{"id":119096,"date":"2019-12-30T08:00:29","date_gmt":"2019-12-30T11:00:29","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=119096"},"modified":"2019-12-29T22:38:33","modified_gmt":"2019-12-30T01:38:33","slug":"94-das-mulheres-sentem-dificuldades-para-conciliar-maternidade-e-carreira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/94-das-mulheres-sentem-dificuldades-para-conciliar-maternidade-e-carreira\/","title":{"rendered":"94% das mulheres sentem dificuldades para conciliar maternidade e carreira"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/estudo_mulheres.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-119097\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/estudo_mulheres-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/estudo_mulheres-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/estudo_mulheres.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Estudo da CRESCER, feito pelo Departamento de Pesquisa da Editora Globo com 2.887 mulheres, mostra que a profissional que \u00e9 m\u00e3e est\u00e1 segura de seu valor no mercado de trabalho, sente-se menos culpada do que no passado mas ainda enfrenta barreiras, como o preconceito. A boa not\u00edcia \u00e9 que h\u00e1 maneiras eficazes de lidar com essas dificuldades. Entenda como<\/p>\n<p>Numa sociedade em que 49% dos cargos s\u00e3o ocupados por mulheres, parece n\u00e3o haver sentido discutir g\u00eanero no ambiente de trabalho. Nenhuma economia pode prescindir da for\u00e7a produtiva feminina. \u00c9 certo que ainda n\u00e3o \u00e9 um mar de rosas. A remunera\u00e7\u00e3o da mulher corresponde a 80% do que o homem ganha para desempenhar as mesmas fun\u00e7\u00f5es. \u00c9 assim aqui no Brasil \u2013 segundo dados do IBGE \u2013, \u00e9 assim globalmente nos pa\u00edses de regime democr\u00e1tico, de acordo com registros do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial.<\/p>\n<p>No topo hier\u00e1rquico das empresas, a presen\u00e7a delas ainda \u00e9 minoria. Esses n\u00fameros indicam que h\u00e1 um caminho a ser percorrido para a equipara\u00e7\u00e3o de direitos e oportunidades entre homens e mulheres. Dados hist\u00f3ricos apontam, entretanto, que progressos est\u00e3o ocorrendo. H\u00e1 algumas d\u00e9cadas, a diferen\u00e7a salarial entre g\u00eaneros era muito maior. Nos anos 80, de acordo com um levantamento dos economistas brasileiros Naercio Menezes Filho e Ana Carolina Giuberti, a mulher ganhava, em m\u00e9dia, 68% do que o homem, no mesmo cargo e com forma\u00e7\u00e3o similar. A l\u00f3gica dessa progress\u00e3o leva a crer que \u00e9 uma quest\u00e3o de tempo para que as mulheres conquistem oportunidades semelhantes \u00e0s masculinas, certo?<\/p>\n<p>Errado, infelizmente. O recorte da maternidade mostra que essa ideia \u00e9 uma fal\u00e1cia. V\u00e1rias pesquisas indicam que, no mercado de trabalho, o panorama das mulheres que n\u00e3o t\u00eam filhos \u00e9 bem diferente daquele das que s\u00e3o m\u00e3es. Um amplo levantamento, realizado em 2006 pela soci\u00f3loga Louise Marie Routh com profissionais com t\u00edtulo de MBA, nos Estados Unidos, mostrou que 36% delas afirmaram ter tido uma interrup\u00e7\u00e3o na progress\u00e3o de suas carreiras depois da gravidez, enquanto suas colegas sem filhos seguiram numa trajet\u00f3ria de promo\u00e7\u00e3o e aumento de prest\u00edgio. Se entre homens e mulheres ainda h\u00e1 diferen\u00e7a, entre homens, mulheres e mulheres com filhos a dist\u00e2ncia entre igualdade de oportunidades \u00e9 ainda maior.<\/p>\n<p>A chance de uma mulher sem filhos ser contratada \u00e9 80% maior do que a de outra, com filhos, e com curr\u00edculo semelhante. Funcion\u00e1rias com filhos ganham, em m\u00e9dia, US$ 11 mil por ano a menos do que suas colegas de mesmo n\u00edvel hier\u00e1rquico sem crian\u00e7as. Ambos os dados s\u00e3o baseados numa investiga\u00e7\u00e3o feita com as 500 maiores empresas da revista americana Fortune.<\/p>\n<p>Se os dados econ\u00f4micos revelam uma situa\u00e7\u00e3o desconfort\u00e1vel para a m\u00e3e que trabalha, \u00e9 no cotidiano que o drama para equilibrar carreira e maternidade se desenrola em tonalidades que variam, de acordo com a estrutura dom\u00e9stica e profissional, com a flexibilidade de cada profiss\u00e3o e com a cobran\u00e7a social e pessoal que cada trabalhadora que \u00e9 m\u00e3e tem de equacionar.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre filhos e carreira \u00e9 um dos assuntos centrais do universo de leitores da CRESCER desde sempre, sejam eles homens ou mulheres. Por essa raz\u00e3o, fizemos uma ampla pesquisa que fizemos com nossas leitoras \u2013 que s\u00e3o m\u00e3es \u2013 sobre o assunto. Ao todo, 2.887 mulheres responderam ao longo dos meses de maio e junho a uma s\u00e9rie de perguntas, cujo objetivo \u00e9 tra\u00e7ar um retrato de como \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o da brasileira com filhos com sua carreira, tanto do ponto de vista objetivo (quantas horas trabalha, quanto tempo amamentou, renda mensal etc) quanto do ponto de vista subjetivo (como se sente em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho e \u00e0 maternidade e o impacto dela em sua carreira).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/eELOSmjsbIhZbdxWX59RiBVkcoM=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2019\/10\/23\/cf312-pesquisa-maes-trabalho-grafico1.png\" alt=\"Resultado de imagem para 94% das mulheres sentem dificuldades para conciliar maternidade e carreira\" width=\"639\" height=\"1113\" \/><\/p>\n<p><strong>OITO ANOS DEPOIS&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Essa mesma pesquisa j\u00e1 tinha sido feita em 2011. Al\u00e9m dos dados atuais, este ano trazemos, tamb\u00e9m, uma amostra do que mudou e do que permanece igual nos \u00faltimos oito anos, no que diz respeito ao mercado de trabalho para as m\u00e3es. Os resultados de 2019 trouxeram boas not\u00edcias em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 percep\u00e7\u00e3o que a mulher adquiriu sobre si mesma como profissional e do papel da carreira em sua vida. A brasileira est\u00e1 mais segura de seu valor como profissional. Em 2011, 62% disseram que parariam de trabalhar se pudessem. Este ano, o n\u00famero caiu para 42%. A afirma\u00e7\u00e3o de que gostam de seu trabalho e que ele \u00e9 importante para elas aparece em 58% das respostas. A culpa por deixar o filho para ir trabalhar tamb\u00e9m diminuiu, embora ela ainda assombre a maioria. Este ano, 63% responderam que sentem culpa. Esse percentual foi de 72% na pesquisa de 2011.<\/p>\n<p>S\u00e3o mudan\u00e7as positivas, sem d\u00favida. A pesquisa, no entanto, evidencia que a transforma\u00e7\u00e3o ocorreu na forma como as mulheres passaram a encarar seu papel como profissional e como m\u00e3e, e n\u00e3o, necessariamente, numa mudan\u00e7a de ambiente ou das condi\u00e7\u00f5es que encontram. Na pr\u00e1tica, os entraves que as profissionais que s\u00e3o ou se tornam m\u00e3es enfrentam parecem os mesmos.<\/p>\n<p>Ao todo, 94% das mulheres que responderam \u00e0 pesquisa relatam ter dificuldade para conciliar a carreira com a maternidade. Preconceito do mercado de trabalho com a mulher que se torna m\u00e3e (o que aumenta a press\u00e3o para que ela se prove continuamente e, consequentemente, aumente o estresse), pol\u00edticas trabalhistas que n\u00e3o foram pensadas para as m\u00e3es e falta de flexibilidade no esquema de trabalho est\u00e3o entre os agravantes mais citados no cotidiano dessas profissionais. Entre as respondentes, 64% disseram ter tido a carreira prejudicada pela maternidade \u2013 seja porque elas pr\u00f3prias tiveram de recusar projetos mais ambiciosos ou promo\u00e7\u00f5es para terem tempo para o filho, seja porque deixaram de ser promovidas por serem m\u00e3es.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/wNXTaP3mbdLOk-bAkJ9R1FIp6e8=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2019\/10\/23\/cf312-pesquisa-maes-trabalho-grafico3.png\" alt=\"Resultado de imagem para 94% das mulheres sentem dificuldades para conciliar maternidade e carreira\" width=\"639\" height=\"825\" \/><\/p>\n<p><strong>DILEMAS DA MATERNIDADE<\/strong><\/p>\n<p>As dificuldades que as leitoras da CRESCER relataram n\u00e3o s\u00e3o uma peculiaridade do Brasil ou de pa\u00edses em desenvolvimento. Dois epis\u00f3dios deixaram evidentes o tamanho do desafio que \u00e9 conciliar os pap\u00e9is de profissional e m\u00e3e. O primeiro deles ocorreu na Nova Zel\u00e2ndia. Ao vencer a elei\u00e7\u00e3o para o cargo de primeira-ministra do pa\u00eds, em 2017, Jacinda Ardern foi duramente criticada por estar gr\u00e1vida. Como a autoridade m\u00e1xima de um pa\u00eds conciliaria a maternidade com o exigente cargo para o qual fora eleita? Sairia de licen\u00e7a-maternidade logo que tomasse posse? Parte da opini\u00e3o p\u00fablica defendia que era isso que ela deveria fazer, at\u00e9 como forma de apoio a um direito de todas as fam\u00edlias e mulheres. Outra parte via nessa possibilidade algo que prejudicaria seu mandato.<\/p>\n<p>Enquanto exibia seu vistoso barrig\u00e3o nos \u00faltimos meses de gravidez, Jacinda defendeu bravamente seu direito \u00e0 licen\u00e7a-maternidade e rebateu seus detratores. Depois que a pequena Neve Te Ahora (significa amor brilhante, em tradu\u00e7\u00e3o livre) nasceu, em 2018, no entanto, Arden decidiu se afastar por seis semanas, em vez de usar as 18 a que tinha direito. Seu marido, Clark Gayford, saiu do programa de TV de pesca esportiva que apresentava para se tornar pai em per\u00edodo integral \u2013 decis\u00e3o que poucas fam\u00edlias podem se dar ao luxo de tomar por quest\u00f5es financeiras, principalmente.<\/p>\n<p>Outra pol\u00edtica que jogou luz a essa dificuldade, e desta vez de forma muito mais clara, foi a l\u00edder do Partido Conservador Irland\u00eas, no Reino Unido, Ruth Davidson. Logo que Finn, seu primeiro filho nasceu, em 2018, ela declarou que se afastaria do cargo porque n\u00e3o achava poss\u00edvel combinar os dois pap\u00e9is. Tanto o caso de Jacinda quanto o de Ruth levantaram uma discuss\u00e3o saud\u00e1vel em torno do tema e evidenciaram como a busca pelo equil\u00edbrio entre carreira e maternidade \u00e9 um desafio para diferentes culturas, mesmo em pa\u00edses economicamente mais avan\u00e7ados que o Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo da CRESCER, feito pelo Departamento de Pesquisa da Editora Globo com 2.887 mulheres, mostra<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":119097,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/estudo_mulheres.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/estudo_mulheres-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/estudo_mulheres-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/estudo_mulheres.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/estudo_mulheres.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/estudo_mulheres.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/estudo_mulheres.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/estudo_mulheres.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/estudo_mulheres.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/estudo_mulheres.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Estudo da CRESCER, feito pelo Departamento de Pesquisa da Editora Globo com 2.887 mulheres, mostra","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/119096"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=119096"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/119096\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/119097"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=119096"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=119096"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=119096"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}