{"id":118099,"date":"2019-12-12T15:00:13","date_gmt":"2019-12-12T18:00:13","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=118099"},"modified":"2019-12-07T22:02:16","modified_gmt":"2019-12-08T01:02:16","slug":"o-asteroide-benu-esta-bem-vivo-a-prova-esta-nas-poeiras-que-expulsa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-asteroide-benu-esta-bem-vivo-a-prova-esta-nas-poeiras-que-expulsa\/","title":{"rendered":"O aster\u00f3ide Benu est\u00e1 bem vivo: a prova est\u00e1 nas poeiras que expulsa"},"content":{"rendered":"<div id=\"story-content\" class=\"story__content\">\n<div id=\"story-body\" class=\"story__body\" data-io-article-url=\"https:\/\/www.publico.pt\/2019\/12\/05\/ciencia\/noticia\/asteroide-benu-bem-vivo-prova-poeiras-expulsa-1896291\">\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/asteroide.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-118100\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/asteroide-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/asteroide-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/asteroide.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>E se tiv\u00e9ssemos uma c\u00e2mara de vigil\u00e2ncia a espreitar um aster\u00f3ide do nosso sistema solar? \u00c9 praticamente isso que acontece no aster\u00f3ide Benu. No final de 2018, a sonda OSIRIS-REx entrou na \u00f3rbita deste objecto com 500 metros de di\u00e2metro e as suas c\u00e2maras t\u00eam reportado o que l\u00e1 se passa. Agora, num artigo publicado na revista cient\u00edfica\u00a0<em>Science<\/em> confirma-se oficialmente que o aster\u00f3ide expulsa part\u00edculas da sua superf\u00edcie.<\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de 800 mil aster\u00f3ides no nosso sistema solar, mas apenas uma d\u00fazia est\u00e1 classificado como activa. Os aster\u00f3ides activos s\u00e3o pequenos corpos que t\u00eam \u00f3rbitas t\u00edpicas de aster\u00f3ides, mas est\u00e3o a perder massa, como a ejec\u00e7\u00e3o de poeira.<\/p>\n<p>Em Dezembro de 2018,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2018\/12\/28\/ciencia\/noticia\/ultimo-dia-ano-sonda-nasa-entra-orbita-asteroide-benu-1856192\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">a OSIRIS-REx entrou ent\u00e3o em \u00f3rbita de Benu<\/a> (nome, em portugu\u00eas, de uma ave na mitologia eg\u00edpcia), que tinha sido selecionado para esta miss\u00e3o da NASA (entre outros motivos) por causa das suas semelhan\u00e7as com outros aster\u00f3ides activos, segundo o artigo da\u00a0<em>Science<\/em>. Devido \u00e0 sua proximidade \u00e0 Terra \u2013 est\u00e1 a cerca de 300.000 quilometros, mas pode passar mais perto \u2013, Benu est\u00e1 classificado como um aster\u00f3ide com um potencial risco para a Terra, mas n\u00e3o \u00e9 um risco imediato. Os cientistas estimam que tem uma em 2700 possibilidades de embater no nosso planeta no final do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>No in\u00edcio deste ano, atrav\u00e9s da sonda, percebeu-se logo que este\u00a0<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2014\/03\/07\/ciencia\/noticia\/asteroide-apanhado-a-desintegrarse-1627352\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aster\u00f3ide expulsava part\u00edculas para o espa\u00e7o<\/a>. \u201cEsta \u00e9 uma das maiores surpresas da minha carreira cient\u00edfica\u201d, admitia Dante Lauretta, investigador principal\u00a0<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2016\/09\/08\/ciencia\/noticia\/nasa-lanca-sonda-ate-asteroide-em-busca-das-origens-da-vida-na-terra-1743519\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">da miss\u00e3o<\/a>, \u00e0 revista norte-americana\u00a0<em>The Atlantic<\/em>\u00a0em Mar\u00e7o, quando estes resultados foram anunciados. Dante Lauretta \u00e9 um dos autores\u00a0<a href=\"https:\/\/science.sciencemag.org\/content\/366\/6470\/eaay3544\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">do artigo na\u00a0<em>Science<\/em><\/a>.<\/p>\n<aside class=\"story__callout story__callout--inline story__callout--ad-in-content\">\n<div id=\"incntnt\" class=\"rmp-container rmp-color-button rmp-container-fade-in rmp-ad-outstream Aincontentdfp rmp-linear-ad-ui rmp-no-chrome rmp-medium\" tabindex=\"0\" role=\"application\">\n<div class=\"rmp-control-bar rmp-color-bg\">\n<div class=\"rmp-ad-current-time\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n<figure class=\"story__callout story__callout--image media media--image story__callout--inline\" data-media-action=\"modal\" aria-label=\"media\">\n<div class=\"flex-media\"><img loading=\"lazy\" id=\"2cyf66-interchange\" class=\"\" src=\"https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1419402?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=PNG&amp;w=718\" alt=\"P\u00daBLICO -\" width=\"639\" height=\"604\" data-media-size=\"985x931\" data-media-viewer=\"https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1419402?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=PNG\" data-interchange=\"[https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1419402?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=PNG&amp;w=480, small],\n                                [https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1419402?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=PNG&amp;w=960, small-retina]\n                                [https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1419402?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=PNG&amp;w=640, xmedium],\n                                [https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1419402?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=PNG&amp;w=1280, xmedium-retina],\n                                [https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1419402?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=PNG&amp;w=1024, medium],\n                                [https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1419402?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=PNG&amp;w=2048, medium-retina],\n                                [https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1419402?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=PNG&amp;w=718, large],\n                                [https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1419402?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=PNG&amp;w=1436, large-retina]\" data-resize=\"2cyf66-interchange\" data-t=\"9npg5p-t\" data-events=\"resize\" \/><\/p>\n<div class=\"media-badge\"><span class=\"show-for-sr\">Foto<\/span><i class=\"i-expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"caption caption--image\">O aster\u00f3ide Benu tem 500 metros de di\u00e2metro\u00a0<span class=\"credit\">NASA\/GODDARD\/UNIVERSIDADE DO ARIZONA<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cAs part\u00edculas ejectadas da superf\u00edcie do aster\u00f3ide foram observadas depois da entrada da sonda em \u00f3rbita de Benu\u201d, assinala agora ao P\u00daBLICO Guy Libourel, investigador da Universidade de C\u00f4te d\u2019Azur (em Fran\u00e7a) e um dos autores do estudo. E conta: \u201cEsta descoberta causou uma grande surpresa na equipa da miss\u00e3o que, nessa altura, estava num encontro em Tucson, no Arizona. Contra todas as expectativas, viu-se que Benu \u00e9 um aster\u00f3ide activo.\u201d<\/p>\n<p>Vejamos ent\u00e3o o que foi observado. At\u00e9 \u00e0 entrada da OSIRIS-REx na \u00f3rbita do Benu em Dezembro, j\u00e1 se tinha tentado detectar perdas de mat\u00e9ria de Benu quer em observa\u00e7\u00f5es na Terra quer das aproxima\u00e7\u00f5es da sonda ao aster\u00f3ide.<\/p>\n<aside class=\"rich-link rich-link--news\">\n<div class=\"rich-link__text\">\n<h3 class=\"headline rich-link__title\">Aster\u00f3ide apanhado a desintegrar-se<\/h3>\n<\/div>\n<\/aside>\n<p>Para este estudo, analisaram-se expuls\u00f5es de poeiras que decorreram em Janeiro e Fevereiro deste ano. A 6 e 19 de Janeiro e a 11 de Fevereiro, as c\u00e2maras da OSIRIS-REx mostraram que part\u00edculas entre um e dez cent\u00edmetros estavam a ser expulsas do aster\u00f3ide. Isso acontecia durante a nossa tarde na Terra, entre as 15h e as 18h, em \u00e1reas que n\u00e3o tinham caracter\u00edsticas geol\u00f3gicas semelhantes ao resto da superf\u00edcie de Benu.<\/p>\n<p>A 6 de Janeiro as poeiras sa\u00edram do hemisf\u00e9rio Sul. J\u00e1 a 19 de Janeiro e 11 de Fevereiro isso aconteceu perto do equador do aster\u00f3ide. \u201cEstas part\u00edculas levaram \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de um enxame de meteoros. Mesmo assim, n\u00e3o foram suficientemente individualizados para causar uma chuva de meteoros na Terra\u201d, explica Guy Libourel.<\/p>\n<h2>Como tudo acontece?<\/h2>\n<p>Quanto \u00e0 origem desta actividade, o cientista refere que ainda n\u00e3o se percebeu bem. O mais prov\u00e1vel \u00e9 que resulte de impactos de micrometeoritos, da fractura\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica ou da desidrata\u00e7\u00e3o de certos minerais \u00e0 superf\u00edcie de Benu.<\/p>\n<p>Guy Libourel faz ainda quest\u00e3o de dizer que, desde 2010, a descoberta de aster\u00f3ide activos na cintura de aster\u00f3ides (entre Marte e J\u00fapiter) mudou a nossa percep\u00e7\u00e3o sobre esses objectos. \u201cEnquanto os aster\u00f3ides activos s\u00e3o normalmente identificados por perdas de massa maiores do que as da superf\u00edcie de Benu, esta investiga\u00e7\u00e3o sugere que h\u00e1 uma perda de massa cont\u00ednua dos aster\u00f3ides activos\u201d, indica. \u201cEsta descoberta \u00e9 importante e ajuda-nos a compreender a evolu\u00e7\u00e3o dos aster\u00f3ides, as suas poss\u00edveis eros\u00f5es, assim como a origem de materiais vol\u00e1teis, como a \u00e1gua, na Terra.\u201d<\/p>\n<p>Num coment\u00e1rio ao artigo cient\u00edfico tamb\u00e9m na<em>\u00a0Science<\/em>, Jessica Agarwal (do Instituto Max Planck para a Investiga\u00e7\u00e3o do Sistema Solar, na Alemanha, e que n\u00e3o fez parte do trabalho) refere mesmo: \u201cBenu mostra que \u2013 da perspectiva da Terra \u2013 ele \u00e9 um aster\u00f3ide aparentemente inactivo que pode abrigar din\u00e2micas complexas de novos impactos na sua superf\u00edcie ou at\u00e9 mesmo alimentar\u00a0<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2019\/05\/03\/ciencia\/noticia\/encontrado-pozinho-estrela-antarctida-1871225\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">a poeira interstelar<\/a>.\u201d<\/p>\n<p>O grande objectivo da miss\u00e3o OSIRIS-REx \u00e9 recolher amostras de rochas da superf\u00edcie de Benu e traz\u00ea-las para a Terra. Neste momento, est\u00e3o a iniciar-se os ensaios para a recolha dessas amostras, que dever\u00e1 acontecer a partir de meados do pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E se tiv\u00e9ssemos uma c\u00e2mara de vigil\u00e2ncia a espreitar um aster\u00f3ide do nosso sistema solar?<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":118100,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/asteroide.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/asteroide-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/asteroide-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/asteroide.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/asteroide.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/asteroide.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/asteroide.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/asteroide.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/asteroide.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/asteroide.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"E se tiv\u00e9ssemos uma c\u00e2mara de vigil\u00e2ncia a espreitar um aster\u00f3ide do nosso sistema solar?","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118099"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=118099"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118099\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/118100"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=118099"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=118099"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=118099"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}