{"id":120964,"date":"2020-01-30T13:30:55","date_gmt":"2020-01-30T16:30:55","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=120964"},"modified":"2020-01-29T22:55:12","modified_gmt":"2020-01-30T01:55:12","slug":"tracas-transgenicas-sao-liberadas-para-acabar-com-uma-das-piores-pragas-do-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/tracas-transgenicas-sao-liberadas-para-acabar-com-uma-das-piores-pragas-do-planeta\/","title":{"rendered":"Tra\u00e7as transg\u00eanicas s\u00e3o liberadas para acabar com uma das piores pragas do planeta"},"content":{"rendered":"<p class=\"\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/traca.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-120965\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/traca.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/traca.jpg 415w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/traca-300x192.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 415px) 100vw, 415px\" \/><\/a>J\u00e1 h\u00e1 muitos anos uma empresa origin\u00e1ria dos laborat\u00f3rios da Universidade Oxford cria seres vivos com capacidades que at\u00e9 agora n\u00e3o existiam na natureza. Sua primeira criatura era uma variante do mosquito\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/mosquito_tigre\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\"><i>Aedes aegypti<\/i><\/a>\u00a0que possu\u00eda enxertado em seu genoma o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/adn\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">DNA<\/a>\u00a0de coral marinho, bact\u00e9rias, moscas e tra\u00e7as. O objetivo dessas modifica\u00e7\u00f5es era simples: criar mosquitos machos capazes de acasalar com f\u00eameas para transmitir \u00e0 sua descend\u00eancia uma heran\u00e7a gen\u00e9tica que\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/09\/21\/ciencia\/1537540615_787739.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">garantisse que nenhum de seus filhos sobreviveria<\/a>.<\/p>\n<p class=\"\">Isso pode parecer terr\u00edvel, mas as f\u00eameas do\u00a0<i>Aedes aegypti<\/i>\u00a0s\u00e3o as respons\u00e1veis \u200b\u200bpor transmitir doen\u00e7as que afetam milh\u00f5es de pessoas, como dengue,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/virus_zika\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">zika<\/a>\u00a0e chikungunya. Em diferentes experimentos no Brasil, os criadores desses mosquitos projetados para eliminar a pr\u00f3pria linhagem mostraram que isso reduz a incid\u00eancia de dengue em at\u00e9 90%. A empresa, a Oxitec, j\u00e1 est\u00e1 testando no Brasil uma segunda gera\u00e7\u00e3o de mosquitos transg\u00eanicos que produzem apenas machos, incapazes de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/03\/05\/ciencia\/1520208148_854634.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">picar e transmitir doen\u00e7as<\/a>. Tamb\u00e9m est\u00e1 desenvolvendo uma nova variante para tentar esterilizar o mosquito transmissor da mal\u00e1ria, uma doen\u00e7a que afeta mais de 200 milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo e que todos os anos mata mais de 400.000, principalmente crian\u00e7as.<\/p>\n<p class=\"\">Nesta quarta-feira est\u00e3o sendo publicados os resultados do primeiro experimento em campo aberto com outra das cria\u00e7\u00f5es desta empresa de biotecnologia. \u00c9 uma variante da tra\u00e7a\u00a0<i>Plutella xyostella<\/i>, que \u00e9 uma das piores pragas agr\u00edcolas do mundo. As larvas deste inseto se alimentam de culturas como br\u00f3colis, repolho e couve-flor e causam perdas de cerca de 4 bilh\u00f5es de euros por ano (cerca de 19 bilh\u00f5es de reais). O pior de tudo \u00e9 que esta tra\u00e7a se tornou resistente \u00e0 maioria dos inseticidas.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cEste inseto \u00e9 o l\u00edder mundial em resist\u00eancia a inseticidas\u201d, explica Tony Shelton, entomologista da Universidade Cornell (EUA). \u201cEsta \u00e9 uma das piores pragas agr\u00edcolas do mundo, especialmente em \u00e1reas quentes, como o sul dos Estados Unidos, a \u00c1sia, incluindo China, \u00cdndia e Tail\u00e2ndia, bem como Espanha e It\u00e1lia\u201d, ressalta.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img loading=\"lazy\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/lu_mdFKBwZszI0nJmyKVHvJxhJk=\/1500x0\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/OGEPNT343IU4LWE3VSWMMGXRDY.jpg\" alt=\"Larvas da tra\u00e7a polilla 'xylostella' devorando folhas de repolho.\n\" width=\"640\" height=\"360\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Larvas da tra\u00e7a polilla &#8216;xylostella&#8217; devorando folhas de repolho.<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">\u00c9 aqui que entra em cena a tra\u00e7a OX4318L, uma variante modificada cujo genoma carrega pequenos fragmentos sint\u00e9ticos inspirados nos de outros organismos, incluindo os j\u00e1 mencionados e alguns novos, como o v\u00edrus da herpes. Essas modifica\u00e7\u00f5es fazem com que os machos transg\u00eanicos transmitam \u00e0s f\u00eameas um legado gen\u00e9tico que as torna viciadas em tetraciclina, um antibi\u00f3tico. Sem esse composto, as larvas morrem dentro de alguns dias. Esse truque permite aos pesquisadores criar gera\u00e7\u00f5es de mosquitos em laborat\u00f3rio, usando esse antibi\u00f3tico, e garante que toda a descend\u00eancia morrer\u00e1 nos campos sem causar danos.<\/p>\n<p class=\"\">A equipe de Shelton, junto com os especialistas da Oxitec, fez a primeira libera\u00e7\u00e3o em campo dessas tra\u00e7as modificadas: uma planta\u00e7\u00e3o de repolho adequadamente isolada em Geneva, no Estado de Nova York. Os resultados, publicados nesta quarta-feira na revista\u00a0<i>Frontiers in Bioengineering and Biotechnology<\/i>, mostram que os machos geneticamente modificados se comportam da mesma forma que os selvagens e se acasalam normalmente com as f\u00eameas.<\/p>\n<p class=\"\">Os pesquisadores soltaram quase 10.000 tra\u00e7as selvagens e outras 10.000 modificadas, o que serviu para recuperar algumas delas depois de alguns dias com armadilhas que liberam ferom\u00f4nios. O trabalho mostra que a maioria dos insetos n\u00e3o viaja sequer algumas dezenas de metros a partir do ponto de soltura. Nenhum exemplar transg\u00eanico apareceu nas armadilhas localizadas fora do campo experimental, um bom resultado no que se refere \u00e0 seguran\u00e7a para uso comercial futuro. &#8220;Estudos pr\u00e9vios feitos em estufas demonstraram que as tra\u00e7as transg\u00eanicas reduzem drasticamente essa praga em apenas duas gera\u00e7\u00f5es [um m\u00eas]&#8221;, explica Shelton. &#8220;Acho que haver\u00e1 v\u00e1rias maneiras de usar esta tecnologia, a primeira, antepor-se \u00e0 praga e liberar tra\u00e7as modificadas de modo profil\u00e1tico, e a segunda, liberar uma popula\u00e7\u00e3o maior de insetos modificados para eliminar uma praga que j\u00e1 est\u00e1 assentada&#8221;, diz.<\/p>\n<p class=\"\">Essa t\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 completamente nova. Desde a d\u00e9cada de 1950 foram criadas popula\u00e7\u00f5es inteiras de mosquitos est\u00e9reis para eliminar pragas, mas isso \u00e9 feito bombardeando os machos com radia\u00e7\u00e3o. Essa t\u00e1tica permitiu eliminar do gado a larva da\u00a0<i>Cochliomyia hominivorax<\/i>\u00a0na Am\u00e9rica do Norte e \u00e1reas da \u00c1frica. \u201cO ruim dessa t\u00e1tica \u00e9 que \u00e9 como acertar os machos com um martelo na cabe\u00e7a, isso os torna menos competentes que os machos selvagens\u201d, explica Shelton, acrescentando que a modifica\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica \u00e9 muito mais \u201cespec\u00edfica\u201d e tamb\u00e9m permite o uso de menos inseticidas, o que traz benef\u00edcios ambientais.<\/p>\n<p class=\"\">Nosso objetivo agora \u00e9 fazer mais libera\u00e7\u00f5es experimentais em lavouras para comprovar que a medida \u00e9 segura e que funciona&#8221;, explica Neil Morrison, chefe de programas agr\u00edcolas da Oxitec e coautor do estudo. &#8220;Acreditamos que essa pode ser uma nova ferramenta para evitar essas pragas e impedir o surgimento de esp\u00e9cies resistentes a inseticidas&#8221;, enfatiza. A tra\u00e7a usada nos EUA seria apenas a primeira de suas criaturas dedicadas \u00e0 extin\u00e7\u00e3o de pragas, depois se seguiriam outras esp\u00e9cies, como a mosca do Mediterr\u00e2neo ou a mosca-da-azeitona, que a empresa j\u00e1 tentou testar em um campo espanhol em 2015, embora o experimento n\u00e3o tenha ocorrido, explica Morrison. &#8220;Ainda somos uma empresa pequena e temos que ir passo a passo, por isso este projeto, por ora, precisa esperar&#8221;, explica ele.<\/p>\n<p class=\"\">Entidades\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/11\/14\/internacional\/1415984094_285876.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">ambientalistas<\/a>\u00a0se op\u00f5em a esse tipo de experimento. Argumentam que pode contaminar e arruinar a certifica\u00e7\u00e3o de culturas org\u00e2nicas adjacentes. E tamb\u00e9m consideram que precisa ser demonstrado que as larvas mortas dessa tra\u00e7a s\u00e3o inofensivas para animais ou pessoas que possam ingeri-las.<\/p>\n<p class=\"\">A entomologista Dolors Piulachs acredita que esse \u00e9 \u201cum estudo muito completo que demonstra que seria eficaz como uma medida de controle de pragas\u201d, embora seja apenas mais uma arma para o arsenal e n\u00e3o funcionaria com todas as pragas. Piulachs, que \u00e9 pesquisadora do Instituto de Biologia Evolutiva (CSIC-UPF), avalia que \u201cn\u00e3o h\u00e1 possibilidade de que os genes das esp\u00e9cies modificadas permane\u00e7am presentes, pois todas as f\u00eameas morrem\u201d. \u201cQualquer animal que coma uma das larvas mortas ou um mosquito macho n\u00e3o teria nenhum problema porque o DNA se degradaria no sistema digestivo \u201c, ressalta. \u201c\u00c9 preciso lembrar que n\u00e3o se trata de erradicar uma esp\u00e9cie, pois sempre restar\u00e3o exemplares selvagens em algum lugar, mas de remov\u00ea-los das lavouras, porque o mais importante \u00e9 que as pessoas possam comer e sejam usados menos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/pesticidas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">pesticidas<\/a>\u201d, observa. \u201cO \u00fanico problema que essa t\u00e1tica pode ter \u00e9 que, ao reduzir ou eliminar uma esp\u00e9cie, apare\u00e7a outra praga que aproveite o v\u00e1cuo\u201d, acrescenta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 h\u00e1 muitos anos uma empresa origin\u00e1ria dos laborat\u00f3rios da Universidade Oxford cria seres vivos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":120965,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/traca.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/traca-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/traca-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/traca.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/traca.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/traca.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/traca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/traca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/traca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/traca.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"J\u00e1 h\u00e1 muitos anos uma empresa origin\u00e1ria dos laborat\u00f3rios da Universidade Oxford cria seres vivos","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/120964"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=120964"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/120964\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/120965"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=120964"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=120964"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=120964"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}