{"id":117931,"date":"2019-12-09T12:30:48","date_gmt":"2019-12-09T15:30:48","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=117931"},"modified":"2019-12-06T20:35:14","modified_gmt":"2019-12-06T23:35:14","slug":"sauvas-aceleram-corte-e-transporte-de-folhas-diante-de-ameaca-de-chuva-e-vendaval","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/sauvas-aceleram-corte-e-transporte-de-folhas-diante-de-ameaca-de-chuva-e-vendaval\/","title":{"rendered":"Sa\u00favas aceleram corte e transporte de folhas diante de amea\u00e7a de chuva e vendaval"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/formigas.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-117932\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/formigas-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/formigas-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/formigas.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>As sa\u00favas (<em>Atta sexdens<\/em>) enfrentam dois grandes desafios ao deixar a seguran\u00e7a do ninho para forragear: escolher as melhores plantas para coletar folhas e evitar serem surpreendidas por um vendaval ou um temporal, o que atrapalharia a conclus\u00e3o da tarefa.<\/p>\n<p>Um estudo feito por pesquisadores da Escola de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de S\u00e3o Paulo (Esalq-USP) mostrou que essas formigas cortadeiras s\u00e3o capazes de prever condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas adversas ao perceberem mudan\u00e7as na press\u00e3o atmosf\u00e9rica.<\/p>\n<p>Ao detectar uma queda acentuada na press\u00e3o atmosf\u00e9rica \u2013 que na maioria dos casos \u00e9 um sinal de chuva e ventos fortes iminentes \u2013, as formigas cortadeiras passam a executar as tarefas rotineiras de corte e transporte das folhas de forma muito mais r\u00e1pida. Dessa forma, conseguem coletar e armazenar a maior quantidade poss\u00edvel de alimentos para o ninho, observaram os pesquisadores.<\/p>\n<p>Os resultados do estudo, feito no \u00e2mbito do\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/97241\/inct-2014-instituto-nacional-de-ciencia-tecnologia-de-semioquimicos-na-agricultura\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia de Semioqu\u00edmicos na Agricultura<\/a><\/strong>\u00a0\u2013 um dos INCTs financiados pela FAPESP e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) no Estado de S\u00e3o Paulo \u2013, foram publicados na revista\u00a0<em>Ethology<\/em>.<\/p>\n<p>\u201cObservamos que a capacidade de as formigas cortadeiras perceberem mudan\u00e7as na press\u00e3o atmosf\u00e9rica permite prever condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas adversas e mudar as estrat\u00e9gias de forrageamento\u201d, disse \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia FAPESP<\/strong>\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/2452\/jose-mauricio-simoes-bento\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jos\u00e9 Maur\u00edcio Sim\u00f5es Bento<\/a><\/strong>, professor da Esalq-USP e um dos autores do estudo.<\/p>\n<p>De acordo com o Bento, a busca de alimentos \u00e9 essencial em um ninho de formigas cortadeiras, uma vez que somente uma pequena parte dos indiv\u00edduos sai da col\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u201cMuitas castas das sa\u00favas, como a rainhas, as jardineiras e fases imaturas das formigas, permanecem no interior do ninho. Somente saem as forrageiras, para cortar e transportar as folhas, e os soldados, para defender a entrada da col\u00f4nia\u201d, explicou.<\/p>\n<p>As escoteiras, que s\u00e3o as primeiras forrageiras a sair, t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de explorar os arredores do ninho e encontrar uma planta adequada para extrair as folhas. Ao localiz\u00e1-la, retornam \u00e0 col\u00f4nia, marcando uma trilha com um ferom\u00f4nio para que as demais oper\u00e1rias possam se guiar at\u00e9 a planta, fazer o corte e o carregamento das folhas para o ninho.<\/p>\n<p>A maior parte desse material vegetal \u00e9 usada para cultivar, no interior do formigueiro, um fungo da esp\u00e9cie\u00a0<em>Leucoagaricus gongylophorus<\/em>, com o qual essas formigas mant\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o de mutualismo. As folhas trazidas pelas oper\u00e1rias servem de substrato para o crescimento do microrganismo, que doa parte de suas hifas (filamentos de c\u00e9lulas) para a alimenta\u00e7\u00e3o da col\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u201cEssas formigas cortadeiras cultivam esse fungo para ter o alimento em grande disponibilidade, principalmente como uma reserva para os per\u00edodos de maior escassez\u201d, disse Bento.<\/p>\n<p><strong>Maior rapidez<\/strong><\/p>\n<p>A fim de avaliar se as formigas cortadeiras s\u00e3o capazes de perceber varia\u00e7\u00f5es da press\u00e3o atmosf\u00e9rica e, dessa forma, mudar suas estrat\u00e9gias de forrageamento, os pesquisadores analisaram o recrutamento de oper\u00e1rias e os padr\u00f5es de corte e carregamento de folhas desses insetos sob condi\u00e7\u00f5es de press\u00e3o atmosf\u00e9rica alta e baixa em compara\u00e7\u00e3o com uma condi\u00e7\u00e3o est\u00e1vel.<\/p>\n<p>No experimento, ninhos de sa\u00fava foram introduzidos em uma c\u00e2mara barom\u00e9trica e submetidos durante tr\u00eas horas a condi\u00e7\u00f5es de press\u00e3o atmosf\u00e9rica est\u00e1vel (950 milibar), alta (de 958 mbar) e baixa (de 942 mbar).<\/p>\n<p>\u201cEscolhemos uma varia\u00e7\u00e3o de press\u00e3o de 8 milibar entre as condi\u00e7\u00f5es baixa, est\u00e1vel e alta, porque tem sido a m\u00e9dia registrada nas cidades brasileiras que produzem eucalipto ou rosas, onde a sa\u00fava \u00e9 considerada uma praga agr\u00edcola\u201d, explicou Bento.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s as diferentes condi\u00e7\u00f5es de press\u00e3o atmosf\u00e9rica serem atingidas, o ninho foi filmado por uma hora, uma vez que a chuva e o vento geralmente acontecem horas ap\u00f3s a diminui\u00e7\u00e3o da press\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse est\u00e1gio, a entrada do ninho foi aberta, de modo a possibilitar \u00e0s formigas o acesso a uma roseira por meio de uma plataforma montada em frente \u00e0s col\u00f4nias.<\/p>\n<p>Foram analisados estatisticamente o tempo que a primeira formiga escoteira deixou ou ninho, al\u00e9m do n\u00famero total de oper\u00e1rias forrageiras e de folhas cortadas e trazidas para a col\u00f4nia.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises indicam que, em uma condi\u00e7\u00e3o de baixa press\u00e3o, as escoteiras deixaram seus ninhos 2,8 vezes mais r\u00e1pido do que quando a press\u00e3o foi constante e 3,7 vezes mais r\u00e1pido do que em alta press\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAs formigas percebem individualmente a queda da press\u00e3o atmosf\u00e9rica e, a partir disso, aumentam a efici\u00eancia no forrageamento. Essa maior agilidade permite encontrar maior quantidade de mat\u00e9ria vegetal, uma vez que, ap\u00f3s o temporal, as plantas normalmente perdem parte das folhas que carregam, reduzindo a quantidade dispon\u00edvel\u201d, afirmou Bento.<\/p>\n<p>Os pesquisadores n\u00e3o observaram uma diferen\u00e7a no n\u00famero de oper\u00e1rias recrutadas para a coleta das folhas. No entanto, constataram que entre 1,5 e 2 vezes mais folhas foram cortadas e trazidas para o ninho durante a queda da press\u00e3o atmosf\u00e9rica.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do pesquisador, o esfor\u00e7o de todas as forrageiras para transportar e trazer uma quantidade maior de alimentos para a col\u00f4nia em uma situa\u00e7\u00e3o adversa mostra a alta capacidade de tomada de decis\u00e3o desses insetos em favor da manuten\u00e7\u00e3o do grupo, sem um controle central ou unit\u00e1rio. \u201cEsse \u00e9 mais um ind\u00edcio de qu\u00e3o evolu\u00eddos s\u00e3o esses insetos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<em>Foraging activity of leaf-cutter ants is affected by barometric pressure<\/em>\u00a0(DOI: 10.1111\/eth.12967), de Fernando R. Sujimoto, Camila M. Costa, Caio H. L. Zitelli e Jos\u00e9 Maur\u00edcio S. Bento, pode ser lido na revista\u00a0<em>Ethology<\/em>\u00a0em\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1111\/eth.12967\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1111\/eth.12967<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/w2TqPTHFZgA\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As sa\u00favas (Atta sexdens) enfrentam dois grandes desafios ao deixar a seguran\u00e7a do ninho para<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":117932,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/formigas.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/formigas-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/formigas-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/formigas.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/formigas.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/formigas.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/formigas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/formigas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/formigas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/formigas.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"As sa\u00favas (Atta sexdens) enfrentam dois grandes desafios ao deixar a seguran\u00e7a do ninho para","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/117931"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=117931"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/117931\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/117932"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=117931"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=117931"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=117931"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}