{"id":120703,"date":"2020-01-25T20:06:05","date_gmt":"2020-01-25T23:06:05","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=120703"},"modified":"2020-01-25T20:06:05","modified_gmt":"2020-01-25T23:06:05","slug":"incendios-na-australia-quais-especies-estao-em-risco-de-extincao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/incendios-na-australia-quais-especies-estao-em-risco-de-extincao\/","title":{"rendered":"Inc\u00eandios na Austr\u00e1lia: quais esp\u00e9cies est\u00e3o em risco de extin\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Estimativas apontam que o fogo j\u00e1 matou mais de um bilh\u00e3o de animais no pa\u00eds, conhecido por sua biodiversidade<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/www.nexojornal.com.br\/incoming\/imagens\/wallaby\/alternates\/LANDSCAPE_560\/wallaby\" alt=\"Wallaby no centro da tela olha para a c\u00e2mera. \u00c0 sua volta, vegeta\u00e7\u00e3o queimada, retorcida e repleta de cinzas\" width=\"640\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p>WALLABY EM VEGETA\u00c7\u00c3O QUEIMADA NA ILHA KANGAROO, NA AUSTR\u00c1LIA<br \/>\nCientistas estimam que a temporada de inc\u00eandios na Austr\u00e1lia que come\u00e7ou em setembro de 2019 e se intensificou na virada do ano tenha matado mais de um bilh\u00e3o de animais. O fogo destruiu, at\u00e9 22 de janeiro, cerca de 10 milh\u00f5es de hectares \u2014 \u00e1rea maior que a Irlanda e Irlanda do Norte juntas. Pelo menos 30 pessoas morreram. E embora tempestades tenham varrido algumas \u00e1reas afetadas, autoridades afirmam que a crise est\u00e1 longe de ser superada.<\/p>\n<p>P\u00e1ssaros, roedores e insetos est\u00e3o acostumados com a temporada anual de inc\u00eandios. O ano de 2019 foi, no entanto, o mais quente e seco em 120 anos, o que contribuiu para o fogo atingir regi\u00f5es que n\u00e3o costumam queimar, como florestas tropicais e p\u00e2ntanos.<\/p>\n<p>Os rebanhos de gado e ovelha do pa\u00eds, que est\u00e1 entre os maiores exportadores de carne no mundo, foi afetado. Pelo menos 10 mil camelos, esp\u00e9cie considerada peste na Austr\u00e1lia, devem ser abatidos por beberem muita \u00e1gua.<\/p>\n<p>Mas a preocupa\u00e7\u00e3o maior dos cientistas s\u00e3o as perdas significativas contabilizadas entre animais, alguns que existem s\u00f3 naquele pa\u00eds. De acordo com o governo australiano, o fogo amea\u00e7a o futuro de 331 esp\u00e9cies. Em 2016, a Austr\u00e1lia registrou seu primeiro caso de esp\u00e9cie extinta devido \u00e0 crise do clima. Com a intensidade dos inc\u00eandios, ecologistas temem que novas esp\u00e9cies sejam adicionadas \u00e0 lista pelo mesmo motivo.<\/p>\n<p>A Austr\u00e1lia est\u00e1 entre os pa\u00edses considerados \u201cmegadiversos\u201d. O grupo, que tamb\u00e9m inclui o Brasil, re\u00fane 17 na\u00e7\u00f5es que ocupam menos de 10% da superf\u00edcie do planeta, mas abrigam mais de dois ter\u00e7os de todas as esp\u00e9cies conhecidas de fauna e flora.<\/p>\n<p>600 mil<\/p>\n<p>esp\u00e9cies de animais e plantas s\u00e3o encontradas na Austr\u00e1lia, muitas das quais end\u00eamicas (que s\u00f3 existem no pa\u00eds)<\/p>\n<p>50<\/p>\n<p>esp\u00e9cies de animais foram extintas na Austr\u00e1lia desde o in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica, no s\u00e9culo 18<\/p>\n<p>Como \u00e9 calculado o n\u00famero de animais mortos na Austr\u00e1lia<br \/>\nA estimativa de que mais de um bilh\u00e3o de animais foram mortos desde o in\u00edcio dos inc\u00eandios em 2019 foi feita pelo professor Christopher Dickman, da Universidade de Sidney. O n\u00famero toma como base a densidade populacional de mam\u00edferos, p\u00e1ssaros e r\u00e9pteis descritos em estudos acad\u00eamicos publicados. Para chegar aos dados finais, esse valor \u00e9 calculado com base na \u00e1rea atingida pelas queimadas.<\/p>\n<p>\u00c0 BBC, Dickman afirma que p\u00e1ssaros e animais maiores, como cangurus e emus, provavelmente s\u00e3o capazes de escapar conforme o fogo se aproxima, mas esp\u00e9cies menores e com menos mobilidade s\u00e3o mais suscet\u00edveis \u00e0 linha do fogo. Mesmo aqueles que sobrevivem ao inc\u00eandio podem morrer posteriormente por falta de comida e abrigo.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s queimadas intensas, raposas e gatos selvagens \u2013 esp\u00e9cies trazidas para o continente durante as ondas de imigra\u00e7\u00e3o \u2013 se deslocam at\u00e9 30 quil\u00f4metros para ca\u00e7ar nessas \u00e1reas. Sem lugar para se esconderem, os animais nativos podem se tornar presas f\u00e1ceis.<\/p>\n<p>Alguns cientistas contestam o n\u00famero estimado por Dickman por considerarem que muitos animais s\u00e3o mais resilientes e capazes de sobreviver do que se imagina. Outros, no entanto, apontam que a perda pode ser ainda maior. Isso porque em alguns casos o c\u00e1lculo total se baseia em estudos de densidade populacional antigos, como um sobre r\u00e9pteis de 1985. Outras esp\u00e9cies sequer t\u00eam estimativas publicadas, como morcegos, sapos e invertebrados.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o dos coalas<br \/>\n<img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/www.nexojornal.com.br\/incoming\/imagens\/coala\/alternates\/LANDSCAPE_560\/coala\" alt=\"Coala com luvas nas quatro patas est\u00e1 sentada cabisbaixa\" width=\"640\" height=\"400\" \/>FOTO: TRACEY NEARMY\/REUTERS<\/p>\n<p>COALA MACHUCADA SENTADA NO PARQUE DA VIDA SELVAGEM DA ILHA KANGAROO<br \/>\nEstima-se que cerca de 25 mil coalas tenham morrido nos inc\u00eandios. Esse n\u00famero, segundo estimativas anteriores \u00e0s queimadas, corresponde \u00e0 metade da popula\u00e7\u00e3o dos mam\u00edferos que habitavam o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os animais costumam subir at\u00e9 a copa das \u00e1rvores para se proteger do fogo, mas com ventos soprando a 60 km\/h e as chamas alcan\u00e7ando mais de 70 metros acima do ch\u00e3o, as chances de sobreviv\u00eancia dos coalas diminuem.<\/p>\n<p>Os cientistas alertam que o n\u00famero de mortes \u00e9 mais grave porque grande parte delas aconteceu na Ilha Kangaroo, \u00fanica regi\u00e3o da Austr\u00e1lia onde os coalas est\u00e3o livres da clam\u00eddia. A doen\u00e7a sexualmente transmiss\u00edvel, que tamb\u00e9m \u00e9 encontrada nos humanos, costuma atingir popula\u00e7\u00f5es inteiras no continente e afeta severamente a sa\u00fade desses animais.<\/p>\n<p>Toda essa preocupa\u00e7\u00e3o soou alarmes precoces na m\u00eddia de que o animal estaria \u201cfuncionalmente extinto\u201d, termo n\u00e3o oficial usado para quando uma esp\u00e9cie n\u00e3o tem membros individuais suficientes para produzir gera\u00e7\u00f5es futuras ou desempenhar um papel no ecossistema.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, a esp\u00e9cie era classificada como \u201cvulner\u00e1vel\u201d, terceiro n\u00edvel dos sete na escala de risco de extin\u00e7\u00e3o. Alguns cientistas consideram elevar essa classifica\u00e7\u00e3o para que eles sejam considerados \u201cem perigo\u201d.<\/p>\n<p>Como funciona a classifica\u00e7\u00e3o por grau de amea\u00e7a<br \/>\nPOUCO PREOCUPANTE<\/p>\n<p>Do ingl\u00eas \u201cleast concern\u201d, \u00e9 a categoria de risco mais baixo, empregada para quando se considera que h\u00e1 abund\u00e2ncia da esp\u00e9cie de seres vivos, bem distribu\u00eddos em seus habitats.<\/p>\n<p>QUASE AMEA\u00c7ADA<\/p>\n<p>Em ingl\u00eas, \u201cnear threatened\u201d, a nomenclatura \u00e9 empregada quando se detecta um processo de diminui\u00e7\u00e3o populacional que provavelmente far\u00e1 com que a esp\u00e9cie passe para uma categoria considerada \u201camea\u00e7ada\u201d em algum n\u00edvel. A nomenclatura \u201camea\u00e7ada\u201d \u00e9, por sua vez, composta por tr\u00eas n\u00edveis de risco.<\/p>\n<p>VULNER\u00c1VEL<\/p>\n<p>Do ingl\u00eas \u201cvulnerable\u201d, \u00e9 o termo mais brando da classifica\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies amea\u00e7adas, usado quando pesquisas indicam que h\u00e1 risco elevado de extin\u00e7\u00e3o se n\u00e3o houver melhoras das condi\u00e7\u00f5es que permitam a sobreviv\u00eancia e reprodu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>EM PERIGO<\/p>\n<p>Do ingl\u00eas \u201cendangered\u201d, \u00e9 o segundo n\u00edvel mais grave de amea\u00e7a, usado quando pesquisas indicam que a esp\u00e9cie provavelmente ser\u00e1 extinta no futuro pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>EM PERIGO CR\u00cdTICO<\/p>\n<p>Do ingl\u00eas \u201ccritically endangered\u201d, \u00e9 a categoria de maior risco dentro dos animais amea\u00e7ados, levando em considera\u00e7\u00e3o apenas a sua exist\u00eancia em ambientes naturais, e n\u00e3o em cativeiro. Ela inclui os animais que enfrentam risco \u201cextremamente elevado\u201d de extin\u00e7\u00e3o na natureza.<\/p>\n<p>EXTINTA NA NATUREZA<\/p>\n<p>Do ingl\u00eas \u201cextinct in the wild\u201d, \u00e9 usada quando n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel encontrar nem ao menos um \u00fanico esp\u00e9cime em ambiente natural. O ser vivo continua a existir, mas apenas em cativeiro.<\/p>\n<p>EXTINTA<\/p>\n<p>Do ingl\u00eas \u201cextinct\u201d, \u00e9 aplicado quando pesquisas indicam que j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 esp\u00e9cimes do ser vivo no planeta.<\/p>\n<p>Os animais em risco de extin\u00e7\u00e3o<br \/>\nDesde o come\u00e7o desta temporada de inc\u00eandios, v\u00eddeos de animais resgatados \u2013 normalmente cangurus e coalas \u2013 bombaram nas redes sociais. No entanto, pelo n\u00famero grande de animais existentes no pa\u00eds, as esp\u00e9cies n\u00e3o s\u00e3o classificadas de forma preocupante na escala de amea\u00e7ados.<\/p>\n<p>Abaixo, o Nexo selecionou cinco esp\u00e9cies menos conhecidas e end\u00eamicas da Austr\u00e1lia que ocupam o n\u00edvel \u201cem perigo cr\u00edtico\u201d de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/www.nexojornal.com.br\/incoming\/9cy4xz-animais-risco-de-extincao_dunnart\/alternates\/FREE_640\/animais%20risco%20de%20extincao_dunnart\" alt=\"Mapa da Austr\u00e1lia com detalhe da \u00e1rea de habitat do Dunnart na Ilha Kangaroo\" width=\"639\" height=\"639\" \/>Dunnart da Ilha Kangaroo (Kangaroo Island Dunnart \/ Sminthopsis aitkeni)<\/p>\n<p>A Ilha Kangaroo foi uma das mais afetadas pelos inc\u00eandios. Acredita-se que metade da regi\u00e3o \u2014 mais de 215 mil hectares \u2014 tenha sido queimada. Nela, existem esp\u00e9cies \u00fanicas, que j\u00e1 eram consideradas em risco, como o dunnart da Ilha Kangaroo.<\/p>\n<p>O animal \u00e9 t\u00e3o raro que, antes mesmo das queimadas, pesquisadores tinham dificuldade de avistar um na natureza. De h\u00e1bitos noturnos, o pequeno roedor costuma se esconder debaixo das folhagens das xantorreias, conhecidas como \u00e1rvores grama. Em condi\u00e7\u00f5es normais, nem todas teriam pegado fogo, mas a intensidade desta temporada devastou essas plantas com for\u00e7a, deixando pouco abrigo para os dunnarts se esconderem.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/www.nexojornal.com.br\/incoming\/ix1z94-animais-risco-de-extincao_cacatua\/alternates\/FREE_640\/animais%20risco%20de%20extincao_cacatua\" alt=\"Mapa da Austr\u00e1lia com detalhe da \u00e1rea de habitat do honeyeater na Ilha Kangaroo\" width=\"639\" height=\"638\" \/>Cacatua preta brilhante (Glossy black cockatoos \/ Calyptorhynchus lathami halmaturinus)<\/p>\n<p>H\u00e1 diversas esp\u00e9cies da cacatua preta espalhadas pela Austr\u00e1lia, mas a do tipo brilhante \u00e9 end\u00eamica da Ilha Kangaroo. At\u00e9 ent\u00e3o, ela era vista como um sucesso de conserva\u00e7\u00e3o para o pa\u00eds, j\u00e1 que um programa iniciado em 1995 havia aumentado a popula\u00e7\u00e3o de 150 para 400 exemplares.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s esse esfor\u00e7o, sua classifica\u00e7\u00e3o havia sido reduzida para \u201cem perigo\u201d, quarto n\u00edvel na escala de amea\u00e7a. No entanto, segundo Daniella Teixeira, doutoranda de ornitologia da Universidade de Queensland, o fogo alcan\u00e7ou seis das oito regi\u00f5es habitadas pelas aves. A baixa pode custar uma d\u00e9cada de trabalhos de recupera\u00e7\u00e3o e a volta da classifica\u00e7\u00e3o \u201cem perigo cr\u00edtico\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/www.nexojornal.com.br\/incoming\/4vi10k-animais-risco-de-extincao_honeyeater\/alternates\/FREE_640\/animais%20risco%20de%20extincao_honeyeater\" alt=\"Mapa da Austr\u00e1lia com detalhe da \u00e1rea de habitat da cacatua no sudeste da Austr\u00e1lia\" width=\"640\" height=\"639\" \/>Honeyeater Regente (Regent Honeyeater \/ Anthochaera phrygia)<\/p>\n<p>O p\u00e1ssaro amarelo e preto vive no sudeste do pa\u00eds, entre Nova Gales do Sul e Victoria, duas das regi\u00f5es mais atingidas pelos inc\u00eandios na Austr\u00e1lia continental. Uma das regi\u00f5es considerada uma \u201cfortaleza\u201d para a esp\u00e9cie, as Montanhas Azuis, teve 80% de sua \u00e1rea queimada.<\/p>\n<p>As chamas devastaram eucaliptos e viscos da regi\u00e3o, dos quais essas aves extraem n\u00e9ctar para se alimentar. Antes das queimadas, havia menos de 400 exemplares da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/www.nexojornal.com.br\/incoming\/ycmjcz-animais-risco-de-extincao_sapo\/alternates\/FREE_640\/animais%20risco%20de%20extincao_sapo\" alt=\"Mapa da Austr\u00e1lia com detalhe da \u00e1rea de habitat do sapo no sudeste da Austr\u00e1lia\" width=\"640\" height=\"639\" \/>Sapo-corroborre do sul (Southern corroboree frog \/ Pseudophryne corroboree)<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m nativos na Nova Gales do Sul, os sapos pretos e amarelos ocupam uma faixa pequena do Parque Nacional Kosciuszko, que foi tomado pelas chamas no come\u00e7o de 2020. Segundo guardas florestais, a regi\u00e3o pode levar s\u00e9culos para se recuperar.<\/p>\n<p>Em 2014, eram menos de 50 exemplares vivos na natureza, e especialistas temem que o impacto possa ser maior se os fogos alcan\u00e7arem o Parque Nacional Namadgi, a 45 km de Kosciuszko, lar de uma esp\u00e9cie semelhante: o sapo-corroborre do norte.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/www.nexojornal.com.br\/incoming\/2x6y5x-animais-risco-de-extincao_abelha\/alternates\/FREE_640\/animais%20risco%20de%20extincao_abelha\" alt=\"Mapa da Austr\u00e1lia com detalhe da \u00e1rea de habitat da abelha na Ilha Kangaroo, e sudeste e leste da Austr\u00e1lia\" width=\"639\" height=\"638\" \/>Abelha carpinteira verde-dourada (Green carpenter bee \/ Xylocopa aerata)<\/p>\n<p>No passado, queimadas e limpezas de terra levaram essa esp\u00e9cie de abelha \u00e0 extin\u00e7\u00e3o no sul da Austr\u00e1lia e na regi\u00e3o de Victoria. Hoje, ela se encontra principalmente na Ilha Kangaroo e em \u00e1reas de Queensland e Nova Gales do Sul, na costa leste do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Tal como muitos outros insetos, apesar de n\u00e3o ser classificada oficialmente na escala de extin\u00e7\u00e3o, cientistas suspeitam que a esp\u00e9cie tenha sofrido severas perdas. Isso porque a banksia, planta que as abelhas usam para fazer suas colmeias, demora 30 anos para crescer do tamanho e maciez de que as abelhas precisam.<\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise sobre o impacto dos inc\u00eandios na fauna<br \/>\nAo Nexo, Simone Clarke, diretora-executiva da organiza\u00e7\u00e3o Prote\u00e7\u00e3o Animal Mundial (World Animal Protection) na Austr\u00e1lia, fala sobre o impacto dos inc\u00eandios para animais e os riscos de esse cen\u00e1rio se intensificar com a crise clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>A Prote\u00e7\u00e3o Animal Mundial \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o global que atua, entre outras coisas, no resgate de animais durante desastres, como os da Amaz\u00f4nia e da Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p>Qual o impacto dessa perda de diversidade para o resto do mundo?<br \/>\nSimone Clarke Os animais e plantas da Austr\u00e1lia s\u00e3o globalmente \u00fanicos. Nossa biodiversidade est\u00e1 sendo reduzida por v\u00e1rias amea\u00e7as e agravada pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. At\u00e9 que os inc\u00eandios cessem, n\u00e3o conheceremos toda a extens\u00e3o dos danos \u00e0 diversidade gen\u00e9tica, de esp\u00e9cies e do ecossistema. O impacto deste desastre ser\u00e1 sentido nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>A devasta\u00e7\u00e3o na Austr\u00e1lia deve servir de alerta para que outros pa\u00edses incorporem os animais no planejamento de redu\u00e7\u00e3o de riscos de desastres. As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas continuar\u00e3o a exacerbar o risco de eventos clim\u00e1ticos extremos, enfatizando a necessidade urgente de programas de gerenciamento de mitiga\u00e7\u00e3o e reforma de pol\u00edticas. Todos precisamos legislar e investir na prote\u00e7\u00e3o dos ecossistemas contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, protegendo, mantendo e restabelecendo a biodiversidade.<\/p>\n<p>Como a crise clim\u00e1tica deve continuar a afetar a vida animal na Austr\u00e1lia nos pr\u00f3ximos anos?<br \/>\nSimone Clarke Historicamente, a Austr\u00e1lia passa por inc\u00eandios florestais nos meses de ver\u00e3o. Mas as condi\u00e7\u00f5es catastr\u00f3ficas vividas nesta temporada foram exacerbadas pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u2013 mudan\u00e7as nos extremos clim\u00e1ticos pontuadas por desastres mais frequentes. Per\u00edodos mais longos de seca, temperaturas mais altas, cargas de combust\u00edvel maiores, padr\u00f5es irregulares de vento e clima e n\u00edveis de umidade aumentam o risco de inc\u00eandio e s\u00e3o agravados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>A prepara\u00e7\u00e3o para inc\u00eandios florestais da Austr\u00e1lia tamb\u00e9m est\u00e1 em risco com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, \u00e0 medida que as esta\u00e7\u00f5es de inc\u00eandios florestais se prolongam, reduzindo as oportunidades de queima controlada e aumentando a press\u00e3o sobre os recursos de combate a inc\u00eandios e os esfor\u00e7os de recupera\u00e7\u00e3o. Os cientistas esperam que o clima prop\u00edcio para a prolifera\u00e7\u00e3o do fogo continue se tornando mais frequente e severo, caso n\u00e3o haja a\u00e7\u00f5es substanciais e r\u00e1pidas para reduzir as emiss\u00f5es de gases do efeito estufa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estimativas apontam que o fogo j\u00e1 matou mais de um bilh\u00e3o de animais no pa\u00eds,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Estimativas apontam que o fogo j\u00e1 matou mais de um bilh\u00e3o de animais no pa\u00eds,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/120703"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=120703"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/120703\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=120703"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=120703"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=120703"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}