{"id":118433,"date":"2019-12-18T09:00:54","date_gmt":"2019-12-18T12:00:54","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=118433"},"modified":"2019-12-17T19:31:25","modified_gmt":"2019-12-17T22:31:25","slug":"amazonia-melhor-uso-da-terra-gera-menos-desmatamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/amazonia-melhor-uso-da-terra-gera-menos-desmatamento\/","title":{"rendered":"Amaz\u00f4nia: melhor uso da terra gera menos desmatamento"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/desmatamento-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-118434\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/desmatamento-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/desmatamento-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/desmatamento-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Um artigo cient\u00edfico publicado na revista Land Use Policy, elaborado por pesquisadores do IPAM (Instituto Ambiental de Pesquisa da Amaz\u00f4nia) e do Woods Hole Research Center, dos Estados Unidos, mostra pela primeira vez como a implementa\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias espec\u00edficas para as quatro grandes categorias fundi\u00e1rias pode levar ao desmatamento zero na Amaz\u00f4nia e, ao mesmo tempo, estimular o desenvolvimento sustent\u00e1vel na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Os autores do texto prop\u00f5em o que chamam de \u201cequa\u00e7\u00e3o do uso do solo\u201d \u2013 um plano que considera a complexidade da Amaz\u00f4nia, bem como particularidades e necessidades de cada setor e Estado.<\/p>\n<p>Eles sugerem a\u00e7\u00f5es em quatro frentes: \u00e1reas n\u00e3o-designadas, terras p\u00fablicas hoje \u00e0 merc\u00ea da grilagem; \u00e1reas privadas onde h\u00e1 vegeta\u00e7\u00e3o nativa al\u00e9m do estabelecido por lei; propriedades privadas de m\u00e9dio e grande porte; e \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o familiar. O estudo foi apresentado na 25\u00aa Confer\u00eancia do Clima, que aconteceu em Madri.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil pode provar aos outros pa\u00edses que \u00e9 poss\u00edvel conter o desmatamento e aumentar a produ\u00e7\u00e3o, ajudando a alimentar o mundo enquanto combate as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e promove o desenvolvimento regional. Tudo ao mesmo tempo e com ganhos reais ao meio ambiente e \u00e0s pessoas\u201d, diz o diretor-executivo do IPAM e um dos autores do estudo, Andr\u00e9 Guimar\u00e3es.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;O Brasil pode provar aos outros pa\u00edses que \u00e9 poss\u00edvel conter o desmatamento e aumentar a produ\u00e7\u00e3o&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>\u201cMas isso pressup\u00f5e promover investimentos inteligentes no campo, manter e fortalecer as pol\u00edticas ambientais existentes no pa\u00eds e acabar com o desmatamento ilegal, como exigido no Acordo de Paris.\u201d<\/p>\n<p>Os autores listam quatro estrat\u00e9gias que, executadas de maneira coordenada e integrada, podem levar a uma redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica do desmatamento no bioma amaz\u00f4nico e ao aumento do dinamismo econ\u00f4mico na regi\u00e3o:<\/p>\n<p><strong>(1)<\/strong>\u00a0Eliminar a grilagem e a especula\u00e7\u00e3o de 65 milh\u00f5es de hectares de terras p\u00fablicas, designando-as para conserva\u00e7\u00e3o e, assim, garantir a integridade das \u00e1reas protegidas. Nesse ponto, governos federal e estaduais devem atuar de maneira coordenada;<\/p>\n<p><strong>(2)\u00a0<\/strong>Evitar o desmatamento legal de 28 milh\u00f5es ha em propriedades privadas mediante o pagamento por servi\u00e7os ambientais (PSA), gerando rendimentos extras aos produtores e livrando as cadeias de commodities do desmatamento. Para tanto, \u00e9 preciso implementar totalmente o C\u00f3digo Florestal \u2013 e regulamentar seu artigo 41 \u2013 permitindo, dessa forma, que se use o mercado como um meio de evitar o desmatamento legal. Al\u00e9m disso, mecanismos alternativos de PSA devem ser estimulados.<\/p>\n<p><strong>(3)<\/strong>\u00a0Incentivar o aumento da produtividade em propriedades de m\u00e9dio e grande porte com investimentos direcionados: com cr\u00e9dito dirigido, fiscaliza\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia t\u00e9cnica em regi\u00f5es priorit\u00e1rias, a produ\u00e7\u00e3o da carne de 60\u202fkg\/ha\/ano para 150\u202fkg\/ha\/ano em apenas 21% do pasto existente na regi\u00e3o (equivalente a 11 milh\u00f5es de ha) liberaria 4 milh\u00f5es de hectares j\u00e1 abertos \u2013 \u00e1rea suficiente para que o Brasil atinja suas metas de crescimento de gado (em 43% at\u00e9 2030) e gr\u00e3os (33%); e<\/p>\n<p><strong>(4)<\/strong> Promover melhorias econ\u00f4micas, ambientais e sociais nas \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o familiar, por meio de assist\u00eancia t\u00e9cnica rural fornecida pelos estados e pelo setor privado. Apenas os assentamentos somam 77 milh\u00f5es de ha na Amaz\u00f4nia, onde vivem cerca de 2 milh\u00f5es de pessoas. Projeto conduzido recentemente pelo IPAM, com recursos do Fundo Amaz\u00f4nia, aumentou a renda bruta de assentados do Par\u00e1 em 121% e reduziu em 79% o desmatamento.<\/p>\n<p>Ainda que a execu\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea de todas essas a\u00e7\u00f5es seja bastante complexa, como os pr\u00f3prios autores alertam, \u00e9 fundamental que elas sejam colocadas em pr\u00e1tica no menor tempo poss\u00edvel, com defini\u00e7\u00e3o de regi\u00f5es priorit\u00e1rias, e que todas as \u00e1reas sejam contempladas conjuntamente.<\/p>\n<p>\u201cAs estrat\u00e9gias s\u00e3o interdependentes: temos de destinar \u00e1reas n\u00e3o designadas ao mesmo tempo que nos esfor\u00e7amos para reduzir o desmatamento nas propriedades, aumentar a produtividade e melhorar a qualidade de vida das pessoas do campo\u201d, afirma o pesquisador do IPAM Marcelo Stabile, principal autor do artigo. \u201cO desmatamento \u00e9 um problema multidimensional, que pede solu\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m m\u00faltiplas. A concilia\u00e7\u00e3o do desenvolvimento com a conserva\u00e7\u00e3o deve levar em conta os desafios de cada um dos atores e propor respostas em paralelo.\u201d<\/p>\n<h2>Novos tempos<\/h2>\n<p>O paradigma de expans\u00e3o horizontal da agricultura e da pastagem sobre a mata, segundo os autores, est\u00e1 desatualizado. Para eles, a narrativa convencional de que conservar florestas vale menos a pena do que derrubar para plantar n\u00e3o funciona mais, particularmente na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>O modelo utilizado hoje n\u00e3o apenas fica aqu\u00e9m dos padr\u00f5es de sustentabilidade \u201cmas tamb\u00e9m enfrenta aumento dos riscos para a produ\u00e7\u00e3o, pois o desmatamento e a fragmenta\u00e7\u00e3o florestal alteram o clima regional\u201d, escrevem. Afinal, as \u00e1rvores s\u00e3o as melhores fontes de \u00e1gua e de temperatura est\u00e1vel para a alta produtividade do agroneg\u00f3cio brasileiro, e estamos pr\u00f3ximos do limite do sistema natural de prover esses servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do equil\u00edbrio clim\u00e1tico, barreiras n\u00e3o-tarif\u00e1rias \u2013 entre elas a preserva\u00e7\u00e3o ambiental \u2013 t\u00eam sido usadas repetidamente nos debates comerciais como fator de escolha: a exig\u00eancia de produtos livres de desmatamento e outros crit\u00e9rios socioambientais \u00e9 colocada na mesa de negocia\u00e7\u00f5es com mais frequ\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cEsse artigo inaugura um novo olhar sobre a conserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, no qual, por meio de uma vis\u00e3o integrada dos desafios que a regi\u00e3o apresenta, podemos promover, de forma simult\u00e2nea, o fim do desmatamento e o aprimoramento das atividades econ\u00f4micas, gerando benef\u00edcios para as pessoas\u201d, explica Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>O estudo (em ingl\u00eas) pode ser lido em https:\/\/ipam.org.br\/bibliotecas\/solving-brazils-land-use-puzzle-increasing-production-and-slowing-amazon-deforestation\/.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um artigo cient\u00edfico publicado na revista Land Use Policy, elaborado por pesquisadores do IPAM (Instituto<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":118434,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/desmatamento-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/desmatamento-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/desmatamento-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/desmatamento-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/desmatamento-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/desmatamento-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/desmatamento-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/desmatamento-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/desmatamento-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/desmatamento-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Um artigo cient\u00edfico publicado na revista Land Use Policy, elaborado por pesquisadores do IPAM (Instituto","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118433"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=118433"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118433\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/118434"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=118433"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=118433"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=118433"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}