{"id":121000,"date":"2020-01-31T11:00:16","date_gmt":"2020-01-31T14:00:16","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=121000"},"modified":"2020-01-30T11:55:23","modified_gmt":"2020-01-30T14:55:23","slug":"nova-especie-de-peixe-eletrico-descoberto-na-amazonia-da-o-maior-choque-entre-os-animais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/nova-especie-de-peixe-eletrico-descoberto-na-amazonia-da-o-maior-choque-entre-os-animais\/","title":{"rendered":"Nova esp\u00e9cie de peixe el\u00e9trico descoberto na Amaz\u00f4nia d\u00e1 o maior choque entre os animais"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/peixe_eletrico.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-121001\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/peixe_eletrico.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/peixe_eletrico.jpg 415w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/peixe_eletrico-300x192.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 415px) 100vw, 415px\" \/><\/a>Por quase dois s\u00e9culos e meio acreditou-se existir apenas uma esp\u00e9cie de poraqu\u00ea, Electrophorus electricus, mas uma nova pesquisa revelou que h\u00e1 pelo menos tr\u00eas esp\u00e9cies distintas na Amaz\u00f4nia. Como novidade, uma das duas novas esp\u00e9cies, Electrophorus voltai, emite a maior descarga el\u00e9trica do reino animal, chegando a 860 volts e superando o recorde anterior de 650 volts do E. electricus. O estudo foi publicado na revista Nature Communicationscontou com contribui\u00e7\u00e3o de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (Inpa\/MCTIC).<\/p>\n<p>Os peixes el\u00e9tricos integram um grupo de 256 esp\u00e9cies que produzem naturalmente a eletricidade e a utilizam para se comunicar, orientar-se durante a locomo\u00e7\u00e3o e para detectar presas e predadores. Conhecido por ser o \u00fanico desses peixes com potencial de produzir altas descargas el\u00e9tricas para defesa e ca\u00e7a, o poraqu\u00ea pode alcan\u00e7ar mais de dois metros de comprimento e 20 quilos. \u00c9 t\u00edpico da regi\u00e3o amaz\u00f4nica e foi considerado por muito tempo como uma \u00fanica esp\u00e9cie, amplamente distribu\u00edda por diversos tipos de ambientes aqu\u00e1ticos.<\/p>\n<p>\u201cPor ser um peixe muito caracter\u00edstico, ningu\u00e9m nunca havia prestado aten\u00e7\u00e3o para verificar se de fato era uma \u00fanica esp\u00e9cie, ou se haviam outras envolvidas\u201d, conta o pesquisador do Inpa especialista em peixes amaz\u00f4nicos, Jansen Zuanon.<\/p>\n<p>A defini\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies foi feita a partir de um grande conjunto de dados incluindo DNA, morfologia externa, detalhes do esqueleto e distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica dos animais, que resultaram na identifica\u00e7\u00e3o de tr\u00eas linhagens principais que se diferenciaram nos per\u00edodos Mioceno e Plioceno (entre 3 e 7 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s).<\/p>\n<p>O primeiro autor do artigo \u00e9 o brasileiro Carlos David Santana, pesquisador associado do Museu Nacional de Hist\u00f3ria Natural do Instituto Smithsonian (EUA). Do Inpa, al\u00e9m de Jansen, tamb\u00e9m assinam o trabalho o t\u00e9cnico Renildo de Oliveira e o estudante de doutorado Douglas Bastos.<\/p>\n<p>Para Bastos, estudos como esses s\u00e3o importantes para mostrar que se conhece muito pouco sobre a diversidade e biologia de peixes amaz\u00f4nicos. Ele lembra que mesmo uma esp\u00e9cie t\u00e3o comum e f\u00e1cil identifica\u00e7\u00e3o, como o poraqu\u00ea, ficou 250 anos \u201cescondida\u201d. Os poraqu\u00eas que est\u00e3o no Bosque da Ci\u00eancia, \u00e1rea de visita\u00e7\u00e3o p\u00fablica do Inpa, e \u00e0 vista de todo mundo, por exemplo, pertencem \u00e0 esp\u00e9cie nova E. varii.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 um sinal que temos muito trabalho pela frente, tanto na descoberta de novas esp\u00e9cies de peixes el\u00e9tricos, como no entendimento de aspectos biol\u00f3gicos e comportamentais dos peixes el\u00e9tricos\u201d, disse Bastos, que \u00e9 engenheiro de pesca, com doutorado em andamento sobre a Hist\u00f3ria Natural do Poraqu\u00ea, no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Biologia de \u00c1gua Doce e Pesca Interior do Inpa.<\/p>\n<p>Electrophorus voltai<\/p>\n<p>Presente em rios que geralmente drenam o escudo brasileiro (nos estados do Par\u00e1, Amazonas e Amap\u00e1), essa esp\u00e9cie de poraqu\u00ea habita uma regi\u00e3o caracterizada por altitude acima dos 300 metros, cercada de c\u00f3rregos, cachoeiras e rios com substratos rochosos de \u00e1guas claras e bem oxigenadas.<\/p>\n<p>Electrophorus voltai produz a maior descarga el\u00e9trica conhecida entre os animais, com 860 volts. Por viver em sistemas aqu\u00e1ticos com pouca quantidade de sais dissolvidos e baixa condutividade el\u00e9trica, os pesquisadores sup\u00f5em que essa forte descarga seja uma adapta\u00e7\u00e3o para conseguir atordoar suas presas nesse tipo de ambiente.<\/p>\n<p>O nome da esp\u00e9cie \u00e9 uma homenagem ao f\u00edsico italiano Alessandro Volta, que inventou a bateria el\u00e9trica em 1799, baseando seu design no poraqu\u00ea.<\/p>\n<p>Electrophorus varii<\/p>\n<p>Diferentemente da esp\u00e9cie anterior, Electophorus varii ocorre em grande parte das terras baixas, tanto nas v\u00e1rzeas de grandes rios de \u00e1guas barrentas quanto em igarap\u00e9s de terra firme da Bacia Amaz\u00f4nica. Esta esp\u00e9cie recebeu o nome do zo\u00f3logo Richard P. Vari, pesquisador do Smithsonian e parceiro de trabalho de pesquisadores do Inpa, que faleceu em 2016. Electrophorus varii \u00e9 a esp\u00e9cie com a descarga el\u00e9trica mais fraca entre as tr\u00eas esp\u00e9cies de poraqu\u00eas, variando de 151 a 572 volts.<\/p>\n<p>Electrophorus electricus<\/p>\n<p>Descrito em 1766 pelo naturalista sueco Carl Linnaeus, o poraqu\u00ea Electrophorus electricus habita rios e riachos da por\u00e7\u00e3o norte da Amaz\u00f4nia, numa regi\u00e3o conhecida como Escudo das Guianas, abrangendo tr\u00eas estados brasileiros (Amap\u00e1, Amazonas e Roraima) e Guiana, Guiana Francesa e Suriname.<\/p>\n<p>Alta descarga<\/p>\n<p>Em uma entrevista para a Ag\u00eancia Fapesp, o pesquisador do National Museumof Natural History da Smithsonian Institution, Carlos David de Santana, explica que a descarga \u00e9 de alta tens\u00e3o, mas a amperagem \u00e9 baixa, aproximadamente um ampere, n\u00e3o sendo necessariamente perigosa a humanos se comparada ao choque de uma tomada el\u00e9trica com 20 amperes. \u201cO choque atordoa a v\u00edtima. \u00c9 suficientemente forte para ajudar os peixes a capturar presas ou assustar um predador\u201d, disse Santana.<\/p>\n<p>Os poraqu\u00eas emitem corrente em pulsos, esgotando a sua energia ap\u00f3s algumas descargas e levando algum tempo para recarregar. Antes do artigo publicado, achava-se que a esp\u00e9cie tinha h\u00e1bitos solit\u00e1rios, mas foi verificado que em caso de amea\u00e7a eles podem se juntar em grupos caso se sintam amea\u00e7ados ou queiram capturar presas.<\/p>\n<p>O poraqu\u00ea sempre foi muito popular na comunidade cient\u00edfica, justamente pela sua capacidade de gerar energia el\u00e9trica. \u201cO conceito de eletricidade surgiu em fun\u00e7\u00e3o desses organismos e o poraqu\u00ea teve um papel hist\u00f3rico muito importante para descoberta de eletricidade\u201d, conta Zuanon. O estudo da capacidade do poraqu\u00ea de gerar energia el\u00e9trica inspirou o f\u00edsico italiano Alessandro Volta a desenvolver a primeira bateria el\u00e9trica (pilha), e as descobertas feitas a partir dos estudos da fisiologia desse peixe resultaram na descoberta de uma fonte de uma subst\u00e2ncia chamada acetilcolinesterase, que tem sido usada para tratar doen\u00e7as neurodegenerativas.<\/p>\n<p>Novidade na classifica\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies<\/p>\n<p>As descobertas de novas esp\u00e9cies no mundo cient\u00edfico partem da an\u00e1lise de caracter\u00edsticas f\u00edsicas (morfologia), gen\u00e9ticas e ecol\u00f3gicas. Nunca antes havia sido usado como principal crit\u00e9rio na classifica\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies a voltagem. \u201cUsamos a tens\u00e3o como o principal crit\u00e9rio de diferencia\u00e7\u00e3o. Isso nunca antes foi feito antes para identificar uma nova esp\u00e9cie\u201d, disse Menezes em entrevista para a Ag\u00eancia Fapesp.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por quase dois s\u00e9culos e meio acreditou-se existir apenas uma esp\u00e9cie de poraqu\u00ea, Electrophorus electricus,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":121001,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/peixe_eletrico.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/peixe_eletrico-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/peixe_eletrico-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/peixe_eletrico.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/peixe_eletrico.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/peixe_eletrico.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/peixe_eletrico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/peixe_eletrico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/peixe_eletrico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/peixe_eletrico.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por quase dois s\u00e9culos e meio acreditou-se existir apenas uma esp\u00e9cie de poraqu\u00ea, Electrophorus electricus,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/121000"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=121000"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/121000\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/121001"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=121000"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=121000"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=121000"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}