{"id":119471,"date":"2020-01-05T17:05:03","date_gmt":"2020-01-05T20:05:03","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=119471"},"modified":"2020-01-05T17:05:03","modified_gmt":"2020-01-05T20:05:03","slug":"terra-passou-por-mais-extincoes-em-massa-do-que-imaginavamos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/terra-passou-por-mais-extincoes-em-massa-do-que-imaginavamos\/","title":{"rendered":"Terra passou por mais extin\u00e7\u00f5es em massa do que imagin\u00e1vamos"},"content":{"rendered":"<p>Todos esses per\u00edodos de perda repentina e dr\u00e1stica de esp\u00e9cies t\u00eam padr\u00f5es em comum, com implica\u00e7\u00f5es preocupantes sobre as atuais perdas provocadas pelo clima.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_1900\/public\/01_extinction_r1d4f5.jpg\" alt=\"Um templo sobre o Monte Emei, na prov\u00edncia de Sichuan, China. A paisagem ao redor possui ...\" width=\"639\" height=\"359\" \/><\/p>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>A atual crise da biodiversidade geralmente \u00e9 citada como a \u201c<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/news\/2015\/06\/150623-sixth-extinction-kolbert-animals-conservation-science-world\/\">sexta extin\u00e7\u00e3o em massa<\/a>\u201d por aqueles que acreditam que estamos fadados a um colapso no que se refere \u00e0 quantidade global de esp\u00e9cies. Mas, segundo alguns cientistas, talvez dev\u00eassemos cham\u00e1-la de s\u00e9tima.<\/p>\n<p>Em 1982, Jack Sepkoski e David Raup, paleont\u00f3logos quantitativos da Universidade de Chicago, fizeram um balan\u00e7o das piores\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/science\/prehistoric-world\/mass-extinction\/\">extin\u00e7\u00f5es em massa<\/a>\u00a0da Terra, chamando-as de as Cinco Grandes. O grupo inclui o fim do per\u00edodo Permiano, o maior evento de extin\u00e7\u00e3o de todos os tempos, que ocorreu h\u00e1 cerca de 252 milh\u00f5es de anos e eliminou 95% das esp\u00e9cies marinhas.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca, a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/science\/prehistoric-world\/permian-extinction\/\">carnificina do fim do Permiano<\/a>\u00a0ofuscou outro evento de extin\u00e7\u00e3o, ocorrido apenas oito milh\u00f5es de anos antes, no per\u00edodo final da \u00e9poca Guadalupiana. Nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, entretanto, os ge\u00f3logos aprofundaram os estudos sobre o fim do per\u00edodo Guadalupiano, normalmente considerado uma crise \u00e0 parte. Agora, alguns cientistas est\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/full\/10.1080\/08912963.2019.1658096\">argumentando que esse antigo exterm\u00ednio foi grande o suficiente<\/a>\u00a0para ser classificado entre os apocalipses passados, e prop\u00f5em renomear o grupo das principais extin\u00e7\u00f5es para as Seis Grandes.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da vida sempre incluiu diversos reveses e contratempos. Mas, ao destacar e estudar as maiores extin\u00e7\u00f5es, os ge\u00f3logos podem come\u00e7ar a descobrir padr\u00f5es e procurar causas comuns. Evid\u00eancias crescentes sugerem que muitos eventos de extin\u00e7\u00e3o global estavam associados ao esgotamento do oxig\u00eanio nos oceanos, um sintoma do aquecimento causado pelo efeito estufa e que possui implica\u00e7\u00f5es preocupantes sobre os efeitos atuais das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. O per\u00edodo final da \u00e9poca Guadalupiana se encaixa nessa tend\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cAcho que seria um erro manter apenas os cinco\u201d, afirma\u00a0<a href=\"https:\/\/geos.vt.edu\/people\/emeritus-faculty\/Richard-Bambach.html\">Richard Bambach<\/a>, paleoecologista marinho e professor em\u00e9rito de paleontologia no Instituto Polit\u00e9cnico e Universidade Estadual da Virg\u00ednia, que foi revisor do importante estudo de Sepkoski e Raup. O per\u00edodo final da \u00e9poca Guadalupiana chegou muito mais perto de dizimar todas as formas de vida em termos percentuais. Ele afirma que esse per\u00edodo final do Guadalupiano foi surpreendentemente prejudicial \u00e0 biodiversidade.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>\u201cEm uma an\u00e1lise profunda dos n\u00fameros brutos\u201d, explica ele, \u201ca perda de t\u00e1xons no Guadalupiano \u00e9, na verdade, maior do que no Permiano\u201d.<\/p>\n<h3><strong>Inunda\u00e7\u00f5es de lava<\/strong><\/h3>\n<p>O per\u00edodo final do Guadalupiano foi marcado por vastos fluxos de lava, conhecidos como armadilhas do Monte Emei, no sudoeste da China, que s\u00e3o como um monumento a uma antiga inunda\u00e7\u00e3o de lava que irrompeu no oceano h\u00e1 260 milh\u00f5es de anos e ocupou uma \u00e1rea superior a um milh\u00e3o de quil\u00f4metros quadrados. O fen\u00f4meno lan\u00e7ou nuvens de metano e di\u00f3xido de carbono que provocaram caos clim\u00e1tico, exterminando at\u00e9 60% das esp\u00e9cies marinhas, sobretudo nas \u00e1guas tropicais rasas ao redor do supercontinente Pangeia.<\/p>\n<p>As chamadas inunda\u00e7\u00f5es por lavas bas\u00e1lticas, como as armadilhas do Monte Emei, existem em todo o mundo e demonstraram ter ocorrido nas cinco grandes extin\u00e7\u00f5es em massa. \u201c\u00c9 uma correla\u00e7\u00e3o direta\u201d, afirma\u00a0<a href=\"https:\/\/as.nyu.edu\/content\/nyu-as\/as\/faculty\/michael-rampino.html\">Michael Rampino<\/a>, ge\u00f3logo da Universidade de Nova York.<\/p>\n<p>Contudo os ge\u00f3logos que estudam extin\u00e7\u00f5es em massa nem sempre procuraram mantos bas\u00e1lticos deixados pelas inunda\u00e7\u00f5es de lavas. A partir da d\u00e9cada de 1980, depois que Luis e Walter Alvarez levantaram a hip\u00f3tese de que o impacto de um meteoro exterminou os dinossauros n\u00e3o avi\u00e1rios, equipes de ge\u00f3logos procuraram, em v\u00e3o, evid\u00eancias de impactos de meteoros que pudessem explicar as demais extin\u00e7\u00f5es em massa.<\/p>\n<p>Sem obter nenhum resultado, Rampino logo desviou sua aten\u00e7\u00e3o para os mantos bas\u00e1lticos, observando que as armadilhas de Deccan na \u00cdndia haviam se formado na mesma \u00e9poca do impacto de Chicxulub e da extin\u00e7\u00e3o do fim do Cret\u00e1ceo. O fim do Permiano tamb\u00e9m foi marcado pelas armadilhas da Sib\u00e9ria, que foram ainda maiores.<\/p>\n<p>\u201cParei de me concentrar em impactos e passei ao vulcanismo\u201d, diz ele. Sua pesquisa na \u00faltima d\u00e9cada buscou uma correla\u00e7\u00e3o entre os mantos bas\u00e1lticos e as demais grandes extin\u00e7\u00f5es em massa, al\u00e9m dos per\u00edodos de esgotamento de oxig\u00eanio e da acidifica\u00e7\u00e3o nos oceanos.<\/p>\n<p>O estudo de tais correla\u00e7\u00f5es era dif\u00edcil na d\u00e9cada de 1980, quando as tecnologias para datar f\u00f3sseis e rochas eram pouco confi\u00e1veis. Contudo, nos \u00faltimos cinco anos, m\u00e9todos avan\u00e7ados de data\u00e7\u00e3o radiom\u00e9trica v\u00eam fornecendo registros cronol\u00f3gicos para fen\u00f4menos geol\u00f3gicos cada vez mais precisos. A data\u00e7\u00e3o por zirc\u00e3o com chumbo e ur\u00e2nio substituiu a imprecisa data\u00e7\u00e3o por arg\u00f4nio-arg\u00f4nio, e as margens de erro, antes de milh\u00f5es de anos, passaram a ser de milhares de anos, aumentando expressivamente a exatid\u00e3o dos dados.<\/p>\n<p>Com essa nova precis\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel agora aos ge\u00f3logos afirmar com confian\u00e7a que a inunda\u00e7\u00e3o de lava bas\u00e1ltica do fim do Guadalupiano ocorreu em um intervalo de cem mil anos \u2014 um mero instante em termos geol\u00f3gicos \u2014 e coincidiu com a crise de extin\u00e7\u00e3o documentada nos registros f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>Em um estudo publicado recentemente no peri\u00f3dico\u00a0<em>Historical Biology<\/em>, Rampino e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/profile\/Shuzhong_Shen\">Shu-Zhong Shen<\/a>, coautor do estudo, da Universidade de Nanjing, reuniram os \u00faltimos dados sobre as armadilhas do Monte Emei e fizeram uma an\u00e1lise da gravidade ecol\u00f3gica da extin\u00e7\u00e3o ocorrida no fim do Guadalupiano em defesa de sua inclus\u00e3o ao grupo que ent\u00e3o seria as Seis Grandes.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as ocorridas no ecossistema no fim do Guadalupiano foram dram\u00e1ticas, conta a equipe. Enormes recifes de corais e esponjas que tomavam os mares sofreram um colapso generalizado, juntamente com outros organismos que formavam conchas a partir do carbonato de c\u00e1lcio, dissolvido na \u00e1gua acidificante. Moluscos gigantes com conchas aladas, cuja apar\u00eancia lembrava naves alien\u00edgenas, desapareceram para sempre e tamb\u00e9m foram extintas muitas esp\u00e9cies de cefal\u00f3podes semelhantes aos moluscos do g\u00eanero\u00a0<em>Nautilus,<\/em>\u00a0chamados amonoides.<\/p>\n<p>Os paleont\u00f3logos sabem menos ainda sobre as baixas em terra, mas, entre elas, havia um grupo de protomam\u00edferos grandes e de cr\u00e2nio grosso, chamados dinocef\u00e1lios. Ainda, ap\u00f3s a crise, as samambaias sem sementes que predominavam na \u00e9poca foram substitu\u00eddas por gimnospermas geradoras de sementes, como con\u00edferas e as plantas do g\u00eanero\u00a0<em>Ginkgo.<\/em><\/p>\n<h3><strong>Alterando o registro<\/strong><\/h3>\n<p>Novos c\u00e1lculos tamb\u00e9m\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/content\/113\/42\/E6325\">esclareceram o momento do primeiro e do \u00faltimo aparecimento de esp\u00e9cies<\/a>\u00a0nos registros f\u00f3sseis gerais. Os pesquisadores citam um estudo de 2016 que alega que, devido \u00e0 data\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria, muitas esp\u00e9cies extintas no Guadalupiano foram atribu\u00eddas equivocadamente ao fim do Permiano, aumentando o registro de extin\u00e7\u00e3o desse \u00faltimo per\u00edodo para 95% das esp\u00e9cies marinhas, quando, na verdade, provavelmente estava mais perto de 80%.<\/p>\n<p>Bambach observa que tem d\u00favidas sobre a avalia\u00e7\u00e3o da gravidade ecol\u00f3gica do fim do Guadalupiano realizada como parte do estudo. O n\u00edvel do mar em todo o mundo atingiu seu ponto mais baixo durante o Guadalupiano e voltou a subir ap\u00f3s o evento de extin\u00e7\u00e3o, o que fez com que relativamente poucos recifes do Guadalupiano fossem preservados em rochas, onde \u00e9 poss\u00edvel o acesso pelos paleont\u00f3logos.<\/p>\n<p>\u201cAlguns dos desaparecimentos de ecossistemas podem simplesmente ser resultado da deteriora\u00e7\u00e3o da qualidade \u2014 ou da quantidade \u2014 dos registros preservados\u201d, diz ele. Uma exce\u00e7\u00e3o est\u00e1 na China, onde Shen vem fazendo a data\u00e7\u00e3o de f\u00f3sseis marinhos do per\u00edodo Permiano e refinando o panorama biol\u00f3gico do Guadalupiano.<\/p>\n<p>Ainda assim, em \u00faltima an\u00e1lise, Bambach concorda com Rampino e Shen que \u00e9 hora de adicionar o fim do Guadalupiano \u00e0s Cinco Grandes: \u201cest\u00e1 no mesmo n\u00edvel das grandes\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--video ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"link\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_470\/public\/NG_101_Terra_181226_1280x720_1453149251782.jpg\" media=\"(max-width: 470px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Terra 101\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_885\/public\/NG_101_Terra_181226_1280x720_1453149251782.jpg\" alt=\"Terra 101\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/picture><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos esses per\u00edodos de perda repentina e dr\u00e1stica de esp\u00e9cies t\u00eam padr\u00f5es em comum, com<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Todos esses per\u00edodos de perda repentina e dr\u00e1stica de esp\u00e9cies t\u00eam padr\u00f5es em comum, com","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/119471"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=119471"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/119471\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=119471"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=119471"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=119471"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}