{"id":121204,"date":"2020-02-03T14:00:27","date_gmt":"2020-02-03T17:00:27","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=121204"},"modified":"2020-02-02T21:45:05","modified_gmt":"2020-02-03T00:45:05","slug":"do-mar-ao-sertao-do-nordeste-mulheres-promovem-uma-revolucao-silenciosa-e-derrubam-cliches","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/do-mar-ao-sertao-do-nordeste-mulheres-promovem-uma-revolucao-silenciosa-e-derrubam-cliches\/","title":{"rendered":"Do mar ao sert\u00e3o do Nordeste, mulheres promovem uma revolu\u00e7\u00e3o silenciosa e derrubam clich\u00eas"},"content":{"rendered":"<p class=\"\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/marisqueira.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-121205\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/marisqueira.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/marisqueira.jpg 415w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/marisqueira-300x192.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 415px) 100vw, 415px\" \/><\/a>A Marlene dos Santos Santana, nunca lhe ensinaram a <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/pesca\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">pescar<\/a>. Aprendeu a pegar siri e aratu no mangue, a tirar ostra ou a puxar o peixe com uma vara de linha de tanto acompanhar os pais trabalharem na beira do rio em Campinhos, a maior comunidade da Reserva Extrativista de Canavieiras, no extremo sul da Bahia. A vida dela seguiu um curso comum para as mulheres que integram as mais de 2.000 fam\u00edlias que vivem na regi\u00e3o: a de abra\u00e7ar a atividade pesqueira como profiss\u00e3o antes mesmo dos dez anos de idade. Quando elas chegaram \u00e0 adolesc\u00eancia, j\u00e1 sabiam que o tempo de trabalhar quem dita \u00e9 a mar\u00e9 e que mulher tem que se virar entre a lama e a \u00e1gua salgada porque, mesmo que os maridos sejam historicamente vistos como arrimos de fam\u00edlia, \u00e9 da versatilidade delas que vem uma relevante produ\u00e7\u00e3o para a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/11\/12\/politica\/1573581512_623918.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">renda familiar<\/a>. \u201cAqui, todo mundo pesca, mas a for\u00e7a maior \u00e9 das mulheres. A atividade que tiver aqui no manguezal a gente faz, mas durante muito tempo foi como se a gente fosse invis\u00edvel\u201d, diz Marlene.<\/p>\n<p class=\"\">Ela criou nove filhos gra\u00e7as \u00e0 pesca, enquanto via o marido, tamb\u00e9m pescador, ser dominado pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/alcoholismo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">alcoolismo<\/a>. Fazia ro\u00e7a, plantava frutas ao redor de casa, rezava para que a seca n\u00e3o matasse o que alimentaria a fam\u00edlia dela. E se enfiava na lama para pegar marisco mesmo poucas semanas depois de parir porque licen\u00e7a maternidade nunca foi uma op\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ser mulher na pesca. Voc\u00ea sabe, n\u00e9? A gente tem ov\u00e1rio e \u00fatero. A gente cai, se atola. Eu ia para o mangue com um m\u00eas de parida pra poder manter a casa. As outras mulheres aqui que t\u00eam marido \u00e0s vezes podiam esperar um pouco mais, mas meu marido n\u00e3o ajudava\u201d, conta.<\/p>\n<p class=\"\">Marlene aponta ent\u00e3o para uma cicatriz na barriga, fruto da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/violencia_genero\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">viol\u00eancia dom\u00e9stica<\/a>\u00a0que sofreu cinco dias depois de colocar mais uma crian\u00e7a no mundo. \u201cHoje eu sou vi\u00fava. Tem oito anos que ele morreu, e a \u00fanica coisa que me deixou foi filho, porque a gente n\u00e3o tinha nem uma casa&#8221;, diz. Uns dois anos antes do marido morrer, Marlene viu as mulheres da comunidade se organizarem na Associa\u00e7\u00e3o M\u00e3e da\u00a0<a href=\"https:\/\/uc.socioambiental.org\/pt-br\/arp\/4481\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Reserva Extrativista de Canavieiras<\/a>\u00a0(Amex). Ela integrou o grupo e, ali, come\u00e7ou a entender que tamb\u00e9m tem direitos. N\u00e3o deixou a pesca, mas se embrenhou em uma longa luta pelas fam\u00edlias de pescadores e, em especial, pelas companheiras. Hoje, v\u00ea a gera\u00e7\u00e3o de suas netas despertar para uma vida que mant\u00e9m a tradi\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, mas tem como premissa n\u00e3o aceitar o m\u00ednimo e reivindicar a igualdade de g\u00eanero.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img loading=\"lazy\" class=\"width_full breakout\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/_sSiP64ApA7E7oxFryHa83xkuM8=\/1500x0\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/5ZSOSGVYAJBWLKVBRESCLZ2WQI.jpg\" alt=\"L\u00edlian Santana, pescadora e coordenadora da Rede Mulheres de Campinhos.\" width=\"639\" height=\"426\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">L\u00edlian Santana, pescadora e coordenadora da Rede Mulheres de Campinhos.<span class=\"color_black margin_left uppercase light\">MARCO ANT\u00d4NIO TEIXEIRA \/ WWF<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">\u201cO que faz a gente existir \u00e9 a nossa forma de viver da pesca\u201d, afirma a neta de Marlene, Lilian Santana, com o nariz em riste em dire\u00e7\u00e3o ao mangue. Ela, que cresceu com vergonha de dizer na escola que era neta e filha de pescador, diz que agora o que prevalece \u00e9 um sentimento de pertencimento. Nos \u00faltimos dez anos, ela viu a av\u00f3 e outras mulheres da comunidade ocuparem postos de lideran\u00e7a e se organizar pelas suas reivindica\u00e7\u00f5es. H\u00e1 um ano, acabou por tomar para si essa miss\u00e3o. \u201cA nossa rede deu um salto na minha vida, \u00e9 uma corrente que abra\u00e7ou todas as mulheres aqui da Resex de Canavieiras. Com elas, descobri quem somos e porqu\u00ea estamos aqui. Hoje eu sou\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/03\/08\/album\/1552073999_138121.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">feminista<\/a>\u00a0gra\u00e7as \u00e0 minha av\u00f3, que nem se v\u00ea dessa forma\u201d, ela diz.<\/p>\n<p class=\"\">Quando as mulheres escancararam que s\u00e3o elas as respons\u00e1veis por pelo menos um ter\u00e7o do pescado na regi\u00e3o, conquistaram tamb\u00e9m mais autonomia. Em Campinhos, conta L\u00edlian, o sentimento de depend\u00eancia do marido come\u00e7ou a mudar. E mesmo os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/02\/27\/eps\/1551293915_970914.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">homens da comunidade passaram a valorizar<\/a>\u00a0mais a produ\u00e7\u00e3o feminina. \u201cO manguezal \u00e9 uma fazenda que Jesus criou pra quem n\u00e3o nasceu em ber\u00e7o de ouro. O que ainda \u00e9 muito dif\u00edcil pra gente \u00e9 que o marisco n\u00e3o tem um pre\u00e7o fixo. Ningu\u00e9m quer dar 25 reais num quilo de catado de aratu. Mas quando a gente vai no mercado, tem que comprar o feij\u00e3o do pre\u00e7o que est\u00e1\u201d, se queixa Marlene. O caminho ainda \u00e9 longo, mas se antes as mulheres j\u00e1 se articulavam para criar ferramentas artesanais que facilitassem sua pesca e otimizassem a produ\u00e7\u00e3o, agora estreiam tamb\u00e9m em outros espa\u00e7os. S\u00e3o elas que gerenciam a Moex, uma\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/10\/02\/economia\/1570045281_233839.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">moeda social<\/a>\u00a0criada para estimular a economia criativa e garantir que a renda permane\u00e7a na comunidade. \u201cO nosso projeto vem pra dar visibilidade para as mulheres e para que elas se apropriem da produ\u00e7\u00e3o. Hoje eu sei que lugar de mulher \u00e9 onde ela quiser, seja na pesca ou n\u00e3o\u201d, diz Lilian.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img loading=\"lazy\" class=\"width_full breakout\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/pPHxWlvjzNVYG1zxTgUmDtZ3kg0=\/1500x0\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/33I3JWFW3RHSHIISGGGNZDFWAU.jpg\" alt=\"A pescadora Maria Concei\u00e7\u00e3o Cardoso mostra a moeda social da Resex de Canavieiras, na Bahia.\" width=\"639\" height=\"426\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">A pescadora Maria Concei\u00e7\u00e3o Cardoso mostra a moeda social da Resex de Canavieiras, na Bahia.<span class=\"color_black margin_left uppercase light\">MARCO ANT\u00d4NIO TEIXEIRA \/ WWF<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h1 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\">Sertanejas \u201cganham o mundo\u201d nas feiras agroecol\u00f3gicas<\/h1>\n<p class=\"\">A cerca de 1.400 quil\u00f4metros de Campinhos, em pleno sert\u00e3o central do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/ceara\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Cear\u00e1<\/a>, Loudizete de Almeida Farias bate na pedregosa terra vermelha com uma ferramenta semelhante a uma enxada que ela mesma mandou fazer, com o cabo menor, para facilitar a colheita da mandioca. \u201cEsse \u2018enxadeco\u2019 me ajuda, porque eu n\u00e3o tenho a mesma for\u00e7a f\u00edsica que um homem\u201d, explica. Loudizete vive numa casa que herdou dos pais com o marido e a filha de 13 anos em Geric\u00f3, um pequeno vilarejo da cidade de Pedra Branca, a 260 quil\u00f4metros de Fortaleza. A paisagem cinza pela\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/sequia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">seca<\/a>\u00a0que todo ano assola o semi\u00e1rido tem uma pequena faixa cortada por canteiros verdes, uma pequena planta\u00e7\u00e3o de legumes e hortali\u00e7as que Loudizete mant\u00e9m para comer e cujo excedente j\u00e1 representa a maior parte da renda da fam\u00edlia, apesar do marido dela ter um sal\u00e1rio fixo como vigia da prefeitura.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cOnde j\u00e1 se viu\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/06\/21\/economia\/1561146842_711294.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">mulher ganhar mais do que um homem<\/a>?&#8221;, ouviu Loudizete do marido tantas vezes, ora duvidando do resultado do trabalho dela, ora tentando faz\u00ea-la desistir. Ele s\u00f3 aceitou quando a esposa deixou claro que n\u00e3o desistiria do trabalho e argumentou que entre eles n\u00e3o deveria haver competi\u00e7\u00e3o, mas parceria. \u201cMeu marido \u00e9 muito machista, mas tem aprendido muito. Devagarinho, eu vou tentando colocar as coisas na cabe\u00e7a dele\u201d, ela diz.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img loading=\"lazy\" class=\"width_full breakout\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/5vEFFJmuDnATYTDUEPVPFO3NWbo=\/1500x0\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/FYF22JBXVNEUPHOXKKVO66ILZU.jpg\" alt=\"Loudizete de Almeida Farias colhe uma mandioca no seu quintal produtivo, no sert\u00e3o cearense.\" width=\"637\" height=\"425\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Loudizete de Almeida Farias colhe uma mandioca no seu quintal produtivo, no sert\u00e3o cearense.<span class=\"color_black margin_left uppercase light\">FERNANDA SIEBRA \/ FERNANDA SIEBRA<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">Loudizete cresceu no interior cearense ouvindo que cabe ao homem trabalhar para colocar comida na mesa e que mulher s\u00f3 tinha que cuidar da casa. &#8220;S\u00f3, n\u00e9? Como se fosse pouca coisa\u201d, reclama. Ela sabe que, ali, a mulher sempre ajudou na ro\u00e7a e que tamb\u00e9m era tarefa delas gastar horas e horas carregando lata d&#8217;\u00e1gua na cabe\u00e7a e caminhando l\u00e9guas pelas estradas em busca de barreiros e a\u00e7udes nos meses de seca que todo ano, mais ou menos intensos, assombram o semi\u00e1rido brasileiro. Mas estas foram fun\u00e7\u00f5es historicamente ignoradas em uma sociedade que ainda tenta manter mulheres dentro de casa.<\/p>\n<p class=\"\">Quando as\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/12\/04\/internacional\/1543931349_443986.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">cisternas<\/a>\u00a0passaram a ser implantadas em larga escala para as fam\u00edlias de baixa renda do sert\u00e3o, as mulheres passaram a economizar horas que gastavam diariamente para transportar \u00e1gua. Com uma fonte regular de abastecimento perto de casa, muitas delas assumiram o protagonismo dos chamados quintais produtivos, pequenas planta\u00e7\u00f5es de legumes e hortali\u00e7as ao lado de casa. E se organizaram em pequenas redes para viajar pelas localidades vizinhas em busca de um mercado para vender seus produtos org\u00e2nicos.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cPra gente, como mulher, foi um empoderamento e tanto\u201d, diz Lourdizete. \u201cNa cultura do meu marido, mulher ainda \u00e9 pra cuidar do fog\u00e3o e da fam\u00edlia. Ele diz que depois que eu me associei com esse povo, sai pra trabalhar e n\u00e3o sabe mais se vai me encontrar na volta\u201d, se queixa. Ainda assim, ela n\u00e3o abre m\u00e3o da liberdade que construiu a partir do acesso b\u00e1sico \u00e0 \u00e1gua e da participa\u00e7\u00e3o em associa\u00e7\u00f5es de mulheres. \u201cA gente tem uma uni\u00e3o t\u00e3o grande que eu j\u00e1 n\u00e3o vejo problemas em sair de casa\u201d, diz. Loudizete s\u00f3 se preocupa em desenvolver pequenas estrat\u00e9gias para minimizar os conflitos. Ao perceber que o marido n\u00e3o agua a horta na sua aus\u00eancia, contratou um vizinho para faz\u00ea-lo. Quando precisa ir para alguma feira mais distante, sempre deixa um dinheiro do p\u00e3o e o mesmo bilhete para o esposo: \u201cTome conta da casa, a responsabilidade \u00e9 sua\u201d.<\/p>\n<p class=\"\">Com esse trabalho fora de casa, a agricultora montou um sal\u00e3o de beleza em um dos quartos de casa, o que j\u00e1 lhe garante mais uma renda extra. Se o marido reclamar, o discurso est\u00e1 na ponta da l\u00edngua: \u201cSaio porque preciso, n\u00e3o quero ser dependente de voc\u00ea. A gente casou para construir uma vida juntos, educar a nossa filha. Voc\u00ea querer me proibir s\u00f3 me d\u00e1 mais poder\u201d. Loudizete levanta a bandeira de mais autonomia para as mulheres, mas n\u00e3o se reconhece como feminista. Neste ponto, diz, o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/05\/11\/politica\/1557527356_335349.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">ensinamento religioso que recebeu<\/a>\u00a0se sobressai. \u201cDentro dos princ\u00edpios da B\u00edblia, eu acho que a mulher tem um papel de submiss\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao homem. Ent\u00e3o pra gente medir for\u00e7a, eu n\u00e3o concordo com o feminismo. Mas quem ainda tem d\u00favida de que a mulher precisa ser valorizada?\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Marlene dos Santos Santana, nunca lhe ensinaram a pescar. 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