{"id":12185,"date":"2014-12-13T12:32:42","date_gmt":"2014-12-13T12:32:42","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=12185"},"modified":"2014-12-13T12:32:42","modified_gmt":"2014-12-13T12:32:42","slug":"pesquisadores-unem-esforcos-para-mapear-e-preservar-oncas-pintadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisadores-unem-esforcos-para-mapear-e-preservar-oncas-pintadas\/","title":{"rendered":"Pesquisadores unem esfor\u00e7os para mapear e preservar on\u00e7as-pintadas"},"content":{"rendered":"<p><img class=\"wm-poster-image\" style=\"width: 620px; height: 349px; margin-left: 0px; margin-top: 0px; visibility: visible;\" src=\"http:\/\/s02.video.glbimg.com\/x360\/3829281.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Uma selva exuberante, repleta de tesouros naturais, mas que engana nossos olhos. A Mata Atl\u00e2ntica esconde, na verdade, um cen\u00e1rio desolador.<\/p>\n<p>A imensid\u00e3o verde, a perder de vista, \u00e9 uma das maiores \u00e1reas de floresta que sobraram da Mata Atl\u00e2ntica. Os bi\u00f3logos estimam que restam apenas entre 7% e 12% da cobertura original. A m\u00e1 not\u00edcia \u00e9 que, mesmo em uma regi\u00e3o ainda preservada, \u00e9 cada vez mais raro encontrar um dos habitantes mais ilustres das florestas brasileiras: a on\u00e7a-pintada.<\/p>\n<p>A rainha das nossas selvas corre o risco de desaparecer para sempre desse habitat. Pesquisadores de todo o pa\u00eds unem esfor\u00e7os para mapear e preservar o maior felino das Am\u00e9ricas. O Globo Rep\u00f3rter vai atr\u00e1s deles tentar encontrar a on\u00e7a-pintada.<\/p>\n<p>Na estrada, o Globo Rep\u00f3rter foi privilegiado. Encontrou o veado-mateiro. \u00c1gil, ele foge dos carros e some rapidamente.<\/p>\n<p>No Parque Estadual Intervales, interior S\u00e3o Paulo, a miss\u00e3o \u00e9 capturar e colocar um colar com GPS no maior n\u00famero poss\u00edvel de on\u00e7as-pintadas.<\/p>\n<p>\u201cA ideia do r\u00e1dio-colar \u00e9 saber exatamente o que uma on\u00e7a-pintada precisa para sobreviver\u201d, explica Beatriz Beisiegel, bi\u00f3loga do CENAP &#8211; ICMBIO.<\/p>\n<p>Beatriz se dedica ao estudo dos felinos h\u00e1 mais de 20 anos. E conhece o comportamento do animal como poucos.<\/p>\n<p>Poucos dias antes da chegada da equipe do Globo Rep\u00f3rter, os pesquisadores capturaram uma on\u00e7a-parda. Em um v\u00eddeo, \u00e9 poss\u00edvel ver o momento em que o veterin\u00e1rio, conhecido como G\u00ea, atira o anest\u00e9sico no animal. S\u00f3 assim a on\u00e7a pode ser examinada sem oferecer perigo. \u00c9 um macho de cinco anos, com 32 quilos, que foi solto em seguida.<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o para instalar as armadilhas na Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 bem complicada. A floresta \u00e9 densa e montanhosa. Exige esfor\u00e7o f\u00edsico e muito conhecimento da regi\u00e3o. Foram necess\u00e1rios tr\u00eas dias para montar 11 armadilhas.<\/p>\n<p>\u201cO mais dif\u00edcil \u00e9 estar escolhendo o local\u201d, conta Gediendson Ribeiro de Ara\u00fajo, o \u2018G\u00ea\u2019, veterin\u00e1rio da Universidade Federal de Vi\u00e7osa.<\/p>\n<p>O local \u00e9 estrat\u00e9gico. Al\u00e9m de estar no caminho natural do bicho, \u00e9 preciso tamb\u00e9m ser uma \u00e1rea ao alcance do sinal de radiotransmissores. A instala\u00e7\u00e3o dos transmissores no alto das \u00e1rvores \u00e9 outro desafio.<\/p>\n<p>Com a ajuda de uma engenhoca, G\u00ea consegue terminar em poucos minutos uma tarefa que costuma levar mais de meia hora: colocar o transmissor no alto para facilitar o monitoramento dos la\u00e7os.<\/p>\n<p>Assim que terminam de montar a armadilha, \u00e9 necess\u00e1rio um teste, para ver se ela vai funcionar normalmente, e eles garantem que a armadilha n\u00e3o machuca o animal. Por isso as pessoas podem at\u00e9 usar as pr\u00f3prias m\u00e3os para fazer o teste.<\/p>\n<p>Foi assim, com essa estrat\u00e9gia, que o grupo la\u00e7ou uma on\u00e7a-pintada h\u00e1 mais de tr\u00eas meses no Parque Estadual Carlos Botelho. A f\u00eamea, batizada de Soneca, tem entre 5 e 6 anos de idade e 54 quilos. Soneca ganhou um colar com GPS antes de recuperar a consci\u00eancia. De volta \u00e0 natureza, ela est\u00e1 sendo monitorada por sat\u00e9lite.<\/p>\n<p>Globo Rep\u00f3rter: Qual a import\u00e2ncia desse colar, dessa pesquisa, para que a on\u00e7a-pintada n\u00e3o corra o risco de extin\u00e7\u00e3o?<br \/>\nBeatriz: A pr\u00f3pria on\u00e7a-pintada indica para a gente quais s\u00e3o as \u00e1reas importantes para a conserva\u00e7\u00e3o dela.<\/p>\n<p>Pelo trajeto, Beatriz calcula que Soneca andou mais do que 80 quil\u00f4metros em linha reta.<\/p>\n<p>\u201cSe ela precisa andar muito para viver \u00e9 porque ela tem pouco recurso nessa \u00e1rea. E esse caminho precisa ser protegido, porque s\u00e3o poucas\u201d, conta Beatriz.<\/p>\n<p>Os pesquisadores contam com a ajuda dos experientes funcion\u00e1rios do parque. Aparecido vai passar a noite no alto do morro conhecido como Mirante do Velho. L\u00e1 \u00e9 o \u00fanico lugar onde se pode monitorar o sinal enviado pelos radiotransmissores das armadilhas. Aparecido vem de uma fam\u00edlia que vivia da ca\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cA gente achava que a on\u00e7a tinha que matar, palmito tinha que cortar mesmo para sobreviver, mas n\u00e3o \u00e9 bem isso, n\u00e3o\u201d, diz Aparecido Dias de Oliveira, volunt\u00e1rio do Projeto On\u00e7as do Vale do Ribeira.<\/p>\n<p>Hoje ele se orgulha em ajudar na preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<\/p>\n<p>No meio da noite veio o alarme. Os veterin\u00e1rios t\u00eam que agir r\u00e1pido: uma anta ficou presa. O bicho estava assustado e podia atacar os pesquisadores.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, a presen\u00e7a de antas por l\u00e1 \u00e9 um bom sinal. A anta \u00e9 uma das presas naturais da on\u00e7a-pintada. Quando falta comida, os animais procuram alternativas fora da selva. Ant\u00f4nio foi testemunha de um desses momentos perigosos.<\/p>\n<p>\u201cEu abri a porta. Ela estava aqui em cima da cachorra, mordendo a cachorra. A\u00ed quando ela percebeu que eu abri a porta, ela levantou em p\u00e9, olhou para mim, eu voltei para dentro e chamei o colega de trabalho. A\u00ed, quando a gente retornou aqui, ela j\u00e1 tinha seguido com a cachorra\u201d, lembra Ant\u00f4nio.<\/p>\n<p>A cadela morreu no ataque.<\/p>\n<p>\u201cQuando uma on\u00e7a ataca um cachorro \u00e9 porque est\u00e1 faltando comida na floresta para a on\u00e7a-pintada. A on\u00e7a n\u00e3o vai se aproximar da borda de lugares que tem seres humanos, se ela tiver alternativas dentro da floresta\u201d, explica Beatriz.<\/p>\n<p>Por que os animais est\u00e3o sumindo da mata? Este \u00e9 um problema ambiental grave chamado defauna\u00e7\u00e3o. Mas tem um significado dram\u00e1tico.<\/p>\n<p>\u201cDefauna\u00e7\u00e3o \u00e9 a aus\u00eancia de fauna. \u00c9 quando voc\u00ea entra nessa floresta, tem ecossistema natural, mas n\u00e3o tem fauna\u201d, explica Mauro Galetti, bi\u00f3logo da UNESP.<\/p>\n<p>A expedi\u00e7\u00e3o chega ao fim. Desta vez, eles n\u00e3o conseguiram capturar a on\u00e7a-pintada nesse trecho da Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Beatriz: \u00c9 um indicador forte que tem muito pouco bicho. Eles est\u00e3o ficando cada vez mais raros, precisa preservar tanto a mata quanto os bichos.<\/p>\n<p>A estimativa \u00e9 que existem no m\u00e1ximo 250 on\u00e7as. E s\u00f3 50 estariam em idade reprodutiva.<\/p>\n<p>\u201cSe a gente n\u00e3o tomar medidas de conserva\u00e7\u00e3o desse animal, a Mata Atl\u00e2ntica vai ser o primeiro bioma tropical em todo mundo a perder o seu predador de topo\u201d, lamenta Mauro Galetti.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante a gente lembrar que a Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 um bioma permeado pela ocupa\u00e7\u00e3o humana. Se a gente quer amanh\u00e3 um ar de qualidade e uma \u00e1gua de qualidade como a gente tem hoje, essas \u00e1reas s\u00e3o de extrema import\u00e2ncia\u201d, diz o gestor do Parque Estadual Intervales, Thiago Borges Conforti.<\/p>\n<p>Fonte: Globo Rep\u00f3rter<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma selva exuberante, repleta de tesouros naturais, mas que engana nossos olhos. 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