{"id":120113,"date":"2020-01-16T13:00:28","date_gmt":"2020-01-16T16:00:28","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=120113"},"modified":"2020-01-16T12:36:52","modified_gmt":"2020-01-16T15:36:52","slug":"tecnica-permite-desvendar-detalhes-anatomicos-de-peixe-eletrico-raro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/tecnica-permite-desvendar-detalhes-anatomicos-de-peixe-eletrico-raro\/","title":{"rendered":"T\u00e9cnica permite desvendar detalhes anat\u00f4micos de peixe-el\u00e9trico raro"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/peixe.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-120114\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/peixe-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/peixe-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/peixe.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Em artigo <strong><a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0225342\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">publicado<\/a><\/strong>\u00a0na revista\u00a0<em>PLOS ONE<\/em>, um grupo de pesquisadores apoiado pela FAPESP atualizou a descri\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie de peixe-el\u00e9trico encontrada uma \u00fanica vez na natureza: a\u00a0<em>Tembeassu marauna<\/em>.<\/p>\n<p>O estudo se baseou na an\u00e1lise da anatomia externa e, sobretudo, em detalhes internos do animal, que s\u00f3 puderam ser visualizados gra\u00e7as a uma t\u00e9cnica de tomografia computadorizada que permite enxergar com precis\u00e3o caracter\u00edsticas dos ossos do peixe sem dissec\u00e1-lo.<\/p>\n<p>\u201cOs tr\u00eas esp\u00e9cimes de\u00a0<em>T. marauna<\/em>\u00a0conhecidos est\u00e3o preservados no Museu de Zoologia da Universidade de S\u00e3o Paulo [MZ-USP] e, por serem os \u00fanicos, n\u00e3o podem ser dissecados ou banhados em iodo, procedimento que permitiria a visualiza\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os internos e de outros tecidos moles na tomografia. Essas quest\u00f5es dificultam o estudo dessa esp\u00e9cie\u201d, contou \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia FAPESP<\/strong>\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/669865\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Antonio Wanderley Peixoto<\/a><\/strong>, primeiro autor do artigo.<\/p>\n<p>O trabalho foi conduzido durante o\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/178206\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">p\u00f3s-doutorado<\/a><\/strong>\u00a0de Peixoto no MZ-USP, com apoio da FAPESP e supervis\u00e3o do professor\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/51429\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Al\u00e9ssio Datovo da Silva<\/a><\/strong>, coautor do artigo.<\/p>\n<p>De acordo com os cientistas, por meio da microtomografia computadorizada (microCT scan) foi poss\u00edvel comparar detalhes internos do animal \u2013 que tem em torno de 17 cent\u00edmetros \u2013 com os de peixes semelhantes e, assim, estabelecer uma melhor classifica\u00e7\u00e3o para a esp\u00e9cie. A anterior era baseada apenas em observa\u00e7\u00f5es da anatomia externa e radiografias.<\/p>\n<p>A pesquisa contou com a colabora\u00e7\u00e3o de grupos da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e\u00a0do National Museum of Natural History (NMNH) da Smithsonian Institution, nos Estados Unidos. Foi conduzida no \u00e2mbito do Projeto Tem\u00e1tico \u201c<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/97255\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Diversidade e evolu\u00e7\u00e3o de Gymnotiformes (Teleostei, Ostariophysi)<\/a><\/strong>\u201d, coordenado por\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/3888\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Na\u00e9rcio Aquino Menezes<\/a><\/strong>, professor do MZ-USP.<\/p>\n<p>O objetivo do grupo \u00e9 avan\u00e7ar no conhecimento sobre os peixes-el\u00e9tricos, ordem atualmente composta por mais de 250 esp\u00e9cies cuja caracter\u00edstica em comum \u00e9 a capacidade de emitir e captar impulsos el\u00e9tricos de baixa voltagem para guiar a navega\u00e7\u00e3o e encontrar parceiros sexuais ou presas. Recentemente, foram descritas duas novas esp\u00e9cies de poraqu\u00ea, \u00fanico dos peixes-el\u00e9tricos capaz de emitir impulsos el\u00e9tricos potentes, capazes de atormentar uma presa, sendo que uma das novas esp\u00e9cies emite a maior voltagem j\u00e1 registrada em um ser vivo (<em>leia mais em:\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/31422\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">agencia.fapesp.br\/31422<\/a><\/strong><\/em>).<\/p>\n<p><strong>Encontro \u00fanico<\/strong><\/p>\n<p>Os tr\u00eas esp\u00e9cimes conhecidos do\u00a0<em>T. marauna<\/em>\u00a0foram coletados no rio Paran\u00e1 em 1965, durante a constru\u00e7\u00e3o da barragem da Usina Hidrel\u00e9trica de Ilha Solteira, na divisa entre os estados de S\u00e3o Paulo e Mato Grosso do Sul. Por viverem aparentemente na calha, a parte mais profunda do rio, os peixes s\u00f3 foram capturados porque estavam em uma \u00e1rea que se tornou seca ap\u00f3s a constru\u00e7\u00e3o de uma barragem provis\u00f3ria (denominada ensecadeira) para fechar uma parte do rio em que seria executada parte da obra.<\/p>\n<p>Os animais foram depositados no acervo do Museu de Zoologia, mas apenas em 1998 a esp\u00e9cie foi formalmente descrita, com base em sua anatomia externa, por Mauro Triques, que realizou doutorado no MZ-USP com\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/proc6291\/26510\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">bolsa<\/a><\/strong>\u00a0da FAPESP e, atualmente, \u00e9 professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, Triques notou a exist\u00eancia de lobos hipertrofiados (protuber\u00e2ncias carnosas) nos l\u00e1bios inferiores, inexistentes ou menos desenvolvidos em outras esp\u00e9cies relacionadas. Essas caracter\u00edsticas permitiram diferenciar o\u00a0<em>T. marauna<\/em>\u00a0de outros peixes da mesma ordem.<\/p>\n<p>Em 2005, Ricardo Campos-da-Paz, atualmente professor e pesquisador da Unirio,\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1679-62252005000300007\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">descreveu<\/a><\/strong>\u00a0nos tr\u00eas esp\u00e9cimes a ocorr\u00eancia de um conjunto de aproximadamente 15 dentes presos unicamente ao l\u00e1bio superior, sem liga\u00e7\u00e3o com o chamado osso pr\u00e9-maxilar, como ocorre em outros peixes.<\/p>\n<p>\u201cA presen\u00e7a desses dentes pode estar ligada a uma dieta espec\u00edfica, talvez alguma presa que possa ser capturada por eles. N\u00e3o temos como saber porque n\u00e3o se conhece o conte\u00fado estomacal desses esp\u00e9cimes. Outra hip\u00f3tese \u00e9 que existam por um comportamento espec\u00edfico, como para competir por recursos com advers\u00e1rios. J\u00e1 os lobos hipertrofiados presentes no l\u00e1bio inferior podem ser para receber sinais el\u00e9tricos e realizar a comunica\u00e7\u00e3o com potenciais parceiros sexuais. Mas sem poder fazer uma an\u00e1lise interna dessas estruturas n\u00e3o podemos afirmar com certeza\u201d, disse Peixoto.<\/p>\n<p>Ao longo dos anos, expedi\u00e7\u00f5es foram realizadas na regi\u00e3o da barragem para tentar, sem sucesso, coletar mais exemplares da esp\u00e9cie e solucionar essas e outras quest\u00f5es. Por conta da ocorr\u00eancia \u00fanica no rio Paran\u00e1 e da aus\u00eancia de novas coletas, a esp\u00e9cie foi\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/faunabrasileira\/lista-de-especies\/6503-especie-6503\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">classificada como criticamente amea\u00e7ada<\/a><\/strong>\u00a0e possivelmente extinta na \u201cLista Nacional Oficial de Esp\u00e9cies da Fauna Amea\u00e7adas de Extin\u00e7\u00e3o &#8211; Peixes e Invertebrados Aqu\u00e1ticos\u201d, na qual \u00e9 atribu\u00eddo o nome vulgar \u201citu\u00ed-mara\u00fana\u201d, que n\u00e3o aparece em nenhum outro registro.<\/p>\n<p>Testes gen\u00e9ticos tampouco s\u00e3o poss\u00edveis, pois os animais dispon\u00edveis foram inicialmente conservados em formol, procedimento que destr\u00f3i o DNA e impossibilita a sua extra\u00e7\u00e3o com as t\u00e9cnicas mais usadas hoje. O grupo, no entanto, trabalha atualmente com as chamadas t\u00e9cnicas de extra\u00e7\u00e3o de DNA antigo, mais caras e nem sempre efetivas, mas que em alguns casos podem recuperar parte do c\u00f3digo gen\u00e9tico.<\/p>\n<p>Por conta dessas dificuldades, a microtomografia computadorizada de raios X se mostrou a ferramenta mais apropriada para estudar os animais. Por meio da an\u00e1lise das imagens do esqueleto feitas pelo aparelho, que emite uma frequ\u00eancia de radia\u00e7\u00e3o capaz de gerar imagens em alt\u00edssima resolu\u00e7\u00e3o, os pesquisadores puderam posicionar o\u00a0<em>T. marauna<\/em>\u00a0com mais precis\u00e3o dentro da fam\u00edlia Apteronotidae, que por sua vez faz parte da ordem dos peixes-el\u00e9tricos (Gymnotiformes).<\/p>\n<p>Os resultados da an\u00e1lise filogen\u00e9tica confirmaram a esp\u00e9cie como a \u00fanica do g\u00eanero\u00a0<em>Tembeassu<\/em>. Al\u00e9m disso, mostraram que esse animal pode ser mais pr\u00f3ximo evolutivamente dos g\u00eaneros\u00a0<em>Megadontognathus<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Apteronotus<\/em>. Esp\u00e9cies desse \u00faltimo, como\u00a0<em>A. albifrons<\/em>\u00a0e\u00a0<em>A. jurubidae<\/em>, s\u00e3o conhecidas popularmente por praticantes de aquarismo como \u201citu\u00ed-cavalo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEste estudo exemplifica como uma tecnologia de ponta pode ajudar a analisar material biol\u00f3gico depositado em cole\u00e7\u00f5es zool\u00f3gicas. A t\u00e9cnica permite que os pesquisadores examinem de um modo n\u00e3o invasivo exemplares raros, que de outra forma n\u00e3o poderiam ter a sua anatomia interna estudada em detalhes. Al\u00e9m disso, as imagens em alta resolu\u00e7\u00e3o ou v\u00eddeos 3D gerados podem servir como material did\u00e1tico e para comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica\u201d, disse Carlos David de Santana, pesquisador associado do NMNH e um dos autores do estudo.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<em>Anatomical, taxonomic, and phylogenetic reappraisal of a poorly known ghost knifefish, Tembeassu marauna (Ostariophysi: Gymnotiformes), using X-ray microcomputed tomography<\/em>\u00a0(doi: 10.1371\/journal.pone.0225342), de Luiz A. W. Peixoto, Al\u00e9ssio Datovo, Ricardo Campos-da-Paz, Carlos D. de Santana e Na\u00e9rcio A. Menezes, pode ser lido em:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0225342\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0225342<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em artigo publicado\u00a0na revista\u00a0PLOS ONE, um grupo de pesquisadores apoiado pela FAPESP atualizou a descri\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":120114,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/peixe.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/peixe-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/peixe-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/peixe.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/peixe.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/peixe.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/peixe.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/peixe.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/peixe.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/peixe.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em artigo publicado\u00a0na revista\u00a0PLOS ONE, um grupo de pesquisadores apoiado pela FAPESP atualizou a descri\u00e7\u00e3o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/120113"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=120113"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/120113\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/120114"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=120113"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=120113"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=120113"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}