{"id":11890,"date":"2014-12-08T19:00:56","date_gmt":"2014-12-08T19:00:56","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=11890"},"modified":"2014-12-08T15:21:39","modified_gmt":"2014-12-08T15:21:39","slug":"comunidades-cultivam-sementes-crioulas-no-semiarido-mineiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/comunidades-cultivam-sementes-crioulas-no-semiarido-mineiro\/","title":{"rendered":"Comunidades cultivam sementes crioulas no semi\u00e1rido mineiro"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/guardioes.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-11891\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/guardioes.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Em vez de sementes industrializadas, sementes crioulas. \u00c9 assim que s\u00e3o cultivadas muitas lavouras do semi\u00e1rido de Minas Gerais. Uma pr\u00e1tica que est\u00e1 sendo resgatada n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, mas tamb\u00e9m em outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Os agricultores que plantam sementes, que eles mesmos produziram, s\u00e3o conhecidos como guardi\u00f5es de sementes.\u00a0 Na regi\u00e3o mais seca de Minas, a mesa farta \u00e9 um milagre que vem da terra.<\/p>\n<p>\u201cQuando a gente come\u00e7ou as pessoas chamavam at\u00e9 de doido. Ro\u00e7a de doido devido ao sistema que a gente plantava e de v\u00e1rias esp\u00e9cies de coisas\u201d, o agricultor Geraldo Gomes Barbosa.<\/p>\n<p>Muitos tipos de plantas, muitas sementes. Ro\u00e7a de doido ou costume milenar? Est\u00e1 na contram\u00e3o de uma tend\u00eancia internacional, em que os agricultores do mundo inteiro compram no com\u00e9rcio e cultivam um n\u00famero cada vez menor de variedades de gr\u00e3os. Mas na regi\u00e3o, semente n\u00e3o \u00e9 o mesmo que gr\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cSemente \u00e9 uma coisa que vai produzir uma vida nova\u201d, fala o agricultor Cristovino Ferreira Neto.<\/p>\n<p>Na transi\u00e7\u00e3o do cerrado para o semi\u00e1rido de Minas Gerais, entre os munic\u00edpios de Gr\u00e3o Mogol e Serran\u00f3polis. \u00c9 o territ\u00f3rio dos guardi\u00f5es de sementes.<\/p>\n<p>\u201cO guardi\u00e3o \u00e9 muito mais do que um produtor de sementes. Ele est\u00e1 preocupado em guardar a diversidade que existe\u201d, explica Cristovino.<\/p>\n<p>Eles saem em grupo e catam sementes de frutas nativas ou multiplicam esp\u00e9cies agr\u00edcolas como milho e feij\u00e3o e guardam tudo a sete chaves, como se fosse um tesouro.\u00a0 Sementes crioulas \u00e9 como s\u00e3o chamadas as variedades agr\u00edcolas que est\u00e3o adaptadas ao solo e ao clima da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00e3o dezenas de variedades diferentes de produtos armazenados em garrafas descart\u00e1veis ou em tambores. As sementes saem do local para as trocas em feiras da regi\u00e3o ou ent\u00e3o, para come\u00e7ar um novo ciclo nas lavouras.<\/p>\n<p>\u201cA gente tem variedades de feij\u00e3o que a gente sabe que s\u00e3o mais resistentes, mesmo com clima seco eles conseguem produzir\u201d, fala Geraldo Gomes Barbosa.<\/p>\n<p>S\u00f3 de feij\u00e3o, Geraldo produz 75 variedades diferentes.\u00a0 De milho s\u00e3o 18. Algumas muito raras e coloridas, como a de milho preto, e a de milho vermelho.<\/p>\n<p>Isso tudo n\u00e3o \u00e9 obra de uma s\u00f3 pessoa. \u00c9 o resultado do trabalho do Geraldo, do pai do Geraldo, do pai do pai do Geraldo, do pai do pai do pai do Geraldo e de sabe-se l\u00e1 quantas gera\u00e7\u00f5es de camponeses que se ocuparam em coletar, selecionar e guardar uma infinidade de sementes. Aos poucos eles foram acumulando um patrim\u00f4nio gen\u00e9tico fabuloso, que ainda pode servir muito \u00e0 ci\u00eancia brasileira.<\/p>\n<p>Para a agr\u00f4noma da Embrapa Recursos Gen\u00e9ticos, Patr\u00edcia Bustamante, \u00e9 como se os agricultores do norte de Minas guardassem para os cientistas um patrim\u00f4nio gen\u00e9tico que vai abastecer as pesquisas do futuro.<\/p>\n<p>&#8220;Quando um pesquisador da Embrapa olha para a semente, olha o gene, o proteoma, a possibilidade de prote\u00edna que ele pode tirar dali e dos avan\u00e7os que ele pode fazer. N\u00f3s guardamos menos sementes em um material est\u00e1tico, num tempo certo. Ele conserva mais sementes, na hora que ele precisa ele vai ter essas sementes, e de uma forma que ele pode circular entre os colegas, entre os amigos, camponeses, agricultores que moram na regi\u00e3o\u201d, fala Patr\u00edcia.<\/p>\n<p>Os agricultores recebem assist\u00eancia t\u00e9cnica da ONG Centro de Agricultura Alternativa. Segundo a agr\u00f4noma Ana Cristina Alvarenga, que faz parte da organiza\u00e7\u00e3o, os primeiros estudos mostram, inclusive, que sementes crioulas podem ser campe\u00e3s de produtividade.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o s\u00f3 a produtividade, mas a germina\u00e7\u00e3o, a pureza, a viabilidade, o teste de peneira. O que comprova que s\u00e3o muito pr\u00f3ximas, que tem a mesma qualidade das sementes comerciais\u201d, fala a agr\u00f4noma do CAA, Ana Cristina Alvarenga.<\/p>\n<p>O trabalho dos guardi\u00f5es de sementes est\u00e1 repovoando lavouras ancestrais, como a dos \u00edndios xakriab\u00e1s, no cerrado mineiro, que tinham deixado de cultivar esp\u00e9cies tradicionais de milho e feij\u00e3o, agora recuperadas.<\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 repassada aos mais jovens que nas salas de aula de aula das aldeias aprendem a import\u00e2ncia de plantar as sementes crioulas. Junto com as sementes os agricultores recuperaram a confian\u00e7a num valor universal.<\/p>\n<p>\u201cQuando a gente fala da semente crioula, tanto do milho quanto do feij\u00e3o, \u00e9 muito mais que semente plantada. \u00c9 a mem\u00f3ria do povo xakriab\u00e1, \u00e9 o h\u00e1bito alimentar que vai se recuperando\u201d, diz a professora C\u00e9lia Xakriab\u00e1.<\/p>\n<p>Mas, para os guardi\u00f5es, o fato de produzir e guardar sementes n\u00e3o garante o futuro da diversidade de alimentos. Isso s\u00f3 acontecer\u00e1 com o apoio das cidades.<\/p>\n<p>\u201cPorque eu at\u00e9 costumo dizer que tem pessoas que nasceu e criou nas grandes cidades que eles pensam que as coisas brotam na prateleira do supermercado\u201d, avisa o agricultor Cristovino.<\/p>\n<p>\u201cAcho que falta alimento em muitas regi\u00f5es porque falta partilha. O guardi\u00e3o tem essa preocupa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o olhar s\u00f3 a semente, mas olhar a vida em geral. Voc\u00ea est\u00e1 vendo que voc\u00ea est\u00e1 preservando a vida, guardando toda esp\u00e9cie de vida, e voc\u00ea est\u00e1 cuidando tamb\u00e9m\u201d, diz o agricultor Geraldo Gomes Barbosa.<\/p>\n<p>Existem outros n\u00facleos de comunidades rurais, ind\u00edgenas e quilombolas que tamb\u00e9m cultivam as sementes crioulas em v\u00e1rias regi\u00f5es do Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em vez de sementes industrializadas, sementes crioulas. \u00c9 assim que s\u00e3o cultivadas muitas lavouras do<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":11891,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/guardioes.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/guardioes.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/guardioes.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/guardioes.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/guardioes.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/guardioes.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/guardioes.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/guardioes.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/guardioes.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/guardioes.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em vez de sementes industrializadas, sementes crioulas. \u00c9 assim que s\u00e3o cultivadas muitas lavouras do","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11890"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11890"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11890\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11891"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11890"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11890"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11890"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}