{"id":119175,"date":"2019-12-31T13:30:31","date_gmt":"2019-12-31T16:30:31","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=119175"},"modified":"2019-12-30T19:32:35","modified_gmt":"2019-12-30T22:32:35","slug":"residuo-de-acai-pode-ir-dos-lixoes-para-as-industrias-de-cosmetico-e-de-racao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/residuo-de-acai-pode-ir-dos-lixoes-para-as-industrias-de-cosmetico-e-de-racao\/","title":{"rendered":"Res\u00edduo de a\u00e7a\u00ed pode ir dos lix\u00f5es para as ind\u00fastrias de cosm\u00e9tico e de ra\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/acai.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-119176\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/acai-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/acai-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/acai.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O a\u00e7a\u00ed, onipresente no pa\u00eds, gera um problema desconhecido por grande parte da popula\u00e7\u00e3o que vive fora da regi\u00e3o Norte: 1,1 milh\u00e3o de toneladas de res\u00edduos, que representa 85% do fruto e est\u00e1 soterrando lix\u00f5es. Para solucionar a quest\u00e3o, a pesquisadora Ayla Sant\u2019Ana, do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), descobriu poss\u00edveis destina\u00e7\u00f5es industriais para ele, como na elabora\u00e7\u00e3o de cosm\u00e9ticos e at\u00e9 de ra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Como come\u00e7ou sua pesquisa?<\/strong><\/p>\n<p>Em 2014, fui informada de um problema at\u00e9 ent\u00e3o desconhecido para mim: h\u00e1 um ac\u00famulo estimado em 1,1 milh\u00e3o de tonelada de res\u00edduos de a\u00e7a\u00ed em lix\u00f5es das cidades do Norte do pa\u00eds. A produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7a\u00ed \u00e9 estimada em 1,3 milh\u00e3o de tonelada e estamos aproveitando apenas 15%.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o a quest\u00e3o era saber do que era composta essa semente para dar algum uso nobre para isso e ter aproveitamento total nessa cadeia produtiva. Temos uma fonte amplamente dispon\u00edvel, que \u00e9 um estorvo, quando na verdade poderiamos estar desenvolvendo produtos com grande potencial de mercado.<\/p>\n<p><strong>Biodegrad\u00e1veis, esses res\u00edduos n\u00e3o podem ser absorvidos pela natureza?<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 dois problemas: \u00e9 uma semente muito dura, um coquinho que, para ser quebrado, precisa de uma for\u00e7a de 98 quilos. Isso faz com que a degrada\u00e7\u00e3o seja mais lenta. O outro \u00e9 que, se eu deixar uma semente no sol, talvez em um ano tenha desaparecido, mas quando falamos de milhares de toneladas esse um ano passa a ser muito tempo. N\u00e3o \u00e9 mais um processo natural quando h\u00e1 uma produ\u00e7\u00e3o de agricultura.<\/p>\n<p>O que voc\u00ea descobriu?<\/p>\n<p>A semente tem uma grande quantidade de um carboidrato chamado manana, formado por v\u00e1rias manoses, a unidade fundamental, ligadas. H\u00e1 550 mil toneladas de manana dispon\u00edveis, e ela pode ter diversas aplica\u00e7\u00f5es industriais. Por si s\u00f3 \u00e9 usada como espessante em alimentos em formula\u00e7\u00e3o de cosm\u00e9tico.<\/p>\n<p>Tem atividade prebi\u00f3tica, que alimenta os probi\u00f3ticos, ent\u00e3o ajuda no fortalecimento dos microorganismos ben\u00e9ficos, podendo ser usado em v\u00e1rias formula\u00e7\u00f5es, como ra\u00e7\u00f5es premium para animais. E por ser um espessante pode ser usado tamb\u00e9m em cremes para pele, deixando-a mais agrad\u00e1vel ao toque.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea conseguiu apoio para a pesquisa?<\/strong><\/p>\n<p>Em meados de 2016, ganhei um edital de apoio da Capes para iniciar a explora\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 composi\u00e7\u00e3o da semente. Em 2017, inscrevi o projeto para o apoio do Instituto Serrapilheira. Receberam 2 mil propostas e aprovaram 65 projetos, o meu incluso. Ganhamos R$ 100 mil para executar em um ano. No final do per\u00edodo, os projetos foram reavaliados com comit\u00eas internacionais e pesquisadores renomados. Dos 65, selecionaram 12 para receber R$ 1 milh\u00e3o para continuar a pesquisa por mais tr\u00eas anos. E eu fui uma das 12. O contrato come\u00e7ou em agosto.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea conseguiu a patente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) em cerca de um ano. Como foi isso?<\/strong><\/p>\n<p>O Inpi tem um programa recente chamado Patente Verde, que visa incluir tecnologias priorit\u00e1rias para o desenvolvimento do pa\u00eds e que tenham tecnologia com sustentabilidade envolvidos. E voc\u00ea pode pedir o enquadramento dentro desse programa e ganha exame priorit\u00e1rio. Isso \u00e9 legal porque \u00e0s vezes demoram dez anos para conceder ou n\u00e3o sua patente.<\/p>\n<p>Em meu caso, demorou um ano e tr\u00eas meses, mostrando que o programa de patentes verdes est\u00e1 apresentando tecnologias para o desenvolvimento do pa\u00eds. O potencial estava identificado, mas precisava desenvolver um processo de extra\u00e7\u00e3o. A patente descreve os processos de obten\u00e7\u00e3o dessas mol\u00e9culas a partir da semente de a\u00e7a\u00ed.<\/p>\n<p><strong>Quais os pr\u00f3ximos passos?<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 estamos conversando com algumas empresas, mas todo desenvolvimento de tecnologia \u00e9 um processo longo. Muitas outras frentes nesse projeto est\u00e3o sendo exploradas. Especificamente, o processo envolve o uso de enzimas mananazes, que degradam a manana, e precisei importar uma enzima japonesa.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o um gargalo importante \u00e9 continuar a pesquisa de enzimas eficientes para ter mais independ\u00eancia tecnol\u00f3gica. Vira uma oportunidade para desenvolver uma tecnologia nacional.<\/p>\n<p>Fico me perguntando quantos outros casos parecidos com a semente de a\u00e7a\u00ed n\u00e3o existem em nosso pa\u00eds. Devem ter muitos outros casos de oportunidade que n\u00e3o foram enxergadas e que est\u00e3o esperando algu\u00e9m ir l\u00e1, com apoio para isso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O a\u00e7a\u00ed, onipresente no pa\u00eds, gera um problema desconhecido por grande parte da popula\u00e7\u00e3o que<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":119176,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/acai.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/acai-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/acai-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/acai.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/acai.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/acai.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/acai.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/acai.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/acai.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/acai.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O a\u00e7a\u00ed, onipresente no pa\u00eds, gera um problema desconhecido por grande parte da popula\u00e7\u00e3o que","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/119175"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=119175"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/119175\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/119176"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=119175"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=119175"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=119175"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}