00e7\u00e3o Nacional para a Conserva\u00e7\u00e3o do Lobo-Guar\u00e1<\/p>\n<p>Entre os c\u00e3es selvagens, o lobo-guar\u00e1 \u00e9 o maior da Am\u00e9rica do Sul. A fam\u00edlia do guar\u00e1 se distribui pela Argentina, Paraguai, Bol\u00edvia e Peru, regi\u00e3o onde s\u00e3o chamados em guarani de &#8216;aguar\u00e1 guaz\u00fa\u2019, que significa \u2018grande cachorro vermelho\u2019. No Brasil, a prefer\u00eancia da esp\u00e9cie sempre foi o cerrado e a Serra da Canastra est\u00e1 sempre rodeado de lobos.<\/p>\n<p>Em uma compara\u00e7\u00e3o com o jeito mineiro mais contido e resguardado, pode-se dizer que a fauna da Canastra n\u00e3o \u00e9 exibida como a do Pantanal brasileiro, por exemplo, ou das savanas africanas. Os animais ficam entocados, principalmente, durante o dia. Na vasta imensid\u00e3o, parece at\u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 bicho nenhum, mas o ambiente est\u00e1 povoado.<\/p>\n<p>A estimativa n\u00e3o-oficial \u00e9 de que na Serra da Canastra vivam cerca de 100 lobos-guar\u00e1s. A esp\u00e9cie n\u00e3o \u00e9 de sair ao sol ardente. O animal prefere esperar o fim da tarde e deixar o sol se p\u00f4r para fico ativo. Ele atravessa a noite andando, cheirando e comendo fruta ou bicho.<\/p>\n<p>Dada a vulnerabilidade da esp\u00e9cie, desde 2009 vem sendo executado o Plano de A\u00e7\u00e3o Nacional para a Conserva\u00e7\u00e3o do Lobo-Guar\u00e1. O projeto tem o apoio de organiza\u00e7\u00f5es governamentais e n\u00e3o-governamentais, que desenvolvem pesquisas dentro do parque.<\/p>\n<p>O estudo do lobo-guar\u00e1 no cerrado mineiro atualmente conta com dois recursos principais. O primeiro, sem o qual n\u00e3o se faz o segundo, \u00e9 a captura do animal. Foi instalada no chapad\u00e3o da serra, dentro da \u00e1rea demarcada do Parque Nacional da Canastra, uma armadilha feita com uma caixa de ferro fechada com uma tela de arame. O equipamento foi desenvolvido pelos pesquisadores do ICMbio e da ONG Pr\u00f3-Carn\u00edvoros. O frango cozido pendurado no ferre serve como isca. No final fundo da plataforma, s\u00e3o colocados bacon e sardinha com bastante \u00f3leo para fixar o cheiro.<\/p>\n<p>O faro do lobo-guar\u00e1 \u00e9 200 vezes melhor do que o dos humanos e muito mais apurado em rela\u00e7\u00e3o ao cachorro. Ele consegue sentir o aroma dos alimentos na armadilha a sete quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. Ao mexer nas iscas, a tampa da gaiola cai imediatamente.<\/p>\n<p>Os pesquisadores trabalham com 12 armadilhas, que s\u00e3o colocadas dentro e fora do parque. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil pegar o lobo. \u00c9 feita uma captura s\u00f3 depois de 20 tentativas. O objetivo principal de uma das capturas foi a coloca\u00e7\u00e3o de uma coleira que tem um radiotransmissor. O aparelho vai acompanhar todos os movimentos do animal.<\/p>\n<p>Com muita calma para n\u00e3o aumentar o estresse, o t\u00e9cnico Valdomiro Lemos e o veterin\u00e1rio Ricardo Arrais se aproximaram para examinar o animal, que tem temperamento de paz. Mas como qualquer outro animal, um lobo-guar\u00e1 tamb\u00e9m reage quando se sente acuado.<\/p>\n<p>Seguindo um protocolo cient\u00edfico internacional de bem-estar em situa\u00e7\u00f5es de captura, o veterin\u00e1rio aplicou uma anestesia. O m\u00e9todo \u00e9 menos agressivo do que a tranquiliza\u00e7\u00e3o com dardos, por exemplo. Nada que possa causar ferimento fica preso ao corpo.<\/p>\n<p>Quando a seda\u00e7\u00e3o se completa o animal \u00e9 transferido para o topo da gaiola e recebe um gel para lubrificar os olhos. Anestesiado, ele para de piscar. Ele tamb\u00e9m recebe um tamp\u00e3o nos ouvidos e uma venda. Est\u00edmulos externos podem encurtar o entorpecimento. J\u00e1 no primeiro item da longa lista de itens a ser investigada, h\u00e1 uma surpresa. N\u00e3o se trata de um lobo, como pensado no in\u00edcio. A loba foi batizada de Francisca<\/p>\n<p>A pelagem do lobo-guar\u00e1 \u00e9 dourada com aqueles tons de vermelho de fim de tarde. O nome guar\u00e1 vem dos \u00edndios e significa justamente vermelho. A cor n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa. Com o dourado e vermelho, a presen\u00e7a do lobo se mistura com a paisagem, o que aumenta a chance de vida do animal.<\/p>\n<p>A Francisca \u00e9 escrutinada de ponta a ponta. Ela tem dentes em boas condi\u00e7\u00f5es, idade estimada em cerca de tr\u00eas anos, 23 quilos e 83 cent\u00edmetros de altura da cernelha. Do rabo ao focinho, a Francisca mede 1,69 metro. A orelha por dentro, embaixo do pesco\u00e7o e a ponta da cauda s\u00e3o brancos. As pernas que lhe permitem subir muito mais r\u00e1pido a montanha cal\u00e7am meias pretas. A almofadinha da pata tem dedos unidos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 feita a coleta das fezes e dos carrapatos que parasitam n\u00e3o s\u00f3 o guar\u00e1 como tamb\u00e9m outros carn\u00edvoros do parque. Por fim, Francisca recebe um brinco de identifica\u00e7\u00e3o e o colar transmissor, que foi desenvolvido especialmente para o lobo-guar\u00e1.<\/p>\n<p>Depois de 1h30 do exame, Francisca j\u00e1 est\u00e1 recuperada. Ela sonda o ambiente, e parecendo certa para onde ir, d\u00e1 um passo firme e parte num galope decidido at\u00e9 sumir no capim alto. Mas Francisca rejeitou o colar. Ela ficou um tempo se debatendo e foi embora mordiscando o radiotransmissor at\u00e9 ficar sem o aparelho. Esse foi o primeiro caso de rejei\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nico registrado pelos pesquisadores. A equipe passou v\u00e1rios dias vasculhando o parque, mas apenas meses depois o aparelho foi encontrado em uma moita. O aparelho foi enviado aos Estados Unidos para reparos.<\/p>\n<p>Ao todo, s\u00e3o 58 animas com os passos acompanhados por sat\u00e9lite. No primeiro balan\u00e7o dos registros mostra uma movimenta\u00e7\u00e3o interessante. H\u00e1 lobos que circulam apenas dentro do parque, tem aqueles que s\u00f3 andam pelas fazendas envolta e o terceiro grupo que perambula tanto pelas \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o como pelas de produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria. O levantamento de sa\u00fade concluiu que o n\u00edvel de estresse dos lobos de fora \u00e9 muito mais alto em rela\u00e7\u00e3o aos lobos que vivem no parque. Tamb\u00e9m \u00e9 grande a incid\u00eancia de doen\u00e7as transmitidas pelo c\u00e3o dom\u00e9stico. A esperan\u00e7a \u00e9 que as pesquisas incentivem novas pol\u00edticas de conviv\u00eancia para ao menos reduzir as agress\u00f5es ao lobo-guar\u00e1.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia realizada na Serra da Canastra pode servir de exemplo para quem observa a galinha do vizinho. Esse um passo raro que se d\u00e1 para preservar a natureza, respeitando-se a cultura local.<\/p>\n<p>Como parte de um trabalho de conscientiza\u00e7\u00e3o, 350 propriet\u00e1rios do entorno do parque est\u00e3o recebendo gratuitamente um livro feito pelo pesquisador Rogerio Cunha e pelo fot\u00f3grafo Adriano Gambarini. A publica\u00e7\u00e3o \u00e9 estudo cient\u00edfico, mas de leitura f\u00e1cil e agrad\u00e1vel que tamb\u00e9m estar\u00e1 \u00e0 venda para o p\u00fablico. Parte da renda ser\u00e1 destinada ao projeto de conserva\u00e7\u00e3o do lobo-guar\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Veterin\u00e1rios e bi\u00f3logos desenvolvem um trabalho de pesquisa e rastreamento por sat\u00e9lite dos lobos que<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":12203,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/lobo_guara.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/lobo_guara-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/lobo_guara-300x191.jpg",300,191,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/lobo_guara.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/lobo_guara.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/lobo_guara.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/lobo_guara.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/lobo_guara.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/lobo_guara.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/lobo_guara.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Veterin\u00e1rios e bi\u00f3logos desenvolvem um trabalho de pesquisa e rastreamento por sat\u00e9lite dos lobos que","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12202"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12202"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12202\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12203"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12202"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12202"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12202"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}