{"id":120490,"date":"2020-01-22T11:07:12","date_gmt":"2020-01-22T14:07:12","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=120490"},"modified":"2020-01-22T11:07:12","modified_gmt":"2020-01-22T14:07:12","slug":"sp-bane-utensilios-plasticos-no-comercio-e-reacende-debate-sobre-efetividade-da-medida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/sp-bane-utensilios-plasticos-no-comercio-e-reacende-debate-sobre-efetividade-da-medida\/","title":{"rendered":"SP bane utens\u00edlios pl\u00e1sticos no com\u00e9rcio e reacende debate sobre efetividade da medida"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/copo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-120492\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/copo-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/copo-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/copo.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O governo da cidade de S\u00e3o Paulo aprovou, na \u00faltima semana, uma lei que pro\u00edbe o fornecimento de copos, pratos, talheres, agitadores para bebidas e varas para bal\u00f5es descart\u00e1veis feitos de material pl\u00e1stico aos clientes de estabelecimentos comerciais do munic\u00edpio, a partir de janeiro de 2021. A regra, apesar de ser mais ampla do que outras normas similares de proibi\u00e7\u00e3o de utens\u00edlios pl\u00e1sticos j\u00e1 existentes \u2013 geralmente limitadas a canudos\u00a0\u2013\u00a0reacendeu o debate sobre a efetividade da medida no controle e correta destina\u00e7\u00e3o do res\u00edduo no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O assunto ainda \u00e9 controverso e as opini\u00f5es se dividem entre os que s\u00e3o a favor e os que acham que leis como esta, da forma como est\u00e3o sendo aplicadas, chegam at\u00e9 a agravar o problema, uma vez que utens\u00edlios banidos estariam sendo substitu\u00eddos por outros de maior volume. Mas todos concordam que a forma como nos relacionamos com o pl\u00e1stico \u2013 e como nos desfazemos dele \u2013 \u00e9 um tema que n\u00e3o d\u00e1 para mais ser negligenciado.<\/p>\n<p><strong>Risco Global<\/strong><\/p>\n<p>Divulgado na \u00faltima quarta-feira (15), o\u00a0<u><a href=\"http:\/\/www3.weforum.org\/docs\/WEF_Global_Risk_Report_2020.pdf\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">Relat\u00f3rio Global de Risco 2020<\/a>,<\/u>\u00a0do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, trouxe mudan\u00e7as significativas na percep\u00e7\u00e3o da sociedade e das economias em rela\u00e7\u00e3o aos riscos iminentes \u00e0 humanidade. Segundo a entidade, esta \u00e9 a primeira vez desde que o documento come\u00e7ou a ser publicado \u2013 o relat\u00f3rio est\u00e1 em sua 15\u00aa edi\u00e7\u00e3o\u00a0\u2013\u00a0que todos os principais riscos de longo prazo, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 probabilidade, s\u00e3o ambientais.<\/p>\n<p>Nos anos anteriores, problemas econ\u00f4micos eram considerados as maiores amea\u00e7as. Agora, temores de colapso clim\u00e1tico e perda de biodiversidade dominam. O uso desenfreado do pl\u00e1stico e a sua incorreta disposi\u00e7\u00e3o s\u00e3o citados como vil\u00f5es.<\/p>\n<p>De acordo com o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas Para o Meio Ambiente,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unenvironment.org\/resources\/report\/state-plastics-world-environment-day-outlook-2018\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">entre 8 e 13 milh\u00f5es de toneladas de pl\u00e1sticos s\u00e3o despejadas nos oceanos anualmente<\/a>, causando um preju\u00edzo estimado de 13 bilh\u00f5es de d\u00f3lares para os ecossistemas marinhos.<\/p>\n<div class=\"olho-direita\">\u201cMas ser\u00e1 que os canudos \u2013 e copos, pratos e talheres \u2013 s\u00e3o o principal problema do lixo pl\u00e1stico que, disposto de forma irregular no meio ambiente, encontra os oceanos como seu destino final?\u201d.<\/div>\n<p>\u00c9 como se mais de 60 avi\u00f5es Boeing 747 pousassem nos mares e oceanos todos os dias, segundo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.wwf.org.br\/?70222\/Brasil-e-o-4-pais-do-mundo-que-mais-gera-lixo-plastico\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">estudo lan\u00e7ado pela ONG WWF<\/a>, em mar\u00e7o de 2019. Nesse ritmo, se nenhuma mudan\u00e7a acontecer em nossa rela\u00e7\u00e3o com o uso do material, mais de 104 milh\u00f5es de toneladas de pl\u00e1stico ir\u00e3o poluir nossos ecossistemas at\u00e9 2030, diz a organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Todo mundo j\u00e1 deve ter visto imagens de animais marinhos presos em materiais pl\u00e1sticos ou da sujeira que esses poluentes deixam no oceano.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com.au\/animals\/how-did-sea-turtle-get-a-straw-up-its-nose.aspx\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">Um v\u00eddeo<\/a>\u00a0em que uma equipe de bi\u00f3logos tenta, por agonizantes oito minutos, retirar um canudo da narina de uma tartaruga viralizou em 2015. Foi a partir deste v\u00eddeo, inclusive, que leis de proibi\u00e7\u00e3o de canudos come\u00e7aram a pipocar por aqui.<\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 que os canudos \u2013 e copos, pratos e talheres \u2013 s\u00e3o o principal problema do lixo pl\u00e1stico que, disposto de forma irregular no meio ambiente, encontra os oceanos como seu destino final?<\/p>\n<p><strong>Origem do lixo no mar<\/strong><\/p>\n<p>Um mutir\u00e3o de limpeza anual realizado pela organiza\u00e7\u00e3o Ocean Conservancy em 122 pa\u00edses mostrou que, em 2018, as bitucas de cigarro lideraram a lista dos materiais mais encontrados em praias e regi\u00f5es costeiras, em n\u00famero de unidades coletadas. Embalagens de alimentos, como sorvetes e balas, ocuparam a segunda posi\u00e7\u00e3o. Canudos est\u00e3o em terceiro no ranking, divulgado em 2019 (Veja lista abaixo).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-74933\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/infografico-ranking.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/infografico-ranking.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/infografico-ranking-300x216.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/infografico-ranking-1024x739.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/infografico-ranking-600x433.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/infografico-ranking-640x462.jpg 640w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"462\" \/><\/p>\n<p>Segundo a organiza\u00e7\u00e3o, desde 2017 todos os 10 itens mais comuns encontrados durante a \u201cLimpeza Costeira Internacional\u201d s\u00e3o feitos de pl\u00e1stico \u2013 considerando que os filtros dos cigarros cont\u00eam componentes desse material.<\/p>\n<p>Mas isso em n\u00famero de unidades, n\u00e3o em volume encontrado. Quando o problema \u00e9 analisado mais de perto \u2013 bem mais de perto \u2013 fica claro que a culpa pela presen\u00e7a de pl\u00e1stico no mar n\u00e3o pode ser atribu\u00edda somente a m\u00e1 educa\u00e7\u00e3o do banhista que n\u00e3o disp\u00f4s corretamente seu canudo.<\/p>\n<p><strong>Perigo que n\u00e3o se v\u00ea<\/strong><\/p>\n<p>Estudo publicado em novembro de 2019 pelo jornal cient\u00edfico americano\u00a0<a href=\"https:\/\/www.weforum.org\/agenda\/2019\/12\/microplastics-ocean-plastic-pollution-research-salps\/\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">Limnology and Oceanography Letters<\/a>\u00a0sugere que a escala da polui\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica em nossos oceanos poderia ser um milh\u00e3o de vezes pior do que anteriormente registrado. Ao analisar o intestino de min\u00fasculos invertebrados que se alimentam por filtra\u00e7\u00e3o, pesquisadores do\u00a0<a href=\"https:\/\/scripps.ucsd.edu\/\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">Scripps Institution of Oceanography<\/a>, na Calif\u00f3rnia, encontraram mini-micropl\u00e1sticos n\u00e3o detectados anteriormente, aumentando a magnitude do problema.<\/p>\n<p>Segundo a Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (IUCN), a principal fonte de micropl\u00e1sticos nos oceanos n\u00e3o s\u00e3o canudos e copos, mas tecidos sint\u00e9ticos (mais de 1\/3). De fato, em 2016,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.plymouth.ac.uk\/news\/washing-clothes-releases-thousands-of-microplastic-particles-into-environment-study-shows\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">um estudo conduzido na Universidade de Plymouth<\/a>, no Reino Unido, calculou que cada ciclo de uma m\u00e1quina de lavar pode disseminar mais de 700 mil peda\u00e7os de micropl\u00e1sticos no meio ambiente.<\/p>\n<p>A segunda maior fonte, de acordo com a IUCN, s\u00e3o os pneus de carros, motos, caminh\u00f5es e \u00f4nibus, que liberam min\u00fasculas part\u00edculas de borracha sint\u00e9tica conforme v\u00e3o erodindo com o atrito nas estradas. Produtos de cuidado pessoal e aglomerados de pl\u00e1stico somam apenas 2,3% do total do problema. (Confira abaixo).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-74935\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/infogr%C3%A1fico-micropl%C3%A1stico-final.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/infogr\u00e1fico-micropl\u00e1stico-final.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/infogr\u00e1fico-micropl\u00e1stico-final-300x213.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/infogr\u00e1fico-micropl\u00e1stico-final-1024x727.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/infogr\u00e1fico-micropl\u00e1stico-final-600x426.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/infogr\u00e1fico-micropl\u00e1stico-final-640x454.jpg 640w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"454\" \/><\/p>\n<p>De acordo com o ocean\u00f3grafo Alexander Turra, professor do Instituto Oceanogr\u00e1fico da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), a contamina\u00e7\u00e3o de peixes e frutos do mar por micropl\u00e1sticos \u2013 e seu impacto na sa\u00fade humana \u2013 deve ser analisado com cuidado. Segundo ele, an\u00e1lises preliminares mostram que a contamina\u00e7\u00e3o pelo ar \u00e9 muito maior. No entanto, ele concorda que as fontes de pl\u00e1stico no oceano v\u00e3o muito al\u00e9m dos itens alvos das leis proibitivas nacionais.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o v\u00e1rias as origens. O problema \u00e9 muito complexo e tem que ser trabalhado com transpar\u00eancia e de forma compat\u00edvel com essa complexidade\u201d, defende.<\/p>\n<p>De maneira geral, aqui no Brasil, por exemplo, os itens pl\u00e1sticos mais encontrados em praias e regi\u00f5es costeiras s\u00e3o fragmentos sem formato identificado, provenientes de embalagens de uso dom\u00e9stico, como potes de margarina ou recipientes de produtos de limpeza. O que nos leva a outra quest\u00e3o: a gest\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos no pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Problema \u00e0 brasileira<\/strong><\/p>\n<p>Levantamento realizado pelo WWF com base em dados do Banco Mundial mostrou que o Brasil \u00e9 o 4\u00ba maior produtor de lixo pl\u00e1stico no mundo, com 11,3 milh\u00f5es de toneladas\/ano, ficando atr\u00e1s apenas dos Estados Unidos, China e \u00cdndia.<\/p>\n<p>Deste total, mais de 10,3 milh\u00f5es de toneladas foram coletadas (91%), mas apenas 145 toneladas (1,28%) foram efetivamente recicladas, ou seja, processadas na cadeia de produ\u00e7\u00e3o como produto secund\u00e1rio. Segundo levantamento do WWF, este \u00e9 um dos menores \u00edndices de reciclagem pl\u00e1stica registrados na pesquisa, bem abaixo da m\u00e9dia global, que \u00e9 de 9%.<\/p>\n<p>Para resolver este problema, especialistas s\u00e3o un\u00e2nimes em dizer que \u00e9 preciso investir na moderniza\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o de leis que regram o assunto, como a Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos (PNRS). Mas esta n\u00e3o parece ser a prioridade do governo, deste e dos anteriores.<\/p>\n<p>Quando assumiu a pasta ambiental, em janeiro de 2019, o ministro Ricardo Salles defendeu o programa \u201cLix\u00e3o Zero\u201d como sua menina dos olhos. Agenda ambiental urbana ser\u00e1 prioridade total do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, garantiu ele, \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n<p>Passados 12 meses, a aten\u00e7\u00e3o que o setor recebeu n\u00e3o foi bem a anunciada. O or\u00e7amento previsto para o PNRS era de R$ 8 milh\u00f5es. Com o contingenciamento realizado na pasta ambiental no in\u00edcio do ano, esse valor caiu para R$ 1,7 milh\u00f5es, mas, em todo ano de 2019, apenas R$ 251 mil reais foram efetivamente investidos no est\u00edmulo \u00e0 Pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da falta de investimento efetivo, para Carlos Bocuhy, presidente do Instituto Brasileiro de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (Proam), as leis brasileiras tamb\u00e9m falham na metodologia de enfrentamento do problema. Atualmente, para resolver a quest\u00e3o do impacto do pl\u00e1stico, as leis preveem apenas os acordos setoriais de log\u00edstica reversa entre governos e produtores. O problema \u00e9 que esses acordos n\u00e3o contam com ferramentas de transpar\u00eancia ou controle social. Isto \u00e9, sociedade civil ou Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o t\u00eam voz nas discuss\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo o presidente da Proam, se houvesse maior participa\u00e7\u00e3o e controle social, esses atores poderiam trazer outras dimens\u00f5es do problema \u00e0 mesa de negocia\u00e7\u00f5es, como o impacto real do pl\u00e1stico nos ecossistemas e para a sa\u00fade p\u00fablica e os custos sociais e ambientais da despolui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA dimens\u00e3o do problema [trazido pelo uso do pl\u00e1stico] exige que a quest\u00e3o seja tratada como pol\u00edtica de sa\u00fade p\u00fablica e sa\u00fade ambiental, n\u00e3o pode ser relegada ao tratamento que se d\u00e1 apenas dentro das premissas do PNRS. Temos que eliminar o pl\u00e1stico a base de petr\u00f3leo, substituir toda a cadeia e isso a ind\u00fastria n\u00e3o quer fazer. Ela empurra o m\u00e1ximo que pode, e acaba jogando para o plano social\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Afinal, banir \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<div class=\"olho-esquerda\">\u201cAs leis n\u00e3o permitem que as pessoas estabele\u00e7am o nexo entre causa e efeito que leva \u00e0 mudan\u00e7a de comportamento, simplesmente pelo fato de que elas n\u00e3o sabem qual \u00e9 o motivador dessa a\u00e7\u00e3o e n\u00e3o sabem qual \u00e9 a consequ\u00eancia da retirada do pl\u00e1stico [de circula\u00e7\u00e3o]\u201d, defende o ocean\u00f3grafo Alexander Turra.<\/div>\n<p>Desde julho de 2018, quando a cidade do Rio de Janeiro se tornou a primeira do pa\u00eds a banir o uso de canudos de pl\u00e1stico, a efetividade de medidas como esta tem gerado acaloradas discuss\u00f5es e as opini\u00f5es s\u00e3o controversas. Por ser mais ampla que leis anteriores vigentes no pa\u00eds \u2013 cujo banimento se restringe ao canudo \u2013, a lei paulistana, aprovada na \u00faltima semana, foi comemorada por algumas entidades e setores.<\/p>\n<p>\u201cCerca de 95% dos pl\u00e1sticos s\u00e3o descartados ap\u00f3s o primeiro uso.\u00a0As pessoas n\u00e3o entendem o impacto que isso tem, acabam banalizando o uso [\u2026] Que isso [lei paulistana] sirva de vitrine sobre como \u00e9 poss\u00edvel mudar e fazer uma transi\u00e7\u00e3o para a economia circular\u201d, defendeu Anna Carolina Lobo, gerente do Programa Marinho e Mata Atl\u00e2ntica da organiza\u00e7\u00e3o WWF Brasil.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bares e Restaurantes em S\u00e3o Paulo (Abrasel SP) tamb\u00e9m viu com bons olhos a nova lei. Em nota, o presidente da entidade, Percival Maricato, disse a ((o))eco que a medida \u201ctrata-se de um esfor\u00e7o v\u00e1lido pelo meio ambiente\u201d.<\/p>\n<p>Do outro lado, est\u00e3o aqueles que acreditam que o problema da disposi\u00e7\u00e3o de itens pl\u00e1sticos no meio ambiente \u00e9 muito complexa para ser resolvida somente com o banimento de certos itens e n\u00e3o funciona nem no aspecto educativo.<\/p>\n<p>\u201cAs leis n\u00e3o permitem que as pessoas estabele\u00e7am o nexo entre causa e efeito que leva \u00e0 mudan\u00e7a de comportamento, simplesmente pelo fato de que elas n\u00e3o sabem qual \u00e9 o motivador dessa a\u00e7\u00e3o e n\u00e3o sabem qual \u00e9 a consequ\u00eancia da retirada do pl\u00e1stico [de circula\u00e7\u00e3o]\u201d, defende o ocean\u00f3grafo Alexander Turra.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria do Pl\u00e1stico (ABIPLAST) tamb\u00e9m se posicionou contra a medida. Em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.abiplast.org.br\/noticias\/lei-de-proibicao-de-fornecimento-de-produtos-plasticos-posicionamento-abiplast\/\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">nota publicada na \u00faltima ter\u00e7a-feira (14)<\/a>, a entidade declarou:<\/p>\n<p>\u201c[\u2026] a ABIPLAST acredita que a vilaniza\u00e7\u00e3o e o banimento de materiais pl\u00e1sticos n\u00e3o constituem a maneira ideal de resolver os problemas causados pela m\u00e1 gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos no Brasil e suas consequ\u00eancias para a natureza. A pr\u00f3pria ONU Meio Ambiente sugere que, caso n\u00e3o haja avalia\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias, o banimento pode n\u00e3o ser a melhor solu\u00e7\u00e3o para a quest\u00e3o. Na forma que tem sido feito, n\u00e3o gera no consumidor a consci\u00eancia do consumo e o incentivo ao descarte correto\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_74942\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-74942\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-74942\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/fish-4176085_1920.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/fish-4176085_1920.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/fish-4176085_1920-300x188.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"400\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-74942\" class=\"wp-caption-text\">Pratos e talheres de pl\u00e1sticos ser\u00e3o banidos de S\u00e3o Paulo. Foto: Xesisex\/Pixabay.<\/figcaption><\/figure>\n<p>De fato, \u00e0 \u00e9poca da aprova\u00e7\u00e3o da lei na cidade do Rio de Janeiro, em 2018, o Sindicato de Bares e Restaurantes da capital carioca (SindRio) reclamou das v\u00e1rias falhas no processo de aplica\u00e7\u00e3o da lei, entre elas a falta de di\u00e1logo com os envolvidos e falta de incentivos e prazos para que a adapta\u00e7\u00e3o fosse feita.<\/p>\n<p>Como consequ\u00eancia, segundo o Sindicato, os canudos foram substitu\u00eddos por outros itens de maior volume de pl\u00e1stico, como \u00e9 o caso das garrafinhas, para o consumo de coco, ou de colheres, no caso do milkshake, produtos muito consumidos nas praias cariocas. A cidade, que era para ficar mais limpa, cobriu-se de mais res\u00edduo pl\u00e1stico.<\/p>\n<p>J\u00e1 naquela \u00e9poca, o SindRio cobrava uma abordagem mais sist\u00eamica do problema. \u201cA principal quest\u00e3o que levantamos \u00e9: e os outros elos desse processo? Do produtor do pl\u00e1stico ao gestor de res\u00edduos? Essa discuss\u00e3o n\u00e3o foi colocada na mesa\u201d, argumentou Fernando Blower, presidente do SindRio,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.sinpapel.com.br\/noticias\/nacionais\/prestes-a-ser-implantada-em-sp-lei-anticanudo-pegou-com-restricoes-no-rio\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">em entrevista concedida em 2019<\/a>.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 lei paulistana \u2013 e demais leis similares no pa\u00eds \u2013 a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria do Pl\u00e1stico (Abiplast) tamb\u00e9m cobra que o assunto seja tratado de forma mais ampla. Citando dados do IBGE, a entidade lembrou, por exemplo, que apenas 0,03% da produ\u00e7\u00e3o de res\u00edduos pl\u00e1sticos no pa\u00eds \u00e9 proveniente de canudos, e 1,7%, de descart\u00e1veis. Cerca de 65% dos 6,2 milh\u00f5es de toneladas de produtos pl\u00e1sticos produzidos em 2018, segundo o IBGE, foram gerados por produtos de ciclo de vida m\u00e9dio e longo, aplicados em diversos setores da economia, como constru\u00e7\u00e3o civil, m\u00e1quinas e equipamentos eletr\u00f4nicos, agricultura e t\u00eaxteis.<\/p>\n<p>\u201cA melhor forma de lidar com o tema \u00e9 por meio de uma vis\u00e3o sist\u00eamica e de um di\u00e1logo propositivo, claro e objetivo, debatendo o consumo consciente e a economia circular, responsabilizando todos os atores envolvidos: Poder P\u00fablico, ind\u00fastria e sociedade, como prev\u00ea a Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos (PNRS)\u201d, defendeu a entidade.<\/p>\n<figure id=\"attachment_74937\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 638px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-74937\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-74937\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/fotodia-catador-160513.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/fotodia-catador-160513.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/fotodia-catador-160513-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/fotodia-catador-160513-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/fotodia-catador-160513-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/fotodia-catador-160513-640x427.jpg 640w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/fotodia-catador-160513-223x150.jpg 223w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/fotodia-catador-160513-790x527.jpg 790w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/fotodia-catador-160513-272x182.jpg 272w\" alt=\"\" width=\"638\" height=\"425\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-74937\" class=\"wp-caption-text\">Catador de garrafa PET navega em igarap\u00e9 repleto de lixo, em Manaus. Foto: Vandr\u00e9 Fonseca.<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cO ideal seria que o pl\u00e1stico derivado do petr\u00f3leo fosse totalmente eliminado, mas n\u00e3o se trata do ideal, se trata da metodologia com a qual n\u00f3s abordamos o problema a ser solucionado, a estrat\u00e9gia que usamos. E me parece que falta estrat\u00e9gia para o Brasil\u201d, diz Carlos Bocuhy, do Proam.<\/p>\n<p>Atualmente, segundo levantamento preliminar da WWF Brasil, dos 27 estados brasileiros, nove j\u00e1 baniram os canudos pl\u00e1sticos: SP, RJ e ES (Sudeste), RN, PB e MA (Nordeste), SC (Sul), MS e DF (Centro-Oeste). Nenhum estado do Norte aprovou lei semelhante. No n\u00edvel municipal, 80 cidades j\u00e1 possuem leis em vigor vetando canudos e, em alguns casos, canudos e copos pl\u00e1sticos. A lei paulistana sancionada na \u00faltima semana \u00e9 a mais ampla at\u00e9 o momento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo da cidade de S\u00e3o Paulo aprovou, na \u00faltima semana, uma lei que pro\u00edbe<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":120492,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/copo.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/copo-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/copo-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/copo.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/copo.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/copo.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/copo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/copo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/copo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/copo.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O governo da cidade de S\u00e3o Paulo aprovou, na \u00faltima semana, uma lei que pro\u00edbe","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/120490"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=120490"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/120490\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/120492"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=120490"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=120490"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=120490"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}