{"id":121228,"date":"2020-02-05T08:00:01","date_gmt":"2020-02-05T11:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=121228"},"modified":"2020-02-03T20:02:47","modified_gmt":"2020-02-03T23:02:47","slug":"atlas-das-serpentes-brasileiras-o-maior-estudo-sobre-as-especies-de-serpentes-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/atlas-das-serpentes-brasileiras-o-maior-estudo-sobre-as-especies-de-serpentes-no-brasil\/","title":{"rendered":"Atlas das Serpentes Brasileiras: o maior estudo sobre as esp\u00e9cies de serpentes no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/atlas_serpente.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-121229\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/atlas_serpente.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/atlas_serpente.jpg 415w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/atlas_serpente-300x192.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 415px) 100vw, 415px\" \/><\/a>\u00c9 lugar comum dizer que o Brasil abriga uma enorme\u00a0<strong>biodiversidade<\/strong>. Temos 8,5 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados nos quais h\u00e1 diversas zonas biogeogr\u00e1ficas, biomas, fauna e flora variadas.<\/p>\n<p>Pesquisar, catalogar e compreender toda essa biodiversidade \u00e9 um desafio para especialistas que fazem de seu of\u00edcio um\u00a0<strong>ato pela manuten\u00e7\u00e3o da vida no planeta.<\/strong>\u00a0Esse \u00e9 o projeto de 32 pesquisadores latino-americanos que fizeram uma investiga\u00e7\u00e3o conjunta para mapear onde vivem as serpentes do Brasil.<\/p>\n<p>Trata-se de uma pesquisa pioneira por ser a que conseguiu mapear\u00a0<strong>o maior n\u00famero de esp\u00e9cies de serpentes<\/strong>, que resultou no\u00a0<a href=\"https:\/\/bioone.org\/journals\/south-american-journal-of-herpetology\/volume-14\/issue-sp1\/SAJH-D-19-00120.1\/Atlas-of-Brazilian-Snakes--Verified-Point-Locality-Maps-to\/10.2994\/SAJH-D-19-00120.1.full\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Atlas das Serpentes Brasileiras<\/a>, publicado na<em>\u00a0South American Journal of Herpetology<\/em>, uma revista cient\u00edfica dedicada aos estudos sobre r\u00e9pteis e anf\u00edbios.<\/p>\n<p>Os pesquisadores consultaram\u00a0<strong>160 mil exemplares de serpentes catalogadas desde o s\u00e9culo XVIII<\/strong>\u00a0em arquivos de universidades e museus de hist\u00f3ria natural do Brasil e do mundo.<\/p>\n<p>Um dos pesquisadores envolvidos no projeto \u00e9 o professor e pesquisador do Instituto de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas (ICB) da\u00a0<a href=\"https:\/\/www2.ufjf.br\/noticias\/2020\/01\/30\/o-atlas-das-serpentes-brasileiras\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)<\/a>, Henrique Caldeira Costa, que explica que em muitas regi\u00f5es da Amaz\u00f4nia a pesquisa n\u00e3o encontrou registros de nenhum exemplar de serpentes nas cole\u00e7\u00f5es consultadas. A raz\u00e3o, segundo Costa, \u00e9 que os centros de pesquisa brasileiros est\u00e3o em capitais, como S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador, Bel\u00e9m e Bras\u00edlia, onde h\u00e1 muitas d\u00e9cadas as serpentes s\u00e3o pesquisadas.<\/p>\n<h2>100% brasileiras<\/h2>\n<p>A pesquisa analisou\u00a0<strong>412 esp\u00e9cies, das quais 163 s\u00e3o brasileiras<\/strong>, o que corresponde a 39% do total de serpentes catalogadas. As esp\u00e9cies brasileiras, em geral, s\u00e3o\u00a0<strong>end\u00eamicas<\/strong>, ou seja, vivem em regi\u00f5es espec\u00edficas, com clima e vegeta\u00e7\u00e3o pr\u00f3prios. Tal fator interfere diretamente na distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica desses animais.<\/p>\n<p>As<strong>\u00a0regi\u00f5es do pa\u00eds com as maiores popula\u00e7\u00f5es de serpente<\/strong>s s\u00e3o: o sul da Mata Atl\u00e2ntica (onde h\u00e1 matas de Arauc\u00e1rias), os pampas, a Serra do Mar (litoral do sudeste) e a Serra do Espinha\u00e7o (entre Minas Gerais e Bahia). Elas tamb\u00e9m est\u00e3o presentes no sudeste baiano, nas \u00e1reas altas do Cear\u00e1, nas dunas do rio S\u00e3o Francisco (na Bahia), na bacia do rio Tocantins, no oeste do Cerrado e no norte da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<h2>Risco de extin\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Apesar da constata\u00e7\u00e3o dos pesquisadores de que essa<strong>\u00a0distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica reflete a diversidade dos grupos de serpentes<\/strong>, eles alertam para os\u00a0<strong>riscos<\/strong>\u00a0que elas correm por causa da agropecu\u00e1ria e da atividade energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>Essa amea\u00e7a \u00e9 corroborada por dados do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (MMA) acerca de<strong>\u00a030 esp\u00e9cies de serpentes brasileiras estarem sob o risco de extin\u00e7\u00e3o.<\/strong>\u00a0O Atlas das Serpentes Brasileiras produziu mapas que j\u00e1 est\u00e3o sendo usados em a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio).<\/p>\n<p>Costa esclarece que:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cNo [de] licenciamento ambiental,\u00a0<strong>o Atlas ser\u00e1 uma refer\u00eancia muito usada por consultores<\/strong>\u00a0que busquem informa\u00e7\u00f5es sobre as esp\u00e9cies de serpentes com potencial ocorr\u00eancia em uma \u00e1rea onde se planeja um empreendimento, aprimorando previs\u00f5es de impacto ambiental. Al\u00e9m disso, o texto e os mapas do documento podem embasar de forma mais precisa futuros livros de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e projetos. As possibilidades de impacto desse estudo, em geral, s\u00e3o mais amplas do que posso imaginar\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<h2>\u00c9 preciso investir na ci\u00eancia<\/h2>\n<p>A pesquisa s\u00f3 foi poss\u00edvel ser realizada por causa das chamadas\u00a0<strong>\u201cbibliotecas da vida\u201d<\/strong>, que s\u00e3o acervos que abarcam cole\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas que constituem a mem\u00f3ria da hist\u00f3ria natural.<\/p>\n<blockquote><p>\u00a0\u201c<strong>O Brasil precisa investir mais e melhor em suas cole\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas.<\/strong> S\u00f3 nos \u00faltimos dez anos, perdemos dezenas de milhares de exemplares de cole\u00e7\u00f5es nos inc\u00eandios no Instituto Butantan, em 2010, e no Museu Nacional, em 2018. Foram incineradas informa\u00e7\u00f5es \u00fanicas sobre a nossa biodiversidade, que poderiam embasar milhares de disserta\u00e7\u00f5es de mestrado, teses de doutorado e artigos cient\u00edficos\u201d, argumenta Costa.<\/p><\/blockquote>\n<p>Nesse sentido, o professor e bi\u00f3logo defende a import\u00e2ncia do\u00a0<strong>investimento cient\u00edfico no Brasil<\/strong>, que tem sido negligenciado nos \u00faltimos anos, levando a perdas irrecuper\u00e1veis para o pa\u00eds e para o mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 lugar comum dizer que o Brasil abriga uma enorme\u00a0biodiversidade. 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