{"id":11724,"date":"2014-12-05T12:18:53","date_gmt":"2014-12-05T12:18:53","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=11724"},"modified":"2014-12-05T12:18:53","modified_gmt":"2014-12-05T12:18:53","slug":"o-derretimento-oculto-das-gigantescas-plataformas-de-gelo-da-antartica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-derretimento-oculto-das-gigantescas-plataformas-de-gelo-da-antartica\/","title":{"rendered":"O derretimento oculto das gigantescas plataformas de gelo da Ant\u00e1rtica"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/gelo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-3978\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/gelo.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>A \u00e1gua nas profundezas do oceano em torno da Ant\u00e1rtica ficou mais quente nas \u00faltimas d\u00e9cadas, aos poucos \u201ccomendo\u201d por baixo as gigantescas plataformas de gelo que avan\u00e7am do continente sobre o mar e amea\u00e7ando at\u00e9 a pr\u00f3pria integridade do imenso manto gelado que o recobre.<\/p>\n<p>Embora h\u00e1 tempos os cientistas desconfiassem que este processo estava acontecendo, um grupo internacional de pesquisadores pela primeira vez verificou o aumento na temperatura da \u00e1gua pr\u00f3xima ao leito oce\u00e2nico da plataforma continental ant\u00e1rtica, em especial na sua por\u00e7\u00e3o Oeste, que estaria por tr\u00e1s do r\u00e1pido derretimento das plataformas de gelo observado nesta regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar de ainda n\u00e3o se saber se o processo \u00e9 irrevers\u00edvel, caso apenas as plataformas de gelo sobre os mares de Amundsen e Bellingshausen, na Ant\u00e1rtica Ocidental, venham de fato a sumir ao longo dos pr\u00f3ximos s\u00e9culos, o n\u00edvel m\u00e9dio global dos oceanos vai subir quase cinco metros, inundando cidades e regi\u00f5es costeiras que hoje s\u00e3o lar da maior parte da popula\u00e7\u00e3o da Terra.<\/p>\n<p>\u2014 A acelera\u00e7\u00e3o do derretimento do gelo nesta \u00e1rea tem sido observada h\u00e1 algum tempo, causando uma grande contribui\u00e7\u00e3o para a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar no mundo inteiro \u2014 lembra Karen Heywood, pesquisadora da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, e uma das autoras do estudo, publicado na edi\u00e7\u00e3o desta semana da revista \u201cScience\u201d. \u2014 O que demonstramos \u00e9 como as mudan\u00e7as oceanogr\u00e1ficas no \u00faltimo meio s\u00e9culo provavelmente causaram este derretimento. Se a \u00e1gua continuar a se aquecer, a crescente penetra\u00e7\u00e3o de massas de \u00e1gua mais quente nas plataformas de gelo vai acelerar ainda mais este processo, com grande impacto no ritmo de eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar.<\/p>\n<p>De acordo com os resultados do estudo, a \u00e1gua sob as plataformas de gelo de ambos mares no Oeste da Ant\u00e1rtica tem se aquecido a uma taxa de 0,1 a 0,3 grau Celsius por d\u00e9cada desde os anos 1960 e sua temperatura hoje varia entre 0,5 e 1,5 grau Celsius. Embora essas temperaturas ainda pare\u00e7am muito baixas, os cientistas alertam que elas representam um significativo e crescente aumento da transfer\u00eancia de calor de outras \u00e1reas do planeta para o oceano austral.<\/p>\n<p>\u2014 Pode n\u00e3o parecer muito, mas \u00e9 uma enorme quantidade de calor extra dispon\u00edvel para derreter o gelo \u2014 destaca Sunke Schmidtko, do Centro Helmholtz de Pesquisas Oce\u00e2nicas de Kiel, na Alemanha, e principal autor do estudo.<\/p>\n<p>O glaciologista Jefferson Cardia Sim\u00f5es, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), explica que as plataformas de gelo tamb\u00e9m funcionam como \u201ctamp\u00f5es\u201d que bloqueiam o fluxo dos glaciares do manto sobre o continente em dire\u00e7\u00e3o ao oceano. Sem elas, conta, n\u00e3o s\u00f3 o caminho ficar\u00e1 livre como seu derretimento acabar\u00e1 por \u201clubrificar\u201d o processo, fazendo com que este fluxo fique ainda mais r\u00e1pido. Al\u00e9m disso, ele lembra que por estarem \u201cpousadas\u201d diretamente sobre o oceano, as plataformas de gelo dos mares de Amundsen e Bellingshausen s\u00e3o mais sens\u00edveis \u00e0s varia\u00e7\u00f5es na temperatura da \u00e1gua em volta da Ant\u00e1rtica.<\/p>\n<p>\u2014 As mudan\u00e7as est\u00e3o acontecendo muito r\u00e1pido e n\u00e3o ser\u00e1 um cen\u00e1rio muito bonito para o futuro se este processo continuar \u2014 diz. \u2014 N\u00e3o \u00e9 algo que vai acontecer da noite para o dia, e sim em 400 a 500 anos. Ainda temos que esperar e ver se a regi\u00e3o vai atingir um novo estado de equil\u00edbrio e este processo vai parar em algum ponto, mas provavelmente estamos deixando de heran\u00e7a um grande problema para as futuras gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Continente perde um Everest a cada dois anos<\/strong><\/p>\n<p>E, por enquanto, as perspectivas quanto a isso n\u00e3o s\u00e3o nada boas. Com uma cobertura de gelo de 2,1 quil\u00f4metros de espessura em m\u00e9dia, a Ant\u00e1rtica concentra cerca 70% de toda \u00e1gua doce da Terra que, se fosse totalmente derretida, elevaria o n\u00edvel dos oceanos em 60 metros.<\/p>\n<p>Segundo outro estudo publicado hoje no peri\u00f3dico cient\u00edfico \u201cGeophysical Research Letters\u201d, feito por pesquisadores da Universidade da Calif\u00f3rnia em Irvine, nos EUA, e do Laborat\u00f3rio de Propuls\u00e3o a Jato da Nasa com base em dados de sat\u00e9lites da ag\u00eancia espacial americana e da Ag\u00eancia Espacial Europeia (ESA), a taxa m\u00e9dia de perda de gelo em todo continente ant\u00e1rtico desde 1992 chega a 83 gigatoneladas (bilh\u00f5es de toneladas) ao ano, ou o equivalente a um monte Everest, a montanha mais alta do mundo, com uma massa estimada de 161 gigatoneladas, a cada dois anos.<\/p>\n<p>Mas o levantamento indica que os glaciares do Mar de Amundsen est\u00e3o perdendo gelo quase tr\u00eas vezes mais r\u00e1pido do que apenas pouco mais de 20 anos atr\u00e1s. L\u00e1, o ritmo do derretimento subiu de 6,1 gigatoneladas em 1992 para uma m\u00e9dia de 16,3 gigatoneladas anuais entre 2003 e 2009.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00e1gua nas profundezas do oceano em torno da Ant\u00e1rtica ficou mais quente nas \u00faltimas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3978,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/gelo.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/gelo.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/gelo.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/gelo.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/gelo.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/gelo.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/gelo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/gelo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/gelo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/gelo.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A \u00e1gua nas profundezas do oceano em torno da Ant\u00e1rtica ficou mais quente nas \u00faltimas","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11724"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11724"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11724\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3978"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11724"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11724"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11724"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}