{"id":118079,"date":"2019-12-12T12:30:16","date_gmt":"2019-12-12T15:30:16","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=118079"},"modified":"2019-12-07T20:10:39","modified_gmt":"2019-12-07T23:10:39","slug":"que-amazonia-as-novas-geracoes-receberao-de-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/que-amazonia-as-novas-geracoes-receberao-de-nos\/","title":{"rendered":"Que Amaz\u00f4nia as novas gera\u00e7\u00f5es receber\u00e3o de n\u00f3s?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/amazonia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-118080\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/amazonia-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/amazonia-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/amazonia.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>H\u00e1 dezenas de outros \u201ca\u00e7a\u00eds\u201d prontos para o mercado, capazes de estabelecer a bioeconomia, substituindo o boi, a soja e o desmatamento como sin\u00f4nimos de progresso<\/p>\n<p><strong><em>A \u201cfilosofia da pilhagem\u201d, segundo a qual a Amaz\u00f4nia \u00e9 uma reserva sempre dispon\u00edvel, baseia a sua explora\u00e7\u00e3o em contraven\u00e7\u00f5es, em atividades econ\u00f4micas de alto impacto socioambiental e no consumo incapaz de relacionar a carne no prato com o impacto sobre a floresta<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Que Amaz\u00f4nia as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es receber\u00e3o de n\u00f3s? Ser\u00e1 uma Amaz\u00f4nia respeitada e justa, diversa e sustent\u00e1vel, ou ser\u00e1 aquela com os piores indicadores socioambientais do Brasil, em que predomina a concentra\u00e7\u00e3o de renda e poder, e a viola\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de direitos b\u00e1sicos?<\/p>\n<p>H\u00e1 s\u00e9culos o pensamento dominante, com pequeninas nuances e com amplo espectro de seguidores (caso contr\u00e1rio n\u00e3o alcan\u00e7aria tamanha envergadura), acredita que desenvolvimento \u00e9 \u201cocupar\u201d o \u201cvazio populacional e econ\u00f4mico\u201d, fruir os bens que a Amaz\u00f4nia oferece e implantar modelos de fora para dentro.<\/p>\n<p>Essa \u201cfilosofia da pilhagem\u201d, segundo a qual a Amaz\u00f4nia \u00e9 uma reserva do Brasil infind\u00e1vel e sempre dispon\u00edvel, baseia-se em: 1. Contraven\u00e7\u00f5es \u2013 garimpo, roubo de madeira, pesca excessiva, apropria\u00e7\u00e3o de terras p\u00fablicas, desmatamento e queimadas, trabalho prec\u00e1rio e trabalho infantil etc.; 2. Atividades econ\u00f4micas de alto impacto socioambiental \u2013 principalmente a pecu\u00e1ria bovina extensiva e a produ\u00e7\u00e3o intensiva de gr\u00e3os; e 3. Consumidores parvos e est\u00f3lidos \u2013 incapazes de relacionar a carne de seu prato com o impacto sobre a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>A contraven\u00e7\u00e3o deveria ser tratada na esfera policial e judicial. Mas, a eloquente impunidade incentiva contraventores a prosseguir, em um universo de puni\u00e7\u00f5es irris\u00f3rias, protela\u00e7\u00f5es judiciais, multas nunca pagas (e nem sequer cobradas), mecanismos sofisticados de apropria\u00e7\u00e3o do bem p\u00fablico.<\/p>\n<p>As atividades de alto impacto dependem do desmatamento e queimadas sistem\u00e1ticos e, oferecem produtos baratos e de baixo valor agregado ao Brasil e ao mundo, crendo-se vencedores. Entretanto n\u00e3o remuneram as externalidades (custos socioambientais e econ\u00f4micos n\u00e3o contabilizados), e especial os impactos aos povos tradicionais, \u00e0 biodiversidade, a eros\u00e3o do solo, as perdas de servi\u00e7os ambientais (diminui\u00e7\u00e3o de umidade e chuvas, aumento das temperaturas etc.), entre outros. Os impostos, que deveriam compensar algumas externalidades, trazem poucas melhorias para a maioria da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Exporta\u00e7\u00e3o modelo \u201cpata do boi\u201d<\/strong><\/p>\n<p>De longe, a pecu\u00e1ria bovina extensiva \u00e9 a atividade de mais alto impacto socioambiental, respons\u00e1vel por mais de 80% do desmatamento e queimadas. Nada novo a um pa\u00eds que reduziu significativamente as paisagens naturais dos outros biomas a partir do modelo \u201cpata do boi\u201d \u2013 modelo econ\u00f4mico que tem na pecu\u00e1ria bovina extensiva a ocupa\u00e7\u00e3o pioneira do territ\u00f3rio. Nesse modelo, a pecu\u00e1ria \u201cesquenta\u201d a terra at\u00e9 que ela tenha valor, seja terra p\u00fablica invadida, seja privada.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a \u00e9 que na Amaz\u00f4nia a era da motosserra e do trator de esteira acelerou exponencialmente a devasta\u00e7\u00e3o. Poucos visualizam que as decis\u00f5es de consumo por mais carne significou a destrui\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea maior que a soma dos estados de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paran\u00e1, S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Esp\u00edrito Santo. Pior: nada indica que este processo esteja em decl\u00ednio.<\/p>\n<p>O consumo de carne bovina tamb\u00e9m cresce pela avidez da China e outros mercados internacionais por carne barata. sendo que os impactos negativos da produ\u00e7\u00e3o (uso de \u00e1gua, degrada\u00e7\u00e3o do solo, emiss\u00e3o de carbono etc.) se d\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>Mesmo que a produtividade da pecu\u00e1ria na regi\u00e3o avan\u00e7asse estrondosamente (o que, sabemos, n\u00e3o ocorrer\u00e1), esta seguiria sendo o motor da destrui\u00e7\u00e3o. A \u00fanica sa\u00edda seria um conjunto de cadeias de valor sustent\u00e1veis baseadas na biodiversidade, no conhecimento tradicional e no desenvolvimento t\u00e9cnico-cient\u00edfico. Modelos capazes de encontrar outros paradigmas de sucesso que o boiadeiro-desmatador.<\/p>\n<p><strong>Novas gera\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>As esperan\u00e7as estariam nas novas gera\u00e7\u00f5es e seus novos padr\u00f5es de responsabilidade \u2013 no reconhecimento de popula\u00e7\u00f5es tradicionais, na relev\u00e2ncia da biodiversidade e servi\u00e7os ambientais, nas decis\u00f5es de consumo.<\/p>\n<p>Os jovens ter\u00e3o for\u00e7as para exigir mudan\u00e7as profundas na Amaz\u00f4nia, substituindo os pastos monotonamente improdutivos por uma bioeconomia vibrante e socialmente justa? E, uma quest\u00e3o ainda mais cr\u00edtica: haver\u00e1 tempo para mudan\u00e7as t\u00e3o profundas de\u00a0 comportamentos, diante de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que atingem duramente regi\u00f5es como a Amaz\u00f4nia?<\/p>\n<blockquote><p>O a\u00e7a\u00ed pode servir de exemplo, pois seu enorme crescimento se deve ao consumo dos jovens como algo associado \u00e0 sa\u00fade. Apesar do trabalho prec\u00e1rio e infantil que impacta mais de cem mil fam\u00edlias, este aponta um caminho: como um produto que praticamente era de consumo local e considerado \u201ccomida de pobre\u201d tornou-se uma cadeia de valor com perspectivas de gerar renda local e \u201cimitar a floresta\u201d?<\/p><\/blockquote>\n<p>De fato, h\u00e1 dezenas de outros \u201ca\u00e7a\u00eds\u201d prontos para o mercado, capazes de estabelecer a bioeconomia, substituindo o boi, a soja e o desmatamento como sin\u00f4nimos de progresso. Est\u00e1 na hora de a for\u00e7a jovem exigir o legado que quer receber das gera\u00e7\u00f5es no comando da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p><em>*Escritor e diretor do Instituto Peabiru, tem nove livros e diversos artigos dedicados \u00e0 quest\u00e3o amaz\u00f4nica<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 dezenas de outros \u201ca\u00e7a\u00eds\u201d prontos para o mercado, capazes de estabelecer a bioeconomia, substituindo<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":118080,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/amazonia.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/amazonia-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/amazonia-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/amazonia.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/amazonia.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/amazonia.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/amazonia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/amazonia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/amazonia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/amazonia.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"H\u00e1 dezenas de outros \u201ca\u00e7a\u00eds\u201d prontos para o mercado, capazes de estabelecer a bioeconomia, substituindo","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118079"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=118079"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118079\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/118080"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=118079"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=118079"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=118079"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}