{"id":119420,"date":"2020-01-05T10:00:20","date_gmt":"2020-01-05T13:00:20","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=119420"},"modified":"2020-01-04T20:31:48","modified_gmt":"2020-01-04T23:31:48","slug":"a-era-da-inteligencia-artificial-a-tecnologia-que-esta-mudando-nosso-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/a-era-da-inteligencia-artificial-a-tecnologia-que-esta-mudando-nosso-mundo\/","title":{"rendered":"A era da intelig\u00eancia artificial, a tecnologia que est\u00e1 mudando nosso mundo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/inteligencia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-119422\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/inteligencia-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/inteligencia-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/inteligencia.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Fazer predi\u00e7\u00f5es com base em um grande volume de dados. Diagnosticar doen\u00e7as a partir de informa\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas, hist\u00f3ricos m\u00e9dicos e exames. Encontrar o suspeito de um crime com reconhecimento facial. Raciocinar dentro de um cen\u00e1rio de incertezas. Realizar an\u00e1lises financeiras e avaliar os riscos de uma empresa a partir de consultas de megadados. Todas essas tarefas, antes feitas por n\u00f3s, humanos, j\u00e1 podem ser executadas com intelig\u00eancia artificial, a IA. Mas, afinal, como definir essa tecnologia que est\u00e1 mudando nosso mundo e promete transformar mais ainda nossa sociedade?<\/p>\n<p>A IA envolve tecnologias computacionais que atuam inspiradas \u2013 ainda que ajam de forma diferente \u2013 na maneira humana ou de outros seres biol\u00f3gicos de sentir, aprender, raciocinar e tomar decis\u00f5es<br \/>\nS\u00e3o v\u00e1rias as defini\u00e7\u00f5es da IA. Uma delas a descreve como a atividade dedicada a tornar as m\u00e1quinas inteligentes, e intelig\u00eancia \u00e9 a qualidade que permite que uma entidade funcione adequadamente e com previs\u00e3o em seu ambiente. Ainda que n\u00e3o tenhamos uma defini\u00e7\u00e3o exata, podemos dizer que IA envolve tecnologias computacionais que atuam inspiradas \u2013 ainda que ajam de forma diferente \u2013 na maneira humana ou de outros seres biol\u00f3gicos de sentir, aprender, raciocinar e tomar decis\u00f5es. Uma descri\u00e7\u00e3o mais simples seria: \u00e9 uma \u00e1rea multidisciplinar cujo objetivo \u00e9 automatizar atividades que requerem intelig\u00eancia humana.<\/p>\n<p>Prima-irm\u00e3 da computa\u00e7\u00e3o<br \/>\nH\u00e1 pouco tempo a IA era vista como fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, sua hist\u00f3ria se confunde com a da pr\u00f3pria computa\u00e7\u00e3o. O brit\u00e2nico Alan Turing (1912-1954), conhecido como pai da computa\u00e7\u00e3o, foi um dos pioneiros na \u00e1rea. O desenvolvimento da IA come\u00e7ou na d\u00e9cada de 1950. Em 1956, um grupo de pesquisadores, entre eles os americanos Nathan Rochester (1919-2001), da IBM, Claude Shannon (1916-2001), o pai da Teoria da Informa\u00e7\u00e3o, e John McCarthy (1927-2011), se reuniu em uma confer\u00eancia no campus da Dartmouth College, nos Estados Unidos. Neste encontro, McCarthy alcunhou o termo intelig\u00eancia artificial, definindo-o como \u201ca ci\u00eancia e a engenharia de produzir m\u00e1quinas inteligentes\u201d.<\/p>\n<p>A partir deste evento, as primeiras pesquisas e resultados usando IA come\u00e7aram a surgir. Em 1959, aparece pela primeira vez o termo machine learning para se descrever um sistema que permitia aos computadores aprender alguma fun\u00e7\u00e3o sem serem programados diretamente para isso. De uma forma simples, a m\u00e1quina ap\u00f3s o aprendizado \u2013 que seria fornecer dados de entrada para um algoritmo \u2013 seria capaz de executar a tarefa de forma autom\u00e1tica.<\/p>\n<p>D\u00e9cadas depois, no entanto, observou-se que os avan\u00e7os n\u00e3o estavam acontecendo na velocidade que se imaginava. Os pesquisadores pioneiros de IA acreditavam que em, no m\u00e1ximo uma gera\u00e7\u00e3o, as m\u00e1quinas teriam a mesma capacidade intelectual que os humanos, o que n\u00e3o se realizou. Essa frustra\u00e7\u00e3o trouxe per\u00edodos de baixo investimento na \u00e1rea, que logo eram retomados, muitas vezes impulsionados pelas evolu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas nos computadores.<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria da m\u00e1quina<br \/>\nNos anos 1990, com o surgimento da internet comercial, a IA sofreu um novo impulso ao ser usada para o desenvolvimento de sistemas de navega\u00e7\u00e3o. O prot\u00f3tipo do que seria hoje o Google surgiu nessa \u00e9poca como uma ferramenta baseada em programas que analisavam os dados da rede e os classificavam em grupos de interesse predeterminados. Nesse per\u00edodo tamb\u00e9m, foi desenvolvida uma m\u00e1quina para jogar xadrez: o Deep Blue era capaz de analisar todas as possibilidades e, assim, prever respostas e o melhor movimento das pe\u00e7as do jogo. Venceu uma partida contra o campe\u00e3o do mundo, o sovi\u00e9tico Garry Kasparov. Foi a primeira vez que uma m\u00e1quina derrotou um humano, mas na s\u00e9rie de partidas o enxadrista levou a melhor.<\/p>\n<p>Da\u00ed em diante, foram muitos os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos que provocaram um aumento exponencial de aplica\u00e7\u00f5es da intelig\u00eancia artificial. A automa\u00e7\u00e3o de processos, que s\u00e3o operados por \u201crob\u00f4s\u201d na ind\u00fastria; sistemas inteligentes analisam imagens para reconhecer padr\u00f5es e auxiliar os m\u00e9dicos na tomada de decis\u00e3o de diagn\u00f3sticos; os assistentes pessoais como a Siri e a Alexa que interagem com o usu\u00e1rio de smartphones; os jogos digitais que aprendem o comportamento do jogador; os ve\u00edculos aut\u00f4nomos e muitas outras tecnologias que fazem parte de nosso dia a dia.<\/p>\n<p>Os pesquisadores pioneiros de IA acreditavam que em, no m\u00e1ximo uma gera\u00e7\u00e3o, as m\u00e1quinas teriam a mesma capacidade intelectual que os humanos, o que n\u00e3o se realizou<br \/>\nTrampolim para a IA<br \/>\nMas o que est\u00e1 transformando este in\u00edcio de s\u00e9culo 21 na \u201cera de ouro da IA\u201d? \u00c9 poss\u00edvel elencar alguns aspectos:<br \/>\n1 \u2013 Alta conectividade: n\u00e3o somente a sociedade mundial encontra-se mais conectada digitalmente, como tamb\u00e9m as m\u00e1quinas, por meio de de diferentes sensores.<br \/>\n2 \u2013 Baixo custo computacional: cada vez mais, \u201cchips\u201d eletr\u00f4nicos com capacidade de processamento igual ou maior que os modelos anteriores s\u00e3o lan\u00e7ados e com custos cada vez menores.<br \/>\n3 \u2013 Grande quantidade de dados (Big Data): vivemos num mundo em que a quantidade de dados como fonte de informa\u00e7\u00e3o tem aumentado de uma forma exponencial. Processar esses dados e extrair conte\u00fados relevantes tem sido um grande desafio, e a IA tem se mostrado uma \u00f3tima ferramenta para tal.<br \/>\n4 \u2013 Machine Learning: o aprendizado de m\u00e1quina se baseia em algoritmos e modelos matem\u00e1ticos para extrair ou reconhecer padr\u00f5es escondidos em um conjunto de dados. Essa capacidade de associar dados novos aos padr\u00f5es aprendidos permite que essas m\u00e1quinas, por exemplo, possam identificar objetos em imagens ou v\u00eddeos.<\/p>\n<p>Qual a diferen\u00e7a entre IA, machine learning e deep learning?<br \/>\nCom o avan\u00e7o da intelig\u00eancia artificial em nosso dia a dia, surgem tamb\u00e9m outros dois termos: machine learning e deep learning. \u00c9 comum considerar que os tr\u00eas s\u00e3o sin\u00f4nimos, mas n\u00e3o \u00e9 bem assim.<\/p>\n<p>A intelig\u00eancia artificial \u00e9 a capacidade de uma m\u00e1quina agir inspirada no comportamento de humanos e outros seres biol\u00f3gicos. A IA \u00e9 o termo mais amplo, ou seja, toda machine learning \u00e9 IA, mas nem toda IA \u00e9 machine learning.<\/p>\n<p>Mas o que \u00e9, afinal, machine learning? Esse subconjunto de IA \u00e9 a capacidade de uma m\u00e1quina de aprender, como diz o nome, a partir de uma grande quantidade de dados imputada. Com toda essa informa\u00e7\u00e3o recebida, s\u00e3o constru\u00eddos modelos capazes, por exemplo, de fazer predi\u00e7\u00f5es, com erros m\u00ednimos em alguns casos. Como exemplo, podemos citar o uso de t\u00e9cnicas de machine learning para predi\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os de a\u00e7\u00f5es no mercado de bolsa de valores. Esse modelo de predi\u00e7\u00e3o, baseado, por exemplo, em redes neurais, poderia ser capaz de indicar o valor de fechamento do pr\u00f3ximo dia dos pap\u00e9is mais importantes negociados em uma bolsa de valores.<\/p>\n<p>J\u00e1 o deep learning \u00e9 um subconjunto do machine learning e tamb\u00e9m a tecnologia que o torna aplic\u00e1vel. Baseado em redes neurais inspiradas na capacidade cognitiva do c\u00e9rebro humano, o deep learning dispensa uma etapa de pr\u00e9-processamento de dados \u2013 que \u00e9 obrigat\u00f3ria no machine learning \u2013 e \u00e9 capaz de interpretar dados recebidos de forma prim\u00e1ria. Os sistemas ou m\u00e1quinas baseados em deep learning s\u00e3o capazes de aprender e se aperfei\u00e7oar quanto mais s\u00e3o expostas ao uso. Alguns exemplos s\u00e3o reconhecimento facial em tempo real, sistemas de busca na internet e chat-bots.<\/p>\n<p>Um risco para os humanos?<br \/>\nDiante de tanta evolu\u00e7\u00e3o, que impactos positivos ou negativos essas mudan\u00e7as proporcionadas pela IA ter\u00e3o na sociedade? Haver\u00e1 menos empregos, com as m\u00e1quinas substituindo os humanos? Essa an\u00e1lise n\u00e3o \u00e9 simples e nem definitiva, uma vez que estamos no meio de um processo de transforma\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 poss\u00edvel apontar alguns sinais do que, provavelmente, ocorrer\u00e1 no futuro.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, \u00e9 preciso ver que a IA \u00e9 parte de um contexto maior resultante das transforma\u00e7\u00f5es digitais que j\u00e1 impactam as economias mundiais. Dentro desse cen\u00e1rio, mudan\u00e7as s\u00e3o esperadas nas rela\u00e7\u00f5es de emprego e trabalho. De acordo com um estudo do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia, Inova\u00e7\u00f5es e Comunica\u00e7\u00f5es (MCTIC), h\u00e1 uma tend\u00eancia de se separar as atividades com tarefas automatiz\u00e1veis e de se valorizar as atividades humanas. Com isso, espera-se que o trabalhador do futuro seja respons\u00e1vel por gerenciar riscos, estrat\u00e9gias e opera\u00e7\u00f5es de suas atividades. Assim, aquelas a\u00e7\u00f5es mais repetitivas e mecanizadas ser\u00e3o, provavelmente, assumidas por m\u00e1quinas inteligentes. Nesse futuro, aponta o estudo, as rela\u00e7\u00f5es de trabalho devem ser mais horizontais, substituindo a linha vertical \u201cpatr\u00e3o-empregado\u201d, e os profissionais ter\u00e3o um papel mais aut\u00f4nomo no trabalho e na produ\u00e7\u00e3o de valor.<\/p>\n<p>Outro aspecto importante \u00e9 o uso dessas novas tecnologias para melhorar a qualidade de vida da sociedade. Segundo o estudo do MCTIC, as transforma\u00e7\u00f5es digitais, incluindo a IA, podem ser empregadas para combater a fome, aumentando, por exemplo, a produtividade agropecu\u00e1ria, reduzindo as perdas no campo e na log\u00edstica de distribui\u00e7\u00e3o. Podem ainda reduzir o impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, por meio de uma rede de sensores inteligentes que, associada \u00e0s t\u00e9cnicas de IA, fa\u00e7a mitiga\u00e7\u00e3o ou preven\u00e7\u00e3o de desastres naturais.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o sobre como ser\u00e1 o nosso futuro com a intelig\u00eancia artificial n\u00e3o se esgota nesses t\u00f3picos. H\u00e1 muito mais o que refletir sobre suas implica\u00e7\u00f5es positivas e negativas. Mas o primeiro passo \u00e9 conhecer e divulgar a tecnologia \u00e0 sociedade para que seja empregada da forma mais justa poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Quem chegar\u00e1 primeiro na corrida para dominar IA no mundo?<br \/>\nEst\u00e1 em curso uma corrida mundial para liderar as pesquisas e o desenvolvimento na \u00e1rea de intelig\u00eancia artificial. Disputas tecnol\u00f3gicas s\u00e3o comuns na hist\u00f3ria da ci\u00eancia, e uma das mais conhecidas \u00e9 a corrida pela conquista do espa\u00e7o, em meados do s\u00e9culo 20, entre a antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e os Estados Unidos.<\/p>\n<p>Na corrida pelo dom\u00ednio da IA, dois competidores aparecem muito \u00e0 frente dos demais: Estados Unidos e China. Ainda n\u00e3o est\u00e1 claro como esse dom\u00ednio, de fato, se manifestar\u00e1, mas, com base no passado, \u00e9 poss\u00edvel inferir que a superioridade tecnol\u00f3gica se reflete diretamente em poder econ\u00f4mico, pol\u00edtico e militar.<\/p>\n<p>Nos EUA, por exemplo, em julho deste ano, a Casa Branca emitiu uma ordem executiva para que o NIST (National Institute of Standard and Technology), instituto similar ao Inmetro no Brasil, conduza pesquisas e desenvolvimentos em IA com o objetivo de o pa\u00eds se tornar l\u00edder nesta \u00e1rea, impedindo o dom\u00ednio chin\u00eas.<\/p>\n<p>A lideran\u00e7a na \u00e1rea de IA \u00e9 altamente estrat\u00e9gica. Imagine como seria se um pa\u00eds dominasse toda a informa\u00e7\u00e3o bruta do mundo e fosse o \u00fanico capaz de processar esses dados? Seria uma dist\u00e2ncia equivalente \u00e0 que existe entre os pa\u00edses que exportam suas riquezas brutas a pre\u00e7os baixos e, depois, precisam importar seus derivados a altos custos, por n\u00e3o dominarem tecnologias de processamento.<\/p>\n<p>Outra \u00e1rea estrat\u00e9gica est\u00e1 relacionada a defesa e ataque cibern\u00e9tico. Imagine, por exemplo, se um ataque manipular e alterar informa\u00e7\u00f5es sens\u00edveis, como dados financeiros? A consequ\u00eancia poderia ser implodir todo o sistema econ\u00f4mico de um pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para pa\u00edses que est\u00e3o atr\u00e1s nessa corrida, como o Brasil, um caminho para minimizar o atraso tecnol\u00f3gico, talvez, seja criar mecanismos ou leis que endure\u00e7am a imposi\u00e7\u00e3o externa de tecnologias de IA com potencial para comprometer, por exemplo, a economia. Melhor solu\u00e7\u00e3o seria acelerar o desenvolvimento na \u00e1rea, mas isso n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel para muitas na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fazer predi\u00e7\u00f5es com base em um grande volume de dados. 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