{"id":118851,"date":"2019-12-25T14:00:46","date_gmt":"2019-12-25T17:00:46","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=118851"},"modified":"2019-12-24T14:59:16","modified_gmt":"2019-12-24T17:59:16","slug":"fossil-de-reptil-indica-que-amor-materno-ja-existia-ha-300-milhoes-de-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/fossil-de-reptil-indica-que-amor-materno-ja-existia-ha-300-milhoes-de-anos\/","title":{"rendered":"F\u00f3ssil de r\u00e9ptil indica que amor materno j\u00e1 existia h\u00e1 300 milh\u00f5es de anos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/reptil.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-118852\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/reptil-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/reptil-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/reptil.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Pouco mais de 300 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, duas criaturas morreram de forma tr\u00e1gica. Elas estavam dentro de um buraco no toco de uma \u00e1rvore, at\u00e9 que um evento dr\u00e1stico soterrou a cavidade com sedimentos. Cientistas acham que a toca foi inundada em uma tempestade. Esses r\u00e9pteis, parecidos com lagartos, forneceram uma evid\u00eancia s\u00f3lida de que pais e m\u00e3es j\u00e1 cuidavam de suas crias 40 milh\u00f5es de anos antes do que se esperava.<\/p>\n<p>Havia dois f\u00f3sseis de vertebrados quadr\u00fapedes no interior do antigo toco \u2014 um maior, outro menor. O grande media cerca de 20 cent\u00edmetros do focinho at\u00e9 a base da cauda e foi fossilizado em uma posi\u00e7\u00e3o curiosa junto do r\u00e9ptil pequeno. O bichinho estava embaixo de uma das patas do bich\u00e3o, e enrolado pela sua cauda. \u00c9 um ind\u00edcio convincente de que a mam\u00e3e (ou o papai) tentou proteger o filhote do perigo iminente. N\u00e3o conseguiu.<\/p>\n<p>Mas, para os cientistas, o sacrif\u00edcio desses animais foi de grande valor. Pertencentes a uma esp\u00e9cie at\u00e9 ent\u00e3o desconhecida da fam\u00edlia Varanopidae, bem mais antiga que os dinossauros, os r\u00e9pteis sugerem que o cuidado parental \u00e9 um comportamento que existe desde n\u00e3o muito depois de os vertebrados dos ambientes aqu\u00e1ticos invadirem a terra firme, por volta de 400 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>A descoberta ocorreu na ilha de Cape Breton, que fica na prov\u00edncia de Nova Esc\u00f3cia, ao leste do Canad\u00e1. Outro fato inusitado \u00e9 que quem encontrou os restos mortais das criaturas foi Brian Hebert, um sujeito que n\u00e3o \u00e9 paleont\u00f3logo profissional, mas sim um entusiasta de f\u00f3sseis e dono de uma lojinha de souvenirs. Hebert tamb\u00e9m organiza passeios nas fal\u00e9sias de Joggins, litoral riqu\u00edssimo em f\u00f3sseis. Ele \u00e9 parte da equipe de campo de Hillary Maddin.<\/p>\n<p>Maddin \u00e9 pesquisadora da Universidade de Carleton em Ottawa e foi uma das autoras do artigo, publicado nesta segunda (23) na Nature Ecology and Evolution. \u201cEsses f\u00f3sseis muito fr\u00e1geis, especialmente o beb\u00ea, est\u00e3o preservados em uma posi\u00e7\u00e3o muito natural e devem ter sido enterrados muito rapidamente\u201d, ela disse ao jornal The Guardian. O estudo \u00e9 importante pois enriquece o debate em torno do surgimento do tal \u201camor materno\u201d.<\/p>\n<p>O cuidado parental \u00e9 uma estrat\u00e9gia que muitos animais desenvolveram para aumentar as chances de sobreviv\u00eancia de sua prole. Pode assumir diversas formas, desde o ato das aves constru\u00edrem ninhos, at\u00e9 os polvos, que guardam diligentemente seus ovos. Muitos param por a\u00ed, quando o filhote vem ao mundo, mas alguns bichos continuam cuidando de seus filhos por um per\u00edodo prolongado de tempo depois do parto ou que os ovos chocam.<\/p>\n<p>Essas criaturas que optam por prover comida e prote\u00e7\u00e3o aos seus pequenos descendentes proporcionam uma probabilidade ainda maior de que eles sobrevivam neste mundo c\u00e3o, repleto de perigos e predadores. Al\u00e9m dos r\u00e9pteis e das aves, nossa pr\u00f3pria classe, os mam\u00edferos, fornece o melhor exemplo de cuidado parental. Afinal, nosso zelo \u00e9 tamanho que as mam\u00e3es produzem leite para alimentar seus filhos. Tudo tem um pre\u00e7o: os pr\u00f3prios pais acabam um pouco debilitados com tamanho esfor\u00e7o de tempo, recursos e energia.<\/p>\n<p>Os cientistas ainda n\u00e3o sabem se a fam\u00edlia dos Varanopidae a que pertence a esp\u00e9cie, batizada de Dendromaia unamakiensis, \u00e9 de um ramo evolutivo que deu origem aos mam\u00edferos, como se pensava antes, ou se \u00e9 ancestral s\u00f3 dos r\u00e9pteis. Ambos os cen\u00e1rios confirmam que o cuidado parental surgiu cedo, e \u00e9 poss\u00edvel que tenha evolu\u00eddo paralelamente em grupos distintos de animais, de diferentes per\u00edodos de tempo.<\/p>\n<p>Steve Brusatte, um paleont\u00f3logo da Universidade de Edimburgo ouvido pelo Guardian, resume bem o fasc\u00ednio que essa descoberta evoca. \u201c\u00c9 incr\u00edvel pensar que algo que consideramos t\u00e3o humano \u2014 pais tomando conta de seus filhos \u2014 foi desenvolvido h\u00e1 tanto tempo, em ancestrais t\u00e3o distantes, quando o mundo era diferente demais.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pouco mais de 300 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, duas criaturas morreram de forma tr\u00e1gica. 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