{"id":119485,"date":"2020-01-05T17:39:31","date_gmt":"2020-01-05T20:39:31","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=119485"},"modified":"2020-01-05T17:39:31","modified_gmt":"2020-01-05T20:39:31","slug":"antes-vista-como-milagrosa-planta-invasora-e-perigosa-se-espalha-por-fernando-de-noronha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/antes-vista-como-milagrosa-planta-invasora-e-perigosa-se-espalha-por-fernando-de-noronha\/","title":{"rendered":"Antes vista como \u2018milagrosa\u2019, planta invasora e perigosa se espalha por Fernando de Noronha"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/11F66\/production\/_110347537_dunanapraiacobertadeleucenasdeportearbustivoemfrutificao..jpg\" alt=\"Duna coberta de leucenas em praia de Fernando de Noronha\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><figcaption>A leucena, considerada uma das 100 piores esp\u00e9cies invasoras do mundo, est\u00e1 presente em 60% das \u00e1reas com vegeta\u00e7\u00e3o de Fernando de Noronha<\/figcaption><\/figure>\n<p>A leucena (<em>Leucena leucocephala<\/em>) j\u00e1 foi considerada uma \u201c\u00e1rvore milagrosa\u201d por crescer rapidamente mesmo em \u00e1reas degradadas, de clima seco e solo pobre.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que foi introduzida em diferentes regi\u00f5es, por\u00e9m, o que era seu grande trunfo acabou se tornando um grande problema, e sua propaga\u00e7\u00e3o passou a colocar em risco esp\u00e9cies nativas.<\/p>\n<p>Esse arbusto origin\u00e1rio do M\u00e9xico e do norte da Am\u00e9rica Central hoje est\u00e1 entre as 100 piores esp\u00e9cies invasoras do mundo, causando estragos especialmente em ilhas e arquip\u00e9lagos.<\/p>\n<p>O rastro de perda de biodiversidade aparece no Hava\u00ed, nas ilhas Gal\u00e1pagos, nas ilhas Fiji, na Indon\u00e9sia e nas Filipinas e, mais recentemente, em Fernando de Noronha.<\/p>\n<p>Com o objetivo de verificar o efeito da leucena na vegeta\u00e7\u00e3o nativa no arquip\u00e9lago brasileiro, a bi\u00f3loga Thayn\u00e1 Jeremias Mello realizou uma pesquisa para seu mestrado no Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo (IB-USP) em 178 pontos da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Os resultados s\u00e3o preocupantes.<\/p>\n<p>\u201c(A leucena) encontrou na ilha um ambiente prop\u00edcio para se desenvolver e hoje \u00e9 a planta mais comum do local\u201d, diz o tamb\u00e9m bi\u00f3logo Alexandre Adalardo de Oliveira, do Departamento de Ecologia do IB-USP e orientador de Mello. \u201cN\u00f3s a detectamos em 60% das \u00e1reas com vegeta\u00e7\u00e3o da ilha.\u201d<\/p>\n<p>Ela \u00e9 dominante em um quinto dos locais nos quais se estabeleceu. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. \u201cOnde ela ocorre, a riqueza de esp\u00e9cies nativas diminui muito, cerca de 70%\u201d, diz Oliveira.<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, a leucena, conhecida tamb\u00e9m como linha\u00e7a em Fernando de Noronha, foi introduzida no arquip\u00e9lago na d\u00e9cada de 1940, para alimentar animais e produzir lenha.<\/p>\n<p>Em artigo sobre o tema, Mello, que \u00e9 analista ambiental no Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio), explica que, na \u00e9poca da introdu\u00e7\u00e3o da leucena no arquip\u00e9lago, o cultivo da planta \u201cera estimulado em todo o mundo, por crescer r\u00e1pido at\u00e9 em \u00e1reas degradadas, ajudar a fertilizar o solo e ser tolerante \u00e0 seca\u201d.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que ela logo come\u00e7ou a se espalhar, mesmo para locais onde n\u00e3o havia sido cultivada. \u201cTentativas de control\u00e1-la fracassavam: cortada, ela rebrotava vigorosamente. Antes \u2018milagrosa\u2019, a esp\u00e9cie entrou na lista das 100 piores invasoras do mundo. Hoje \u00e9 reconhecida por sua agressividade e por causar perda de biodiversidade, com amea\u00e7a destacada \u00e0s ilhas oce\u00e2nicas.\u201d<\/p>\n<p>Segundo Oliveira, por serem remotos, esses ambientes costumam ter baixa biodiversidade. \u201cPor isso, s\u00e3o considerados ambientes fr\u00e1geis\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u201cAs esp\u00e9cies que vivem (nessas ilhas remotas), por terem evolu\u00eddo isoladas, interagiram com poucos organismos ao longo de sua hist\u00f3ria evolutiva. Por isso, n\u00e3o est\u00e3o adaptadas a competir com outras por recursos e sofrem com a invas\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Mello afirma que invas\u00f5es biol\u00f3gicas s\u00e3o atualmente a segunda maior causa de perda de biodiversidade no mundo, ficando atr\u00e1s apenas da destrui\u00e7\u00e3o dos habitats.<\/p>\n<p>\u201cCertos ambientes s\u00e3o mais suscet\u00edveis que outros \u00e0 invas\u00e3o, especialmente quando degradados\u201d, diz. \u201c\u00c9 o caso das ilhas oce\u00e2nicas, onde as invas\u00f5es biol\u00f3gicas s\u00e3o a principal causa de perda de biodiversidade.\u201d<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/16D86\/production\/_110347539_praiadoamericanoavegetaodemaiorportedominadadominadapelaleucena.jpg\" alt=\"Leucena na praia do Americano\" width=\"640\" height=\"360\" \/><figcaption>Na praia do Americano, a maior parte da vegeta\u00e7\u00e3o \u00e9 dominada pela leucena<\/figcaption><\/figure>\n<p>O avan\u00e7o da leucena em Fernando de Noronha n\u00e3o foi a \u00fanica descoberta dos pesquisadores. Eles tamb\u00e9m realizaram experimentos a fim de entender como se d\u00e1 a intera\u00e7\u00e3o entre a invasora e as plantas nativas da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Para isso, observaram, em campo e em casa de vegeta\u00e7\u00e3o, o efeito do contato da leucena e de uma esp\u00e9cie nativa, o feij\u00e3o-bravo (<em>Capparis flexuosa<\/em>), em outra planta natural do local, o mulungu (<em>Erythrina velutina<\/em>) \u2014 uma das mais comuns nas florestas originais do arquip\u00e9lago.<\/p>\n<p>Os resultados mostram que o mulungu cresce junto com o feij\u00e3o-bravo, mas a presen\u00e7a da leucena altera completamente os resultados.<\/p>\n<p>\u201cA leucena at\u00e9 melhora a germina\u00e7\u00e3o das sementes do mulungu, mas essa planta morre mais e cresce menos\u201d em \u00e1reas invadidas, afirma Oliveira. \u201cEm contrapartida, o feij\u00e3o-bravo parece n\u00e3o ser afetado pela esp\u00e9cie ex\u00f3tica.\u201d<\/p>\n<p>Quando a intera\u00e7\u00e3o se d\u00e1 entre as tr\u00eas plantas, o resultado \u00e9 ainda pior para o mulungu, que morre mais e cresce menos do que em ambientes em que havia s\u00f3 a invasora.<\/p>\n<p>\u201cNotamos que a esp\u00e9cie ex\u00f3tica aumenta a taxa de mortalidade do mulungu em quatro vezes, enquanto a presen\u00e7a dela associada ao feij\u00e3o-bravo aumenta mais de sete vezes esse \u00edndice\u201d, afirma Oliveira.<\/p>\n<p>Ou seja, \u201cuma esp\u00e9cie nativa (feij\u00e3o-bravo) que n\u00e3o tem efeito sobre outra (mulungu) passa a ter um efeito fortemente negativo quando da presen\u00e7a da invasora (leucena)\u201d, diz.<\/p>\n<p>Os estudos de Thayn\u00e1 Mello para seu mestrado foram realizados entre 2012 e 2014, mas ela ainda pesquisa o tema. \u201cA ocupa\u00e7\u00e3o por leucena continua aumentando em Fernando de Noronha\u201d, diz \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n<p>Seus levantamentos nos \u00faltimos anos, que incluem a observa\u00e7\u00e3o de outras 12 esp\u00e9cies de plantas ex\u00f3ticas, foram reunidos no Plano de A\u00e7\u00e3o para Manejo de Flora Ex\u00f3tica Invasora do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, que est\u00e1 em fase inicial de implementa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A leucena, considerada uma das 100 piores esp\u00e9cies invasoras do mundo, est\u00e1 presente em 60%<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A leucena, considerada uma das 100 piores esp\u00e9cies invasoras do mundo, est\u00e1 presente em 60%","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/119485"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=119485"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/119485\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=119485"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=119485"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=119485"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}