{"id":118282,"date":"2019-12-15T15:01:21","date_gmt":"2019-12-15T18:01:21","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=118282"},"modified":"2019-12-15T15:01:21","modified_gmt":"2019-12-15T18:01:21","slug":"calor-no-sudeste-e-causado-por-gases-de-efeito-estufa-aponta-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/calor-no-sudeste-e-causado-por-gases-de-efeito-estufa-aponta-estudo\/","title":{"rendered":"Calor no Sudeste \u00e9 causado por gases de efeito estufa, aponta estudo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/calor.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-118283\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/calor-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/calor-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/calor.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A temperatura m\u00e9dia no Sudeste do Brasil tem aumentado nas \u00faltimas d\u00e9cadas, fato que contribui para elevar a frequ\u00eancia e a intensidade de eventos clim\u00e1ticos extremos, como inunda\u00e7\u00f5es, secas e ondas de calor.<\/p>\n<p>O Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (<a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/noticias-sobre\/onu\/\"><strong>ONU<\/strong><\/a>) tem afirmado h\u00e1 anos que, em escala global, o aumento da temperatura m\u00e9dia observado nos \u00faltimos cem anos est\u00e1 relacionado com o crescimento das concentra\u00e7\u00f5es de gases de efeito estufa na atmosfera resultante de a\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<p>J\u00e1 na escala regional, como \u00e9 o caso da regi\u00e3o Sudeste, ainda h\u00e1 muita incerteza em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s causas. Segundo especialistas, fatores como urbaniza\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7as no uso da terra para agropecu\u00e1ria, por exemplo, tamb\u00e9m podem ter impactos significativos na temperatura local.<\/p>\n<p>Agora, um grupo de pesquisadores do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas da Universidade de S\u00e3o Paulo (IAG-USP) e da Universidade de Edimburgo, do Reino Unido, conseguiu obter um ind\u00edcio contundente de que o aumento detectado de 1,1 \u00baC na temperatura da regi\u00e3o entre 1955 e 2004 se deve, principalmente, ao efeito estufa.<\/p>\n<p>Os resultados do estudo, apoiado pela FAPESP, foram publicados na revista Geophysical Research Letters.<\/p>\n<p>O projeto integra o Programa\u00a0<a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/noticias-sobre\/agencia-fapesp\/\"><strong>FAPESP<\/strong>\u00a0<\/a>de Pesquisa sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas Globais (PFPMCG).<\/p>\n<p>As conclus\u00f5es se baseiam em observa\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas da superf\u00edcie e em 34 simula\u00e7\u00f5es da temperatura no Sudeste do Brasil nas \u00faltimas d\u00e9cadas, obtidas de modelos clim\u00e1ticos do Projeto de Intercompara\u00e7\u00e3o de Modelos Acoplados, Fase 5 (CMIPC5), usado pelo IPCC.<\/p>\n<p>Esses dados foram submetidos a um m\u00e9todo estat\u00edstico de detec\u00e7\u00e3o e atribui\u00e7\u00e3o de impacto de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, proposto em 2017 por cientistas franceses e canadenses.<\/p>\n<p>\u201cEsse m\u00e9todo de atribui\u00e7\u00e3o, aplicado no Sudeste, utiliza informa\u00e7\u00f5es da resposta dos modelos clim\u00e1ticos a varia\u00e7\u00f5es da temperatura por causas naturais, pelos aeross\u00f3is ou pelo efeito estufa separadamente\u201d, disse \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP Humberto Ribeiro da Rocha, professor do IAG-USP e coordenador do projeto.<\/p>\n<p>Uma vez detectada alguma varia\u00e7\u00e3o de temperatura, \u00e9 comparada a contribui\u00e7\u00e3o das diferentes causas, como as naturais, inclu\u00eddas as incertezas envolvidas. Entre as causas naturais destacam-se a variabilidade da radia\u00e7\u00e3o solar que chega \u00e0 Terra e os efeitos de atividades vulc\u00e2nicas.<\/p>\n<p>\u201cEsses fen\u00f4menos naturais controlam os climas regionais. Al\u00e9m disso, todo o sistema clim\u00e1tico est\u00e1 se reorganizando em raz\u00e3o do aquecimento global. O oceano \u00e9 um grande exemplo, que eventualmente se aquece muito em epis\u00f3dios sobre determinadas regi\u00f5es do planeta, o que afeta os climas regionais de forma diferente em um continente extenso como a Am\u00e9rica do Sul\u201d, explicou Rocha.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo de atribui\u00e7\u00e3o incorpora as incertezas estat\u00edsticas amostrais, a variabilidade interna dos modelos e as observa\u00e7\u00f5es de superf\u00edcie, para prover margem de confian\u00e7a ao resultado.<\/p>\n<p>Os resultados indicaram que o aumento das concentra\u00e7\u00f5es de gases de efeito estufa contribu\u00edram substancialmente para o aumento de 1,1 \u00baC na temperatura da regi\u00e3o detectada no per\u00edodo de 1955 a 2004.<\/p>\n<p>Os c\u00e1lculos foram feitos pelo meteorologista Rafael Ces\u00e1rio de Abreu durante seu doutorado no IAG-USP, em andamento, sob orienta\u00e7\u00e3o de Rocha.<\/p>\n<p>\u201cEssa constata\u00e7\u00e3o corrobora a hip\u00f3tese de que mudan\u00e7as na temperatura est\u00e3o em curso e controlando fortemente a escala regional do Sudeste, seguindo uma tend\u00eancia global\u201d, disse Rocha.<\/p>\n<h3>Falta de estudos regionais<\/h3>\n<p>De acordo com o pesquisador, outros estudos de detec\u00e7\u00e3o de aquecimento de longo prazo foram feitos no Brasil, mas n\u00e3o havia um resultado de atribui\u00e7\u00e3o em escala regional, como este do Sudeste, com resultados mais contundentes e que incorporassem incertezas e distinguissem causas diferentes.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 no mundo poucos estudos regionais de detec\u00e7\u00e3o e atribui\u00e7\u00e3o de causas de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas induzidas pelo efeito estufa antropog\u00eanico.<\/p>\n<p>Os estudos anteriores foram feitos para sub-regi\u00f5es na China, Canad\u00e1 e Inglaterra, baseados em m\u00e9todos estat\u00edsticos semelhantes ao utilizado no Sudeste.<\/p>\n<p>Essa regi\u00e3o do pa\u00eds \u00e9 especialmente vulner\u00e1vel \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, uma vez que abriga mais de 40% da popula\u00e7\u00e3o brasileira e \u00e9 respons\u00e1vel por 50% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, com uma ampla gama de atividades econ\u00f4micas, ressaltam os autores do estudo.<\/p>\n<p>\u201cEm comum, esses estudos mostram que a indica\u00e7\u00e3o do IPCC de que a temperatura m\u00e9dia global aumentou 0,85 \u00baC entre 1880 e 2012 n\u00e3o se aplica regionalmente e, principalmente, em estudos locais, como de cidades\u201d, afirmou Rocha.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, por exemplo, j\u00e1 se notou um aumento de temperatura de, aproximadamente, 3 \u00baC entre 1940 e 2010, e n\u00e3o se pode afirmar categoricamente se foi causado predominantemente pelo efeito estufa, ressalvou o pesquisador.<\/p>\n<p>\u201cNa \u00e1rea rural, h\u00e1 outros fatores que influenciam. O desmatamento de florestas e cerrados tamb\u00e9m pode explicar aumento de temperatura, mas confinado em efeitos de escala local, que, por sua vez, n\u00e3o s\u00e3o geralmente diagnosticados pelos modelos do CMIP5\/IPCC\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O artigo A<em>ttribution of detected temperature trends in Southeast Brazil<\/em>\u00a0(DOI: 10.1029\/2019GL083003), de R. C. de Abreu, S. F. B. Tett, A. Schurer e H. R. Rocha, pode ser lido na revista\u00a0<em>Geophysical Research\u00a0<\/em><em>Letters<\/em>\u00a0em\u00a0<a href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1029\/2019GL083003\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1029\/2019GL083003<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A temperatura m\u00e9dia no Sudeste do Brasil tem aumentado nas \u00faltimas d\u00e9cadas, fato que contribui<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":118283,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/calor.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/calor-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/calor-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/calor.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/calor.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/calor.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/calor.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/calor.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/calor.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/calor.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A temperatura m\u00e9dia no Sudeste do Brasil tem aumentado nas \u00faltimas d\u00e9cadas, fato que contribui","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118282"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=118282"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118282\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/118283"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=118282"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=118282"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=118282"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}