{"id":11897,"date":"2014-12-08T12:46:32","date_gmt":"2014-12-08T12:46:32","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=11897"},"modified":"2014-12-08T12:46:32","modified_gmt":"2014-12-08T12:46:32","slug":"em-ilheus-ambientalistas-combatem-o-porto-sul-que-impacta-um-corredor-ecologico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/em-ilheus-ambientalistas-combatem-o-porto-sul-que-impacta-um-corredor-ecologico\/","title":{"rendered":"Em Ilh\u00e9us, ambientalistas combatem o Porto Sul que impacta um corredor ecol\u00f3gico"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/ilheus1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-11899\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/ilheus1.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>O sul da Bahia \u00e9 palco de uma obra de infraestrutura que tira o sono de muitos baianos e tamb\u00e9m causa dor de cabe\u00e7a a autoridades p\u00fablicas e a empres\u00e1rios pelo volume de batalhas judiciais que promete gerar nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n<p>O cerne \u00e9 o Porto Sul, um terminal portu\u00e1rio que pode ser constru\u00eddo no litoral norte de Ilh\u00e9us, na Costa do Cacau, entre as localidades de Aritagu\u00e1, Sambaituba e Ponta da Tulha. O empreendimento est\u00e1 or\u00e7ado em R$ 5,6 bilh\u00f5es e, no pico das obras, dever\u00e1 empregar 2.560 trabalhadores. Do outro lado, j\u00e1 suscitou pelo menos quatro pedidos de liminar para impedir o in\u00edcio das obras, al\u00e9m de uma nova a\u00e7\u00e3o ajuizada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal.<\/p>\n<p>O complexo portu\u00e1rio est\u00e1 inserido no planejamento estrat\u00e9gico do estado da Bahia e corresponde ao extremo leste da Ferrovia de Integra\u00e7\u00e3o Oeste-Leste (FIOL), que ligar\u00e1 o porto mar\u00edtimo \u00e0s regi\u00f5es do oeste da Bahia e o Brasil Central.<\/p>\n<p>O Porto Sul ter\u00e1 um terminal de uso p\u00fablico e outro privado. O primeiro tem previs\u00e3o de operar com uma capacidade de exporta\u00e7\u00e3o de 75 milh\u00f5es de toneladas por ano e de importa\u00e7\u00e3o de 5 milh\u00f5es de cargas como \u2013 min\u00e9rio de ferro, cl\u00ednquer, soja, etanol e fertilizantes. O terminal de uso privado ser\u00e1 destinado \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o exclusivamente do min\u00e9rio de ferro extra\u00eddo pela Bahia Minera\u00e7\u00e3o (BAMIN).<\/p>\n<p>Segundo o Relat\u00f3rio de Impacto Ambiental (RIMA) do projeto, &#8220;O Porto Sul foi concebido como um moderno porto em mar aberto (&#8230;) o que confere mais flexibilidade para aproxima\u00e7\u00e3o das embarca\u00e7\u00f5es e para implanta\u00e7\u00e3o de modernos equipamentos de carga e descarga ocupando o m\u00ednimo da faixa da orla&#8221;. Outro trecho exalta que o porto exercer\u00e1 o papel de um dos mais importantes p\u00f3los log\u00edsticos do leste do Brasil.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Belo Monte da Bahia&#8221;<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/serra_canduru.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-11900\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/serra_canduru.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"466\" \/><\/a><br \/>\nA resist\u00eancia contra o projeto decorre de que as obras impactar\u00e3o diretamente um corredor ecol\u00f3gico de remanescentes da Mata Atl\u00e2ntica numa \u00e1rea de voca\u00e7\u00e3o tur\u00edstica e agr\u00edcola \u2013 especialmente pela cultura do cacau atrav\u00e9s da cabruca, t\u00e9cnica agroflorestal em que o cacau \u00e9 cultivado sombreado por esp\u00e9cies arb\u00f3reas. O corredor liga o Parque Estadual da Serra do Conduru (criado em 1997 e com uma \u00e1rea de 9.275 hectares) e o Parque Municipal Boa Esperan\u00e7a, um hotspot de biodiversidade de 437 hectares localizado na zona urbana de Ilh\u00e9us, ref\u00fagio de esp\u00e9cies raras e santu\u00e1rio de \u00e1gua doce. Cr\u00edticos j\u00e1 chamam o Porto Sul de &#8220;Belo Monte da Bahia&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Estamos falando do que resta da reserva da biosfera da Mata Atl\u00e2ntica, de um local que \u00e9 considerado a p\u00e9rola. L\u00e1 tem um corredor que liga duas Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o integrais, uma municipal e outra estadual. Seria um desrespeito \u00e0 voca\u00e7\u00e3o natural da regi\u00e3o&#8221;, disse Maria do Socorro Mendon\u00e7a, presidente do Instituto Nossa Ilh\u00e9us, uma ONG que luta contra a instala\u00e7\u00e3o do Porto Sul.<\/p>\n<p>Segundo ela, a sociedade civil junto com o Minist\u00e9rio P\u00fablico, desde 2008, exerce press\u00e3o e tenta provar a inviabilidade do projeto. O Nossa Ilh\u00e9us tem um levantamento de mais de 200 impactos que ser\u00e3o causados com a constru\u00e7\u00e3o do porto.<\/p>\n<p>Segundo o RIMA, identificou-se 36 impactos negativos para o meio bi\u00f3tico, dos quais 42 n\u00e3o s\u00e3o mitig\u00e1veis como, durante as obras de dragagem, afugentar e matar peixes e outros animais que vivem no fundo do mar, em especial os de baixa mobilidade. Al\u00e9m disso, consta tamb\u00e9m nesta lista perda de habitat da fauna, de habitat marinho de fundo consolidado, mortandade de crust\u00e1ceos e larvas de insetos e peixes, e o risco de interferir no comportamento de golfinhos e baleias.<\/p>\n<p>Na categoria de impactos s\u00f3cio-econ\u00f4micos, cerca de um ter\u00e7o dos impactos n\u00e3o \u00e9 mitig\u00e1vel como \u00e9 o caso da interfer\u00eancia na atividade pesqueira.<\/p>\n<p>No entorno do empreendimento existem 9 Reservas Particulares do Patrim\u00f4nio Natural (RPPN), 3 \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Ambiental (APAs), 2 Parques Municipais e uma Reserva Ecol\u00f3gica. Entre as unidades no per\u00edmetro de 10 km do Porto Sul, destaca-se o Parque Estadual da Serra do Conduru e a RPPN Salto do Apepique. De acordo com o RIMA, &#8220;a parte terrestre do empreendimento est\u00e1 totalmente inserida na \u00e1rea da APA da Lagoa Encantada e APA Rio Almada. A regi\u00e3o est\u00e1 inserida no Corredor Central da Mata Atl\u00e2ntica, no mini-corredor do Conduru&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Lista de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o no entorno do Porto Sul<\/strong><\/p>\n<p>Parque Estadual da Serra do Conduru (9.275 hectares)<br \/>\nAPA da Costa de Itacar\u00e9\/Serra Grande (62.960 hectares)<br \/>\nAPA da Lagoa Encantada e Rio Almada (157.745 hectares)<br \/>\nAPA Ba\u00eda de Camamu (118.000 hectares)<br \/>\nParque Municipal da Boa Esperan\u00e7a (437 hectares)<br \/>\nParque Municipal Marinho dos Ilh\u00e9us (5 hectares)<br \/>\n9 Reservas Privadas do Patrim\u00f4nio Natural<br \/>\nReserva Biol\u00f3gica de Una (11.400 hectares)<\/p>\n<p>&#8220;O porto est\u00e1 no maior ponto pesqueiro da regi\u00e3o, onde existem cerca de 10 mil pescadores que vivem da atividade artesanal. No continente, s\u00f3 numa \u00e1rea de 437 hectares, existem 32 nascentes de \u00e1gua l\u00edmpida brotando do solo&#8221;, afirmou Mendon\u00e7a.<\/p>\n<p>O Instituto Nossa Ilh\u00e9us foi uma das organiza\u00e7\u00f5es convidadas para participar, em novembro no Rio de Janeiro, de um treinamento de l\u00edderes ambientais e clim\u00e1ticos promovido pelo Pr\u00eamio Nobel e ex-vice presidente americano Al Gore, o Climate Reality Leadership Corps Training.<\/p>\n<p><strong>Mega projeto<\/strong><br \/>\n<a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/porto_sul.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-11901\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/porto_sul.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"457\" \/><\/a><\/p>\n<p>O Porto Sul ser\u00e1 constru\u00eddo numa \u00e1rea de 1.865 hectares, 15 km ao norte de Ilh\u00e9us, e \u00e9 divulgado como o maior investimento portu\u00e1rio em andamento no pa\u00eds. O empreendimento conjunto do estado da Bahia com a empresa Bahia Minera\u00e7\u00e3o (BAMIN ) dividir\u00e1 as obras e as concess\u00f5es do porto e conta com uma proje\u00e7\u00e3o de operar 100 milh\u00f5es de toneladas anuais at\u00e9 seu 25\u00ba ano de funcionamento. A imprensa da Bahia publicou que os investimentos devem alcan\u00e7ar R$ 12,5 bilh\u00f5es em 25 anos, somando o potencial de atividades do porto e o impacto na economia local.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ser uma \u00e1rea tur\u00edstica, a regi\u00e3o de influ\u00eancia do porto \u00e9 bastante biodiversa. Segundo o RIMA, s\u00e3o encontrados remanescentes de florestas ombr\u00f3filas da Mata Atl\u00e2ntica, alguns dentro de UCs da regi\u00e3o, como a APA da Lagoa Encantada e Rio Almada. Entre a flora desses fragmentos, destaca-se a sucupira, a ma\u00e7aranduba, o arapati, a gindiba, os louros, o embiru\u00e7u, a juerana, a sapucaia e o jatob\u00e1. Nas \u00e1reas litor\u00e2neas, encontram-se estu\u00e1rios, manguezais, \u00e1reas \u00famidas e restingas.<\/p>\n<p>O RIMA identificou 46 esp\u00e9cies de mam\u00edferos nas \u00e1reas de influ\u00eancia do empreendimento, sem contar as 141 esp\u00e9cies de aves; 47 esp\u00e9cies de anf\u00edbios em Aritagu\u00e1 e; entre os mam\u00edferos marinhos, as 5 esp\u00e9cies mais relatadas foram o boto, a baleia-jubarte, a orca, o golfinho-pintado-pantropical e a baleia-bicuda-de-Layardii.<\/p>\n<p>&#8220;Mal poder\u00edamos imaginar que alguns anos depois estar\u00edamos do mesmo lado dos resorts aqui na regi\u00e3o lutando contra um projeto em comum&#8221;, admitiu Gabriel Siqueira, gestor de projetos do Instituto Nossa Ilh\u00e9us, ao relembrar que um dos primeiros embates de ambientalistas no sul da Bahia foi contra a instala\u00e7\u00e3o de grandes hot\u00e9is na faixa costeira.<\/p>\n<p><strong>A BAMIN e o Pedra de Ferro<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Os impactos tanto para a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o quanto para o meio ambiente podem ser maiores do que a vida \u00fatil da pr\u00f3pria mina de ferro.&#8221;<\/p>\n<p>O Porto Sul se insere no Projeto Pedra de Ferro, um empreendimento mineral da Bahia Minera\u00e7\u00e3o (BAMIN), uma empresa com capital pertencente \u00e0 Eurasian Natural Resources Company (ENRC), uma controversa empresa do Cazaquist\u00e3o, com sede em Londres, e \u00e0 su\u00ed\u00e7a Zamin Ferrous, que tem atua\u00e7\u00e3o na \u00c1frica Ocidental, em pa\u00edses como Rep\u00fablica do Congo, Mo\u00e7ambique, Z\u00e2mbia e \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>Em novembro de 2012, a BAMIN obteve a licen\u00e7a ambiental para a instala\u00e7\u00e3o de uma mina de min\u00e9rio de ferro no munic\u00edpio de Caetit\u00e9, no sudoeste baiano. A concess\u00e3o corresponde a uma Licen\u00e7a de Localiza\u00e7\u00e3o para o projeto batizado de Pedra de Ferro.<\/p>\n<p>Caetit\u00e9 \u00e9 um pequeno munic\u00edpio de 46 mil habitantes localizado no sudoeste baiano, a 757 km de Salvador. A mina tem previs\u00e3o para produzir cerca de 20 milh\u00f5es de toneladas de min\u00e9rio de ferro por ano.<\/p>\n<p>A jazida mineral localizada no sert\u00e3o baiano ser\u00e1 interligada ao Porto Sul por trem, ao longo de mais de 400 km. Na chegada, ser\u00e1 embarcada em um terminal privativo offshore. Os investimentos na constru\u00e7\u00e3o do projeto mineral chegam a US$ 1,5 bilh\u00e3o (cerca de R$4 bilh\u00f5es). A execu\u00e7\u00e3o do Projeto Pedra de Ferro tornaria a Bahia o terceiro estado do pa\u00eds em produ\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio de ferro \u2013 atr\u00e1s de Caraj\u00e1s, no Par\u00e1, e do Quadril\u00e1tero Ferr\u00edfero de Minas Gerais.<\/p>\n<p>&#8220;O min\u00e9rio de ferro \u00e9 poluente e espalha o p\u00f3 de ferro, altamente t\u00f3xico e capaz de viajar com o vento quase 100 km. Faz mal \u00e0 respira\u00e7\u00e3o, contamina a \u00e1gua e a agricultura, e pode, assim, prejudicar a produ\u00e7\u00e3o de cacau&#8221;, disse Gabriel Siqueira. Os impactos tanto para a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o quanto para o meio ambiente podem ser maiores do que a vida \u00fatil da pr\u00f3pria mina de ferro, estimada em 15 anos.<\/p>\n<p>Maria do Socorro Mendon\u00e7a diz que o min\u00e9rio de ferro desta mina tem apenas 32% de pureza. &#8220;Ele \u00e9 pobre, significa que de 1 bilh\u00e3o de toneladas extra\u00eddas, s\u00f3 320 milh\u00f5es ser\u00e3o aproveitadas. O potencial da mina n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel, sem contar que para transportar de ferrovia da mina para o porto fizeram um trajeto cortando tudo, sem se importar com as APAs, as cavernas e o povo, que est\u00e3o no caminho&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Realoca\u00e7\u00e3o de moradores<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"caption\" style=\"margin: 0;\" title=\"Vista de floresta de Mata Atl\u00e2ntica no litural sul da Bahia. Foto: F\u00e1bio Coppola\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/images\/stories\/dez2014\/pic22.jpg\" alt=\"pic22\" width=\"640\" height=\"426\" \/><br \/>\n&#8220;O di\u00e1rio ingl\u00eas The Guardian escreveu sobre a expuls\u00e3o da ENRC da Bolsa de Valores de Londres, em novembro de 2013, sob alega\u00e7\u00f5es de &#8216;fraude, suborno e corrup\u00e7\u00e3o&#8217;.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;A \u00e1rea onde moro vai desaparecer do mapa porque o mar vai invadir&#8221;, lamentou o paulista Ismail Ab\u00e9de, de 46 anos, que h\u00e1 cinco anos se mudou para o sul da Bahia e vive numa comunidade chamada Vila Juerana, litoral norte de Ilh\u00e9us. Ele e as cerca de 800 pessoas que vivem na vila ser\u00e3o desalojadas. &#8220;Segundo o pr\u00f3prio RIMA, uma eros\u00e3o vai atingir 10 km ao norte do porto e o mar vai entrar para dentro do continente at\u00e9 100 metros. Vai ser uma cat\u00e1strofe&#8221;, disse Ismail.<\/p>\n<p>Preocupado com os impactos sociais e ambientais deste complexo portu\u00e1rio, ele se tornou um ativista da associa\u00e7\u00e3o de moradores da Vila Juerana contra as obras. A Licen\u00e7a de Instala\u00e7\u00e3o do porto foi emitida em 19 setembro deste ano, \u00e0s v\u00e9speras das elei\u00e7\u00f5es presidenciais. O prazo para in\u00edcio das obras ser\u00e1 de um ano e o limite para conclus\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o comercial do empreendimento \u00e9 31 de dezembro de 2019.<\/p>\n<p>Ismail lista os impactos \u00e0 natureza: &#8220;A 4 km ao norte do porto tem um manguezal e uma boca de rio. A \u00e1gua do rio Almada vai ser usada para lavar min\u00e9rio, e esse rio liga a Lagoa Encantada ao mar. Tamb\u00e9m n\u00e3o vai sobrar nada do mangue que \u00e9 um ber\u00e7o de vida. Est\u00e3o simplesmente desconsiderando tudo isso&#8221;.<\/p>\n<p>Em outubro deste ano, um grupo de ONGs publicou a &#8220;Carta de Ilh\u00e9us sobre o Porto Sul&#8221;, pedindo que se cancele o licenciamento.<\/p>\n<p>Ismail continua: &#8220;At\u00e9 onde entendo, o Estado pode desapropriar quando \u00e9 para um bem maior coletivo e n\u00e3o em benef\u00edcio de uma empresa privada internacional do Cazaquist\u00e3o que foi expulsa da Bolsa de Valores de Londres por acusa\u00e7\u00f5es de fraudes&#8221;. O di\u00e1rio ingl\u00eas The Guardian, a Rede de Minera\u00e7\u00e3o Londrina (London Mining Network) e sites como Eurasianet escreveram sobre a expuls\u00e3o da ENRC da Bolsa de Valores de Londres, em novembro de 2013, sob alega\u00e7\u00f5es de &#8220;fraude, suborno e corrup\u00e7\u00e3o&#8221;. O inqu\u00e9rito foi conduzido pelo Escrit\u00f3rio de Fraudes Graves do Reino Unido (Serious Fraud Office).<\/p>\n<p>Em setembro de 2012, a Rede de Minera\u00e7\u00e3o Londrina j\u00e1 havia publicado artigo &#8220;Pode a ENRC salvar a BAMIN?&#8221; (em ingl\u00eas).<\/p>\n<p><strong>O outro lado<\/strong><\/p>\n<p>Atrav\u00e9s de sua assessoria de imprensa, a BAMIN informou a ((o))eco que a empresa n\u00e3o falaria \u00e1 reportagem em raz\u00e3o de aus\u00eancia do pa\u00eds de Jos\u00e9 Francisco Vieiro, seu presidente e \u00fanico porta-voz.<\/p>\n<p>A assessoria se limitou a enviar por email um comunicado sobre a concess\u00e3o da licen\u00e7a de opera\u00e7\u00e3o da mina em Caetit\u00e9 em 13 de junho de 2014 e sobre a sua opera\u00e7\u00e3o atual, com capacidade reduzida de um milh\u00e3o de toneladas\/ano, at\u00e9 a conclus\u00e3o das obras do Porto Sul. ((o))eco perguntou se a expuls\u00e3o da ENRC da Bolsa de Valores de Londres impactar\u00e1 os empreendimentos da BAMIN no Brasil. A empresa n\u00e3o respondeu.<\/p>\n<p>Segue a nota da companhia:<\/p>\n<p>&#8220;A Bahia Minera\u00e7\u00e3o \u00e9 uma empresa brasileira que, por meio de sua opera\u00e7\u00e3o, contribuir\u00e1 para o desenvolvimento social e econ\u00f4mico da Bahia e de sua gente. Para extrair, beneficiar, escoar e comercializar 20 milh\u00f5es de toneladas por ano de min\u00e9rio de ferro, ser\u00e3o criados 6,6 mil vagas de empregos em Caetit\u00e9 \u2013 cidade do semi-\u00e1rido \u2013 e em Ilh\u00e9us, munic\u00edpio que h\u00e1 20 anos vive cont\u00ednuo decl\u00ednio econ\u00f4mico por conta da crise da lavoura cacaueira.<\/p>\n<p>A Bamin prev\u00ea investimento total de US$ 3 bilh\u00f5es no Projeto Pedra de Ferro, que consiste na extra\u00e7\u00e3o e beneficiamento de min\u00e9rio de ferro em jazidas nas cidades de Caetit\u00e9, transporte desta carga pela Ferrovia de Integra\u00e7\u00e3o Oeste \u2013 Leste (Fiol) e escoamento do produto via Terminal de Uso Privativo a ser constru\u00eddo no Complexo Porto Sul, em Ilh\u00e9us.&#8221;<\/p>\n<p>Sobre o Porto Sul, a Secretaria de Estado da Casa Civil da Bahia informou a ((o))eco que foram estabelecidos 38 programas ambientais b\u00e1sicos para diminuir ou mitigar os impactos do empreendimento:<\/p>\n<p>&#8220;Os estudos de impacto ambiental (EIA\/RIMA) foram intensamente discutidos com a sociedade e o \u00f3rg\u00e3o ambiental respons\u00e1vel, o Ibama, em cerca de 10 audi\u00eancias p\u00fablicas voltadas \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e esclarecimentos quanto aos impactos. A maior compensa\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 a destina\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea de 1.702 hectares para uma unidade de prote\u00e7\u00e3o integral, a de Ponta da Tulha. Tamb\u00e9m h\u00e1 um programa de recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas e matas ciliares e nascentes.&#8221;<\/p>\n<p>O Programa de Compensa\u00e7\u00e3o da Atividade Pesqueira foi apresentado \u00e0s comunidades de pescadores da regi\u00e3o. Estima-se que para a execu\u00e7\u00e3o dos programas b\u00e1sicos ambientais o montante de recursos ser\u00e1 da ordem de R$ 300 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo o governo da Bahia, todas as fam\u00edlias que ser\u00e3o impactadas diretamente est\u00e3o no programa de desapropria\u00e7\u00e3o e reassentamento. O comunicado informa que as indeniza\u00e7\u00f5es dever\u00e3o come\u00e7ar a partir do 1\u00ba trimestre de 2015.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sul da Bahia \u00e9 palco de uma obra de infraestrutura que tira o sono<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":11899,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/ilheus1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/ilheus1.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/ilheus1.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/ilheus1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/ilheus1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/ilheus1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/ilheus1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/ilheus1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/ilheus1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/ilheus1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O sul da Bahia \u00e9 palco de uma obra de infraestrutura que tira o sono","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11897"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11897"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11897\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11899"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11897"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11897"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11897"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}