{"id":121109,"date":"2020-02-01T16:10:42","date_gmt":"2020-02-01T19:10:42","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=121109"},"modified":"2020-02-01T16:12:33","modified_gmt":"2020-02-01T19:12:33","slug":"primeira-individual-da-34a-bienal-traz-reflexoes-sobre-o-extrativismo-e-a-colonizacao-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/primeira-individual-da-34a-bienal-traz-reflexoes-sobre-o-extrativismo-e-a-colonizacao-na-america-latina\/","title":{"rendered":"Primeira individual da 34\u00aa Bienal traz reflex\u00f5es sobre o extrativismo e a coloniza\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/Bienal.jpg\" width=\"640\" height=\"320\" \/><\/p>\n<div><em>Mostra leva ao 3\u00ba piso do Pavilh\u00e3o exposi\u00e7\u00e3o de Ximena Garrido-Lecca, cuja obra reflete sobre a hist\u00f3ria do Peru;<\/em><\/div>\n<div>\n<p><em>Programa\u00e7\u00e3o em 8 de fevereiro inclui performance musical in\u00e9dita do sul-africano Neo Muyanga, com coro de 40 vozes e colabora\u00e7\u00e3o do coletivo paulistano Leg\u00edtima Defesa e da artista Bianca Turner;<\/em><em>Neste primeiro momento da mostra, revelam-se tamb\u00e9m as primeiras etapas da constru\u00e7\u00e3o da projeto expogr\u00e1fico, elaborado pelo escrit\u00f3rio Andrade Morettin Arquitetos<\/em>A 34\u00aa Bienal de S\u00e3o Paulo \u2014 Faz escuro mas eu canto, abre no s\u00e1bado, 8 de fevereiro, a partir das 9 horas, a primeira da s\u00e9rie de tr\u00eas exposi\u00e7\u00f5es individuais que introduzem parte dos temas que ser\u00e3o retomados pela mostra principal, em setembro deste ano. A mostra monogr\u00e1fica de Ximena Garrido-Lecca (n. 1980, Lima, Peru) inaugura a s\u00e9rie com 9 obras, entre instala\u00e7\u00f5es, fotografias e v\u00eddeos, que estar\u00e3o expostas no 3\u00ba pavimento do Pavilh\u00e3o da Bienal at\u00e9 15 de mar\u00e7o. Trata-se da primeira exposi\u00e7\u00e3o individual no Brasil da artista, que trabalha entre Lima e Cidade do M\u00e9xico e pesquisa a hist\u00f3ria do Peru e os impactos dos processos coloniais e suas consequ\u00eancias contempor\u00e2neas. No mesmo dia, \u00e0s 11 horas, o sul-africano Neo Muyanga (n. 1974, Soweto) apresenta a performance musical in\u00e9dita A maze in grace, que vai se espalhar por diversos pisos do Pavilh\u00e3o, ao redor de seu ic\u00f4nico v\u00e3o central.<\/p>\n<figure id=\"attachment_239536\" class=\"wp-caption alignleft\" aria-describedby=\"caption-attachment-239536\"><a href=\"https:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/Ximena-Garrido-Lecca.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-239536 size-full\" src=\"https:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/Ximena-Garrido-Lecca.jpg\" sizes=\"(max-width: 261px) 100vw, 261px\" srcset=\"https:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/Ximena-Garrido-Lecca.jpg 261w, https:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/Ximena-Garrido-Lecca-100x75.jpg 100w, https:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/Ximena-Garrido-Lecca-235x175.jpg 235w\" alt=\"\" width=\"261\" height=\"193\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-239536\" class=\"wp-caption-text\"><\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Ximena Garrido-Lecca<\/strong><\/p>\n<p>Em sua obra, Garrido-Lecca parte com frequ\u00eancia de um estudo de t\u00e9cnicas e materiais empregados no artesanato, arte e arquitetura ao longo da hist\u00f3ria peruana. As instala\u00e7\u00f5es apresentadas na 34\u00aa Bienal utilizam t\u00e9cnicas ancestrais de cer\u00e2mica e a tecelagem, al\u00e9m de materiais como cobre, barris de petr\u00f3leo, \u00f3leo, madeira, arame, pregos e plantas. Um de seus trabalhos mais emblem\u00e1ticos, Insurgencias bot\u00e1nicas: Phaseolus Lunatus [Insurg\u00eancias bot\u00e2nicas: Phaseolus Lunatus], de 2017, \u00e9 uma instala\u00e7\u00e3o com estrutura hidrop\u00f4nica em que s\u00e3o plantadas mudas de favas da esp\u00e9cie Phaseolus lunatus. Como as plantas ir\u00e3o crescer ao longo do ano, o p\u00fablico ter\u00e1 a oportunidade de acompanhar diferentes momentos da transforma\u00e7\u00e3o da instala\u00e7\u00e3o, num movimento que de certa forma simboliza o da pr\u00f3pria Bienal, que \u00e9 inaugurada agora mas ir\u00e1 se ampliando, transformando e problematizando at\u00e9 dezembro. Para Garrido-Lecca, o gesto de cultivar as favas representa uma esp\u00e9cie de re-ativa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica do suposto sistema de comunica\u00e7\u00e3o da cultura Moche, uma civiliza\u00e7\u00e3o peruana pr\u00e9-incaica que desenvolveu complexos sistemas hidr\u00e1ulicos de irriga\u00e7\u00e3o e que, segundo teorias, valia-se das manchas presentes nessas favas como signos para uma escrita ideogram\u00e1tica.<\/p>\n<p>Outra obra de destaque \u00e9 a instala\u00e7\u00e3o Proyecto pa\u00eds [Projeto pa\u00eds], que integra a s\u00e9rie Paredes de progreso [Paredes de progresso], realizada pela artista entre 2008 e 2012, a partir de uma pesquisa sobre an\u00fancios pintados em paredes de adobe na regi\u00e3o do Vale Sagrado, no Peru. Erguidos segundo uma t\u00e9cnica construtiva tradicional, frequente pelo territ\u00f3rio rural do pa\u00eds, esses muros se tornaram suporte para slogans pol\u00edticos e logotipos partid\u00e1rios, que v\u00e3o desvanecendo at\u00e9 desbotar por completo, ou at\u00e9 a dissolu\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias paredes, j\u00e1 que o adobe, quando exposto \u00e0 intemp\u00e9rie, se desfaz pouco a pouco na paisagem. Proyecto pa\u00eds foi o nome de um pequeno partido pol\u00edtico que participou das elei\u00e7\u00f5es peruanas em 2006, mas que acabou se retirando do pleito e desaparecendo devido \u00e0 falta de seguidores.<\/p>\n<p>Para criar a s\u00e9rie de fotografias Divergent Lots [Lotes divergentes], Garrido-Lecca fotografou Pucusana, distrito litor\u00e2neo da prov\u00edncia de Lima, por tr\u00eas anos (2010-2013). A artista documentou uma s\u00e9rie de estruturas compostas originalmente por esteiras de bambu e postes de madeira, e que, ao longo dos anos, passaram a incorporar materiais como tijolos e concreto. Tais estruturas tempor\u00e1rias s\u00e3o constru\u00eddas com o intuito de reivindicar a posse da terra nessas \u00e1reas, marcadas, desde a d\u00e9cada de 1950, por um grande afluxo migrat\u00f3rio de popula\u00e7\u00f5es que deixam as regi\u00f5es agr\u00edcolas andinas e buscam condi\u00e7\u00f5es de vida e de trabalho melhores nas \u00e1reas de desenvolvimento industrial e urbano. A popula\u00e7\u00e3o migrante ocupa por\u00e7\u00f5es de terra e procura formas de sobreviv\u00eancia frequentemente ligadas a setores informais da economia. O v\u00eddeo L\u00edneas de divergencia [Linhas de diverg\u00eancia] documenta um momento recente das ocupa\u00e7\u00f5es no entorno de Pucusana; as linhas marcadas com giz no deserto dividem terras j\u00e1 registradas em lotes e demarcam novos terrenos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_239538\" class=\"wp-caption alignright\" aria-describedby=\"caption-attachment-239538\"><a href=\"https:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/Carla-Zaccagnini.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-239538\" src=\"https:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/Carla-Zaccagnini-300x169.jpg\" sizes=\"(max-width: 381px) 100vw, 381px\" srcset=\"https:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/Carla-Zaccagnini-300x169.jpg 300w, https:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/Carla-Zaccagnini-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/Carla-Zaccagnini-600x338.jpg 600w, https:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/Carla-Zaccagnini-978x550.jpg 978w, https:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/Carla-Zaccagnini.jpg 1280w\" alt=\"\" width=\"381\" height=\"215\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-239538\" class=\"wp-caption-text\"><\/figcaption><\/figure>\n<p>Carla Zaccagnini, curadora convidada da 34\u00aa Bienal, explica: \u201ccome\u00e7amos a 34a Bienal de S\u00e3o Paulo com esta s\u00e9rie de obras de Ximena Garrido-Lecca. Obras que podem nos ajudar a enxergar as rela\u00e7\u00f5es existentes entre a inven\u00e7\u00e3o da eletricidade, a extra\u00e7\u00e3o do cobre, a demarca\u00e7\u00e3o da terra, a depreda\u00e7\u00e3o do solo e a dissemina\u00e7\u00e3o de povos. Porque sabemos que a arte pode nos dar ferramentas para lidar com momentos dif\u00edceis em que outras linguagens nos faltam ou falham\u201d.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 realizada em parceria com o CCA Wattis (S\u00e3o Francisco, EUA), que, em 2021, vai receber uma individual da artista como parte das colabora\u00e7\u00f5es internacionais da 34\u00aa Bienal de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>Neo Muyanga \u2014 A maze in grace<\/strong><\/p>\n<p>No dia 8 de fevereiro, \u00e0s 11 horas, acontece a performance in\u00e9dita do compositor, artista sonoro e libretista Neo Muyanga, A Maze in Grace. \u00c0 ocasi\u00e3o, um coro de 40 vozes vai ocupar os tr\u00eas andares do Pavilh\u00e3o da Bienal, ao redor de seu v\u00e3o central, cantando uma nova composi\u00e7\u00e3o para a melodia da conhecida Amazing Grace [Gra\u00e7a sublime], frequentemente apresentada como um hino de rituais de luto p\u00fablico em diferentes partes da \u00c1frica, e que possui conota\u00e7\u00e3o pol\u00edtica religiosa para a comunidade afro-americana nos EUA. O trabalho de Muyanga prop\u00f5e a desconstru\u00e7\u00e3o e um novo olhar sobre a can\u00e7\u00e3o, composta, em 1772, por John Newton, um traficante de escravos brit\u00e2nico branco que se converteu e tornou-se um pastor anglicano abolicionista no final do s\u00e9culo XVIII ap\u00f3s uma s\u00e9rie de experi\u00eancias de quase morte. O coletivo teatral paulistano Leg\u00edtima Defesa, que realiza a\u00e7\u00f5es po\u00e9tico-pol\u00edticas de reflex\u00e3o e representa\u00e7\u00e3o da negritude, tamb\u00e9m participa da performance, assim como a artista Bianca Turner (n. 1984, S\u00e3o Paulo, Brasil), que assina o videomapping utilizado na obra.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m de sua realiza\u00e7\u00e3o no dia 8, que d\u00e1 in\u00edcio ao programa da 34a Bienal de S\u00e3o Paulo, a nova obra de Muyanga se desdobra em outros dois momentos: a performance que, em julho, abrir\u00e1 a 11a Bienal de Liverpool, institui\u00e7\u00e3o parceira na realiza\u00e7\u00e3o deste trabalho; e a instala\u00e7\u00e3o audiovisual que integrar\u00e1 a mostra coletiva da 34\u00aa Bienal, em setembro. Composta a partir de seu pa\u00eds, a \u00c1frica do Sul, e com realiza\u00e7\u00f5es no Brasil e Inglaterra, essa obra religa os v\u00e9rtices do chamado \u201ctri\u00e2ngulo do Atl\u00e2ntico\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Paulo Miyada, curador adjunto da mostra, \u201c\u00e9 dif\u00edcil imaginar uma forma mais prop\u00edcia de abrir a programa\u00e7\u00e3o de uma Bienal intitulada \u2018Faz escuro mas eu canto\u2019, pois Neo Muyanga relembra o quanto uma can\u00e7\u00e3o de esperan\u00e7a est\u00e1 marcada pela viol\u00eancia e pela crueldade e, ent\u00e3o, reencanta sua sonoridade com elementos musicais e discursivos da hist\u00f3ria dos homens e mulheres negros brasileiros e africanos \u2014 justamente aqueles que protagonizaram e protagonizam a luta pela emancipa\u00e7\u00e3o racial que d\u00e1 sentido a essa can\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>Po\u00e9tica do ensaio<\/strong><\/p>\n<p>Um dos aspectos norteadores do trabalho curatorial da 34\u00aa Bienal \u00e9 a no\u00e7\u00e3o de \u201censaio\u201d, que permite encarar o projeto como um processo, um espa\u00e7o onde as coisas se apresentam sem a ambi\u00e7\u00e3o de ser definitivas, amplificando a import\u00e2ncia da ressignifica\u00e7\u00e3o que surge das rela\u00e7\u00f5es que se criam ao longo do tempo. \u00c9 nesse sentido que a expografia da individual de Garrido-Lecca configura a primeira apresenta\u00e7\u00e3o do projeto arquitet\u00f4nico desta edi\u00e7\u00e3o da Bienal, elaborado por Andrade Morettin Arquitetos. Segundo Jacopo Crivelli Visconti, curador geral da edi\u00e7\u00e3o, \u201ca arquitetura que abriga a primeira exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 em si mesma um exerc\u00edcio, o gesto inaugural de uma constru\u00e7\u00e3o que se estratificar\u00e1 e ganhar\u00e1 complexidade ao longo do ano. As obras de Ximena Garrido-Lecca e Neo Muyanga que se apresentam agora ir\u00e3o se carregar de outros significados ao entrar em rela\u00e7\u00e3o com as de outros artistas, em setembro. Analogamente, o espa\u00e7o que a arquitetura j\u00e1 delimita, mas que o primeiro movimento da exposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o ocupa, n\u00e3o \u00e9 um espa\u00e7o vazio: \u00e9 um espa\u00e7o em pot\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p><strong>34\u00aa Bienal de S\u00e3o Paulo<\/strong><\/p>\n<p>Marcada pelo encontro e potencializa\u00e7\u00e3o m\u00fatua entre projeto curatorial e atua\u00e7\u00e3o institucional, a 34\u00aa Bienal de S\u00e3o Paulo enfatiza a multiplicidade de leituras poss\u00edveis de uma obra e de uma exposi\u00e7\u00e3o a partir do conceito de \u201crela\u00e7\u00e3o\u201d, abordado por pensadores como \u00c9douard Glissant e Eduardo Viveiros de Castro, e adota uma estrutura de funcionamento inovadora, que envolve a realiza\u00e7\u00e3o de mostras e a\u00e7\u00f5es apresentadas no Pavilh\u00e3o da Bienal a partir de fevereiro de 2020 e a articula\u00e7\u00e3o com uma rede de 25 institui\u00e7\u00f5es paulistas. Quando o pavilh\u00e3o for inteiramente tomado pela mostra, a partir de setembro de 2020, essas institui\u00e7\u00f5es promover\u00e3o, em seus pr\u00f3prios espa\u00e7os, exposi\u00e7\u00f5es de artistas que tamb\u00e9m participam da Bienal, enfatizando como a compreens\u00e3o de uma obra \u00e9 sempre influenciada pelas \u201crela\u00e7\u00f5es\u201d que se criam com as obras que a rodeiam e com o contexto onde \u00e9 exposta. Com curadoria geral de Jacopo Crivelli Visconti e equipe curatorial composta por Paulo Miyada (curador adjunto), Carla Zaccagnini, Francesco Stocchi e Ruth Est\u00e9vez (curadores convidados), a 34\u00aa Bienal de S\u00e3o Paulo \u00e9 intitulada \u201cFaz escuro mas eu canto\u201d, verso do poeta amazonense Thiago de Mello. Para as publica\u00e7\u00f5es, Elvira Dyangani Ose atua como editora convidada, e sua participa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma colabora\u00e7\u00e3o com The Showroom, London.<\/p>\n<figure id=\"attachment_239539\" class=\"wp-caption alignleft\" aria-describedby=\"caption-attachment-239539\"><a href=\"https:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/Jos%C3%A9-Olympio-da-Veiga-Pereira.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-239539 \" src=\"https:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/Jos%C3%A9-Olympio-da-Veiga-Pereira-300x231.jpg\" sizes=\"(max-width: 338px) 100vw, 338px\" srcset=\"https:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/Jos\u00e9-Olympio-da-Veiga-Pereira-300x231.jpg 300w, https:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/Jos\u00e9-Olympio-da-Veiga-Pereira.jpg 475w\" alt=\"\" width=\"338\" height=\"260\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-239539\" class=\"wp-caption-text\"><\/figcaption><\/figure>\n<p>Para Jos\u00e9 Olympio da Veiga Pereira, presidente da Funda\u00e7\u00e3o Bienal de S\u00e3o Paulo, \u201ca 34\u00aa Bienal acontece como fruto de um feliz encontro. Por um lado, h\u00e1 uma institui\u00e7\u00e3o que aposta na import\u00e2ncia do di\u00e1logo e na pot\u00eancia de sua rica teia de parceiros. Por outro, encontra-se um projeto curatorial que se apropria da voca\u00e7\u00e3o e dos pontos fortes da institui\u00e7\u00e3o e da cidade de S\u00e3o Paulo ao propor o formato in\u00e9dito desta edi\u00e7\u00e3o. Nos tempos e espa\u00e7os expandidos das mostras, espera-se multiplicar as possibilidades de contato e relacionamento com a arte, pois \u00e9 em sua capacidade de transforma\u00e7\u00e3o e abertura para o outro que residem a for\u00e7a e a motiva\u00e7\u00e3o desta Funda\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Para as tr\u00eas exposi\u00e7\u00f5es individuais, foram convidadas artistas em meio de carreira de diferentes origens e pesquisas, que t\u00eam em comum o fato de serem autoras de produ\u00e7\u00f5es relevantes, complexas e instigantes: al\u00e9m da mostra de Ximena Garrido-Lecca, agora em fevereiro, ser\u00e1 realizada em abril a mostra individual da brasileira Clara Ianni (n. 1987, S\u00e3o Paulo, SP) e, em julho, a exposi\u00e7\u00e3o da fot\u00f3grafa estadunidense Deana Lawson (n. 1979, Rochester, NY). A abertura da mostra de abril ser\u00e1 simult\u00e2nea \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o de uma performance do argentino Le\u00f3n Ferrari (1920-2013, Buenos Aires). Uma terceira performance acontece na abertura da grande mostra coletiva realizada no Pavilh\u00e3o da Bienal, a partir de setembro: trata-se da obra in\u00e9dita de H\u00e9lio Oiticica (1937-1980, Rio de Janeiro), A Ronda da Morte, concebida pelo artista em 1979.<\/p>\n<p><strong>Faz Escuro Mas Eu Canto<\/strong><\/p>\n<p>Encarado mais como uma afirma\u00e7\u00e3o que como um tema, o t\u00edtulo da 34\u00aa Bienal de S\u00e3o Paulo, \u201cFaz escuro mas eu canto\u201d, \u00e9 um verso do poeta Thiago de Mello, publicado em livro hom\u00f4nimo do autor em 1965. Em sua obra, o poeta amazonense fala de maneira clara dos problemas e das esperan\u00e7as de milh\u00f5es de homens e mulheres ao redor do mundo: \u201cA esperan\u00e7a \u00e9 universal, as desigualdades sociais s\u00e3o universais tamb\u00e9m (\u2026). Estamos num momento em que o apocalipse est\u00e1 ganhando da utopia. Faz tempo que fiz a op\u00e7\u00e3o: entre o apocalipse e a utopia, eu fico com a utopia\u201d, afirma o escritor. Jacopo Crivelli Visconti completa: \u201cpor meio de seu t\u00edtulo, a 34\u00aa Bienal reconhece o estado de ang\u00fastia do mundo contempor\u00e2neo enquanto real\u00e7a a possibilidade de exist\u00eancia da arte como um gesto de resili\u00eancia, esperan\u00e7a e comunica\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>34\u00aa Bienal de S\u00e3o Paulo \u2014 Faz escuro mas eu canto<br \/>\nPavilh\u00e3o Ciccillo Matarazzo, Parque Ibirapuera<br \/>\nEntrada gratuita<\/p>\n<p>8 de fevereiro de 2020<br \/>\nabertura de exposi\u00e7\u00e3o individual \u2013 Ximena Garrido-Lecca: 9h \u2014 18h<br \/>\nperformance \u2013 Neo Muyanga com Leg\u00edtima Defesa + Bianca Turner: 11h (dura\u00e7\u00e3o: 60 min)<\/p>\n<p>Ximena Garrido-Lecca \u2013 visita\u00e7\u00e3o<br \/>\n8 de fevereiro \u2014 15 mar\u00e7o de 2020<br \/>\nquarta \u2014 domingo, 10h \u2014 18h<\/p>\n<p>Exposi\u00e7\u00f5es futuras<br \/>\nClara Ianni<br \/>\nexposi\u00e7\u00e3o individual<br \/>\n25 de abril a 7 de junho de 2020<\/p>\n<p>Le\u00f3n Ferrari<br \/>\nperformance<br \/>\n25 de abril de 2020<\/p>\n<p>Deana Lawson<br \/>\nexposi\u00e7\u00e3o individual<br \/>\n25 de julho a 23 de agosto de 2020<\/p>\n<p>Faz escuro mas eu canto<br \/>\nexposi\u00e7\u00e3o coletiva<br \/>\n5 de setembro a 6 de dezembro de 2020<\/p>\n<p>Equipe curatorial<br \/>\nCurador geral: Jacopo Crivelli Visconti<br \/>\nCurador adjunto: Paulo Miyada<br \/>\nCuradores convidados: Carla Zaccagnini, Francesco Stocchi e Ruth Est\u00e9vez<br \/>\nEditora convidada: Elvira Dyangani Ose<br \/>\nA participa\u00e7\u00e3o de Elvira Dyangani Ose \u00e9 uma colabora\u00e7\u00e3o com The Showroom, London<\/p>\n<p>Funda\u00e7\u00e3o Bienal de S\u00e3o Paulo<br \/>\nParque Ibirapuera \u00b7 Port\u00e3o 3 \u00b7 Pavilh\u00e3o Ciccillo Matarazzo 04094-000 \u00b7 S\u00e3o Paulo \u00b7 SP \u00b7 Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.bienal.org.br\/\">www.bienal.org.br<\/a><br \/>\nT +55 11 5576 7600<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mostra leva ao 3\u00ba piso do Pavilh\u00e3o exposi\u00e7\u00e3o de Ximena Garrido-Lecca, cuja obra reflete sobre<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Mostra leva ao 3\u00ba piso do Pavilh\u00e3o exposi\u00e7\u00e3o de Ximena Garrido-Lecca, cuja obra reflete sobre","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/121109"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=121109"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/121109\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=121109"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=121109"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=121109"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}