{"id":118459,"date":"2019-12-18T13:30:36","date_gmt":"2019-12-18T16:30:36","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=118459"},"modified":"2019-12-17T20:20:55","modified_gmt":"2019-12-17T23:20:55","slug":"caatinga-possui-quase-duas-vezes-mais-especies-por-area-que-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/caatinga-possui-quase-duas-vezes-mais-especies-por-area-que-amazonia\/","title":{"rendered":"Caatinga possui quase duas vezes mais esp\u00e9cies por \u00e1rea que Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/plantas.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-118460\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/plantas-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/plantas-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/plantas.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0140196319301491\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">lista atualizada<\/a>\u00a0das esp\u00e9cies de plantas com flores das florestas e bosques sazonais da Caatinga registrou 3.347 esp\u00e9cies, 962 g\u00eaneros e 153 fam\u00edlias, das quais 526 esp\u00e9cies e 29 g\u00eaneros, 15% do total, s\u00e3o end\u00eamicas \u2013 s\u00f3 existem na Caatinga. O estudo, publicado na revista\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/journal\/journal-of-arid-environments\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">Journal of Arid Environments<\/a>\u00a0em 15 de novembro, verificou que as esp\u00e9cies n\u00e3o lenhosas, que incluem ervas e trepadeiras, s\u00e3o importantes para a diversidade geral e fazem com que a rela\u00e7\u00e3o esp\u00e9cies\/\u00e1rea da Caatinga (4,0\u00d710<sup>\u22123<\/sup>\u00a0esp\u00e9cies\/km<sup>2<\/sup>) seja quase o dobro da encontrada na Amaz\u00f4nia (2,5\u00d710<sup>-3<\/sup>\u00a0esp\u00e9cies\/km<sup>2<\/sup>). Em entrevista para ((o))eco, Moabe Fernandes, doutorando do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Bot\u00e2nica\u00a0 da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) da Bahia e primeiro autor do artigo, esclarece as principais conclus\u00f5es do estudo.<\/p>\n<h4><strong>O Eco: Este trabalho registrou 3.347 esp\u00e9cies de plantas para a Caatinga, e a compara\u00e7\u00e3o com outras listas revela at\u00e9 45% de incongru\u00eancia. O que isso quer dizer e como voc\u00eas chegaram nesses n\u00fameros?<\/strong><\/h4>\n<p><strong>Moabe Fernandes:<\/strong>\u00a0Nosso\u00a0<em>checklist<\/em>\u00a0foi compilado a partir de uma variedade de fontes que inclui: publica\u00e7\u00f5es de novas esp\u00e9cies, outros\u00a0<em>checklists<\/em>\u00a0publicados anteriormente, mas principalmente os dados taxonomicamente verificados recuperados do\u00a0<a href=\"about:blank\" data-wpel-link=\"internal\">Flora do Brasil 2020<\/a>, um projeto que re\u00fane os principais taxonomistas em atua\u00e7\u00e3o no pa\u00eds e sumariza grande parte do conhecimento da diversidade da flora brasileira. \u00c9 bom frisar que os n\u00fameros que apresentamos (3.347 esp\u00e9cies) ainda representam uma contagem incompleta da diversidade total, j\u00e1 que uma grande quantidade de grupos taxon\u00f4micos s\u00e3o ainda pouco estudados, e investiga\u00e7\u00f5es mais aprofundadas provavelmente revelar\u00e3o n\u00fameros ainda mais expressivos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_74429\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-74429\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-74429\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/fig1_caatinga.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/fig1_caatinga.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/fig1_caatinga-249x300.jpg 249w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"769\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-74429\" class=\"wp-caption-text\">Endemismo na flora encontrada na Caatinga impressiona. Imagem: Divulga\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<p>A incongru\u00eancia das nossas estimativas, quando comparada com outros estudos, \u00e9 devido principalmente \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de diferentes delimita\u00e7\u00f5es para a Caatinga. Nossa delimita\u00e7\u00e3o faz alus\u00e3o ao significado original da palavra (\u201cMata branca\u201d no Tupi-guarani), abarcando exclusivamente a vegeta\u00e7\u00e3o dec\u00eddua (que perde as folhas periodicamente), que est\u00e1 sujeita a regimes de precipita\u00e7\u00e3o pouco volumosos (abaixo dos 1.100 mm\/ano) e disponibilidade de \u00e1gua sazonal, recebendo a maior parte dessa precipita\u00e7\u00e3o em apenas poucos meses, sujeita a seca durante o resto do ano.\u00a0 Outros autores, no entanto, incluem uma variedade de forma\u00e7\u00f5es vegetacionais com composi\u00e7\u00e3o, funcionamento e ecologias bastante distintas sob a denomina\u00e7\u00e3o \u201cCaatinga\u201d. Em resumo, nosso trabalho apresenta a Caatinga como sendo composta apenas por comunidades relacionadas ao bioma global das Florestas e Arbustais Sazonalmente Secos (SDTFW, do ingl\u00eas\u00a0<em>Seasonally Dry Tropical Forest and Woodlands<\/em>) enquanto outros estudos incluem nas suas delimita\u00e7\u00f5es representantes de outros biomas globais como as Savanas (cerrados e campos rupestres) e as Florestas \u00damidas.<\/p>\n<p>A inclus\u00e3o desses outros tipos vegetacionais no contexto das forma\u00e7\u00f5es sazonalmente secas pode ser um impedimento \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o de uma flora altamente especializada e end\u00eamica. Atrav\u00e9s da avalia\u00e7\u00e3o de outros trabalhos cient\u00edficos percebemos, por exemplo, que grande parte das \u00e1reas consideradas como \u201cde import\u00e2ncia para a conserva\u00e7\u00e3o na Caatinga\u201d geralmente est\u00e3o relacionadas \u00e0 ocorr\u00eancia de fragmentos de Floresta \u00famida (conhecidos como Brejos de altitude) ou de Campos rupestres. Desse modo, se \u00e1reas forem escolhidas com base nessa delimita\u00e7\u00e3o, muito provavelmente a vegeta\u00e7\u00e3o sazonalmente seca que domina a maior parte do Nordeste brasileiro seria preterida em detrimento desses outros tipos de vegeta\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m s\u00e3o incrivelmente ricos, mas deveriam ser considerados em outro contexto.<\/p>\n<h4><strong>O estudo verificou que a rela\u00e7\u00e3o esp\u00e9cies\/\u00e1rea da Caatinga, que \u00e9 de 4 esp\u00e9cies por m\u00b2 ou 4,0\u00d710<\/strong><strong><sup>\u2013<\/sup><\/strong><strong>\u00b3 esp\u00e9cies\/km\u00b2, \u00e9 quase o dobro da Amaz\u00f4nia, que \u00e9 de 2,5 esp\u00e9cies por m\u00b2 ou 2,5\u00d710<\/strong><strong><sup>\u2013<\/sup><\/strong><strong>\u00b3 esp\u00e9cies\/km\u00b2. O que explica essa alta diversidade?<\/strong><\/h4>\n<p>Dizer \u201co que explica\u201d essa diversidade elevada \u00e9 bastante dif\u00edcil sem um teste cient\u00edfico rigoroso. Ao que parece, a elevada heterogeneidade ambiental devido a grande varia\u00e7\u00e3o em caracter\u00edsticas relacionadas ao relevo, clima, solo, precipita\u00e7\u00e3o, entre outros, \u00e9 respons\u00e1vel pela complexidade biol\u00f3gica e elevada diversidade no Nordeste do Brasil. A varia\u00e7\u00e3o de tais fatores \u00e9 menos pronunciada na Amaz\u00f4nia. Mas acho que o principal\u00a0<em>insight<\/em>\u00a0que deriva desses n\u00fameros \u00e9 que as SDTFW do nordeste do Brasil abrigam uma flora extremamente diversa. Isso vai de encontro ao que era afirmado at\u00e9 recentemente (dois importantes cientistas brasileiros, D\u00e1rdano Andrade-Lima e Carlos Rizzini, afirmavam que a Caatinga era uma \u00e1rea pobre em esp\u00e9cies e endemismo) e chama aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia de uma das vegeta\u00e7\u00f5es mais degradadas e menos estudadas do pa\u00eds. Assim, apesar do apelo emocional relacionado \u00e0 quest\u00e3o da Amaz\u00f4nia e da Mata Atl\u00e2ntica, a Caatinga tamb\u00e9m aparece como uma reserva essencial da biodiversidade nacional.<\/p>\n<figure id=\"attachment_74433\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-74433\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-74433\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Fig2-1.jpg\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Fig2-1.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Fig2-1-282x300.jpg 282w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"682\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-74433\" class=\"wp-caption-text\">Esp\u00e9cies com flores da Caatinga presentes no novo checklist. Imagem: Divulga\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<h4><strong>Foram encontradas 526 esp\u00e9cies end\u00eamicas de plantas na Caatinga. Contudo, sabemos que aproximadamente 1,2% do Bioma se encontra protegido por meio de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o de Prote\u00e7\u00e3o Integral e que seu territ\u00f3rio possui v\u00e1rios n\u00facleos de desertifica\u00e7\u00e3o. Qual a import\u00e2ncia dessas esp\u00e9cies e como poder\u00edamos conserv\u00e1-las efetivamente?<\/strong><\/h4>\n<p>Essas esp\u00e9cies t\u00eam valor inestim\u00e1vel. Elas s\u00e3o linhagens extremamente especializadas que resultaram de milh\u00f5es de anos de hist\u00f3ria evolutiva. Al\u00e9m do mais, muitas delas podem ter valor pr\u00e1tico ainda n\u00e3o explorado pelo homem e poderiam, por exemplo, representar a cura de doen\u00e7as ou desenvolvimento de novos produtos. Acredito que a conserva\u00e7\u00e3o dessas esp\u00e9cies passa principalmente por dois aspectos: (i) consci\u00eancia de que elas fazem parte do patrim\u00f4nio do povo brasileiro e, (ii) uma legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para essa regi\u00e3o, a exemplo da lei da Mata Atl\u00e2ntica. Digo isso porque, por um lado vejo (muito assustado) que uma parcela da popula\u00e7\u00e3o brasileira est\u00e1 caminhando na dire\u00e7\u00e3o oposta do \u201cmundo civilizado\u201d, e considera que a preserva\u00e7\u00e3o de \u00e1reas naturais \u00e9 um dos impedimentos para o desenvolvimento do pa\u00eds. Isso, por si s\u00f3, \u00e9 um absurdo. Por outro lado, vejo tamb\u00e9m que, por suas caracter\u00edsticas particulares, n\u00e3o \u00e9 adequado que \u201ca\u00e7\u00f5es que objetivam a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade\u201d sejam traspostas de outras \u00e1reas para a Caatinga. Na Caatinga \u00e9 comum que a composi\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies varie bastante no espa\u00e7o (um local compartilha poucas esp\u00e9cies com outro) e que as esp\u00e9cies sejam localmente abundantes, mas com uma \u00e1rea total de distribui\u00e7\u00e3o muito restrita. A literatura mais recente afirma que, nesse contexto, para que unidades de conserva\u00e7\u00e3o sejam efetivas, elas devem ser muitas e espacialmente bem distribu\u00eddas. Isso ressalta o ponto (ii) que mencionei anteriormente e demonstra a necessidade do desenvolvimento de pol\u00edticas espec\u00edficas, se desejarmos conservar as esp\u00e9cies da Caatinga.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma\u00a0lista atualizada\u00a0das esp\u00e9cies de plantas com flores das florestas e bosques sazonais da Caatinga registrou<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":118460,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/plantas.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/plantas-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/plantas-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/plantas.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/plantas.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/plantas.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/plantas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/plantas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/plantas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/plantas.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Uma\u00a0lista atualizada\u00a0das esp\u00e9cies de plantas com flores das florestas e bosques sazonais da Caatinga registrou","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118459"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=118459"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118459\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/118460"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=118459"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=118459"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=118459"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}