{"id":12187,"date":"2014-12-13T12:37:55","date_gmt":"2014-12-13T12:37:55","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=12187"},"modified":"2014-12-13T12:37:55","modified_gmt":"2014-12-13T12:37:55","slug":"cotias-do-campo-de-santana-ajudam-a-reflorestar-parque-nacional-da-tijuca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cotias-do-campo-de-santana-ajudam-a-reflorestar-parque-nacional-da-tijuca\/","title":{"rendered":"Cotias do Campo de Santana ajudam a reflorestar Parque Nacional da Tijuca"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/cotia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-12188\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/cotia-300x191.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"191\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/cotia-300x191.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/cotia.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Entre os pr\u00e9dios imponentes, a vida segue acelerada. Tr\u00e2nsito intenso e uma multid\u00e3o com muita pressa. No meio de tanta agita\u00e7\u00e3o fica o Campo de Santana, um pequeno parque urbano bem em frente \u00e0 Central do Brasil, em uma das avenidas mais movimentadas e barulhentas da cidade. O curioso \u00e9 que a \u00e1rea verde, espremida no Centro do Rio, \u00e9 o ref\u00fagio de muitos animais.<\/p>\n<p>Entre pav\u00f5es, patos e fam\u00edlias de gansos, moram as cotias. Quase 500, que aprenderam a viver ali. Os bichos nem estranham o vai-e-vem de tanta gente. Para alimentar os animais, funcion\u00e1rios do parque servem peda\u00e7os de ab\u00f3bora, repolho, batata doce. A hora do almo\u00e7o \u00e9 uma festa. As cotias saboreiam tanta fartura. E por pouco, a c\u00e2mera do Globo Rep\u00f3rter n\u00e3o faz parte do banquete.<\/p>\n<p>\u201cOs bichos est\u00e3o aqui, est\u00e3o sendo alimentados. \u00c9 uma atra\u00e7\u00e3o para as pessoas, tem gente que vem aqui desde crian\u00e7a ver os bichos. E aqui, certamente n\u00e3o \u00e9 o lugar natural dos bichos\u201d, diz Bruno Cid, bi\u00f3logo da UFRJ.<\/p>\n<p>Lugar de animal silvestre \u00e9 na floresta.<\/p>\n<p>\u201cHoje voc\u00ea anda numa floresta dessa, voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea bicho nenhum. N\u00f3s vivemos hoje num mundo de florestas vazias\u201d, defende Fernando Fernandez, bi\u00f3logo da UFRJ.<\/p>\n<p>Parque Nacional da Tijuca, uma das maiores florestas urbanas do mundo. A Sol \u00e9 uma cotia selvagem que foi capturada, examinada e ganhou um colar com radiotransmissor. Em breve, vai ser solta. Sol nasceu nas matas. \u00c9 filha ou talvez neta de cotias que um dia viveram no Campo de Santana.<\/p>\n<p>Globo Rep\u00f3rter: E voc\u00ea sente meio pai das cotias?<br \/>\nCaio Kenup, bi\u00f3logo da UFRJ: Sim, sim. A gente fica triste quando elas morrem, fica torcendo para elas engravidarem. A gente se sente meio pai mesmo.<\/p>\n<p>Assim que o Caio abre a gaiola, Sol corre em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 mata para fazer o que mais gosta: dispersar sementes. As cotias t\u00eam o h\u00e1bito de enterrar os frutos e alguns, esquecidos, acabam germinando.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o conhecidas por essa raz\u00e3o, como verdadeiras jardineiras da floresta. A cotia \u00e9 um roedor que tem dentes bastante robustos, grandes, que conseguem ent\u00e3o quebrar frutos que outros animais n\u00e3o conseguem\u201d, explica Alexandra Pires, bi\u00f3loga da UFRJ.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que um dos principais alimentos da cotia \u00e9 a fruta da \u00e1rvore cotieira.<\/p>\n<p>O Globo Rep\u00f3rter conseguiu pegar uma das frutas da cotieira. Ela \u00e9 o alvo da cotia.<\/p>\n<p>Globo Rep\u00f3rter: S\u00f3 a cotia consegue comer?<br \/>\nAlexandra: Imagina que animal vai engolir isso aqui ou carregar. Ent\u00e3o a cotia pega essas sementinhas e ou come ou ent\u00e3o enterra essas sementes e vai permitir a regenera\u00e7\u00e3o dessas \u00e1rvores.<br \/>\nGlobo Rep\u00f3rter: E ela enterra certinho?<br \/>\nAlexandra: Enterra de um jeito inacredit\u00e1vel, profundidade exata. E ela ainda coloca a parte que vai virar raizinha para baixo e a folhinha para cima.<\/p>\n<p>Essas &#8220;jardineiras&#8221; da natureza n\u00e3o eram vistas por l\u00e1 h\u00e1 quase 40 anos. At\u00e9 que um grupo de bi\u00f3logos come\u00e7ou um projeto ambicioso: refaunar a floresta.<\/p>\n<p>\u201cRefauna\u00e7\u00e3o \u00e9 voc\u00ea preencher com vida a floresta vazia. \u00c9 voc\u00ea colocar de novo essas esp\u00e9cies animais daqui mesmo, nativos, que um dia desapareceram, a relativamente pouco tempo atr\u00e1s\u201d, explica Fernando.<\/p>\n<p>Foi assim que 19 cotias mudaram de endere\u00e7o: sa\u00edram do Campo de Santana, passaram por exames e depois de 40 dias, foram introduzidas na mata.<\/p>\n<p>\u201cA gente sempre faz o exame de sangue em todos os animais que a gente solta para entender se eles realmente podem contribuir para a popula\u00e7\u00e3o l\u00e1 no futuro ou se v\u00e3o espalhar doen\u00e7a l\u00e1 na floresta\u201d, diz Bruno Cid.<\/p>\n<p>\u201cUma vez que a gente fa\u00e7a isso, a gente tem que acompanhar essa popula\u00e7\u00e3o para ver se ela est\u00e1 diminuindo, se ela est\u00e1 aumentando, se ela est\u00e1 se no in\u00edcio do ano que vem, ganham a liberdade e mudam de endere\u00e7o: v\u00e3o viver na Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Globo Rep\u00f3rter: Voc\u00eas querem ver essa floresta aqui povoada de bichos?<br \/>\nAlexandra: \u00c9. Principalmente funcionando como uma floresta, com animais e as plantas, interagindo e garantindo a sobreviv\u00eancia, n\u00e3o s\u00f3 da floresta, mas da gente tamb\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre os pr\u00e9dios imponentes, a vida segue acelerada. 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