{"id":11742,"date":"2014-12-06T18:00:46","date_gmt":"2014-12-06T18:00:46","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=11742"},"modified":"2014-12-06T11:38:08","modified_gmt":"2014-12-06T11:38:08","slug":"brasil-e-china-lancam-novo-satelite-na-madrugada-deste-domingo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/brasil-e-china-lancam-novo-satelite-na-madrugada-deste-domingo\/","title":{"rendered":"Brasil e China lan\u00e7am novo sat\u00e9lite na madrugada deste domingo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/satelite.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-11743\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/satelite.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Depois de um hiato de quase cinco anos, o Brasil poder\u00e1 finalmente voltar a contar com um sat\u00e9lite pr\u00f3prio de observa\u00e7\u00e3o da Terra, equipamento fundamental para pol\u00edticas como o combate ao desmatamento, gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos e de mudan\u00e7as no uso do solo. Na madrugada deste domingo, o pa\u00eds pretende lan\u00e7ar, com a China, o CBERS-4, quinto e \u00faltimo equipamento de sensoriamento remoto previsto no atual acordo de coopera\u00e7\u00e3o espacial entre as duas na\u00e7\u00f5es. O lan\u00e7amento, marcado para \u00e0 1h26 no hor\u00e1rio de Bras\u00edlia, ser\u00e1 feito com o mesmo modelo do foguete chin\u00eas Longa Marcha, o 4B, cuja falha no segundo est\u00e1gio quase um ano atr\u00e1s causou a perda de seu antecessor, o CBERS-3.<\/p>\n<p>Diretor de Pol\u00edtica Espacial e Investimentos Estrat\u00e9gicos da Ag\u00eancia Espacial Brasileira (AEB), Petr\u00f4nio Noronha de Souza conta que o acidente com o CBERS-3 demandou um grande esfor\u00e7o dos t\u00e9cnicos da ag\u00eancia, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da China para adiantar o lan\u00e7amento de seu sucessor, inicialmente previsto apenas para o fim de 2015. Antes, os dois pa\u00edses j\u00e1 tinham lan\u00e7ado com sucesso o CBERS-1 (1999), o CBERS-2 (2003) e o CBERS-2B (2007).<\/p>\n<p>\u2014 Foi um imenso desafio para as equipes fazer em um ano o que estava previsto para ser realizado em dois \u2014 diz. \u2014 A falha no lan\u00e7amento do CBERS-3 foi um infort\u00fanio, mas t\u00ednhamos a alternativa do CBERS-4, com todos equipamentos necess\u00e1rios para sua montagem praticamente prontos, o que permitiu acelerar o processo.<\/p>\n<p>Em caso de novo acidente no lan\u00e7amento do CBERS-4, no entanto, o cen\u00e1rio \u00e9 bem diferente, admite Souza. O diretor da AEB, por\u00e9m, afirma \u201cnem contemplar esta possibilidade\u201d. Segundo ele, a falha do ano passado foi pontual e as investiga\u00e7\u00f5es apontaram que ela foi provocada por um defeito de fabrica\u00e7\u00e3o no motor do foguete, j\u00e1 solucionado.<\/p>\n<p>\u2014 Desde ent\u00e3o, os chineses j\u00e1 fizeram v\u00e1rios outros lan\u00e7amentos com o mesmo foguete ao longo deste ano, confirmando a confiabilidade do sistema. Estou muito esperan\u00e7oso quanto ao sucesso do lan\u00e7amento deste domingo.<\/p>\n<p><strong>Duas c\u00e2meras brasileiras<\/strong><\/p>\n<p>O CBERS-4 repete a configura\u00e7\u00e3o do antecessor, com o Brasil respons\u00e1vel por 50% dos componentes do novo sat\u00e9lite. Assim, duas das quatro c\u00e2meras a bordo foram inteiramente desenvolvidas e fabricadas no pa\u00eds, pelas empresas Opto Eletr\u00f4nica e Equatorial: a Multiespectral Regular (MUX), de m\u00e9dia resolu\u00e7\u00e3o; e a de Campo Largo (WFI), de baixa resolu\u00e7\u00e3o, mas ampla vis\u00e3o. Completam a lista as chinesas Pancrom\u00e1tica e Multiespectral (PAN), de alta resolu\u00e7\u00e3o; e a Multiespectral e Termal (IRS), tamb\u00e9m de m\u00e9dia resolu\u00e7\u00e3o e infravermelha, o que permite que fa\u00e7a observa\u00e7\u00f5es noturnas. Sa\u00edram daqui ainda, a pr\u00f3pria estrutura do sat\u00e9lite, o sistema de fornecimento de energia, o de coleta de dados ambientais e o gravador de dados digitais.<\/p>\n<p>Com as quatro c\u00e2meras do sat\u00e9lite, Brasil e China ter\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o uma variada gama de imagens e dados que podem ser combinados para diversos usos, diz Jo\u00e3o Vianei Soares, coordenador da \u00e1rea de aplica\u00e7\u00f5es do Programa CBERS (sigla em ingl\u00eas para \u201csat\u00e9lite sino-brasileiro de recursos terrestres\u201d) no Inpe. Ele explica que quanto maior a resolu\u00e7\u00e3o, menor a largura da faixa de terra observada pela c\u00e2mera, o que se traduz em um per\u00edodo mais longo para a chamada \u201crevisita\u201d, isto \u00e9, voltar a observar a mesma regi\u00e3o na superf\u00edcie do planeta. No caso da MUX e da IRS, ele fica em 26 dias, enquanto no da PAN chega a 52 dias. J\u00e1 com a WFI, que pode ver uma faixa de 866 quil\u00f4metros, a revisita \u00e9 de menos de cinco dias, o que faz dela ideal para, por exemplo, identificar rapidamente casos de desmatamento dentro do sistema Deter (Detec\u00e7\u00e3o de Desmatamento em Tempo Real) da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 A WFI se presta muito para esta verifica\u00e7\u00e3o quase em tempo real do desmatamento, permitindo flagrantes de casos e evitando um dano maior para o meio ambiente \u2014 destaca Soares.<\/p>\n<p>Segundo o especialista, desde a sa\u00edda de opera\u00e7\u00e3o do CBERS-2B, em mar\u00e7o de 2010, o Inpe teve que recorrer \u00e0 compra de imagens produzidas por sat\u00e9lites estrangeiros, como os americanos Landsat e os indianos Resourcesat, para seus programas e atender \u00e0s necessidades do governo e da sociedade. Com a entrada em opera\u00e7\u00e3o do CBERS-4, por\u00e9m, ele espera que o Inpe volte a fornecer a m\u00e9dia de mais de 500 mil imagens anuais captadas mais de acordo com as necessidades do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Falta de recursos cr\u00f4nica<\/strong><\/p>\n<p>Mas o lan\u00e7amento do CBERS-4 tamb\u00e9m representa um retorno aos holofotes do combalido Programa Espacial Brasileiro, marcado pela falta de recursos, muitas falhas e uma trag\u00e9dia, a explos\u00e3o do prot\u00f3tipo do Ve\u00edculo Lan\u00e7ador de Sat\u00e9lites (VLS) em 22 de agosto de 2003 durante um teste na plataforma da Base Espacial de Alc\u00e2ntara, no Maranh\u00e3o, que matou 21 pessoas, entre elas alguns dos principais c\u00e9rebros que trabalhavam no projeto. Para Petr\u00f4nio de Souza, o evento ser\u00e1 uma boa oportunidade para acelerar as negocia\u00e7\u00f5es, j\u00e1 em curso, de um novo acordo com a China, que hoje toca um dos mais ambiciosos programas espaciais do mundo.<\/p>\n<p>\u2014 Estamos negociando um plano decenal conjunto de atividades espaciais que pode envolver outros sat\u00e9lites ou mesmo uma nova fam\u00edlia de sat\u00e9lites com diversos fins \u2014 adianta o diretor da AEB, que n\u00e3o quis prever quando este novo acordo poderia ser fechado.<\/p>\n<p>Enquanto isso, Souza garante que o Brasil continua a avan\u00e7ar, ainda que lentamente, em seus outros projetos na \u00e1rea, como, por exemplo, o acesso ao espa\u00e7o por meios pr\u00f3prios com foguetes como o VLS; a constru\u00e7\u00e3o e lan\u00e7amento Amaz\u00f4nia-1, primeiro de uma nova gera\u00e7\u00e3o de sat\u00e9lites nacionais de observa\u00e7\u00e3o da Terra; e do SABIA-Mar (Sat\u00e9lite Argentino-Brasileiro de Informa\u00e7\u00f5es Ambientais Mar\u00edtimas), de estudos oceanogr\u00e1ficos. Para isso, a AEB espera contar no ano que vem com o mesmo volume de recursos repassados em 2014, da ordem de R$ 300 milh\u00f5es, ainda assim bem abaixo dos indicados no Programa Nacional de Atividades Espaciais, lan\u00e7ado em 2012 e que previa investimentos de R$ 9,1 bilh\u00f5es no setor at\u00e9 2021.<\/p>\n<p>\u2014 Com isso, n\u00e3o haver\u00e1 uma explos\u00e3o de atividade, mas conseguiremos manter ritmo de trabalho para continuar a avan\u00e7ar aos poucos, dentro da realidade brasileira \u2014 conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de um hiato de quase cinco anos, o Brasil poder\u00e1 finalmente voltar a contar<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":11743,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/satelite.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/satelite.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/satelite.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/satelite.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/satelite.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/satelite.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/satelite.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/satelite.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/satelite.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/satelite.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Depois de um hiato de quase cinco anos, o Brasil poder\u00e1 finalmente voltar a contar","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11742"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11742"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11742\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11743"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11742"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11742"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11742"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}