{"id":121302,"date":"2020-02-05T12:00:14","date_gmt":"2020-02-05T15:00:14","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=121302"},"modified":"2020-02-03T20:50:07","modified_gmt":"2020-02-03T23:50:07","slug":"extintos-ha-200-anos-jabutis-sao-reintroduzidos-no-parque-nacional-da-tijuca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/extintos-ha-200-anos-jabutis-sao-reintroduzidos-no-parque-nacional-da-tijuca\/","title":{"rendered":"Extintos h\u00e1 200 anos, jabutis s\u00e3o reintroduzidos no Parque Nacional da Tijuca"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/jabuti.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-121303\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/jabuti.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/jabuti.jpg 415w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/jabuti-300x192.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 415px) 100vw, 415px\" \/><\/a>Passo a passo, o animal mais agressivo do Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) do Rio de Janeiro avan\u00e7ava em minha dire\u00e7\u00e3o. Ciente de sua reputa\u00e7\u00e3o e m\u00e1s inten\u00e7\u00f5es, eu observava intrigado sua aproxima\u00e7\u00e3o, parado no centro de seu recinto. Eu tinha, afinal, todo o tempo do mundo para me afastar, porque longe de uma criatura de presas e garras, a \u201cbesta\u201d em quest\u00e3o se tratava de um jabuti. Com seus 29 kg, Godzilla \u00e9 um animal pouco usual para os padr\u00f5es de sua esp\u00e9cie, tanto pelo seu tamanho avantajado quanto pelo seu temperamento. Ainda assim, eu tinha que saber: o que exatamente ele pretendia fazer comigo quando me alcan\u00e7asse?<\/p>\n<p>Parte de mim esperava um ataque direto contra minha canela. Recolher a cabe\u00e7a e usar o casco como um ar\u00edete \u00e9 uma t\u00e1tica que jabutis frequentemente empregam em disputas de domin\u00e2ncia, medindo for\u00e7as com seus advers\u00e1rios em batalhas que podem durar horas. No entanto, para minha surpresa, assim que chegou pr\u00f3ximo o suficiente, Godzilla abocanhou a barra da minha cal\u00e7a e rapidamente (sim, rapidamente) puxou sua cabe\u00e7a para dentro do casco. Demorei um segundo para entender que eu estava preso, e um segundo a mais para perceber que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil se desvencilhar de um jabuti de quase trinta quilos. Ap\u00f3s um momento de tens\u00e3o eu finalmente consegui me soltar, grato por ter escolhido usar um par de jeans resistentes naquele dia. Implac\u00e1vel, Godzilla tornou a bufar e caminhar em minha dire\u00e7\u00e3o, mas decidi que, por hora, j\u00e1 tinha aprendido o suficiente a respeito dele. Afastando-me de meu inusitado agressor, voltei minha aten\u00e7\u00e3o para as outras dezenas de jabutis no recinto, e para os bi\u00f3logos que os carregavam para dentro e para fora de sua moradia tempor\u00e1ria.<\/p>\n<p>Em um pequeno cercado de quatro metros quadrados, separado por poucos metros do recinto principal que abrigava todos os animais, Robin Le Balle, aluno de doutorado do Laborat\u00f3rio de Ecologia e Conserva\u00e7\u00e3o de Popula\u00e7\u00f5es (LECP) do Rio de Janeiro, observava cuidadosamente a intera\u00e7\u00e3o entre pares de animais. \u201cColocamos dois jabutis juntos dentro da arena e contamos quantas vezes eles exibem cada a\u00e7\u00e3o de uma lista de comportamentos que nos interessam,\u201d conta o pesquisador, se referindo a apenas um dos v\u00e1rios experimentos que conduzia com os jabutis.<\/p>\n<figure id=\"attachment_75258\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-75258\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-75258\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/jabutis-2.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/jabutis-2.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/jabutis-2-300x185.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"393\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-75258\" class=\"wp-caption-text\">Jabutis esperando sua soltura no cercado de aclimata\u00e7\u00e3o do Parque Nacional da Tijuca recebem suplementa\u00e7\u00e3o alimentar. Foto: Bernardo Araujo.<\/figcaption><\/figure>\n<p>A pesquisa de Robin busca entender melhor a personalidade de cada animal. Ainda que pare\u00e7am similares, cada indiv\u00edduo possui tra\u00e7os pr\u00f3prios de agressividade, tend\u00eancia \u00e0 explora\u00e7\u00e3o e sociabilidade. \u201cQuando colocados no cercado de teste,\u201d continua Robin, \u201calguns bichos ficam parados com a cabe\u00e7a para dentro do casco por at\u00e9 10 minutos, quase im\u00f3veis, e outros prontamente se desencolhem e passam todo o tempo que podem explorando o local. Tamb\u00e9m encontramos diferen\u00e7as na domin\u00e2ncia entre indiv\u00edduos, sendo alguns mais dominantes, e outros mais submissos.\u201d Conhecer essas diferen\u00e7as pode ajudar a prever como cada animal se comporta em seu ambiente natural, e auxiliar na real miss\u00e3o dos bi\u00f3logos que trouxeram 60 jabutis de diferentes regi\u00f5es do Brasil para o CETAS do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Toda a \u00e1rea original do estado do Rio de Janeiro pertence ao bioma da Mata Atl\u00e2ntica. O fato de que apenas cerca de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sosma.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Atlas-mata-atlantica_17-18.pdf\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">19% dessa mata permanece de p\u00e9 no estado<\/a>, e o de que o Rio \u00e9 um dos estados com maior cobertura relativa de Mata Atl\u00e2ntica remanescente, atestam o estado cr\u00edtico da floresta que originalmente ocupava mais de 1.300.000 km<sup>2<\/sup>\u00a0do territ\u00f3rio brasileiro. Al\u00e9m disso, entre os poucos fragmentos florestais que restam, a grande maioria foram esvaziados de uma fauna de m\u00e9dio e grande porte, vital para a manuten\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas como a dispers\u00e3o de sementes de esp\u00e9cies de \u00e1rvores. Felizmente, o caminho para a defauna\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sempre um caminho sem volta. A reintrodu\u00e7\u00e3o de fauna \u2014 o restabelecimento de popula\u00e7\u00f5es de esp\u00e9cies nativas em \u00e1reas onde elas haviam sido extintas \u2014 tem se tornado uma ferramenta cada vez mais utilizada no mundo todo. E um dos principais laborat\u00f3rios vivos de reintrodu\u00e7\u00e3o de fauna no Brasil \u00e9 precisamente o fragmento de Mata Atl\u00e2ntica mais visitado de todo o pa\u00eds.<\/p>\n<figure id=\"attachment_75255\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-75255\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-75255\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/reintrodu%C3%A7%C3%A3o-2.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/reintrodu\u00e7\u00e3o-2.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/reintrodu\u00e7\u00e3o-2-300x170.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/reintrodu\u00e7\u00e3o-2-1024x580.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/reintrodu\u00e7\u00e3o-2-600x340.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/reintrodu\u00e7\u00e3o-2-640x363.jpg 640w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"363\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-75255\" class=\"wp-caption-text\">Robin Le Balle observa o comportamento dos jabutis no cercado de teste no CETAS RJ. Foto: Bernardo Araujo.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Desde 2009, o Parque Nacional da Tijuca (PNT), uma mancha verde de 4 mil hectares no meio da selva urbana da cidade do Rio de Janeiro, vem sendo o principal centro de opera\u00e7\u00f5es do projeto Refauna, uma iniciativa que une bi\u00f3logos da conserva\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e do Instituto Federal de Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Tecnologia (IFRJ). Indo al\u00e9m do restabelecimento de uma ou outra esp\u00e9cie extinta, este projeto se intitula um projeto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/dicionario-ambiental\/28847-o-que-e-refaunacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"internal\">refauna\u00e7\u00e3o<\/a>, tendo como objetivo reconstituir n\u00e3o s\u00f3 a fauna de uma floresta vazia, como as intera\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas que foram perdidas junto com esses animais. Para tal fim, o projeto j\u00e1 devolveu cutias e bugios para o parque, e agora, em 2020, \u00e9 a vez de um r\u00e9ptil ser retornado \u00e0 floresta.<\/p>\n<p>\u201cA maior parte das pessoas nem sabe que jabutis existiram por aqui,\u201d diz Carolina Starling, aluna de mestrado do LECP e a principal respons\u00e1vel pela reintrodu\u00e7\u00e3o dos jabutis. \u201cElas nem imaginam que o lugar dos nossos jabutis nativos \u00e9 numa floresta! Entre os vertebrados maiores, jabutis costumam estar entre as primeiras esp\u00e9cies a desaparecer quando existe alguma press\u00e3o de ca\u00e7a. H\u00e1 inclusive evid\u00eancias disso para a Amaz\u00f4nia. Isso acontece por causa da demografia fr\u00e1gil deles. Eles s\u00e3o animais muito longevos e com baixas taxas reprodutivas, e declinam rapidamente quando existe ca\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 bem prov\u00e1vel que esses r\u00e9pteis tenham sido extintos das florestas do estado do Rio h\u00e1 mais de 200 anos, tempo suficiente para que desaparecessem da mem\u00f3ria das popula\u00e7\u00f5es humanas locais, e para que os bi\u00f3logos de hoje n\u00e3o tivessem certeza sobre qual esp\u00e9cie de jabuti existia aqui em primeiro lugar. Carolina precisou recorrer a trabalhos de naturalistas europeus dos s\u00e9culos XVIII e XIX para responder essa pergunta. \u201cDentre todos os trabalhos que consultei, o principal foi provavelmente o do Pr\u00edncipe Maximilian de Wied-Neuwied, um naturalista alem\u00e3o que esteve aqui no s\u00e9culo XIX. Al\u00e9m de registrar a fauna dos lugares por onde ele passou, e sua associa\u00e7\u00e3o com o ambiente onde viviam, Maximilian fez descri\u00e7\u00f5es e desenhos extremamente detalhados sobre a esp\u00e9cie de jabuti que encontrou, que me permitiram identific\u00e1-la com seguran\u00e7a como\u00a0<em>Chelonoidis denticulatus<\/em>.\u201d Essa esp\u00e9cie, \u00e0 qual todos os jabutis do projeto pertencem, se distingue da outra esp\u00e9cie brasileira,\u00a0<em>Chelonoidis carbonarius<\/em>, por ser um pouco maior e possuir uma anatomia (cor, tamanho e formato de escudos do casco e escamas, assim como o pr\u00f3prio formato do casco) e h\u00e1bitos ecol\u00f3gicos (<em>C. carbonarius<\/em>\u00a0tende a viver em \u00e1reas mais secas, por exemplo) ligeiramente diferentes.<\/p>\n<figure id=\"attachment_75257\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-75257\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-75257 \" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/reintrodu%C3%A7%C3%A3o.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/reintrodu\u00e7\u00e3o.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/reintrodu\u00e7\u00e3o-256x300.jpg 256w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"749\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-75257\" class=\"wp-caption-text\">Carolina Starling coleta dados de localiza\u00e7\u00e3o dos jabutis reintroduzidos no Parque Nacional da Tijuca. Foto: Paula Viana.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Essa confirma\u00e7\u00e3o era apenas o primeiro passo. \u00c0 frente estava o desafio de encontrar jabutis que poderiam ser devolvidos \u00e0 Tijuca, e o longo processo de prepar\u00e1-los para sua reintrodu\u00e7\u00e3o, que tomaria boa parte de 2018 e 2019. Ap\u00f3s muita procura, Carolina conseguiu encontrar animais que poderiam ser utilizados no projeto no CETAS de Belo Horizonte, no Centro de Reabilita\u00e7\u00e3o de Animais Silvestres (CRAS) do Parque Ecol\u00f3gico do Tiet\u00ea, no Centro de Manejo e Conserva\u00e7\u00e3o de Animais Silvestres de S\u00e3o Paulo e, principalmente da Universidade Federal do Mato Grosso, em Cuiab\u00e1. Algumas viagens de carro e avi\u00e3o depois \u2014 auxiliados respectivamente pelo PNT e pela GOL, que trouxe os animais de Cuiab\u00e1 como carga viva em voos comerciais \u2014, todos os jabutis necess\u00e1rios para uma primeira reintrodu\u00e7\u00e3o estavam reunidos no CETAS do Rio, mas meses de trabalho ainda os separavam da floresta.<\/p>\n<p>Como de praxe, os animais passaram por uma quarentena e diversos exames, a fim de confirmar que estavam suficientemente saud\u00e1veis para serem reintroduzidos e que n\u00e3o carregariam nenhum\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Agente_patog%C3%A9nico\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">pat\u00f3geno<\/a>\u00a0para seu novo ambiente. Estruturas para abrigar os animais tamb\u00e9m tiveram que ser constru\u00eddas n\u00e3o apenas no CETAS, mas tamb\u00e9m no PNT. Para desenvolver a melhor estrat\u00e9gia poss\u00edvel para a reintrodu\u00e7\u00e3o, o projeto est\u00e1 testando dois protocolos diferentes para a soltura dos animais. Parte dos jabutis seriam liberados diretamente no parque. Outros ficariam seis meses dentro de um cercado de aclimata\u00e7\u00e3o na pr\u00f3pria Tijuca, onde receberiam suplementa\u00e7\u00e3o alimentar durante o per\u00edodo de adapta\u00e7\u00e3o em seu novo ambiente.<\/p>\n<p>Toda essa s\u00e9rie de esfor\u00e7os come\u00e7ou a ser recompensada no in\u00edcio deste ano. No dia 16 de janeiro, 28 dos 60 animais do projeto foram liberados na floresta. Parte destes aguardava a abertura das portas do cercado de aclimata\u00e7\u00e3o h\u00e1 seis meses, enquanto outros foram transportados diretamente do CETAS para sua vida em liberdade. Todos foram numerados, equipados com radiotransmissores, e ser\u00e3o monitorados diariamente por equipes do Refauna at\u00e9 meados de fevereiro, para que os bi\u00f3logos possam acompanhar para onde os animais v\u00e3o se mover, e se eles est\u00e3o conseguindo sobreviver bem. Em breve, experimentos relacionados \u00e0 intera\u00e7\u00e3o desses animais com a vegeta\u00e7\u00e3o nativa tamb\u00e9m come\u00e7ar\u00e3o a acontecer. \u201cVamos come\u00e7ar experimentos para averiguar quanto tempo sementes ingeridas demoram para passar pelo trato digestivo dos animais,\u201d diz Carolina. \u201cJunto com nossos dados de movimenta\u00e7\u00e3o, isso vai nos dar uma ideia do qu\u00e3o longe do local de alimenta\u00e7\u00e3o as sementes poder\u00e3o ser depositadas. Vamos tamb\u00e9m analisar a rela\u00e7\u00e3o entre jabutis e besouros rola-bosta, que podem ajudar a carregar as sementes dispersadas para ainda mais longe, e talvez permitir que eles parem num ambiente ideal para sua germina\u00e7\u00e3o\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_75260\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-75260\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-75260 \" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/reintrodu%C3%A7%C3%A3o-3.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/reintrodu\u00e7\u00e3o-3.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/reintrodu\u00e7\u00e3o-3-225x300.jpg 225w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"853\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-75260\" class=\"wp-caption-text\">Bi\u00f3logos do Refauna procuram os jabutis liberados na floresta com o aux\u00edlio de equipamento de r\u00e1dio-monitoramento. Foto: Carolina Starling.<\/figcaption><\/figure>\n<p>A esperan\u00e7a \u00e9 que esses animais ajudem a dispersar os frutos de diversas \u00e1rvores nativas, e que tamb\u00e9m comecem a predar algumas invasoras. \u201cJ\u00e1 observamos os jabutis predando Dracena, comigo-ningu\u00e9m-pode e jaca, o que \u00e9 \u00f3timo,\u201d acrescenta Carolina.<\/p>\n<p>A reintrodu\u00e7\u00e3o de jabutis no PNT est\u00e1 apenas come\u00e7ando. Os 28 indiv\u00edduos j\u00e1 soltos est\u00e3o sendo monitorados h\u00e1 duas semanas, passam bem, e j\u00e1 come\u00e7am a dispersar pela floresta. Uma f\u00eamea, Rubi, j\u00e1 se afastou mais um quil\u00f4metro da regi\u00e3o de soltura, ocupando novas \u00e1reas da Tijuca. Por\u00e9m, seu novo lar \u00e9 apenas um dentre centenas de fragmentos do quais jabutis foram extirpados na Mata Atl\u00e2ntica, e as esperan\u00e7as da equipe do Refauna para o futuro v\u00e3o al\u00e9m dele.<\/p>\n<p>Em breve, os bi\u00f3logos poder\u00e3o associar os dados de comportamento que obtiveram no CETAS com os dados de movimento e sobreviv\u00eancia dos animais no parque. Isso os ajudar\u00e1 a entender como as personalidades dos jabutis afetam o processo de reintrodu\u00e7\u00e3o, o que pode ser extremamente valioso para novas reintrodu\u00e7\u00f5es. \u201cEste experimento visa criar um tipo de protocolo de sele\u00e7\u00e3o para futuras reintrodu\u00e7\u00f5es desta esp\u00e9cie,\u201d afirma Robin. \u201cO objetivo \u00e9 prever diferentes aspectos da sobreviv\u00eancia, como o estabelecimento de \u00e1reas de vida dos animais ou o ganho de peso dos mesmos, usando dados de personalidade.\u201c<\/p>\n<p>\u201cEu vejo o refauna como um foco multiplicador,\u201d diz Carolina. \u201c\u00c9 como um laborat\u00f3rio onde podemos aprender sobre reintrodu\u00e7\u00f5es e transmitir esse aprendizado para outras pessoas aplicarem este conhecimento de forma mais eficiente.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passo a passo, o animal mais agressivo do Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS)<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":121303,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/jabuti.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/jabuti-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/jabuti-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/jabuti.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/jabuti.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/jabuti.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/jabuti.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/jabuti.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/jabuti.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/jabuti.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Passo a passo, o animal mais agressivo do Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS)","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/121302"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=121302"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/121302\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/121303"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=121302"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=121302"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=121302"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}